XUARZZA
Cara, não acredito, a sério, que isso seja possível no Brasil, não por termos mais cultura política, mas por conta de um certo servilismo que ainda temos. O Lula venceu, é certo, mas acho que tendemos ainda a votar em dotô
DIZIMO
Manos, indignado estou. Como já havia acontecido em diversas administrações do PT, os cargos comissionados estão sendo utilizados como fonte de dízimo pro PT. O servidor certamente tem todo o direito de dispor de seus proventos da maneira que bem entender, mas utilizar deliberadamente a nomeação é que é a bosta. O erro é de quem nomeia. Pelo menos somos roubados às claras, e não na miúda, como antes...

. Medo de partido único...
Ainda acredito no Lula, mas vou acabar me tornando anarquista, como o nonno...
Bom, com a palavra o estupendo LFV (inveja...):
Galinhas
Atenção: parábola. Num país chamado, digamos, Brasil, havia um grande criador de galinhas chamado, digamos, José. Apesar do tamanho da sua criação, José era um homem simples. E um dia José começou a notar que estavam roubando suas galinhas. Todas as manhãs, chegava ao galinheiro, contava suas galinhas e dava falta de uma. Alguém estava entrando no galinheiro durante a noite e levando suas galinhas, uma por uma. Um compadre de José o aconselhou a contratar um vigia. A função do vigia era passar a noite acordado, vigiando o galinheiro. Mas as galinhas continuaram a ser roubadas. Só que agora, em vez de dar falta de uma galinha todas as manhãs, José dava falta de duas. E o vigia jurava que tinha passado a noite acordado, mas não vira ninguém entrar no galinheiro.
0 0 0 José era um homem de boa vontade, mas desconfiou que o vigia fizera um acordo com o ladrão. Para não denunciá-lo, ganhava uma galinha. O ladrão roubava uma galinha para ele e outra para o vigia. Seria isso? Aconselhado pelo compadre, José contratou um vigia para vigiar o vigia. Sua função era passar a noite acordado, para ver se o ladrão e o vigia tinham mesmo feito um acordo para dividir as galinhas roubadas. E, claro, para impedir o roubo e a divisão. Mas as galinhas continuaram sendo roubadas. Só que agora, em vez de dar falta de duas galinhas todas as manhãs, José dava falta de três.
O vigia jurava que não vira ninguém. O vigia do vigia jurava que não vira nada. José era um homem ingênuo, mas concluiu que o ladrão fizera um acordo com os dois. Dava uma galinha para cada um e levava a sua.
0 0 0 O compadre do José disse que não adiantaria contratar um vigia do vigia do vigia. Eram todos amadores, ganhavam pouco, a tentação de aceitar propina era grande demais. Aconselhou José a recorrer a profissionais. A uma firma de vigilância, das que davam nota fiscal. E a vigilância do galinheiro passou a ser feita por três duplas equipadas com equipamento de último tipo, inclusive câmeras infravermelhas e binóculos que viam no escuro, revezando-se em três turnos de quatro horas cada uma. Seis profissionais, todas as noites, a noite inteira, para vigiar os vigias e o galinheiro. Mas as galinhas continuaram sendo roubadas. Só que agora, em vez de dar falta de três galinhas todas as manhãs, José dava falta de doze. O vigia jurava que não vira ninguém entrar no galinheiro. O vigia do vigia jurava que não também não vira nada. E o relatório da equipe da firma de vigilância era:
"Tudo normal." José era um homem de pouco estudo, mas não demorou em fazer as contas e chegar a uma explicação. O ladrão fizera outro acordo: dava uma galinha para o vigia, uma para o vigia do vigia, uma para cada um dos seis membros da equipe de vigilância e mais três para cobrir os custos da firma de vigilância com o equipamento de último tipo. E ficava com a sua.
0 0 0 Foi quando José ouviu do compadre a sugestão: por que ele não recorria ao governo? "Ao governo?", disse José. "Claro", disse o compadre. O governo o ajudaria. Era para isso que ele, José, pagava seus impostos, para ter a ajuda do governo. E o compadre passou a contar ao José tudo o que o governo podia fazer por ele.
O governo tinha muita gente. Tinha polícias. Tinha fiscais. Tinha viaturas.
Tinha uma estrutura enorme. Precisava dizer mais? Tinha até uma cidade inteira quase só dele, chamada, digamos, Brasília. José deveria recorrer ao governo para vigiar seu galinheiro. E José, que não era um pensador, mas era um homem lógico, pensou no que o ladrão já estava tendo que roubar para honrar seus acordos e exclamou:
- Tá doido?! Aí mesmo é que eu perco todas as galinhas de uma só vez!
Epílogo José dispensou a firma de vigilância, o vigia do vigia e o vigia. Ficou ele mesmo de guarda no galinheiro e, quando o ladrão chegou, no meio da noite, lhe fez uma proposta. A cada galinha que roubasse, o ladrão lhe daria uma, até o galinheiro ficar vazio. E com a sua parte nos roubos, José começou outra criação de galinhas. Na Suíça.

"I used to be on an endless run.
Believe in miracles 'cause I'm one.
I have been blessed with the power to survive.
After all these years I'm still alive."
Joey Ramone, em uma das minhas músicas favoritas ("I Believe in Miracles")