Senador e ex-ministro critica governo por ter tirado a educação do foco do programa; foco de Lula 'é o voto'
O crescimento do número de famílias pobres beneficiadas por programas sociais não é sinal de sucesso, e sim de um sério desvio no esforço pela eliminação da miséria, adverte o senador Cristovam Buarque (PDT-DF). Idealizador do Bolsa-Escola, justamente o programa que inspirou o Bolsa-Família - carro-chefe das políticas sociais do governo Lula -, Cristovam lembra que o objetivo do País é ter cada vez menos necessitados do auxílio, reduzindo o número de beneficiados. Segundo o IBGE, entretanto, a parcela de domicílios que recebem dinheiro de programas sociais no Brasil cresceu de 15,6% em 2004 para 18,3% em 2006, conforme dados divulgados na sexta-feira, 28.
O problema, diz o senador, é que o Bolsa-Família não tem o foco na educação. "A educação das crianças é o único caminho para a emancipação dessas famílias, mas o programa deixou de ter impacto nessa emancipação", afirma. "Há uma grande diferença entre pensar 'recebo o benefício porque meu filho vai à escola' e 'recebo porque sou pobre', como ocorre agora." O Bolsa-Família exige dos pais a garantia de freqüência escolar dos filhos, mas Cristovam vê uma certa frouxidão neste quesito, e lembra o "controle rigorosíssimo" exigido pelo Bolsa-Escola que ele exportou para o México.
Mantido como está, o Bolsa-Família nunca vai reduzir o número de beneficiários, prevê o senador. Em 2006, dos cerca de 10 milhões de domicílios brasileiros onde pelo menos uma pessoa recebeu benefício de programas sociais, 8,1 milhões tinham seu sustento no Bolsa Família, segundo o IBGE. Enquanto puder ser sustentado, "o programa vai manter ou aumentar seus números e seu custo", tendendo a ser um programa permanente, e não um socorro às famílias em situação de extrema necessidade, comentou Cristovam, por telefone, de Santiago do Chile.
(texto completo em http://www.estadao.com.br/nacional/not_nac147894,0.htm)