VINHOS (e demais fermentados)

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😏 Inaugurando a seção de vinhos da Saidera:

SALTON MERLOT SAFRA 2001

minha cultura vinícola, no momento, se resume a saber diferenciar um merlot dum cabernet sauvignon, dum tempranillo, dum siraz e dum chardonay - que é diferente porque é branco, enquanto todos os outros são tintos, aprendam com o titio...
Não sei dizer se o Salton tem "fumos de frutas vermelhas e cheiro de raposa molhada", mesmo porque deveria ser fedido pra caralho, só sei que acho que um cabernet sauvignon tem gosto de pimentão, e por isso prefiro merlot.
Pois bem, achei esse merlot no Pão de Açúcar a 18,00, deilão a menos que o Miolinho. Como já tinha lido qualquer coisa que a Salton é uma boa vinícola, arrisquei, e me surpreendi. Vale muito a pena, bem frutado, não amarra nem um pouco na boca - os especialistas, quan do querem dizer isso, dizem que o vinho é pouco tânico. Ponha na geladeira meia hora antes de abrir, abra o vinho e deixe a garrafa aberta por uns quinze minutos, pra oxidar um pouco (quebra os tais dos taninos) e estabilizar. Aí é só da garrafa pro copo. 🍷

Discussão (28 respostas)

Acho que temos que fazer alguns testes cegos na Saidera, pra ver se aprendemos algo:
Teste cego de água mineral, de cerveja e de vinho.
mas qual o objetivo dos testes gegos de vinho? acertar o vinho? IMPOSSÍVEL, ninguém aqui nem de longe é o Robert parker, o cara que diz se um vinho vai custar 20 dólares ou 1500 dólares a garrafa dando nota pro vinho. Ele, além de acertar o produtor, acerta a safra. O máximo que alguém normal consegue fazer eé acertar a uva, mas depois duns anos bebendo.
Vai que temos um Wolverine entre nós? 😁
Dá pra perceber qual é branco, qual é tinto?
E na cerveja dá pra fazer: essa eu gosto, essa é da boa, essa é da nova...
🍻
como eu disse, da pra diferenciar uvas, então diferenciar branco de tinto é obrigatório. 🍷
depois que encontra as "uvas" que vc gosta, dá para diferenciar as marcas, mas só depois de tomar muito;

pessoalmente eu acho a cabernet sauvignon muito bom para acompanhar um almoço, pois acho mais leve (isso em comparação com Vapolliccela) o Merlo tb é muito bom, mais depende um pouco mais de quem faz.
dizem q é o melhor vinho já feito no Brasil. Aguardem a degustação saidera.

O TALENTO DA SALTON
As lojas se preparam para receber as garrafas da safra 2002 de
um tinto da fabricante gaúcha que pode fazer história. Os
desgustadores apostam: é o primeiro grande vinho brasileiro

A cor púrpura tinge as paredes da taça. O aroma intenso mescla frutas escuras, especiarias, baunilha e toques florais. O gosto não fica muito longe dos melhores encorpados do mundo. Eis as características do Talento 2002, vinho da brasileira Salton. Trata-se de uma mescla entre uvas cabernet sauvignon, merlot e tannat. Produtora do famoso conhaque Presidente, uma das bebidas mais populares do País, a Salton aposta agora numa transformação de sua imagem com essa safra vitoriosa. Entre os enófilos, há uma certeza: é dos melhores vinhos jamais preparados no Brasil. E mais: pode dar aos produtores brasileiros, sem tradição no circuito mundial, status internacional. “O Talento é especialíssimo”, diz Arthur Azevedo, vice-presidente da Associação Brasileira de Sommeliers de São Paulo. “Será um marco.” Numa recente degustação às cegas realizada pelos especialistas da ABS,
o Talento recebeu nota 87,17 – altíssima, atribuída apenas aos melhores rótulos da França, Itália, Chile e Argentina. Do total de
100 garrafas apreciadas, o Talento ficou com a 79ª posição. Pode parecer pouco, mas foi o único nacional a aparecer na lista. “O Talento briga com os melhores vinhos da América do Sul e da Austrália”, diz Azevedo, da ABS.


ÂNGELO SALTON A idéia é mudar
a imagem da empresa, ainda muito ligada a produtos populares
A bebida deverá chegar às prateleiras no início de junho. Serão 30 mil garrafas anuais a R$ 60 a unidade. O sucesso antecipado entre os degustadores é fruto de um árduo trabalho e de investimentos pesados da Salton. “Aplicamos R$ 20 milhões na construção de uma nova área de produção”, diz Ângelo Salton Neto, presidente da Salton. O espaço, em Tuiuty, no Rio Grande do Sul, próximo a Caxias do Sul, será inaugurado ainda este ano e terá 29 mil m2. “Ele é considerado um dos mais desenvolvidos do mundo”, diz Daniela Gontow, que defendeu uma tese de mestrado sobre a Salton na Escola de Comunicação e Arte da Universidade de São Paulo (USP). Para construir o local, o enólogo da empresa, Lucindo Copat, viajou por mais de 30 países com tradição na produção de vinho garimpando equipamentos de ponta. “Compramos 100 barricas de carvalho fabricadas e tostadas na França”, diz Ângelo. Com isso, o vinho ganha mais sabor repousado nos tonéis por um período de 12 meses. A outra ponta do trabalho no desenvolvimento do produto veio da contratação do enólogo argentino Angel Mendoza, responsável por 43 safras de qualidade, aprovadas mundialmente.


O objetivo é fazer com que a bebida receba cuidados especiais do vinhedo até a garrafa. “O enólogo tem de ter barro no sapato”, diz Ângelo. E foi exatamente isso que Mendoza fez. Percorreu os vinhedos da empresa e arquitetou um amplo trabalho de produção e colheita. A plantação de 12 mil quilos de uvas foi reduzida pela metade para garantir mais qualidade. A separação dos cachos passou a ser manual. São minúcias que comprovam um interessante movimento do Sul do País, entre Caxias do Sul e Santana do Livramento, endereço de vinhos finos que começam a ser respeitados por quem se habituou apenas a freqüentar importadoras. É o início da maturidade do vinho brasileiro. Outras renomadas vinícolas como a Miolo e a Pizzato provam que também têm bebidas para disputar espaço no mercado internacional. A Miolo, por exemplo, produz o “lote 43”. A Pizzato esbanja qualidade com o seu Merlot. Ainda é apenas um primeiro passo – mas é indício de que o Brasil já pode sonhar em ter seus vinhos listados na disputada bíblia de Robert Parker, o homem com o olfato mais apurado no mundo, guia dos que apreciam a bebida de Baco.
🍷 🍷
a quem interessar possa:



Safra exclusiva
O vinho espanhol Vega Sicilia é um dos mais exclusivos do mundo. O número de garrafas comercializadas no mercado é sempre reduzido. Até o rei espanhol Juan Carlos recebe poucas unidades. Degustar uma safra antiga, então, é mais difícil ainda. Mas num leilão na internet, que vai até 8 de setembro, há um exemplar de 1983. O Vega Sicilia Único Magnum mescla uva Cabernet Sauvignon com Tempranillo e a garrafa tem 1,5 litro.
http://www.basilico.com.br. Lance inicial: R$ 4 mil
Estou aqui em casa com uma lata de cada uma das cervejas: Bavária sem álcool, Skol, Bohemia, Antartica e Brahma. <span style='font-size:14pt;line-height:100%'>Procuro candidatos para um teste cego de cerveja!</span> Estava pensando em fazer um hoje ou amanhã.
Me perguntaram qual o objetivo desse teste... bem pode-se dizer que é pra saber o quanto seu paladar é bom, se você entende de cerveja, o valor do marketing na atualidade, poder dizer de boca cheia (literalmente) que cerveja sem álcool é horrível, conquistar 24 territórios com pelo menos um exército em cada... escolha a vontade!
Devido à agenda dos possíveis participantes o teste foi adiado pra semana que vem!
Eu e o AF (sem contar Halle Barry, Bono Vox e The Edge) fizemos um mini-ensaio-teste-cego. Cervejas utilizadas: Bavária sem Álcool, Bohemia e Skol. O problema é que a Skol estava mais gelada. Então só foi mesmo um ensaio de teste cego. De qualquer forma deu pra perceber que cerveja sem álcool é mesmo diferente.

🍺
Pra vc que acha que eu e o Danilo fazemos uma idiotice apenas uma vez...Enganou-se redondamente (como desce a Skol), podemos fazer a mesma idiotice várias e várias vezes sem nos dar conta...
Repetimos 05/03/06 o teste míope da cerveja, agora com temperaturas equalizadas...Não sei porque, acertei um pouco mais que o rapaz e eis os resultados:

Primeira bateria
Participante: AF
Copo Azul: Brahma...Erro
Copo Vermelho: Brahma Light....Acerto
Copo Verde: Bavária Premium...Acerto
Copo Amarelo: Antárctica...Acerto

Segunda bateria
Participante: Danilo
Copo Azul: Brahma...Erro
Copo Vermelho: Bavária Premium....Erro
Copo Verde: Antárctica...Erro
Copo Amarelo: Itaipava...Erro

Terceira bateria
Participante: AF
Copo Azul: Itaipava...Acerto
Copo Vermelho: Brahma Light....Erro
Copo Verde: Itaipava...Erro (pegadinha do Danilo)
Copo Amarelo: Bavária Premium...Acerto

Quarta bateria
Participante: Danilo
Copo Azul: Brahma Light...Erro
Copo Vermelho: Antárctica....Erro
Copo Verde: Brahma...Erro
Copo Amarelo: Bavária Premium (batizada com Antárctica)...Erro
....
...
..
.
dznóvima bateria
bebo: Aévi
Copo lilá: Brahma...Erro
Copo prata: vingo....Acerto
Copo prezo: suco de gaju...Acerto
Santo Graal: águs bendus...Acerto

dznóvima bateria
bebo: Zaníus
Copo lilá: soro
Copo prata: soro
Copo prezo: soro
Santo Graal: zoro

AF
Quarta-feira, vespera de feriado..fui me encontrar com o Rafa em congonhas e depois fui pra casa, passei na padoca perto, pedi um americano e uma Itaipava, havia um casal do lado cuja moca tomava uma skol lemon...esse era o sinal para eu nao levar pra casa, se o cara tivesse tomando, va la...pedi a conta, peguei uma latinha de skol lemon e caminho da roça, peguei uma só porque eu pensei:"Vai que eu nao goste"...Bem, a conclusão do teste burro da cerveja está no titulo

AF
Outros fermentados inclui Yakult?? 😳 😳 🤣 🤣 🤣
Tomei a dita cuja hoje...

Pegue Dolly Limão

Misture com Kaiser


Agite, coloque para gelar


Está pronta a Skol Lemmon

A mulhegada vai curtir!
Brasil inicia venda da melhor safra de vinho
Vinícolas preparam comercialização da produção de 2005; empresas prevêem melhora de imagem da bebida nacional

Brasileiros consomem 2 litros de vinho por ano, bem menos que os 32 litros dos argentinos e que os 24 litros dos uruguaios

MAURO ZAFALON
ENVIADO ESPECIAL A BENTO GONÇALVES

Começam a chegar ao mercado os vinhos da safra 2005, os melhores já produzidos pelo Brasil. O clima seco do ano passado, que se caracterizou como um desastre para a agricultura em geral, foi uma benção para a produção de uvas. No linguajar dos produtores, "a amplitude térmica foi perfeita para produzir uvas sadias": muito sol durante o dia e temperatura fria ou amena à noite. A ocorrência desse clima garantiu a melhor safra de todos os tempos, de acordo com Adriano Miolo, enólogo e diretor da Vinícola Miolo. Segundo ele, "essa é a melhor safra desde que a Embrapa começou a avaliar o setor, há 30 anos". "Vou sentir ciúmes de engarrafar e colocar no mercado o vinho que produzimos. Há 30 anos vinificando, nunca vi uma safra como essa [a de 2005]." A avaliação é de Ademir Brandelli, enólogo da Don Laurindo, empresa que se prepara para a colocação de vinhos da safra passada no mercado. A esperança das vinícolas é que a chegada desse vinho de melhor padrão obtido no ano passado melhore também a competitividade do produto brasileiro e incentive mais o consumo nacional. As empresas já vêm comercializando alguns vinhos da safra de 2005 desde o primeiro semestre, mas os que vão para o mercado a partir de agora exigiram um período maior de envelhecimento. Na avaliação de algumas vinícolas, o mercado de vinho fino brasileiro está muito complicado neste momento. Existe uma rejeição do produto brasileiro por parte dos consumidores, principalmente porque o vinho nacional perde terreno para as importações irregulares e o câmbio desfavorável.
Qualidade uniforme
Antônio Salton, da Vinícola Salton, diz que o mercado hoje é altamente competitivo e exige qualidade, preço e atendimento. "É necessário descobrir uma estratégia para enfrentar a globalização." Segundo ele, a qualidade é um dos caminhos. Mauro Zanus, enólogo da Embrapa Vinho e Uva, diz que houve uma uniformização da qualidade na safra passada, dando ao vinho uma coloração intensa, aroma de frutas mais maduras e sabor equilibrado. Na avaliação de enólogos, os vinhos da safra 2005 que vão chegar ao mercado nos próximos meses têm, ainda, maior doçura, acidez equilibrada e longa persistência de sabor. Para Dirceu Scottá, enólogo da Dal Pizzol, empresa que começará a colocar no mercado seus vinhos finos no início de 2007, o consumidor quer produtos de qualidade. A Vinícola Miolo também começa a colocar a linha de vinhos finos no mercado a partir do início de 2007. Alguns, no entanto, que precisam envelhecer mais, só chegarão às prateleiras a partir de 2009. Esses vinhos que chegam ao mercado "são mais concentrados e potentes. Além disso, têm uma expressão aromática profunda e marcante", afirma o enólogo da empresa.

Imagem melhorada
A chegada dos vinhos da safra passada ao mercado seguramente vai ajudar a melhorar a imagem e a qualidade do produto brasileiro, diz o enólogo da Miolo. Para ele, os vinhos produzidos no ano passado no Brasil estão acima do patamar dos de anos anteriores. A Casa Valduga inicia os lançamentos já no próximo mês. Esse primeiro lançamento inclui novas variedades de uvas que começam a ser colhidas em Encruzilhada do Sul (RS). Em março do próximo ano, a empresa volta a fazer outros lançamentos, principalmente os da linha cabernet. O produto provém de uma uva com plena maturação, taninos maduros e um teor de álcool natural de 13,9%, mais elevado do que o normal, que fica entre 12% e 12,5%, diz Juciane Casagrande, diretora comercial da Casa Valduga. Os principais canais de comercialização das vinícolas são os representantes de vendas e os escritórios regionais. Muitas delas têm bom percentual de comercialização nas vendas diretas, inclusive as pela internet.
Consumo nacional
Os brasileiros consomem 2 litros de vinho por ano, volume bem distante dos 32 litros consumidos pelos argentinos e dos 24 litros dos uruguaios. Mesmo assim, a produção brasileira de vinhos finos ainda está bem distante do baixo consumo do país. Até agosto, a comercialização de produto nacional foi de 12,7 milhões de litros no Rio Grande do Sul. Já as importações somaram 28 milhões no período, conforme dados da Uvibra (União Brasileira de Vitivinicultura) e da Secex. Apesar do esforço das vinícolas em frear as crescentes importações, os dados deste ano não são animadores para o setor. Os 28 milhões de litros importados nos oito primeiros meses do ano registraram crescimento de 36% em relação ao mesmo período de 2005. Argentina e Chile se destacam no fornecimento de vinhos ao Brasil. Os chilenos colocaram 9,6 milhões de litros neste ano no mercado brasileiro, segundo dados da Secex, 45% a mais do que em idêntico período do ano passado. Já os argentinos, com 7,5 milhões de litros, aumentaram em 20% as exportações para o Brasil.



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O jornalista MAURO ZAFALON viajou a Bento Gonçalves a convite da Associação Brasileira de Enologia
Wine economics

Fruity little numbers

Oct 12th 2006
From The Economist print edition


Whichever way you value wine, its price is going up

FOR all those tipplers who, if blindfolded, could not taste the difference between a claret and a bottle of plonk, here's intoxicating news. The value of wine is as much about the bottle as what is inside.

AFP


For cave dwellers, they smell surprisingly good



The relationship between the price of a bottle of wine and its taste is weak, according to two studies in the inaugural issue of the Journal of Wine Economics. Using a price equation to compare more than 1,000 bottles of Bordeaux and Burgundy wines tasted blindly by experts, Sébastien Lecocq and Michael Visser, of the French National Institute for Agricultural Research (INRA), find that the price of wine is largely determined by objective standards such as colour, ranking and vintage, rather than simply by taste and smell.

Similar results were found by Pierre Combris and Sylvie Issanchou, of INRA, and Christine Lange, of France's National Centre for Scientific Research, who observed how 120 people bid on non-vintage champagne after tasting it blind, after inspecting only the bottle, and after tasting it while seeing the bottle. The bidding was 33% higher when tasters could only see the bottle than it was with blind tasting, implying that the champagne's taste detracted from its perceived value.

“The label is a big part of the glamour,” says James Miles, director of the London International Vintners Exchange, an electronic exchange for fine wine. But although wine's intrinsic value may be debatable, its market value is not. Investing in wine has become a popular way of diversifying a financial portfolio. In 2002, when the FTSE 100 share index fell by 24.5%, the Decanter Bordeaux Index of 1,300 wines went up by 8.5%, according to “Wine Investment for Portfolio Diversification”, a book by Mahesh Kumar. The Liv-ex 100 wine index, which tracks the price of 100 fine wines, has risen by 55% in the last year and the fine-wine market is now worth more than £1 billion ($1.9 billion), according to Mr Miles. Hype generated this year by the 2005 Bordeaux, considered the best in a generation, has helped.

Interest in wine investment has also spurred the creation of new wine funds, including the Fine Wine Fund in August, charging a 2% management fee and 15% performance fee. Better availability of price information and more demand for wine in emerging markets has created a fine-wine bull market.

Despite its recent resurgence, fine wine remains a luxury investment that carries risks. Rarity depends on the whims of weather and demand can fluctuate. But at least investors can take comfort that this liquid asset is drinkable—and that what tastes best is not always dearest.
Está sobrando vinho

Consumo baixo, boas safras
e novos produtores deixaram
bilhões de litros encalhados


Denise Dweck


Mark Dadswell/Getty Images

Vinícola na Austrália e, abaixo, na China: novos produtores tomam a freguesia dos europeus
Getty Images





NESTA REPORTAGEM
Gráfico: A ascensão do Novo Mundo

EXCLUSIVO ON-LINE
Mais sobre vinhos


Uma combinação de safras recordes e queda no consumo criou uma situação inusitada: há excesso de vinho no planeta. Sete anos atrás, a produção mundial ultrapassou por boa margem a capacidade de consumo e não parou mais de crescer. Há dois anos, quando ela chegou ao seu maior volume em duas décadas, 6 bilhões de litros não encontraram comprador – o suficiente para distribuir 41 garrafas da bebida a cada brasileiro. No ano passado, sobraram 3,5 bilhões de litros, excedendo em 14% o consumo. A previsão deste ano é que sobrará 1 em cada 10 litros produzidos. Não há como armazenar tal volume, e também não vale a pena. A maioria do encalhe é de vinho de mesa, de média qualidade, vendido por menos de 7 euros – entre 20 e 30 reais no Brasil –, de um tipo que não envelhece bem. Se não for tomado logo, acabará por estragar. Só neste ano, 1,3 bilhão de litros de vinhos franceses, italianos, espanhóis, gregos e portugueses já foram transformados em álcool.

O excesso de produção está arruinando pequenos produtores na Argentina e na Califórnia. Mas a crise é mais aguda na Europa, especialmente na França. Uma das razões é a queda no consumo doméstico. Até pouco tempo atrás um companheiro em todas as refeições dos europeus, o vinho tem sido trocado por outras bebidas, sobretudo a cerveja. Os europeus não apenas bebem menos como também passaram a escolher melhor seus vinhos. Na Espanha, onde o consumo caiu pela metade nos últimos vinte anos, o gasto médio com a bebida subiu acima de 50%. Para complicar ainda mais a situação dos vinicultores europeus, o mercado internacional de vinho foi inundado pelos produtos do novo mundo, vendidos por preço menor. No fim da década de 80, a produção de fora da Europa representava apenas 4% das exportações mundiais. Agora, somam 27%.

Por fim, os vinhos mais leves e frutados produzidos no Chile e na África do Sul caíram no gosto dos consumidores em escala mundial. Como era de esperar, a maioria dos produtores franceses torce o nariz para essas novidades e se recusa a aderir ao modismo. "Alguns vinhos franceses estão realmente saindo de moda", disse a VEJA a francesa Sylvie Courselle, dona da vinícola Château Thieuley, em Bordeaux. "A tendência é que apenas os vinhos europeus de qualidade sobrevivam", comenta o paulista Arthur Azevedo, presidente da Associação Brasileira de Sommeliers.

A reviravolta no mercado internacional de vinho está ainda no começo. Países sem tradição vinícola – Peru, México, Índia, Tailândia, Líbano e China – estão investindo em vinhos de qualidade, com ambição de se tornar exportadores. O vinho de mesa produzido nesses países provavelmente será tão bom quanto qualquer produto de categoria similar proveniente da Europa. Isso porque novas tecnologias tornaram menos rígida a chamada barreira dos paralelos – aquela antiga convicção de que só as regiões situadas acima do paralelo 30, no Hemisfério Norte, e abaixo do paralelo 30, no Hemisfério Sul, têm as condições de solo e clima ideais para a produção de vinhos de qualidade.

No Brasil, o impacto da abundância de vinho no mercado mundial é evidenciado pela presença de novos produtos, nem sempre de tão boa qualidade, mas com preços convidativos. "Os produtores estão tentando empurrar o excedente para mercados como o brasileiro, no qual o consumo ainda é baixo", diz o economista José Fernando Protas, pesquisador da Embrapa Uva e Vinho. A pressão mais forte por novos mercados vem da Austrália, onde há 800 milhões de litros de vinho encalhados devido a um erro de cálculo. Na década de 90, o governo australiano incentivou investimentos em vinícolas. Em apenas três anos, a produção cresceu 40%. O país tornou-se o quarto maior exportador do mundo, mas o excesso de vinho fez os preços cair. Em vários vinhedos, as uvas estão apodrecendo nas parreiras e pequenos produtores vêm abandonando a atividade.
fomos pro sul no feriad'ao, e comprei uns vinhos bacanas... precisamos marcar um dia pra "degustar"...
defina "vinhos bacanas".

podemos marcar uma parada. tenho alguns cuvés giuseppe, dois lote 43 e um salton talento.
Deu a louca no mercado de vinhos | 16.11.2006
O fenômeno do aquecimento global faz surgirem novas áreas de produção e coloca em risco algumas das antigas


Por Rodrigo Mesquita
EXAME Ótimos vinhos ingleses e inesquecíveis cervejas francesas fazem parte do menu de obras de ficção, certo? Errado. Uma parte dessa velha piada perdeu o sentido por causa do aquecimento global. Em razão do aumento repentino da temperatura do planeta, largas porções do solo britânico tornaram-se terrenos férteis para o crescimento de videiras sob medida para a fabricação de bebidas finas. As bodegas aproveitaram a inesperada oferta de matéria-prima de excelente qualidade e trabalham agora a todo vapor. Até o fim do ano, os vinicultores ingleses devem atingir a marca de 3 milhões de garrafas, crescimento de 65% sobre o número registrado em 2005. As previsões dão conta de que o recorde deve ser superado em breve. Esse fenômeno não é espantoso apenas pelos volumes envolvidos, mas também pela qualidade média dos produtos. Os rótulos de tintos, brancos e espumantes britânicos cresceram muito no conceito de sommeliers e passaram a receber grandes pontuações e prêmios internacionais -- um feito absolutamente inimaginável até alguns anos atrás.

Certamente nada disso estaria acontecendo se a desastrada ação humana não tivesse virado de cabeça para baixo o clima da Terra. Leões-marinhos boiando em pequenos pedaços de icebergs derretidos e o sumiço da cobertura de gelo no cume de grandes montanhas são alguns dos efeitos visíveis do fenômeno. A essa onda de esquisitices ao redor do planeta soma-se agora a proliferação de bons vinhos ingleses, efeito secundário e menos trágico do aquecimento global. A temperatura média nas regiões vinícolas britâ nicas subiu 2 graus nas últimas cinco décadas. Parece uma alteração sutil, mas foi o suficiente para permitir a casas produtoras como a Denbies, na região de Surrey, no sul da Inglaterra, começarem a ser citadas como referência mundial na produção de espumantes. O clima também se tornou mais amigável para a gestação de tintos e brancos. O pinot noir da casa Three Choirs ousa comparar-se agora aos melhores Borgonhas, para deses pero absoluto dos franceses, que cultivam uma secular rivalidade com os vizinhos do outro lado do canal da Mancha. Outros rótulos britânicos, como Nytimber, Chapel Down e Ridgeview, têm se posicionado à frente de líderes de mercados emergentes como Chile, Austrália e Estados Unidos em testes realizados às cegas por especialistas. A mudança climática na Inglaterra é tão surpreendente que, além da safra de formosas videiras, está permitindo o cultivo de outras espécies outrora improváveis por aquelas plagas, como as oliveiras e as trufas.

Enquanto os ingleses têm motivos para brindar o fenômeno, agricultores de outras nacionalidades andam apavorados com as alterações. Segundo especialistas, o aquecimento global teria o potencial de redesenhar o mapa de toda a produção do planeta, criando novas áreas propícias ao cultivo de videiras e ameaçando de extinção algumas das mais antigas e tradicionais. Tome-se o exemplo da Espanha, país que faz parte do grupo dos grandes produtores mundiais (veja quadro abaixo). Os estudiosos prevêem que, num prazo entre 40 e 70 anos, as vinícolas nas regiões da Catalunha vão se tornar inviáveis. Muito mais dramática é a situação ao sul do país. As denominações da Andaluzia, que há centenas de anos produzem os famosos Finos, Amontillados e Olorosos, simplesmente desaparecerão, engolidas pelo deserto que pode chegar a ocupar até 30% do território espanhol.

O aumento da temperatura é um verdadeiro veneno para a delicada química que permite o surgimento da matéria-prima para os vinhos finos. Com mais calor, a uva produz mais açúcar, o teor de álcool aumenta e o vinho perde todas as sutilezas de sabor. Os atuais transtornos climáticos têm provocado o adiamento da colheita de uvas em até um mês em algumas regiões da Espanha, e os agricultores estão procurando cepas mais resistentes ao calor, como a tinta graciano e a branca verdejo. Ocorre também no momento um deslocamento das áreas de produção em direção ao norte do país, em busca de climas mais amenos. Nos últimos anos, terras nos contrafortes da cordilheira dos Pirineus, consideradas há algumas décadas inóspitas demais para o vinho, vêm sendo disputadas agora a peso de ouro por produtores.

Nos Estados Unidos, também já se acendeu o sinal de alerta. As médias mais altas de temperatura registrada no vale do Napa, a região vinícola da Califórnia, já não mais permitem o cultivo da uva cabernet sauvignon em condições ideais. Um estudo conduzido pelo especialista Noah Diffenbaugh, da Universidade de Purdue, em Indiana, prevê que, dentro de algumas décadas, os transtornos climáticos inviabilizarão as safras de bons vinhos em nada menos do que 80% das atuais zonas produtoras americanas. Isso transformaria imediatamente em vinagre um negócio que movimenta, por ano, 16 bilhões de dólares. "O problema não é apenas o calor, mas também o aumento do número de dias com temperatura acima de 35 graus", afirma Diffenbaugh.


Os campeões da bebida
Quais são hoje os principais produtores mundiais de vinho
PAÍS PRODUÇÃO ANUAL
(em bilhões de litros)
1 Itália 5,06
2 França 5,05
3 Espanha 3,53
4 Estados Unidos 2,35
5 Argentina 1,50
6 Austrália 1,40
7 China 1,20
8 Alemanha 0,90
9 África do Sul 0,83
10 Chile 0,80
16 Brasil 0,28

Em termos de previsões catastróficas, porém, nada supera as que envolvem a França. Estudos mais pessimistas dizem que, em duas décadas, será impossível produzir espumante de boa qualidade na região de Champagne. As grandes e tradicionais casas produtoras de Reims e Epernay já começam a comprar terras no sul da Inglaterra. O solo das duas regiões é idêntico e, ao ritmo de subida das temperaturas, é bastante provável que os consumidores tenham de acostumar-se com o "champagne made in England". Por enquanto, porém, o aquecimento do clima tem provocado colheitas espetaculares na França. As temperaturas e os dias de sol andam no limite ideal para o amadurecimento da uva, o que tem produzido nos últimos dez anos algumas das melhores safras da história em regiões como Bordeaux e Alsácia. O problema é que os especialistas asseguram que esse é o "canto do cisne" do vinho francês.

Por causa das nuvens negras que se anunciam sobre as regiões produtoras, os governos iniciaram um pacote de medidas para tentar amenizar os estragos. O presidente francês, Jacques Chirac, e outros membros da União Européia aprovaram recentemente o desembolso de 575 milhões de dólares para a campanha 2006-2007 do programa de reestruturação e reconversão dos vinhedos do continente. Esse projeto não está relacionado diretamente ao aquecimento global, mas acaba por cobrir as necessidades dos produtores diante da mudança climática. Outro esforço de emergência foi iniciado pela Austrália. O país está colocando em prática um programa de cinco anos para tentar reduzir as conseqüências do aquecimento global sobre os vinhedos. Ele inclui a realização de estudos para saber como se adaptam as cepas aos períodos de seca e o desenvolvimento de técnicas mais aprimoradas para a gestão do solo e da água nos vinhedos. No Brasil, não há, por enquanto, movimentação relacionada a essa questão, até porque nenhuma previsão coloca as regiões vinícolas do país entre as que irão sofrer acentuadas transformações nas próximas décadas. O aspecto positivo disso é que não haverá nenhuma nuvem negra capaz de estragar o quase heróico esforço empreendido pelos produtores nacionais na melhoria de suas safras. O lado ruim da história é a evidência de que nem mesmo um redesenho completo da geografia mundial do vinho parece ser capaz de fazer brotar um Romanée-Conti no Vale do São Francisco.
California's solar wineries

Dionysus, meet Helios

Nov 16th 2006 | NAPA VALLEY, CALIFORNIA
From The Economist print edition


Solar power is the new vintage

FROM the Honig Winery in the heart of the Napa Valley, vines heavy with grapes stretch all the way to the distant hills. But in their midst stands an odd sight—hundreds of solar panels, installed in August, gently sloping and ringed by a fence. Already the winery's electricity bill has dropped to zero, as the system has produced a surplus of power. Putting them in was “a no-brainer”, says Tony Benedetti, Honig's chief financial officer. “Any business that is a high user of electricity, how could you not consider this?”

So far a few dozen of California's 1,400 or so wineries have gone solar, but “it's going to grow pretty dramatically”, predicts Barry Cinnamon of Akeena Solar, an installer. The state has created extraordinary incentives for businesses and homes to adopt the otherwise unaffordable technology. The Honig unit, which covers a third of an acre (1,350 square metres), cost $1.2m. About $400,000 was repaid immediately as a rebate from Pacific Gas and Electric, a utility. Another 30% will be written off as a tax credit this year, thanks to the 2005 federal energy bill. Then there is another tax credit from the state. Most wineries break even in seven or eight years on solar-power units that should last for decades.

Wineries make an especially good fit for solar power, and not just because going green appeals to their affluent customers. They use lots of electricity—for chilling the juice during the fermentation process, as well as for crushing grapes and bottling wine. Usefully, the panels generate the most power in the summer, whereas wineries use the largest amount of energy in the autumn, after harvest. This means that the wineries can sell their power to California's grid at peak summer rates (when air-conditioners are pumping), and buy it back from the grid more cheaply later.

The main hurdle is cost. In just two years, solar panels have gone up in price by over 50%, says Chris Bunas of SolarCraft, another Californian installer. That is because of a shortage of silicon, the key ingredient. New technologies, such as “thin-film” panels, could cut prices.

Another problem is space. At Honig, several rows of vines had to be chopped down. Some wineries have put panels on their roofs. At Cline Cellars, a Sonoma winery that has turned its rooftop solar, the only maintenance problem is dust, which can block out sunlight. The panels have to be hosed or brushed off a few times a year, says Fred Cline, the owner. Yet even on cloudy days they still produce plenty of electricity.
A sofisticada logística
do Beaujolais
Como o famoso vinho é levado do
produtor na Borgonha francesa para restaurantes de 200 países em
apenas duas semanas

Por lílian cunha

Toda terceira quinta-feira de novembro é marcada, no mundo todo, pela chegada da nova safra do Beaujolais Nouveau às lojas e restaurantes. O evento, que acontece todos os anos, não deixou a tradição de lado em 2006: a bebida chegou às importadoras e adegas brasileiras pontualmente no último 16 de novembro. E assim aconteceu no mundo todo: de Paris a Tóquio, de Los Angeles a Melbourne. O que só os iniciados na enologia sabem é que entre o engarrafamento e a estréia do vinho nas taças de todo o planeta decorrem apenas cinco dias. A operação de embalagem e entrega do produto – digna da agilidade de Papai Noel e seus ajudantes para entregar presentes na Noite de Natal – fica a cargo da DHL, líder mundial do mercado de transporte expresso internacional, terrestre e frete aéreo.

A entrega rápida do Beaujolais é fundamental, pois este é um vinho jovem. Seu processo de fermentação é bem mais rápido que o dos vinhos comuns – dura 20 dias –, e por isso precisa ser consumido rapidamente, caso contrário estraga. É aí que entra a logística rápida da DHL, que há 20 anos é responsável por manter a tradição da degustação mundial e simultânea da bebida.


Operação de guerra: 350 caminhões levaram o vinho das vinícolas à plataforma aérea da DHL em Lyon. Dali a bebida foi distribuída pelo mundo.

Este ano, para entregar 2,2 toneladas de Beaujolais – ou seja: dois milhões de garrafas –, a transportadora precisou de apenas duas semanas. Mas o trabalho começou bem antes, em junho, com a reserva de espaços em aeroportos do mundo todo, além da negociação com armazéns e produtores de embalagem. A contagem regressiva para o processo da entrega, entretanto, começou no início de novembro na região francesa da Borgonha, onde estão os 3,5 mil produtores do frutado vinho tinto. Trezentos e cinqüenta grandes caminhões – com a inscrição “Le Beaujolais Nouveau est arrivé!” (O Beaujolais chegou!) – se dirigiram às vinícolas e foram carregados com as garrafas especialmente embaladas para não sofrerem avarias. Da Borgonha, a carga foi levada à plataforma aérea da DHL no aeroporto de Lyon Saint-Exupéry e Roissy Charles de Gaulle, na França, e para os terminais aéreos de Luxemburgo e Amsterdã, na Holanda. Em quatro dias, todas as garrafas foram embarcadas via aérea para 150 países, fora a França, onde outro esquema de entrega foi montado. Lá, um volume de mil paletes contendo 120 mil garrafas foi entregue por meio de pequenos caminhões a partir de Lyon, num prazo que variou entre 24 e 48 horas.

Para as entregas fora do continente europeu, todo o embarque deve ser feito antes das 8h da manhã do dia 10 de novembro. Para isso, a empresa se encarregou de fazer todo o desembaraço alfandegário da carga com quatro meses de antecedência, garantindo a confirmação e a rechecagem de todos os dados, por meio do envio de documentos por fax ou e-mails registrados, para que não houvesse surpresas. No desembarque, outros 100 caminhões por todo o mundo se encarregaram de levar o Beaujolais às importadoras, que terminaram a distribuição junto a restaurantes, supermercados e lojas.

Deste modo, 1,1 mil toneladas do vinho foram entregues nos Estados Unidos, 700 toneladas no Japão e 150 toneladas no Canadá. A DHL não informou qual foi o embarque para o Brasil. Mas aqui, o vinho chegou pontualmente no dia 16, custando entre R$ 71,90 e R$ 84,90. Corra e aproveite.



2 milhões foi o número total de garrafas distribuídas mundialmente
Um mercado que borbulha | 28.12.2006
Com uma estratégia ousada e um tanto heterodoxa, a Salton rouba a liderança do mercado nacional de espumantes

DivulgaçãoProdução da Salton, de Ângelo Salton: vale até copiarPublicidadePor Daniel Hessel Teich
EXAME O presidente da vinícola Salton, Ângelo Salton Neto, gosta de dizer que a produção de espumantes remonta às origens da empresa -- a maior produtora desse tipo de vinho no país. Como prova, exibe uma velha garrafa que guarda em seu escritório no bairro do Carandiru, zona norte de São Paulo. Trata-se de um exemplar do Champagne Salton produzido em 1947. O vinho envelheceu mal -- ficou turvo, ganhou uma cor amarronzada -- e o próprio Ângelo reconhece que ele deve estar intragável. Mas é exibido como um troféu, prova de que, antes mesmo de ele nascer, em 1952, seu avô já fazia uma versão brasileira da bebida mais celebrada no mundo. Apesar da tradição exaltada por seu presidente, a Salton só ganhou força como produtora de espumantes nos últimos cinco anos, quando declarou guerra à concorrente Chandon, a líder do mercado. Surpreendentemente, venceu o primeiro embate, em 2004, quando se tornou líder do mercado de espumantes finos nacionais. Desde então, a Chandon (filial brasileira da francesa Moët Chandon Hennessy) tenta retomar a posição, elitizando ainda mais sua marca. Mas essa é uma tarefa complicada. De janeiro a setembro deste ano, a Salton vendeu 733 000 litros de espumante, ante 523 000 da empresa francesa. A fase mais dura da disputa ainda está por acontecer, nas vendas para as festas de fim de ano. No entanto, ao que tudo indica, pela terceira vez consecutiva, a Salton continuará na frente.

Ângelo Salton não se constrange ao dizer que seu grande objetivo é de fato avançar sobre os franceses da Chandon. Para isso, empreendeu um longo processo para depurar a imagem de fabricante de vinhos abaixo da crítica, como o Chalise, o Sonnenberg e o filtrado doce Perlage. Desde 2001, Ângelo segue no encalço da rival -- investiu na contratação de um enólogo, importou máquinas da Europa e passou a comprar as garrafas e as rolhas dos mesmos fornecedores da Chandon. Ele investiu 30 milhões de reais na ampliação de sua vinícola e, com obstinação de vendedor nato, montou uma vasta estrutura de distribuição em supermercados, restaurantes e bufês. Também abusou de todo tipo de recurso que pudesse influenciar a escolha do consumidor nas prateleiras. Num ataque direto ao Chandon Excellence, top de linha da empresa franco-brasileira que custa 80 reais, criou o Salton Evidence, que sai por 50. A suspeita de cópia não incomoda Ângelo. "Salton é quase igual a Chandon e é meu sobrenome, não é cópia nenhuma", diz ele.

Oficialmente, a Chandon adota um ar blasé que faz lembrar a atitude da realeza francesa diante da multidão que se preparava para derrubar as grades do Palácio de Versalhes. A Chandon, aliás, era fornecedora oficial de champanhe do antigo regime francês. "Não gostamos de falar dos concorrentes, mas, para nós, o crescimento da Salton é positivo", diz o francês Jean-Baptiste Cordon. "Eles abrem o mercado para novos consumidores, que, no fim das contas, vão naturalmente acabar chegando até nossos produtos. O mercado de vinhos é assim, o gosto das pessoas evolui." A Chandon, deliberadamente, mantém seus preços num patamar mais elevado do que todos os concorrentes. O Chandon Brut, o mais barato da linha, custa cerca de 35 reais e não cede à pressão da Salton, que ataca simultaneamente com dois produtos -- o basicão Salton Brut, a 17 reais a garrafa, e o Reserva Ouro, a 34. A estratégia é manter o valor de sua marca derivada do venerável Moët Chandon, o champanhe mais vendido no mundo. O executivo acredita que em 2007 a empresa estará em posição de vantagem. "O inverno deste ano foi rigoroso e derrubou a produção de uvas chardonnay, matéria-prima dos bons espumantes. Isso vai ter impacto nas empresas que se valem da guerra de preços", diz Cordon. "Nós temos folga financeira para oferecer os melhores preços pelas uvas que restaram e já fechamos contrato com os principais fornecedores." A Chandon também prepara mudanças no rótulo, no posicionamento da marca em pontos-de-venda mais elitizados e em produtos diferenciados, como a embalagem baby, de 187 mililitros, para consumo individual em bares e boates.

A contenda em torno do mercado de espumantes nacionais é justificável. Nos últimos anos, essa tem se revelado a verdadeira vocação das grandes vinícolas com sede no Rio Grande do Sul. As peculiaridades climáticas -- especialmente as intensas chuvas no verão -- permitem a produção de uvas mais ácidas e com menor teor de açúcar, que não prestam para os tintos mas são ideais para a produção de espumantes. Para os especialistas, os investimentos em tecnologia permitiram às grandes empresas nivelar o produto nacional em um patamar de qualidade que, se ainda perde para o champanhe original, não deixa nada a dever aos congêneres espanhóis, portugueses e argentinos. O resultado é que o consumo de espumantes nacionais tem crescido, impulsionado tanto pela melhor qualidade do produto como pelo preço competitivo. Desde 2001, as vendas do espumante fino nacional aumentaram 123%. Entre 2004 e 2005, o crescimento foi de 15% e a perspectiva é que o ritmo se mantenha nos próximos anos -- o que só deve acirrar a disputa dos espumantes.
Um vinho para chamar de seu | 15.12.2006
Vinícolas americanas dão nova dimensão ao culto à bebida e permitem que apreciadores desenvolvam seu próprio vinho -- da escolha da uva ao licenciamento da marca

PublicidadePor Tania Menai, de Nova York
EXAME Mais que um prazer, para alguns o culto ao vinho beira a devoção. E, nesse estágio crítico, nem mesmo uma boa adega, farta e seletiva, é o bastante para saciar a vontade dos fanáticos. Nos Estados Unidos, muitos deles estão descobrindo uma forma alternativa de dar vazão a todo esse amor -- fabricando o próprio vinho. Segundo a revista especializada americana WineMaker, os Estados Unidos já têm 750 000 produtores amadores. Muitos fazem acordos com vinícolas pequenas e acompanham cada passo da produção de seu vinho, espécie de reação tardia à onda de produtos customizados que tomou conta da economia americana nos últimos anos. O grande barato das famílias que fazem o próprio vinho é colocar seu nome no rótulo. Hoje, o consumidor João da Silva pode servir à mesa, por exemplo, um "Da Silva Reserva Safra 2006", produzido por ele do começo ao fim. "A vontade de vários executivos é jogar tudo para o alto, mudar com a família para o campo e cultivar vinhedos. Damos a eles essa oportunidade", diz Michael Brill, dono da Crushpad, pequena vinícola de São Francisco que contabiliza 2 000 clientes.

Os projetos de fabricação própria levam até dois anos. No começo, o fabricante caseiro escolhe a uva que pretende utilizar em seu vinho: cabernet sauvignon, merlot, shiraz, chardonnay etc. Escolhida a uva, começa a parte alegre: pisá-las para, em seguida, deixá-las fermentando. Depois de regular o tempo de contato da casca com o mosto, o fabricante terá de levar o vinho para um barril e deixá-lo lá por pelo menos seis meses. Em seguida, basta engarrafar, desenhar o rótulo e batizar a bebida. O cliente paga 7 000 dólares pelo direito de produzir um barril de vinho -- o equivalente a 300 garrafas da bebida. Os "produtores" acompanham todo o processo, da escolha da uva ao design do rótulo. "Quem vive nos arredores de São Francisco ou perto da cidade costuma acompanhar pessoalmente cada passo da produção de seu vinho", diz Brill. "Mas quem mora longe, cerca de 60% de nossos clientes, pode acompanhar o processo pela internet."

O sucesso da Crushpad abriu espaço para o surgimento de produtores ainda menores. Na cidade de San Carlos, também na Califórnia, a Baccus WineMaking Club, uma pequena vinícola, oferece serviços semelhantes. Cada cliente paga 900 dólares pela inscrição para produzir no mínimo um quarto de barril, o que custa em média 1 000 dólares -- mas não há como acompanhar o processo pela internet. O esquema é sempre o mesmo, da escolha da uva à definição do rótulo. Na Crushpad, a cabernet sauvignon e a pinot noir são as escolhas mais populares. A pinot noir leva cerca de oito meses para ser transformada em vinho, e a cabernet é para os mais pacientes, pois a produção pode levar dois anos. A empresa trabalha com 30 vinhedos na Califórnia, sete deles no Vale do Napa, famoso núcleo produtor do vinho californiano. Cada cliente é sempre acompanhado por um dos três especialistas da empresa. A temporada começa no mês de outubro, com a escolha das uvas, mas a Crushpad oferece uma alternativa aos que perdem o prazo. Quem não participa desde o início pode simplesmente comprar um barril e dar nome às garrafas produzidas. "Sempre fazemos 25% mais de vinho para vendê-lo no programa Adote uma Garrafa", afirma Brill. Embora a maioria dos clientes dessas vinícolas elabore vinhos por curtição, já há quem esteja ganhando dinheiro com a venda de sua produção. Muitos clientes fabricam o suficiente para comercializar suas safras. A Crushpad, que conta com 24 funcionários, da administração à área técnica, assessora os produtores com consultoria no setor de armazenamento e distribuição e fornece serviços como auxílio no licenciamento da marca, comércio virtual e marketing. O resultado, claro, não é nada que se compare a um bom vinho comprado no supermercado. Mas e o prazer de pisar as uvas?
Que legal! Nem acreditava que as uvas ainda são pisadas depois de milhares e milhares de anos.


A qualidade da uva está diretamente ligada à qualidade do vinho. Então, pra complementar este tópico, eis as principais variedades:

UVAS TINTAS

Cabernet Sauvignon
Responsável pelos grandes tintos de Bordeaux (França), sua terra natal, produz vinhos finos e encorpados. É combinada com outras uvas para amenizar seu bouquet extremamente marcante. A cor é bem escura e profunda.

Pinot Noir
Única uva a compor os grandes Bourgognes tintos da Côte d'Or (França). É encontrada hoje em todas as regiões vinícolas do mundo, exceto em regiões mais quentes. Sua maior característica é o aroma adocicado e nível de tanino e pigmentação inferior a outras variedades de uva.

Merlot
Uva de Bordeaux (França) com a qual se fazem os profundos e redondos Pomerol e Saint-Émilion. Quando vinificada sozinha, produz vinhos macios, de boa estrutura, e aromáticos.

UVAS BRANCAS

Sauvignon Blanc
Uva branca utilizada para confeccionar o Sancerre, do Loire (França), e todos os Bordeaux brancos. Produz vinhos de melhor qualidade em climas frios.

Chardonnay
Uva francesa da Bourgogne, é considerada a melhor para vinho branco fino. É mais ácida no paladar quando usada em Champagne ou no Loire e mais suculenta nos grandes Bourgognes, em que fermenta e amadurece em tonéis de carvalho.

Gewürztraminer
Variação de uma uva chamada Traminer, ela é responsável por vinhos brancos de grande e intenso aroma, normalmente mais alcoólicos, produzidos na Alsace (França), em versões seca ou doce. Produz vinhos muito doces para acompanhar sobremesas.


O básico do básico é saber que o tinto é brigatoriamente elaborado a partir de uvas tintas enquanto que o vinho branco tanto pode ser elaborado a partir de uvas brancas, como também de uvas tintas (como é o Champagne). Os tintos têm contato com a casca (de onde vem a cor) e os brancos não. Alguns vinhos tintos são mais escuros do que outros porque algumas uvas têm mais concentração de cor do que outras. Já o vinho rosado é produzido vinificando a uva tinta sem casca, ou a mistura do vinho branco com o tinto.

Além disso, o vinho pode ser Varietal, quando é feito a partir de uma única uva (em geral os vinhos do Novo Mundo), ou Vinho de Corte, quando combina mais de um tipo de uva. Para se ter uma uva de qualidade, alguns fatores que influenciam: o terroir (conjunto de fatores geoclimáticos), a forma de plantio, o enólogo, a colheita, entre outros itens. O ideal para os principiantes é começar pelos vinhos cujo rótulo informa a vinícola, ano da safra, qualidade (reserva, premium, seleção), tipo de uva e país produtor.

Questão: qual diferença dum vinho reseva, pra um premium pra um seleção?
Só não confundir uma coisa: a uva não precisa necessariamente ser branca para produzir um vinho branco.

a tonalidade provém da casca.

degustem bastante no ano novo!!!! 😂
ó, não sou especialista em vinho, mas tô aprendendo um pouquinho (depois explico o porque).
A primeira diferenciação:
1. Vinho de Mesa - vinho inferior, elaborado a partir de variedades de uvas comuns (Concord, Herbemont, Isabel, Seyve Willard, Niágara, etc.) de espécies americanas (Vitis labrusca, Vitis rupestris, etc.).

2. Vinho Fino de Mesa - vinho de mesa diferenciado, elaborado a partir de variedades de uvas nobres (Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Pinot Noir, Merlot, Chardonnay, Riesling, Sauvignon Blanc, etc.) da espécie européia (Vitis vinifera).
(http://www.e-vinho.com.br)

Depois podemos classificar por:
- Vinho Varietal - vinho feito com uma só variedade de uva ou com o mínimo de 80% da variedade de uva declarada no rótulo. As boas vinícolas utilizam 100% da variedade declarada, na busca da expressão máxima do vinhedo.
- Vinho de Corte (ou de Assemblage) - vinho elaborado a partir da mistura de diferentes uvas, em diversas proporções.
- Vinho seco - vinho com teor de açúcar menor do que 5 gramas por litro
- Vinho demi-sec - vinho com teor de açúcar entre 5-20g/l
- Vinho suave - vinho com teor de açúcar maior do que 20g/l

Os tipos que falou são usados pra classificar os melhores vinhos da vinícola, mas não acho que tenham diferença nos processos de fabricação ou nas variedades de uva...

Agora porque estou "estudando"...
Em março vou pra Serra Gaúcha, visitar as vinícolas... andei pesquisando para saber quais as melhores pra visitar, e certamente vou fazer umas comprinhas...

Se alguém tiver encomendas, me avisem...