AH, POETAS...

mends 0 respostas · 0 visualizações
da CARTA CAPITAL

CULTURA
O POETA, O MINISTRO E O CANTOR
Um bafafá vazio e sem prumo agita intelectuais e artistas em torno do MinC

Um bafafá vazio e sem prumo tem movimentado o setor cultural do País nas duas últimas semanas. O primeiro tiro apressado foi disparado por Ferreira Gullar. Numa sabatina feita pelo jornal Folha de S.Paulo, o poeta disse que, apesar de não acompanhar a atuação do ministro Gilberto Gil, ouvia dizer que “os projetos não andam” e acusou o ministério de “centralização”.

O secretário de Políticas Culturais do Ministério da Cultura, Sérgio Sá Leitão, respondeu pontuando que as críticas partiam de alguém assumidamente desinformado. No entanto, ao responder especificamente à acusação de “centralização”, rematou: “A centralização não era a marca registrada dos finados regimes stalinistas dos quais Gullar foi e segue sendo um defensor?” A tréplica de Gullar foi curta: “(a nota) parece escrita pelo antigo SNI”.

Apesar de infrutífera, a troca de acusações foi angariando aliados – para um e para outro lado. Na quinta-feira 5, Caetano Veloso, fraterno amigo de décadas de Gil, numa carta aberta, apelou: “Governos totalitários são viciados em expurgar poetas”. Gilberto Gil, numa entrevista a vários jornalistas, preferiu baixar o tom: “As críticas são muito boas e estimulantes (...) Mas governar é escolher e, de certa forma, é também discriminar”, disse, num clara referência a artistas e cineastas consagrados que já não vêem pingar tanto dinheiro para suas produções quanto em outros tempos.

Feita mais de palavrório do que pontos que possam de fato ser discutidos, a briga é desalentadora. <span style='color:red'><span style='font-size:14pt;line-height:100%'>É de esperar, de intelectuais e artistas, debate menos desorientado.</span></span>

De artistas, em geral, espero apenas bobagens. De intelectuais, principalmente intelecutais "poetas", de esquerda, mais bobagens ainda. Agora, do Caetano e do Gil, só dá pra esperar lixo.

Discussão (12 respostas)

Hoje estou para discordar do Mends: o fato que alguns poetas são sem noção não tira o valor da poesia, da mesma forma que o fato que um jogador seja sem noção não tira a beleza do futebol...

PS: Sim, eu curto poesia...
eu sei que você curte, principalmente Vinícius de Moraes, pelo blog. sim, foi uma provocação 🤣

Muita gente inteligente curte poesia. Sei que o Módolo gosta de Fernando Pessoa.

Eu já li bastante poesia: Pessoa, Moraes, Drummond, Shakespeare, Flaubert. Bom para passar o tempo. Bonito. Mas não pra "fazer a cabeça". Isso eu acho perigoso.

O que eu não curto em poesia é o ethos do poeta. Acho o ethos da "contemplação", a crítica a valores como família e prosperidade, a "cultura da felicidade", o carpe diem. Os poetas franceses do romantismo são a raiz da maioria dos males do mundo hoje. Eles e as bobagens que escreveram, a celabração do prazer, a "salvação da inner child" - a idéia de que cada um de nós nasce com todo o potencial do mundo e não podemos "nos trair" - o direito absoluto à auto-expressão, onde o propósito da vida é "expressar a plena individualidade visando a plena realização", a idéia pagã do corpo como um "templo" ao qual devem ser oferecidas oferendas de prazer, o seize the day, live fast and die young, aproveite o momento, no future...a idéia do "ajuste psicológico", onde as pessoas são infelizes porque são reprimidas, então devem se "des-reprimir", se expressar...tudo isso deu origem a um mundo infantil, hedonista e perigoso. Dos poetas franceses derivaram a maioria dos artistas do século XX, alguns que adoro "enquanto prazer estético, entende?", como Hemingway...mas que são umas bestas como "guias". Daí a Kerouac, Alan Ginsberg, os hippies e suas cópias banânicas mal-feitas, Caetano, Gil...

Isso sem falar dos horrendos, pra mim, modernistas. Chatos de galocha, ansiavam pelo totalitarismo stalinista, o sistema onde os "intelectuais" e, portanto, os poetas, achavam que reinariam...Mário, Oswald, ruins. Muito ruins.

Vinícius tem uma coisa que não gosto: a estética "ipanema", a tardinha que cai, o barquinho que vai, o choppinho na varandinha com o leãozinho...não acho que arte deve ser engajada, mas não curto o que ele me diz.

Dos que li, me sobram Vargas LLosa, Shakespeare, Pessoa e Drummond. Desses, gosto. Com a ressalva de que Llosa é conservador demais, o bardo era gay, Pessoa era louco e Drummond, mineiro... 🤣
Gosto de Vinícius sim, apesar de não ser fã de cariocas :-), ainda que ele fale de barquinhos e prainha, etc, etc... Na minha (inculta) opinião, há sim algo de universal na poesia dele. Aprendi a gostar de Neruda também, que tem um estilo parecido, ainda que não fale de barquinhos 🙂, de Pessoa (louco de tudo, pero genial, para escrever em 4 pessoas...) e de Drummond, ainda que mineiro.

E não sei bem até que ponto a poesia é responsável pelos males do mundo. Fora os próprios poetas, não acho que muita gente se dignasse a morrer com 20 anos por causa do carpe diem... E de Vinícius e Neruda a Caetano (gosto muito de vc, leãozinho...) encontro um salto gigantesco (embora devo admitir que curto Chico Buarque, um pouco como músico e bem como escritor...)
chico buarque é bom escritor? nunca li, muito por preconceito - e olha que já li Dan Brown e Paulo Coelho (esse quando tinha 14 anos) pra poder falar mal.
Entrei no papo (vou chegar aos fantásticos 10 posts!!!!!

li um livro apenas do Chico Buarque: Budapeste. Eu achei despretencioso (não tem nada a ver com o Buarque de Hollanda antigo...), mas com um fluxo interessante. Você lê e parece que é você mesmo pensando, num fluxo confuso que muda de assunto a cada instante.

Como disse, é entretenimento puro, sem contribuições além disso. Não leia os comentários da contra-capa antes de iniciar a leitura: só tem baboseira.

fui
E o que tem o cara ser louco? E o outro mineiro?
Eu também sou meio doidin e descendo de mineiro, oras... 😞p

Do muito pouco que já li de poesia e me lembro, a loucura do Pessoa me pareceu bem legal. O que eu queria saber mais são dos muitos heterônimos dele que não são dados no colegial nem caem no vestibular.
O último do Chico Buarque que li foi, como o "tgarcia dos 10 posts", também Budapeste, e gostei bastante. Muito melhor que muita coisa (supostamente) boa que tem por ai´. Recomendaria fortemente, Mends, embora talvez vc não goste uma vez que envolve a Hungria 🙂. Pelo menos melhor que o "Acadêmico" Paulo Coelho 🤢 ...

Aliás, por falar em ABL, a Nelida Piñon é o nome do momento aqui, pois em 2005 ganhou um prêmio espanhol famoso, o Príncipe de Astúrias. Nunca li, de modo que não posso opinar...
o problema maior é que não curto ler ficção... 🤣 No máximo os cânones (Shakespeare, russos, Machado, Eça), distopias (1984, Laranja Mecânica, Admirável Mundo Novo), um ou outro americano moderno (Truman Capote, Norman Mailer, Lewis Carrol) e policiais. Ah, e a coleção vaga-lume 😛

🤣 mas a sugestã está anotada. Se tropeçar no livro, eu leio. O filme é bom também?
O filme é bom também?

Devo estar me "aportuguesando" com tanto "Portugal é aqui" 🤣 , mas perdi a piada...
perdeu mesmo 🤣 não é piada 🤣 tem um filme desse livro...
MMMMmmmm 😒 ... Isso soa apoio ao cinema nacional para filmes porcarias. Estou certo 😞 ??
Ok (veja <a href='http://www.cinemaemcena.com.br/not_cinenews_filme.asp?cod=4856' target='_blank'>AQUI</a>), aparentemente isso vem para o futuro... Não sabia, mas se o diretor é mesmo de Cazuza (que medo^2...), e´ para se pensar...