How Brazil Broke Its Oil Habit
Government's Central Role
May Prove Unpalatable to U.S.
By DAVID LUHNOW
Staff Reporter of THE WALL STREET JOURNAL
February 6, 2006; Page A9
Brazil, once deeply dependent on Middle Eastern oil, has managed to do what President Bush has laid out as a goal for the U.S.: end its "addiction" to imported oil in part by using alternative fuels.
But Brazil's experience shows that to successfully copy its example, the U.S. may have to make political choices that U.S. politicians have ducked in the past, including raising gasoline taxes, ending government support for crucial agricultural products such as sugar and corn, and opening protected agricultural markets.
"To change a country's energy habits, you need determined public policies," says Eduardo Carvalho, head of the Sao Paulo state sugar-growers association that accounts for most of Brazil's ethanol output.
Making ethanol a success in Brazil took determination that at times seemed foolhardy. The country launched its ethanol program in 1975, but it took until a few years ago for the fuel to become competitive with gasoline without government support. For many years, the international price of gasoline was so low compared to Brazil's home-grown ethanol that many Brazilians felt the project was a waste of time and taxpayer money.
But the government stuck with it, using a mixture of industrial-policy tools to produce the fuel, reduce its cost and make it widely available. The government mandated that filling stations offer ethanol and ensured that consumers would buy it by ordering that it be significantly cheaper at the pump than gasoline -- making up the difference through subsidies. Eventually, demand for the new fuel allowed producers to invest in new technology that helped lower its price below that of gasoline.
The government helped make ethanol affordable through free-market policies, too. Brazil's ethanol is made from sugar, which had been coddled with subsidies for decades. When the cost of the ethanol program became prohibitive in the early 1990s, Brazil slashed its subsidies and forced its farmers to become more productive to survive and thrive in a global market. Since growing the sugar represents by far the biggest cost in making Brazilian ethanol, trimming sugar prices was the key to making more affordable fuel.
Transplanting those lessons from the sugar fields of Brazil to U.S. corn fields -- the source of most U.S.-made ethanol -- would be difficult. Consider the idea of a gasoline tax. While U.S.-made ethanol is becoming competitive with gasoline given high oil prices, and does enjoy tax breaks, any dip in oil prices could cause consumers and producers to abandon the fuel before technology has a chance to help lower its production cost.
Over the years, U.S. presidents have become more wary of government mandates and overt industrial policies. Republican and Democratic presidents have paid dearly for raising gasoline taxes -- including Mr. Bush's father, who approved a small gasoline tax to help reduce the federal-budget deficit.
Even certain free-market tools might have a hard time in Washington. A Brazil-inspired ethanol program would mean ending federal support for U.S. corn and sugar farmers. That would probably raise prices in the short run as less efficient U.S. producers failed, but eventually help lower the price of the crops as more-productive farmers stepped in, agricultural analysts say.
For that scenario to unfold, the U.S. would have to slash farm subsidies that are protected by a powerful farm lobby and a majority in Congress. At the same time, to get the full benefit, the U.S. would have to open up its protected sugar and ethanol markets, which are blocked by restrictive tariffs and quotas.
"A free market in something like sugar would definitely help lower prices eventually. But protections for the industry have been in place for decades," says Paul Drazek, a former trade adviser to the U.S. Department of Agriculture.
Opening up the ethanol market itself might make strategic sense for a government concerned that windfall oil revenues in the Middle East help bolster terrorist activities world-wide.
"It makes no sense to tax ethanol coming in from friendly countries like Brazil when we do not tax oil imported from countries like Saudi Arabia," says Gal Luft, executive director of the Institute for the Analysis of Global Security, a Washington think tank that specializes in energy-security issues.
Another possible role for U.S. politicians may be to ensure ethanol is widely distributed in gasoline stations that might be hostile to a rival product. In Brazil, the government simply ordered state-run oil company Petroleo Brasileiro SA, or Petrobras, to distribute the fuel.
In the U.S., about 500 gas stations carry the fuel. Without competition from more filling stations carrying ethanol, distributors have little incentive to try to undercut gasoline prices, denting ethanol's attraction. Auto makers such as Ford Motor Co., which are ramping up production of flexible-fuel vehicles that run on ethanol or gasoline, say the government needs to offer bigger tax incentives for gas stations to offer ethanol.
"We can produce the flex-fuel vehicles, but we can't do it all alone. We need government policy to do its part," says Curt Magleby, Ford's public-policy manager.
Many critics of industrial policy argue such programs invariably become handouts to industries that should make the investments on their own. The U.S. has had a string of failures in this regard, including an effort to make gasoline from coal under President Carter, and a project to produce a nuclear breeder reactor under President Reagan.
CAPITALISMO À BRASILEIRA
Discussão (29 respostas)
Pai da Terceira Via defende política de Lula
FÁBIO VICTOR
DE LONDRES
Em julho de 2003, o sociólogo Anthony Giddens, 68, então diretor da LSE (London School of Economics and Political Science), recebeu Luiz Inácio Lula da Silva e o saudou como a grande esperança da esquerda mundial. "Lula quer mudar o Brasil, mas eu seriamente penso que ele pode mudar o mundo", afirmou, à época.
Quase três anos e um escândalo do "mensalão" depois, o ideólogo da um dia chamada Terceira Via, hoje Governança Progressista, baixou o tom do discurso e incorporou a ele algumas críticas. Mas permanece um admirador de Lula, que chega amanhã à noite a Londres para visita oficial de três dias. Mais do que isso, Giddens defendeu com fervor a política econômica do governo petista.
Em entrevista à Folha, realizada na última terça-feira em sua sala no Centro de Estudos da Governança Global da LSE, ele afirmou que o conservadorismo econômico adotado pelo Brasil é a única forma possível de se iniciar uma reforma social profunda.
Para ele, o país não crescerá se não for competitivo em algum setor da economia globalizada e, em crítica a uma das principais batalhas do governo Lula no plano internacional, observou que não basta insistir em liberalizar a agricultura. "Não se pode, nos dias de hoje, ancorar uma economia na agricultura, isso é ridículo."
Leia a seguir os principais trechos da entrevista.
Folha - Na última vez em que Lula esteve aqui, o sr. o apresentou como a nova promessa da esquerda progressista. E agora, como vê o governo dele?
Anthony Giddens - Em qualquer governo de centro-esquerda, haverá os que dirão que ele não é suficientemente de esquerda, que deveria gastar mais com o social. Penso que a maioria das estratégias de Lula é correta. Ele teve de ser cauteloso do ponto de vista fiscal, por causa da enorme dívida brasileira. Você tem que saná-la, do contrário gastará ainda mais com pagamento de juros.
Se você tem a economia mais estável, pode começar a reconstruir as instituições. Evidente que o desempenho econômico poderia ser melhor, mas não tem sido tão mau. A reforma da Previdência foi importante, o desemprego caiu. Acho que é uma situação razoável. E Lula tem causado um grande impacto no cenário mundial, desempenhando um papel ativo nos encontros da OMC [Organização Mundial do Comércio] e consolidando um bloco de nações em desenvolvimento. Mas, como você sabe, essas acusações de corrupção prejudicam, e muito, alguém que se pretendia um político novo. Mesmo se ele, pessoalmente, é totalmente inocente, continua sendo sério que seja parte envolvida nas denúncias.
Folha - O escândalo de corrupção foi uma surpresa para o sr.?
Giddens - Foi muito mais uma decepção. Surpresa não foi tanto, porque o Brasil quase sempre foi conduzido numa linha tênue entre clientelismo e corrupção -e aqui neste país também há essa linha. Mas foi tristemente decepcionante, pois se esperava que essas coisas fossem ser removidas antes mesmo que Lula assumisse, mas jamais após sua eleição.
Folha - Como Lula era uma aposta da chamada esquerda progressista, o que o escândalo representa para esse espectro?
Giddens - Por achar que ele está conduzindo um programa muito bom, espero que ele se recupere. E que as pessoas acreditem e confiem nele como indivíduo, mesmo que não estendam necessariamente isso para o resto do partido. Acho que seria a melhor coisa para o Brasil. Se você olhar para a América Latina e perguntar onde está a esperança, a maioria dos europeus dirá que o Chile é o país mais bem-sucedido. Mostrou que, mesmo após uma terrível ditadura, pode haver líderes de esquerda responsáveis. O que o Brasil precisa é o que qualquer democracia estável precisa, uma classe média substancial. É um erro pensar em apenas transferir renda dos ricos para os pobres.
Folha - O Chile é o exemplo a ser seguido pelo Brasil?
Giddens - No que defino como liderança responsável de esquerda. Quando Lula assumiu o poder, eu disse que o Brasil precisava de um esquerdismo responsável, distinto do esquerdismo populista. O esquerdismo responsável funciona com restrições, com as quais um líder tem de lidar. Isso inclui rigor fiscal, integração ao mercado global etc. E no Chile essas coisas foram muito bem conduzidas.
Folha - É possível fazer uma mudança social radical com a política econômica adotada pelo Brasil?
Giddens - Acho impossível fazer uma mudança social profunda se você não tem uma política econômica como esta. Não digo ditada pelo FMI [Fundo Monetário Internacional] ou por organizações internacionais, mas o Brasil estava numa situação muito problemática por causa de tantos empréstimos anteriores, tinha uma posição fiscal que estimulava a corrupção. A menos que as pessoas paguem seus impostos da maneira adequada, você não consegue obter avanços sociais. Mas eu sou um centro-esquerdista progressista, não acredito que o mercado resolva tudo. Você precisa de política industrial, de políticas sociais para os pobres, mas também que o país cresça. Não sabemos de outra maneira para tirar milhões de pessoas da exclusão que não o crescimento.
Folha - Mas essa política econômica não tem ajudado o país a crescer muito. Ao contrário, a média está bem abaixo da dos países em desenvolvimento, 2,6% nos últimos três anos. A que atribuir esse desempenho?
Giddens - Não sou um expert em economia brasileira, mas pegue a Índia, cuja infra-estrutura é ainda pior que a do Brasil, mas que tem feito mais progressos na liberalização de sua economia. Eles manejaram de várias formas para crescer, mas principalmente investindo em setores de alta tecnologia, o que os torna competitivos mundialmente. O Brasil não parece, até onde eu sei, fazer nada parecido. Não tem um setor em que seja especificamente competitivo. Permanece tentando com a agricultura, culpando a União Européia por não liberalizar tarifas, mas na realidade o Brasil poderia estar competindo num setor em que pode de fato se colocar nos mercados competitivos internacionais. Se um país como a Índia pode, por que o Brasil não?
Talvez carros, porque o Brasil parece estar numa boa posição com o etanol e os combustíveis alternativos. Se o Brasil projetar um carro, nacional ou em conjunto com outros fabricantes, que use etanol e seja vendável em escala mundial, poderia ser uma boa. Pois há agora na Europa uma fuga do [petróleo do] Oriente Médio e uma preocupação real com a Rússia. Assim, a agenda da energia ecológica será realmente importante nos próximos anos.
Folha - O Brasil já produz carros movidos a etanol e também bicombustíveis, mas feitos por multinacionais...
Giddens - Teria de ser um carro realmente muito bom, com bom design. Não bastará que seja apenas econômico. Todos os países desenvolvidos se integraram efetivamente ao mercado mundial com seus próprios produtos.
Folha - O sr. não crê que, com o fim dos subsídios, a agricultura poderia ser significativa para a economia brasileira?
Giddens - Ajudaria se a agricultura fosse liberalizada, e eu acho que deveria ser, não há dúvida de que o Brasil é prejudicado pelo protecionismo da União Européia e dos EUA. Mas você não pode, hoje, ancorar uma economia na agricultura, isso é ridículo.
Folha - Como o sr. avalia o programa social Bolsa-Família?
Giddens - Você precisaria me dizer que tipo de programa é. Não é o Fome Zero, é?
Folha - Não. Em termos gerais, é um programa que paga um salário a famílias que se comprometem a manter os filhos na escola e cuidar de sua saúde.
Giddens - É semelhante ao que fazem no México. Isso foi iniciado por [Fernando Henrique] Cardoso, não foi?
Folha - Em nível federal sim, embora o PT reclame sua paternidade em outras esferas.
Giddens - Se é como você descreve, sou a favor. Para conseguir desenvolver áreas pobres, você tem que mudar a estrutura tradicional das famílias e das comunidades. Você não pode simplesmente trazer dinheiro e colocar lá, mas mudar o cotidiano das pessoas, e claro que a alfabetização é crucial, assim como a posição da mulher. Há uma correlação entre emancipação das mulheres e sucesso econômico. É um bom começo, aliado a outros programas. Mas a chave é mudar a posição das mulheres.
Folha - O sr. concorda com os que dizem que não há diferenças entre as gestões de Lula e FHC?
Giddens - Eu sempre desejei, como observador externo, que Lula continuasse e até radicalizasse as políticas de Cardoso. E acho bom que ele esteja continuando boa parte dessas políticas. Mas, pelo que entendo, ele tem tentado radicalizá-las, para dar mais atenção aos pobres, o que acho válido, se você conseguir tornar as políticas efetivas.
Folha - Se pudesse aconselhar Lula em relação a disputar ou não a reeleição, o que lhe diria?
Giddens - Ainda bem que eu não tenho que aconselhá-lo [risos], porque todas as energias estão focadas na Europa. Penso que ele deveria continuar as políticas vigentes e agir para que acusações de corrupção como essas não surjam de novo, porque uma segunda vez poderia ser desastrosa. Acho que seria bom para o Brasil que ele continuasse.
Folha - Há, na América Latina, a chamada "onda esquerdista", também dita neopopulista. Por que ali e agora?
Giddens - Acho que [o neopopulismo] é fruto da desilusão popular com políticas econômicas que não funcionaram. Esses países precisam de um recomeço e de esperança. Mas não dá para recomeçar se não for adotando o tipo de coisa de que falamos anteriormente. Não vejo nenhum período na história da América Latina em que populistas tenham feito bem a algum país, o mesmo na Europa. Na Venezuela [com Hugo Chávez], há um mix difícil entre populismo e um Estado petrolífero. Lá há muito petróleo, e você pode usar o dinheiro do petróleo responsavelmente, para construir uma sociedade mais ativa, como se fez na Noruega e, em menor medida, na Rússia. Mas não me parece que é o que Chávez está fazendo. Ele está mais preocupado com a mídia.
Mas a Venezuela não é modelo para ninguém mais. O mundo vai deixar o petróleo de lado, a ficha caiu na consciência global. É no nível da bioenergia que as novas batalhas serão travadas, é isso que redefinirá a geopolítica. A era dos Estados petrolíferos não deve ir além de 20 ou 30 anos mais.
Folha - O avanço do conservadorismo nos EUA e na Europa fez muitos dizerem que, após o boom dos anos 90, a chamada Terceira Via havia falhado. Agora, até conservadores, como o novo líder trabalhista britânico, David Cameron, incorporam aquelas idéias. É a prova da vitória da tendência ou, como dizem alguns críticos, a melhor maneira de vencer uma eleição?
Giddens - Eu diria que o termo Terceira Via é totalmente dispensável, é só um rótulo, a que muitos atribuíram demasiada importância. O que falo é de como agir a centro-esquerda num mundo que se modificou radicalmente nos últimos 30 anos. As políticas keynesianas que eram a base do Estado de Bem-Estar Social não funcionam mais, é preciso inovação. Nesse sentido, as idéias do que se chamou Terceira Via continuam vivas. Governança Progressista significa simplesmente renovar governos de centro-esquerda que estão alertas a essas tendências.
Folha - De que forma a Guerra do Iraque danificou a imagem da Governança Progressista, dado que seu maior representante, Tony Blair [premiê britânico], por sua aliança com George W. Bush, passou a ser associado ao conservadorismo e à conivência com práticas como tortura e mentiras de guerra?
Giddens - Certamente a guerra rachou a esquerda européia, e ainda há resíduos disso, mas a maior parte passou. A maioria, independente do que pensa da guerra, agora trabalha para que surja no Iraque uma sociedade decente. Em relação a Blair e à guerra em si, sou profundamente ambivalente. Porque penso que havia várias razões para remover Saddam Hussein. Nunca sabemos o que ocorreria sem a guerra, então é fácil para as pessoas dizer que tudo deu errado. Acho que Blair imaginou que teria o apoio da ONU, e esteve perto de alcançá-lo, mas, claro, ele não veio. Então ele teve de decidir se iria ou não com os americanos, e acho que ele acreditou que seria melhor para o mundo se os EUA não fizessem tudo aquilo isolados.
FÁBIO VICTOR
DE LONDRES
Em julho de 2003, o sociólogo Anthony Giddens, 68, então diretor da LSE (London School of Economics and Political Science), recebeu Luiz Inácio Lula da Silva e o saudou como a grande esperança da esquerda mundial. "Lula quer mudar o Brasil, mas eu seriamente penso que ele pode mudar o mundo", afirmou, à época.
Quase três anos e um escândalo do "mensalão" depois, o ideólogo da um dia chamada Terceira Via, hoje Governança Progressista, baixou o tom do discurso e incorporou a ele algumas críticas. Mas permanece um admirador de Lula, que chega amanhã à noite a Londres para visita oficial de três dias. Mais do que isso, Giddens defendeu com fervor a política econômica do governo petista.
Em entrevista à Folha, realizada na última terça-feira em sua sala no Centro de Estudos da Governança Global da LSE, ele afirmou que o conservadorismo econômico adotado pelo Brasil é a única forma possível de se iniciar uma reforma social profunda.
Para ele, o país não crescerá se não for competitivo em algum setor da economia globalizada e, em crítica a uma das principais batalhas do governo Lula no plano internacional, observou que não basta insistir em liberalizar a agricultura. "Não se pode, nos dias de hoje, ancorar uma economia na agricultura, isso é ridículo."
Leia a seguir os principais trechos da entrevista.
Folha - Na última vez em que Lula esteve aqui, o sr. o apresentou como a nova promessa da esquerda progressista. E agora, como vê o governo dele?
Anthony Giddens - Em qualquer governo de centro-esquerda, haverá os que dirão que ele não é suficientemente de esquerda, que deveria gastar mais com o social. Penso que a maioria das estratégias de Lula é correta. Ele teve de ser cauteloso do ponto de vista fiscal, por causa da enorme dívida brasileira. Você tem que saná-la, do contrário gastará ainda mais com pagamento de juros.
Se você tem a economia mais estável, pode começar a reconstruir as instituições. Evidente que o desempenho econômico poderia ser melhor, mas não tem sido tão mau. A reforma da Previdência foi importante, o desemprego caiu. Acho que é uma situação razoável. E Lula tem causado um grande impacto no cenário mundial, desempenhando um papel ativo nos encontros da OMC [Organização Mundial do Comércio] e consolidando um bloco de nações em desenvolvimento. Mas, como você sabe, essas acusações de corrupção prejudicam, e muito, alguém que se pretendia um político novo. Mesmo se ele, pessoalmente, é totalmente inocente, continua sendo sério que seja parte envolvida nas denúncias.
Folha - O escândalo de corrupção foi uma surpresa para o sr.?
Giddens - Foi muito mais uma decepção. Surpresa não foi tanto, porque o Brasil quase sempre foi conduzido numa linha tênue entre clientelismo e corrupção -e aqui neste país também há essa linha. Mas foi tristemente decepcionante, pois se esperava que essas coisas fossem ser removidas antes mesmo que Lula assumisse, mas jamais após sua eleição.
Folha - Como Lula era uma aposta da chamada esquerda progressista, o que o escândalo representa para esse espectro?
Giddens - Por achar que ele está conduzindo um programa muito bom, espero que ele se recupere. E que as pessoas acreditem e confiem nele como indivíduo, mesmo que não estendam necessariamente isso para o resto do partido. Acho que seria a melhor coisa para o Brasil. Se você olhar para a América Latina e perguntar onde está a esperança, a maioria dos europeus dirá que o Chile é o país mais bem-sucedido. Mostrou que, mesmo após uma terrível ditadura, pode haver líderes de esquerda responsáveis. O que o Brasil precisa é o que qualquer democracia estável precisa, uma classe média substancial. É um erro pensar em apenas transferir renda dos ricos para os pobres.
Folha - O Chile é o exemplo a ser seguido pelo Brasil?
Giddens - No que defino como liderança responsável de esquerda. Quando Lula assumiu o poder, eu disse que o Brasil precisava de um esquerdismo responsável, distinto do esquerdismo populista. O esquerdismo responsável funciona com restrições, com as quais um líder tem de lidar. Isso inclui rigor fiscal, integração ao mercado global etc. E no Chile essas coisas foram muito bem conduzidas.
Folha - É possível fazer uma mudança social radical com a política econômica adotada pelo Brasil?
Giddens - Acho impossível fazer uma mudança social profunda se você não tem uma política econômica como esta. Não digo ditada pelo FMI [Fundo Monetário Internacional] ou por organizações internacionais, mas o Brasil estava numa situação muito problemática por causa de tantos empréstimos anteriores, tinha uma posição fiscal que estimulava a corrupção. A menos que as pessoas paguem seus impostos da maneira adequada, você não consegue obter avanços sociais. Mas eu sou um centro-esquerdista progressista, não acredito que o mercado resolva tudo. Você precisa de política industrial, de políticas sociais para os pobres, mas também que o país cresça. Não sabemos de outra maneira para tirar milhões de pessoas da exclusão que não o crescimento.
Folha - Mas essa política econômica não tem ajudado o país a crescer muito. Ao contrário, a média está bem abaixo da dos países em desenvolvimento, 2,6% nos últimos três anos. A que atribuir esse desempenho?
Giddens - Não sou um expert em economia brasileira, mas pegue a Índia, cuja infra-estrutura é ainda pior que a do Brasil, mas que tem feito mais progressos na liberalização de sua economia. Eles manejaram de várias formas para crescer, mas principalmente investindo em setores de alta tecnologia, o que os torna competitivos mundialmente. O Brasil não parece, até onde eu sei, fazer nada parecido. Não tem um setor em que seja especificamente competitivo. Permanece tentando com a agricultura, culpando a União Européia por não liberalizar tarifas, mas na realidade o Brasil poderia estar competindo num setor em que pode de fato se colocar nos mercados competitivos internacionais. Se um país como a Índia pode, por que o Brasil não?
Talvez carros, porque o Brasil parece estar numa boa posição com o etanol e os combustíveis alternativos. Se o Brasil projetar um carro, nacional ou em conjunto com outros fabricantes, que use etanol e seja vendável em escala mundial, poderia ser uma boa. Pois há agora na Europa uma fuga do [petróleo do] Oriente Médio e uma preocupação real com a Rússia. Assim, a agenda da energia ecológica será realmente importante nos próximos anos.
Folha - O Brasil já produz carros movidos a etanol e também bicombustíveis, mas feitos por multinacionais...
Giddens - Teria de ser um carro realmente muito bom, com bom design. Não bastará que seja apenas econômico. Todos os países desenvolvidos se integraram efetivamente ao mercado mundial com seus próprios produtos.
Folha - O sr. não crê que, com o fim dos subsídios, a agricultura poderia ser significativa para a economia brasileira?
Giddens - Ajudaria se a agricultura fosse liberalizada, e eu acho que deveria ser, não há dúvida de que o Brasil é prejudicado pelo protecionismo da União Européia e dos EUA. Mas você não pode, hoje, ancorar uma economia na agricultura, isso é ridículo.
Folha - Como o sr. avalia o programa social Bolsa-Família?
Giddens - Você precisaria me dizer que tipo de programa é. Não é o Fome Zero, é?
Folha - Não. Em termos gerais, é um programa que paga um salário a famílias que se comprometem a manter os filhos na escola e cuidar de sua saúde.
Giddens - É semelhante ao que fazem no México. Isso foi iniciado por [Fernando Henrique] Cardoso, não foi?
Folha - Em nível federal sim, embora o PT reclame sua paternidade em outras esferas.
Giddens - Se é como você descreve, sou a favor. Para conseguir desenvolver áreas pobres, você tem que mudar a estrutura tradicional das famílias e das comunidades. Você não pode simplesmente trazer dinheiro e colocar lá, mas mudar o cotidiano das pessoas, e claro que a alfabetização é crucial, assim como a posição da mulher. Há uma correlação entre emancipação das mulheres e sucesso econômico. É um bom começo, aliado a outros programas. Mas a chave é mudar a posição das mulheres.
Folha - O sr. concorda com os que dizem que não há diferenças entre as gestões de Lula e FHC?
Giddens - Eu sempre desejei, como observador externo, que Lula continuasse e até radicalizasse as políticas de Cardoso. E acho bom que ele esteja continuando boa parte dessas políticas. Mas, pelo que entendo, ele tem tentado radicalizá-las, para dar mais atenção aos pobres, o que acho válido, se você conseguir tornar as políticas efetivas.
Folha - Se pudesse aconselhar Lula em relação a disputar ou não a reeleição, o que lhe diria?
Giddens - Ainda bem que eu não tenho que aconselhá-lo [risos], porque todas as energias estão focadas na Europa. Penso que ele deveria continuar as políticas vigentes e agir para que acusações de corrupção como essas não surjam de novo, porque uma segunda vez poderia ser desastrosa. Acho que seria bom para o Brasil que ele continuasse.
Folha - Há, na América Latina, a chamada "onda esquerdista", também dita neopopulista. Por que ali e agora?
Giddens - Acho que [o neopopulismo] é fruto da desilusão popular com políticas econômicas que não funcionaram. Esses países precisam de um recomeço e de esperança. Mas não dá para recomeçar se não for adotando o tipo de coisa de que falamos anteriormente. Não vejo nenhum período na história da América Latina em que populistas tenham feito bem a algum país, o mesmo na Europa. Na Venezuela [com Hugo Chávez], há um mix difícil entre populismo e um Estado petrolífero. Lá há muito petróleo, e você pode usar o dinheiro do petróleo responsavelmente, para construir uma sociedade mais ativa, como se fez na Noruega e, em menor medida, na Rússia. Mas não me parece que é o que Chávez está fazendo. Ele está mais preocupado com a mídia.
Mas a Venezuela não é modelo para ninguém mais. O mundo vai deixar o petróleo de lado, a ficha caiu na consciência global. É no nível da bioenergia que as novas batalhas serão travadas, é isso que redefinirá a geopolítica. A era dos Estados petrolíferos não deve ir além de 20 ou 30 anos mais.
Folha - O avanço do conservadorismo nos EUA e na Europa fez muitos dizerem que, após o boom dos anos 90, a chamada Terceira Via havia falhado. Agora, até conservadores, como o novo líder trabalhista britânico, David Cameron, incorporam aquelas idéias. É a prova da vitória da tendência ou, como dizem alguns críticos, a melhor maneira de vencer uma eleição?
Giddens - Eu diria que o termo Terceira Via é totalmente dispensável, é só um rótulo, a que muitos atribuíram demasiada importância. O que falo é de como agir a centro-esquerda num mundo que se modificou radicalmente nos últimos 30 anos. As políticas keynesianas que eram a base do Estado de Bem-Estar Social não funcionam mais, é preciso inovação. Nesse sentido, as idéias do que se chamou Terceira Via continuam vivas. Governança Progressista significa simplesmente renovar governos de centro-esquerda que estão alertas a essas tendências.
Folha - De que forma a Guerra do Iraque danificou a imagem da Governança Progressista, dado que seu maior representante, Tony Blair [premiê britânico], por sua aliança com George W. Bush, passou a ser associado ao conservadorismo e à conivência com práticas como tortura e mentiras de guerra?
Giddens - Certamente a guerra rachou a esquerda européia, e ainda há resíduos disso, mas a maior parte passou. A maioria, independente do que pensa da guerra, agora trabalha para que surja no Iraque uma sociedade decente. Em relação a Blair e à guerra em si, sou profundamente ambivalente. Porque penso que havia várias razões para remover Saddam Hussein. Nunca sabemos o que ocorreria sem a guerra, então é fácil para as pessoas dizer que tudo deu errado. Acho que Blair imaginou que teria o apoio da ONU, e esteve perto de alcançá-lo, mas, claro, ele não veio. Então ele teve de decidir se iria ou não com os americanos, e acho que ele acreditou que seria melhor para o mundo se os EUA não fizessem tudo aquilo isolados.
A reforma da Previdência foi importante, o desemprego caiu. Acho que é uma situação razoável.
esse é tipo de coisa que não tem como gringo avaliar, sinto. Ainda mais o Giddens, com seu viés social-democrata de wellfare state. Previdência social bancada pelo Estado é uma violência contra a liberdade individual, em primeiro lugar. Em segundo, o modelo da ativa bancar os aposentados funciona enquanto não se tem tantos aposentados, e o modelo não mudou. Em terceiro, as peculariedades da Previdência brasileira, com os benefícios pra quem não contribuiu nunca, e a conta de "solidariedade" toda com o INSS, permanecem inalteradas. O que aconteceu foi uma "quebra de contrato" com a nossa geração - teria que haver em algum momento, mas é só um paliativo - "obrigando" essa geração a trabalhar mais tempo pelos mesmos "benefícios". Errado do macro ao micro, com reformas cosméticas, como dizer que ajuda a melhorar algo?
A estatística de desemprego é enganosa também: há dois "lados" na medição. Um é pelo CAGED, que é um relatório das empresas mostrando quantos estão empregados no país. A variação é condizente com um certo crescimento orgânico. O outro lado é pelo número de pessoas entrevistadas que dizem estar procurando emprego, e que são as únicas consideradas tecnicamente desempregadas. Esse número diminuiu consideravelmente. Mas veja que PARAR DE PROCURAR é diferente de ARRUMAR EMPREGO...
desempenhando um papel ativo nos encontros da OMC [Organização Mundial do Comércio] e consolidando um bloco de nações em desenvolvimento.
que papel ativo? de bobo ativo? A Europa continua dando subsídios pesados à seus jecas incompetentes, a Embraer toma na cabeça a torto e a direito, a Russia impõe sansões pra TODO O PAÍS baseado na febre aftosa do PARANÁ - a Argentina, que é do tamanho do Brás, conseguiu que o veto se restringisse a Corrientes - etc etc...sobre a diplomacia da fome: de que adianta ser o "shit lord"? De que adianta ser o líder do "broco dos esfarrapado"? Isso é resquício do "anti-imperialismo" Do Itamaraty, que é derivado do consumo forçado do “intelectual” da casa, Luiz Alberto Moniz Bandeira (ano passado, com a idéia de prestar concurso pro Instituto Rio Branco, o centro de formação dos diplomatas do Brasil, vi que muitos de seus livros são leitura obrigatória para a prova, e outros tantos livros e apostilas no curso para os aprovados. Eu tive a pachorra de ler dois: eles falam, por exemplo, do “fundamentalismo” dos founding fathers americanos. Ora, isso é embuste intelectual! Primeiro que não cita nenhum dos escritos dos ditos pais fundadores. Depois, que qualquer pessoa que for ler a autobiografia de Ben Franklin, ou mesmo um desses Oxford Companion da vida, verá que os caras estudavam teologia em bases tão ou mais rigorosas que os scholars europeus da época. Isso fora a propagação de erros crassos de história (Jesus como “apologista do não pagamento de tributos a César” e inscrito no “terrorismo libertário”). Uma das frases de seu livro A FORMAÇÃO DO IMPÉRIO AMERICANO diz, TEXTUALMENTE, dos americanos “(...) esse povo do qual todas as forças vivas são dirigidas pelo excesso no crescimento indefinido de suas, e apenas das suas, riquezas materiais (...)”. Mais xenófobo que isso, só MEIN KAMPF. Aliás, Adolfinho é tratado muito bem no seu livro, como um estadista legítimo em guerra contra a “ilimitada ditadura norte-americana”. Cito novamente: “Hitler considerou um trágico encadeamento [eine tragische Verkettung], um infeliz acaso histórico o fato de sua ascensão ao poder na Alemanha ocorrer quando o candidato judaico, Roosevelt, assumiu na casa branca”. Hitler, nas palavras do autor, com esse pensamento na cabeça, “se precipitou”, o que “não era do seu feitio de estadista sóbrio”....isso é LEITURA OBRIGATÓRIA PARA OS NOSSOS CANDIDATOS A DIPLOMATA.
Mas eu sou um centro-esquerdista progressista, não acredito que o mercado resolva tudo. Você precisa de política industrial, de políticas sociais para os pobres, mas também que o país cresça. Não sabemos de outra maneira para tirar milhões de pessoas da exclusão que não o crescimento.
Um economista que não acredita no Mercado é como se o Júnior achasse que alguém, em algum lugar, deva definir tudo o que se vai pesquisar dali a dez anos, a que conclusões chegar, e quando. Isso é coisa de arrogante que acredita que as pessoas não podem cuidar de si, são incapazes ou “coitadinhas” demais.
Na Venezuela [com Hugo Chávez], há um mix difícil entre populismo e um Estado petrolífero. Lá há muito petróleo, e você pode usar o dinheiro do petróleo responsavelmente, para construir uma sociedade mais ativa, como se fez na Noruega e, em menor medida, na Rússia.
A Noruega distribui o dinheiro do petróleo DIRETAMENTE ao cidadão. Cada cidadão pode optar por receber ações da petrolífera nacional (não sei em que determinado momento da vida), e, à partir daí, recebe dividendos. O cidadão decide, individualmente, como é gasto o dinheiro. Da Russia não sei nada. Agora, NENHUM OUTRO ESTADO PETROLÍFERO, principalmente membro da OPEP, aprimorou a vida da população. Os Estudiosos chamam isso de oil curse, o país é rico em ativos, mas a renda fica com os manda-chuvas, porque controlam as estatais.
O mundo vai deixar o petróleo de lado, a ficha caiu na consciência global.
Obviamente o mundo vai diversificar as suas fontes de energia (leia-se os EUA). Mas falar que vai deixar o petróleo de lado é sonho de ecologista doido (há uma certa tendência de um esquerdista ser um ecologista, mesmo porque a base totalitária e fascista do pensamento é a mesma), e mostra que não se conhece o mínimo da indústria. Se conhecesse, saberia das descobertas sobre extração de petróleo das oil sands, principalmente no Canadá, onde há reservas de petróleo maiores que as da Arábia Saudita para exploração, mas a tecnologia ainda não torna essa exploração econômica, mesmo com o petróleo a 62-64 o barril brent - tá legal, mesmo porque o petróleo das oil sands é mais pesado - tem mais carbono - que o brent e menos doce - tem mais enxofre. Esse tipo de petróleo é cotado hoje a 35/barril.
Queria os comentários de alguém que entende, e como sabia que vc responderia, coloquei aqui :-) Obrigado!!
Só uma coisa:
Que medo!!!
Aliás, mudando de pato pra ganso, vi este fds "A Queda", graças à sua recomendação :-) . Muito bom mesmo!!
Só uma coisa:
isso é LEITURA OBRIGATÓRIA PARA OS NOSSOS CANDIDATOS A DIPLOMATA.
Que medo!!!
Aliás, mudando de pato pra ganso, vi este fds "A Queda", graças à sua recomendação :-) . Muito bom mesmo!!
no Brasil é proibido ganhar dinheiro. Se ganhar, é proibido usufruir. Acho um absurdo ter que pagar imposto pra mandar dinheiro pra for, se já se pagou imposto quando ganhou-se o $$...
Tensão no private
Invasão do Credit Suisse pela PF gera temor de perseguição aos bancos para ricos
Por elaine Cotta e miriam kênia
O clima de euforia no andar mais alto do edifício das finanças brasileiras, que nos últimos anos levou bancos nacionais e estrangeiros a criar escritórios de private banking no País, virou na semana passada. E já há quem diga que esta atividade está em xeque no Brasil. Na manhã da terça-feira 21, a unidade private do banco Credit Suisse em São Paulo foi invadida por agentes da Delegacia de Investigações de Crimes Financeiros da Polícia Federal. Armados com metralhadoras, eles permaneceram no escritório do banco na Avenida Brigadeiro Faria Lima das 10h às 18h. Apreenderam computadores e discos rígidos com informações financeiras de virtualmente todos os clientes private da instituição. No dia seguinte, um gerente do banco suíço foi preso na sala VIP do Aeroporto de Cumbica. Supostamente, a instituição e seu executivo são suspeitos de remessa ilegal de dinheiro para o exterior. Mas, como a polícia não informou ao País o que está procurando, levantou-se uma nuvem de boatos no mercado financeiro. O mais preocupante dá conta de que a PF estaria pronta para conduzir operações semelhantes em outras 18 instituições que atuam no segmento private - normalmente focado em clientes com mais de US$ 1 milhão para investir.
Uma das versões iniciais para a invasão do Credit, é de que a busca e apreensão estaria focada em um único cliente, uma empresa de consultoria acusada de lesar a Receita. Verdade ou não, o fato é que o mandado apresentado era genérico e foram recolhidas informações da clientela toda. Nada contra a investigação do Credit Suisse ou de um cliente do banco, se há indícios de ilícito. Mas, ao apreender todas as memórias de computador, a PF quebra o sigilo de quem age dentro da lei. "Isso é abuso", condena o advogado Bruno Balduccini, do escritório Pinheiro Neto. "A ação da PF cria receio no mercado e nos meios jurídicos, já que hoje todo brasileiro pode mandar dinheiro para o exterior legalmente", diz Balduccini. Um precedente recente sugere que a apreensão pode ser inócua. Até hoje, a PF não conseguiu autorização para utilizar as informações que havia no disco rígido capturado durante a Operação Chacal, conduzida em 2004 contra o grupo Opportunity. Decisão da ministra Ellen Gracie, hoje presidente do Supremo Tribunal Federal, proíbe o uso dos dados em respeito ao sigilo bancário.
Operadores e analistas de mercado ouvidos pela DINHEIRO advertem para o risco de uma caça às bruxas nos private banks provocar a fuga de bancos multinacionais que atuam no Brasil. Há quem acredite na reversão de um movimento iniciado nos anos 90, quando unidades de private de muitos bancos começaram a transferir escritórios de Miami e Nova York para São Paulo e Rio de Janeiro. O Credit Suisse, por ora, limita-se a confirmar que seu escritório foi revistado. David Walker, seu diretor de Comunicações Corporativas em Nova York, diz que a PF nem sequer informou ao banco o motivo da investigação. Outras instituições de peso neste segmento preferem não falar publicamente sobre o assunto, mas adiantam que o clima no mercado é dos piores. A ação da PF criou um princípio de pânico entre os clientes de private, em especial os que aplicam no exterior. O diretor de um banco que atua no setor disse na quinta-feira 23 (quando a batida no Credit Suisse tornou-se pública) que já recebera diversas ligações de clientes com receio de ter o sigilo quebrado.
"O fim da privacidade no ambiente bancário pode estimular investidores de peso a trocar a exposição de um escritório de private bank pela penumbra da sala de um doleiro", adverte um banqueiro do ramo. É possível também que clientes mais sensíveis optem por operar suas contas diretamente com bancos de fora do País. Quem sabe até, ressuscita-se a prática de guardar dólares no cofre de casa.
Tensão no private
Invasão do Credit Suisse pela PF gera temor de perseguição aos bancos para ricos
Por elaine Cotta e miriam kênia
O clima de euforia no andar mais alto do edifício das finanças brasileiras, que nos últimos anos levou bancos nacionais e estrangeiros a criar escritórios de private banking no País, virou na semana passada. E já há quem diga que esta atividade está em xeque no Brasil. Na manhã da terça-feira 21, a unidade private do banco Credit Suisse em São Paulo foi invadida por agentes da Delegacia de Investigações de Crimes Financeiros da Polícia Federal. Armados com metralhadoras, eles permaneceram no escritório do banco na Avenida Brigadeiro Faria Lima das 10h às 18h. Apreenderam computadores e discos rígidos com informações financeiras de virtualmente todos os clientes private da instituição. No dia seguinte, um gerente do banco suíço foi preso na sala VIP do Aeroporto de Cumbica. Supostamente, a instituição e seu executivo são suspeitos de remessa ilegal de dinheiro para o exterior. Mas, como a polícia não informou ao País o que está procurando, levantou-se uma nuvem de boatos no mercado financeiro. O mais preocupante dá conta de que a PF estaria pronta para conduzir operações semelhantes em outras 18 instituições que atuam no segmento private - normalmente focado em clientes com mais de US$ 1 milhão para investir.
Uma das versões iniciais para a invasão do Credit, é de que a busca e apreensão estaria focada em um único cliente, uma empresa de consultoria acusada de lesar a Receita. Verdade ou não, o fato é que o mandado apresentado era genérico e foram recolhidas informações da clientela toda. Nada contra a investigação do Credit Suisse ou de um cliente do banco, se há indícios de ilícito. Mas, ao apreender todas as memórias de computador, a PF quebra o sigilo de quem age dentro da lei. "Isso é abuso", condena o advogado Bruno Balduccini, do escritório Pinheiro Neto. "A ação da PF cria receio no mercado e nos meios jurídicos, já que hoje todo brasileiro pode mandar dinheiro para o exterior legalmente", diz Balduccini. Um precedente recente sugere que a apreensão pode ser inócua. Até hoje, a PF não conseguiu autorização para utilizar as informações que havia no disco rígido capturado durante a Operação Chacal, conduzida em 2004 contra o grupo Opportunity. Decisão da ministra Ellen Gracie, hoje presidente do Supremo Tribunal Federal, proíbe o uso dos dados em respeito ao sigilo bancário.
Operadores e analistas de mercado ouvidos pela DINHEIRO advertem para o risco de uma caça às bruxas nos private banks provocar a fuga de bancos multinacionais que atuam no Brasil. Há quem acredite na reversão de um movimento iniciado nos anos 90, quando unidades de private de muitos bancos começaram a transferir escritórios de Miami e Nova York para São Paulo e Rio de Janeiro. O Credit Suisse, por ora, limita-se a confirmar que seu escritório foi revistado. David Walker, seu diretor de Comunicações Corporativas em Nova York, diz que a PF nem sequer informou ao banco o motivo da investigação. Outras instituições de peso neste segmento preferem não falar publicamente sobre o assunto, mas adiantam que o clima no mercado é dos piores. A ação da PF criou um princípio de pânico entre os clientes de private, em especial os que aplicam no exterior. O diretor de um banco que atua no setor disse na quinta-feira 23 (quando a batida no Credit Suisse tornou-se pública) que já recebera diversas ligações de clientes com receio de ter o sigilo quebrado.
"O fim da privacidade no ambiente bancário pode estimular investidores de peso a trocar a exposição de um escritório de private bank pela penumbra da sala de um doleiro", adverte um banqueiro do ramo. É possível também que clientes mais sensíveis optem por operar suas contas diretamente com bancos de fora do País. Quem sabe até, ressuscita-se a prática de guardar dólares no cofre de casa.
Veja 4 - Sete Prêmios Nobel apontam quais são os entraves para o crescimento satisfatório do Brasil
A Veja ouviu sete ganhadores do Nobel de Economia para saber por que o Brasil não cresce como a China. Veja trechos do que eles responderam. Por Giuliano Guandalini.
GARY BECKER
Nacionalidade: americana
Idade: 76 anos
Universidade de Chicago
Nobel de 1992
Feito: deu nobreza à análise econômica dos fenômenos do comportamento humano
“Há ainda o que eu chamaria de "capitalismo de compadres" – algumas famílias ou setores privilegiados conseguem favores e empréstimos do governo. No caso mexicano, no setor televisivo e nas telecomunicações. Suspeito que isso também seja verdadeiro em outros países da América Latina, como o Brasil”
JAMES HECKMAN
Nacionalidade: americana
Idade: 62 anos
Universidade de Chicago
Nobel de 2000
Feito: criou métodos precisos de avaliação do sucesso de programas sociais, de educação e de leis trabalhistas
"No Brasil esses estímulos são muito tímidos, predomina um pensamento que lembra o mercantilismo, de viver em um mundo de castas e protegê-lo do jeito que ele é. Não há uma economia competitiva e flexível, na qual as pessoas abram empresas, fechem empresas, contratem bons funcionários, demitam maus funcionários, contratem bons professores, demitam os professores ruins."
DOUGLASS NORTH
Nacionalidade: americana
Idade: 86 anos
Universidade Washington, em Saint Louis
Nobel de 1993
Feito: foi pioneiro no estudo do papel virtuoso das instituições na diminuição dos custos de transação que emperram o desenvolvimento
"O Brasil é um país cheio de promessas e possibilidades, mas que foi tomado de assalto por grupos de interesse que souberam se aproveitar do Estado para seus próprios benefícios. E ainda se aproveitam. Esses grupos se protegem da competição, numa ação que tende a fechar a economia e barrar a eficiência."
ROBERT SOLOW
Nacionalidade: americana
Idade: 82 anos
MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts)
Nobel de 1987
Feito: criou o modelo neoclássico de crescimento econômico com ênfase no progresso tecnológico
"Nenhum país com tradições democráticas, como o Brasil, poderia manter, como faz a China, uma enorme população rural em situação de extrema pobreza. Ser um país democrático traz certas limitações. Aqui não vai uma crítica à democracia – só um registro de que, apesar dos méritos inegáveis desse sistema, é mais difícil para o Brasil ter a estabilidade política que lhe permitiria crescer rapidamente. O país tem potencial de sobra para progredir numa velocidade maior. Não 9% ou 10%, como a China – esse é um fenômeno característico dos estágios iniciais do desenvolvimento. Mas a renda per capita brasileira poderia experimentar um salto se boas políticas fossem perseguidas. Por isso a estabilidade é tão crucial. Se os investidores suspeitarem que haverá mudanças, eles tenderão a refrear novos projetos. Por essa razão, o desafio do Brasil não é imitar a China, mas manter a estabilidade. Não imagino que outros países possam imitar o modelo chinês."
ROBERT MUNDELL
Nacionalidade: canadense
Idade: 74 anos
Universidade Colúmbia
Nobel de 1999
Feito: estudos revolucionários sobre as políticas fiscais e de câmbio em economias abertas que levaram, entre outras coisas, à criação do euro
"O Brasil abraçou uma política de desenvolvimento protecionista num momento em que o restante do mundo estava se abrindo internacionalmente. Com as inovações avançando num ritmo vertiginoso, é crucial aceitar essa interdependência mundial e desenvolver as vantagens comparativas naturais de um país. O Brasil é um dos países mais fechados do mundo, ficou em 81º lugar em um ranking de abertura econômica elaborado pela Heritage Foundation, com informações de 157 países (o mais aberto é Hong Kong). A característica comum a todos os países fechados, como o Brasil, é que eles têm baixa renda per capita. Não há como ter crescimento sem empresários, sem pessoas que iniciem novos negócios."
EDWARD PRESCOTT
Nacionalidade: americana
Idade: 66 anos
Universidade do Arizona
Nobel de 2004
Feito: comprovou a eficácia de políticas econômicas coerentes a longo prazo
"O Brasil conseguirá se aproximar do padrão de vida dos países desenvolvidos somente se os brasileiros estiverem convencidos de que boas políticas serão perseguidas ao longo de vários e vários anos. Não basta implementar as medidas corretas por um curto período. A única esperança que vislumbro é que o Brasil se descentralize. Tenho algumas sugestões. Livrem-se da centralização de poder em Brasília e reduzam drasticamente os impostos federais. Deixem que os estados da federação ganhem autonomia e compitam entre si por investimentos. Se algum deles quebrar, coloquem-no num programa de intervenção, como foi feito com a cidade de Nova York nos anos 70."
PAUL SAMUELSON
Nacionalidade: americana
Idade: 91 anos
MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts
Nobel de 1970
Feito: lançou as bases da moderna análise econômica nas teorias de crescimento, consumo, comércio internacional e equilíbrio de preços e salários
"O padrão político de democracias populistas parece ter sido um fator que inibiu o desenvolvimento. Por que a Argentina e talvez até mesmo o Brasil, onde não restavam muitos nativos indígenas e havia muitos imigrantes europeus, não avançaram como os países asiáticos? Eu buscaria explicações na política. No caso brasileiro, há também questões sociológicas. Vocês herdaram do catolicismo português uma sociedade sem tradições igualitárias. Minha única viagem à América Latina foi ao Peru, em 1980. O país havia acabado de se livrar de uma ditadura, emigrantes estavam retornando e parecia que haveria progresso. Mas logo depois houve disputas internas, tensões, e as esperanças nunca se materializaram. Ciclos de esperança e decepção, como esses, tornaram-se rotina na região. O Chile talvez seja uma exceção"
A Veja ouviu sete ganhadores do Nobel de Economia para saber por que o Brasil não cresce como a China. Veja trechos do que eles responderam. Por Giuliano Guandalini.
GARY BECKER
Nacionalidade: americana
Idade: 76 anos
Universidade de Chicago
Nobel de 1992
Feito: deu nobreza à análise econômica dos fenômenos do comportamento humano
“Há ainda o que eu chamaria de "capitalismo de compadres" – algumas famílias ou setores privilegiados conseguem favores e empréstimos do governo. No caso mexicano, no setor televisivo e nas telecomunicações. Suspeito que isso também seja verdadeiro em outros países da América Latina, como o Brasil”
JAMES HECKMAN
Nacionalidade: americana
Idade: 62 anos
Universidade de Chicago
Nobel de 2000
Feito: criou métodos precisos de avaliação do sucesso de programas sociais, de educação e de leis trabalhistas
"No Brasil esses estímulos são muito tímidos, predomina um pensamento que lembra o mercantilismo, de viver em um mundo de castas e protegê-lo do jeito que ele é. Não há uma economia competitiva e flexível, na qual as pessoas abram empresas, fechem empresas, contratem bons funcionários, demitam maus funcionários, contratem bons professores, demitam os professores ruins."
DOUGLASS NORTH
Nacionalidade: americana
Idade: 86 anos
Universidade Washington, em Saint Louis
Nobel de 1993
Feito: foi pioneiro no estudo do papel virtuoso das instituições na diminuição dos custos de transação que emperram o desenvolvimento
"O Brasil é um país cheio de promessas e possibilidades, mas que foi tomado de assalto por grupos de interesse que souberam se aproveitar do Estado para seus próprios benefícios. E ainda se aproveitam. Esses grupos se protegem da competição, numa ação que tende a fechar a economia e barrar a eficiência."
ROBERT SOLOW
Nacionalidade: americana
Idade: 82 anos
MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts)
Nobel de 1987
Feito: criou o modelo neoclássico de crescimento econômico com ênfase no progresso tecnológico
"Nenhum país com tradições democráticas, como o Brasil, poderia manter, como faz a China, uma enorme população rural em situação de extrema pobreza. Ser um país democrático traz certas limitações. Aqui não vai uma crítica à democracia – só um registro de que, apesar dos méritos inegáveis desse sistema, é mais difícil para o Brasil ter a estabilidade política que lhe permitiria crescer rapidamente. O país tem potencial de sobra para progredir numa velocidade maior. Não 9% ou 10%, como a China – esse é um fenômeno característico dos estágios iniciais do desenvolvimento. Mas a renda per capita brasileira poderia experimentar um salto se boas políticas fossem perseguidas. Por isso a estabilidade é tão crucial. Se os investidores suspeitarem que haverá mudanças, eles tenderão a refrear novos projetos. Por essa razão, o desafio do Brasil não é imitar a China, mas manter a estabilidade. Não imagino que outros países possam imitar o modelo chinês."
ROBERT MUNDELL
Nacionalidade: canadense
Idade: 74 anos
Universidade Colúmbia
Nobel de 1999
Feito: estudos revolucionários sobre as políticas fiscais e de câmbio em economias abertas que levaram, entre outras coisas, à criação do euro
"O Brasil abraçou uma política de desenvolvimento protecionista num momento em que o restante do mundo estava se abrindo internacionalmente. Com as inovações avançando num ritmo vertiginoso, é crucial aceitar essa interdependência mundial e desenvolver as vantagens comparativas naturais de um país. O Brasil é um dos países mais fechados do mundo, ficou em 81º lugar em um ranking de abertura econômica elaborado pela Heritage Foundation, com informações de 157 países (o mais aberto é Hong Kong). A característica comum a todos os países fechados, como o Brasil, é que eles têm baixa renda per capita. Não há como ter crescimento sem empresários, sem pessoas que iniciem novos negócios."
EDWARD PRESCOTT
Nacionalidade: americana
Idade: 66 anos
Universidade do Arizona
Nobel de 2004
Feito: comprovou a eficácia de políticas econômicas coerentes a longo prazo
"O Brasil conseguirá se aproximar do padrão de vida dos países desenvolvidos somente se os brasileiros estiverem convencidos de que boas políticas serão perseguidas ao longo de vários e vários anos. Não basta implementar as medidas corretas por um curto período. A única esperança que vislumbro é que o Brasil se descentralize. Tenho algumas sugestões. Livrem-se da centralização de poder em Brasília e reduzam drasticamente os impostos federais. Deixem que os estados da federação ganhem autonomia e compitam entre si por investimentos. Se algum deles quebrar, coloquem-no num programa de intervenção, como foi feito com a cidade de Nova York nos anos 70."
PAUL SAMUELSON
Nacionalidade: americana
Idade: 91 anos
MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts
Nobel de 1970
Feito: lançou as bases da moderna análise econômica nas teorias de crescimento, consumo, comércio internacional e equilíbrio de preços e salários
"O padrão político de democracias populistas parece ter sido um fator que inibiu o desenvolvimento. Por que a Argentina e talvez até mesmo o Brasil, onde não restavam muitos nativos indígenas e havia muitos imigrantes europeus, não avançaram como os países asiáticos? Eu buscaria explicações na política. No caso brasileiro, há também questões sociológicas. Vocês herdaram do catolicismo português uma sociedade sem tradições igualitárias. Minha única viagem à América Latina foi ao Peru, em 1980. O país havia acabado de se livrar de uma ditadura, emigrantes estavam retornando e parecia que haveria progresso. Mas logo depois houve disputas internas, tensões, e as esperanças nunca se materializaram. Ciclos de esperança e decepção, como esses, tornaram-se rotina na região. O Chile talvez seja uma exceção"
lá vem bomba...
essa parada de que o dólar precisa subir é coisa de empresário folgado louco por mamata. o bananão é exportador de COMMODITIES. As commodities têm preço GLOBAL, logo, variação cambial não faz com que as exportações subam (o exportador não vai ganhar mais dólares, mas sim mais reais por dólar). A variação cambial aumenta exportações de bens manufaturados (cuidado pra não sair falando "bens de alto valor agregado: valor agregado não é sinônimo de coisa "legal e joinha". É simplesmente a diferença do preço de venda pro custo de insumo. Petróleo tem um valor agregado altíssimo. Computador, muito baixo.), pois torna nossos bens competitivos. só que bens manufaturados é uma pequena parte do nosso mix, que tem um peso imenso de commodities. E desvalorização significa menos importações, menos competição pros empresários daqui, ou seja, mais pasmaceira e preguiça. Abaixo, a bomba:
Presidente acena com medida para mudar câmbio
DA REPORTAGEM LOCAL
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sinalizou ontem com a possibilidade de adoção de medidas para valorização do dólar no país, além da compra de moeda americana pelo governo brasileiro. Dizendo que pretende receber economistas para uma reunião em Brasília, Lula admitiu que talvez a compra de dólares não seja suficiente para a valorização.
"Como não vou transformar câmbio [em] fixo e vai continuar flutuante, vamos ter criar outro mecanismo para ver se a gente consegue fazer o câmbio subir. Qual é o câmbio ideal? Tem gente que diz que tinha que ser R$ 4, R$ 3", disse o presidente em discurso de 53 minutos.
O presidente acenou com a hipótese após salientar o esforço do governo para a valorização da moeda. "Estamos comprando como nunca. Quem sabe não baste?"
Na chegada, Marco Aurélio Garcia, assessor especial da Presidência encarregado da elaboração do programa de Lula, disse que a redução da taxa de juros constará do documento como "instrumento fundamental para resolver um conjunto de problemas". "Em primeiro lugar, o déficit fiscal."
Ele defendeu uma taxa anual de crescimento de ao menos 5%, mas afirmou que o programa não apresentará números para "evitar a confusão" de 2002, quando Lula falou que era necessário criar 10 milhões de empregos.
Lula prometeu a redução de juros ao responder à provocação do economista Paulo Nogueira Batista, que, driblando uma lista pronta, se inscreveu para reclamar que "o crescimento é medíocre".
Lula contou ainda ter ficado "nervoso" com a concessão de uma liminar que proibiu a construção de duas hidrelétricas. "Sabe qual é o prejuízo à nação brasileira? R$ 190 milhões por ano."
Lula prometeu a democratização dos meios de comunicação, mas atribuiu a demora à presença de integrantes do governo passado nas agências reguladoras.
essa parada de que o dólar precisa subir é coisa de empresário folgado louco por mamata. o bananão é exportador de COMMODITIES. As commodities têm preço GLOBAL, logo, variação cambial não faz com que as exportações subam (o exportador não vai ganhar mais dólares, mas sim mais reais por dólar). A variação cambial aumenta exportações de bens manufaturados (cuidado pra não sair falando "bens de alto valor agregado: valor agregado não é sinônimo de coisa "legal e joinha". É simplesmente a diferença do preço de venda pro custo de insumo. Petróleo tem um valor agregado altíssimo. Computador, muito baixo.), pois torna nossos bens competitivos. só que bens manufaturados é uma pequena parte do nosso mix, que tem um peso imenso de commodities. E desvalorização significa menos importações, menos competição pros empresários daqui, ou seja, mais pasmaceira e preguiça. Abaixo, a bomba:
Presidente acena com medida para mudar câmbio
DA REPORTAGEM LOCAL
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sinalizou ontem com a possibilidade de adoção de medidas para valorização do dólar no país, além da compra de moeda americana pelo governo brasileiro. Dizendo que pretende receber economistas para uma reunião em Brasília, Lula admitiu que talvez a compra de dólares não seja suficiente para a valorização.
"Como não vou transformar câmbio [em] fixo e vai continuar flutuante, vamos ter criar outro mecanismo para ver se a gente consegue fazer o câmbio subir. Qual é o câmbio ideal? Tem gente que diz que tinha que ser R$ 4, R$ 3", disse o presidente em discurso de 53 minutos.
O presidente acenou com a hipótese após salientar o esforço do governo para a valorização da moeda. "Estamos comprando como nunca. Quem sabe não baste?"
Na chegada, Marco Aurélio Garcia, assessor especial da Presidência encarregado da elaboração do programa de Lula, disse que a redução da taxa de juros constará do documento como "instrumento fundamental para resolver um conjunto de problemas". "Em primeiro lugar, o déficit fiscal."
Ele defendeu uma taxa anual de crescimento de ao menos 5%, mas afirmou que o programa não apresentará números para "evitar a confusão" de 2002, quando Lula falou que era necessário criar 10 milhões de empregos.
Lula prometeu a redução de juros ao responder à provocação do economista Paulo Nogueira Batista, que, driblando uma lista pronta, se inscreveu para reclamar que "o crescimento é medíocre".
Lula contou ainda ter ficado "nervoso" com a concessão de uma liminar que proibiu a construção de duas hidrelétricas. "Sabe qual é o prejuízo à nação brasileira? R$ 190 milhões por ano."
Lula prometeu a democratização dos meios de comunicação, mas atribuiu a demora à presença de integrantes do governo passado nas agências reguladoras.
eita, Impávido Colosso!!!!
Economia cresce só 0,5% no 2º trimestre; indústria sofre queda
Da Redação
Em São Paulo
O Produto Interno Bruto (PIB, a soma de tudo o que é produzido no país) cresceu apenas 0,5% no segundo trimestre deste ano em relação ao primeiro trimestre, quando houve expansão de 1,3%. Em relação ao segundo trimestre do ano passado, o avanço foi de 1,2%.
É o pior desempenho desde o terceiro trimestre de 2005, quando houve recuo de 1,2%. A indústria teve o resultado mais negativo, e caiu 0,3%.
As informações foram divulgadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira.
Economistas consultados pela Reuters esperavam crescimento de 0,8% frente ao primeiro trimestre e de 2,1% na comparação com igual período do ano passado.
A indústria foi o setor da economia que apresentou o pior desempenho, com baixa de 0,3% em relação ao primeiro trimestre, o que influenciou no resultado fraco do PIB.
A agropecuária foi a que mais avançou, com alta de 0,8%, enquanto os serviços tiveram elevação de 0,6%,
Os dados sobre capital fixo, indicativo dos investimentos feitos no país, mostram que houve queda de 2,2% perante o trimestre anterior. O consumo das famílias, que tem peso aproximado de 60% no cálculo do PIB, aumentou 1,2%. O consumo do governo subiu 0,8%.
As exportações de bens e serviços declinaram 5,1% entre abril e junho, após 12 trimestres consecutivos de alta, e registraram a menor taxa desde o primeiro trimestre de 2003, quando cederam 8,2%.
As importações diminuíram 0,1%. No primeiro trimestre, tinha havido alta de 10,4% nas importações em relação ao último trimestre de 2005.
Revisão para baixo
O IBGE revisou para baixo os dados do primeiro trimestre deste ano.
De acordo com o instituto, a economia cresceu 3,3% no primeiro trimestre do ano ante o mesmo período do ano passado. Inicialmente, o IBGE havia informado uma expansão de 3,4%.
Na comparação com o último trimestre de 2005, a taxa de crescimento foi reduzida para 1,3%, ante 1,4% informado anteriormente.
No primeiro semestre, a economia brasileira cresceu 2,2% em relação ao mesmo período de 2005.
Analistas de mercado esperam um crescimento de apenas 3,5% neste ano, segundo o boletim Focus, elaborado pelo Banco Central a partir de consultas a mais de cem analistas de mercado.
O resultado fica abaixo das metadas do governo O ministro Guido Mantega assumiu o ministério da Fazenda com a promessa de crescimento de 4,5%. Depois passou a falar em algo entre 4% e 4,5%, assim como seu colega Paulo Bernardo (Planejamento). Já a meta do Banco Central é de 4%.
Diversos representantes do governo atribuíram a queda na atividade industrial e no comércio a fatores pontuais no segundo trimestre ao número menor de dias úteis e a paralisações em razão de jogos da Copa do Mundo e de greves.
Analistas afirmaram, entretanto, que apesar da continuidade do ciclo de queda da taxa básica de juros (Selic), que ontem caiu para 14,25%, a menor em dez anos, a economia brasileira ainda carece de mudanças estruturais, como aumento de investimentos e implementação de reformas tributária e política.
Entenda o que é o PIB
O PIB é a soma de todos os bens e serviços produzidos em um país durante certo período. Isso inclui do pãozinho até o apartamento de luxo.
O índice só considera os bens e serviços finais, de modo a não calcular a mesma coisa duas vezes. A matéria-prima usada na fabricação não é considerada. No caso de um pão, a farinha de trigo usada não entra na conta.
Um carro de 2002 não é computado no PIB de 2006, pois o valor do bem já foi incluído no cálculo daquele outro ano.
O primeiro fator que influencia diretamente a variação do PIB é o consumo da população. Quanto mais as pessoas gastam, mais o PIB cresce. Se o consumo é menor, o PIB cai.
O consumo depende dos salários e dos juros. Se as pessoas ganham mais e pagam menos juros nas prestações, o consumo é maior e o PIB cresce. Com salário baixo e juro alto, o gasto pessoal cai e o PIB também. Por isso os juros atrapalham o crescimento do país.
Os investimentos das empresas também influenciam no PIB. Se as empresas crescem, compram máquinas, expandem atividades, contratam trabalhadores, elas movimentam a economia. Os juros altos também atrapalham aqui: os empresários não gastam tanto se tiverem de pagar muito pelos empréstimos para investir.
Os gastos do governo são outro fator que impulsiona o PIB. Quando faz obras, como a construção de uma estrada, são contratados operários e é gasto material de construção, o que ele eleva a produção geral da economia.
As exportações também fazem o PIB crescer, pois mais dinheiro entra no país e é gasto em investimentos e consumo.
(Com informações de Folha Online, InfoMoney, Reuters e Valor Online)
Economia cresce só 0,5% no 2º trimestre; indústria sofre queda
Da Redação
Em São Paulo
O Produto Interno Bruto (PIB, a soma de tudo o que é produzido no país) cresceu apenas 0,5% no segundo trimestre deste ano em relação ao primeiro trimestre, quando houve expansão de 1,3%. Em relação ao segundo trimestre do ano passado, o avanço foi de 1,2%.
É o pior desempenho desde o terceiro trimestre de 2005, quando houve recuo de 1,2%. A indústria teve o resultado mais negativo, e caiu 0,3%.
As informações foram divulgadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira.
Economistas consultados pela Reuters esperavam crescimento de 0,8% frente ao primeiro trimestre e de 2,1% na comparação com igual período do ano passado.
A indústria foi o setor da economia que apresentou o pior desempenho, com baixa de 0,3% em relação ao primeiro trimestre, o que influenciou no resultado fraco do PIB.
A agropecuária foi a que mais avançou, com alta de 0,8%, enquanto os serviços tiveram elevação de 0,6%,
Os dados sobre capital fixo, indicativo dos investimentos feitos no país, mostram que houve queda de 2,2% perante o trimestre anterior. O consumo das famílias, que tem peso aproximado de 60% no cálculo do PIB, aumentou 1,2%. O consumo do governo subiu 0,8%.
As exportações de bens e serviços declinaram 5,1% entre abril e junho, após 12 trimestres consecutivos de alta, e registraram a menor taxa desde o primeiro trimestre de 2003, quando cederam 8,2%.
As importações diminuíram 0,1%. No primeiro trimestre, tinha havido alta de 10,4% nas importações em relação ao último trimestre de 2005.
Revisão para baixo
O IBGE revisou para baixo os dados do primeiro trimestre deste ano.
De acordo com o instituto, a economia cresceu 3,3% no primeiro trimestre do ano ante o mesmo período do ano passado. Inicialmente, o IBGE havia informado uma expansão de 3,4%.
Na comparação com o último trimestre de 2005, a taxa de crescimento foi reduzida para 1,3%, ante 1,4% informado anteriormente.
No primeiro semestre, a economia brasileira cresceu 2,2% em relação ao mesmo período de 2005.
Analistas de mercado esperam um crescimento de apenas 3,5% neste ano, segundo o boletim Focus, elaborado pelo Banco Central a partir de consultas a mais de cem analistas de mercado.
O resultado fica abaixo das metadas do governo O ministro Guido Mantega assumiu o ministério da Fazenda com a promessa de crescimento de 4,5%. Depois passou a falar em algo entre 4% e 4,5%, assim como seu colega Paulo Bernardo (Planejamento). Já a meta do Banco Central é de 4%.
Diversos representantes do governo atribuíram a queda na atividade industrial e no comércio a fatores pontuais no segundo trimestre ao número menor de dias úteis e a paralisações em razão de jogos da Copa do Mundo e de greves.
Analistas afirmaram, entretanto, que apesar da continuidade do ciclo de queda da taxa básica de juros (Selic), que ontem caiu para 14,25%, a menor em dez anos, a economia brasileira ainda carece de mudanças estruturais, como aumento de investimentos e implementação de reformas tributária e política.
Entenda o que é o PIB
O PIB é a soma de todos os bens e serviços produzidos em um país durante certo período. Isso inclui do pãozinho até o apartamento de luxo.
O índice só considera os bens e serviços finais, de modo a não calcular a mesma coisa duas vezes. A matéria-prima usada na fabricação não é considerada. No caso de um pão, a farinha de trigo usada não entra na conta.
Um carro de 2002 não é computado no PIB de 2006, pois o valor do bem já foi incluído no cálculo daquele outro ano.
O primeiro fator que influencia diretamente a variação do PIB é o consumo da população. Quanto mais as pessoas gastam, mais o PIB cresce. Se o consumo é menor, o PIB cai.
O consumo depende dos salários e dos juros. Se as pessoas ganham mais e pagam menos juros nas prestações, o consumo é maior e o PIB cresce. Com salário baixo e juro alto, o gasto pessoal cai e o PIB também. Por isso os juros atrapalham o crescimento do país.
Os investimentos das empresas também influenciam no PIB. Se as empresas crescem, compram máquinas, expandem atividades, contratam trabalhadores, elas movimentam a economia. Os juros altos também atrapalham aqui: os empresários não gastam tanto se tiverem de pagar muito pelos empréstimos para investir.
Os gastos do governo são outro fator que impulsiona o PIB. Quando faz obras, como a construção de uma estrada, são contratados operários e é gasto material de construção, o que ele eleva a produção geral da economia.
As exportações também fazem o PIB crescer, pois mais dinheiro entra no país e é gasto em investimentos e consumo.
(Com informações de Folha Online, InfoMoney, Reuters e Valor Online)
Azevedo
Mercadante: PIB caiu por causa da Copa do Mundo! Juro: ele disse isso mesmo
O petista Aloizio Mercadante começou a campanha ao governo de São Paulo dizendo-se doutor em economia pela Unicamp. Aí este blog provou que doutor não era. No máximo, mestre. E, huuummm, começo a achar essa titulação, para dizer pouco, complicada. Sabem quem é a culpada, segundo o especialista, pelo PIB pífio do segundo trimestre? A Copa do Mundo. Isso mesmo! Eu achei que Ronaldão, Ronaldinho, Kaká, Cafu, Parreira, Robinho e amigos eram responsáveis apenas por aquele futebol pífio. Mas não. Também lesaram o PIB, os malvados. Esta é certamente a mais original explicação encontrada em todos os tempos para justificar o mau desempenho da economia. O conhecimento que se tinha firmado a respeito, até agora, dizia justamente o contrário. Datas comemorativas, festivas ou eventos esportivos de massa, como a Copa do Mundo, tendem a aquecer a demanda. Vai ver o tempo que os trabalhadores pararam para ver aqueles molengas em campo contribuiu para derrubar a produção. Por que ele não escreve um livro a respeito? Ele já produziu um volume de mistificações comparando o governo Lula ao governo FHC. Deveria se entregar a mais essa tarefa.
*comentário do colador: fica provado que a culpa é da ESQUERDA. Ou não foi o Roberto Carlos quem foi arrumar o meião?
Mercadante: PIB caiu por causa da Copa do Mundo! Juro: ele disse isso mesmo
O petista Aloizio Mercadante começou a campanha ao governo de São Paulo dizendo-se doutor em economia pela Unicamp. Aí este blog provou que doutor não era. No máximo, mestre. E, huuummm, começo a achar essa titulação, para dizer pouco, complicada. Sabem quem é a culpada, segundo o especialista, pelo PIB pífio do segundo trimestre? A Copa do Mundo. Isso mesmo! Eu achei que Ronaldão, Ronaldinho, Kaká, Cafu, Parreira, Robinho e amigos eram responsáveis apenas por aquele futebol pífio. Mas não. Também lesaram o PIB, os malvados. Esta é certamente a mais original explicação encontrada em todos os tempos para justificar o mau desempenho da economia. O conhecimento que se tinha firmado a respeito, até agora, dizia justamente o contrário. Datas comemorativas, festivas ou eventos esportivos de massa, como a Copa do Mundo, tendem a aquecer a demanda. Vai ver o tempo que os trabalhadores pararam para ver aqueles molengas em campo contribuiu para derrubar a produção. Por que ele não escreve um livro a respeito? Ele já produziu um volume de mistificações comparando o governo Lula ao governo FHC. Deveria se entregar a mais essa tarefa.
*comentário do colador: fica provado que a culpa é da ESQUERDA. Ou não foi o Roberto Carlos quem foi arrumar o meião?
mais fácil abrir empresa na Albânia que no Brasil, revela estudo do Banco Mundial
Ricardo Balthazar
06/09/2006
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O Brasil tem sido muito lento ao promover as reformas necessárias para facilitar a abertura de novos negócios no país e eliminar barreiras que atrapalham as empresas, de acordo com relatório publicado ontem nos EUA. O documento mostra que outros países em desenvolvimento têm se esforçado muito mais para criar ambientes favoráveis aos empreendedores.
O relatório é o resultado de um amplo levantamento feito pelo Banco Mundial e pela Corporação Financeira Internacional (IFC, na sigla em inglês), o braço da instituição que financia projetos do setor privado. Num ranking que classifica os ambientes de negócios dos 175 países pesquisados de acordo com vários critérios, o Brasil ficou em 121º lugar, depois da Albânia e na frente do Suriname.
O processo de abertura de uma empresa demora em média três meses no Brasil, segundo o relatório. É o mesmo tempo que era necessário há três anos, quando o primeiro levantamento da série foi divulgado pelo Banco Mundial. O custo para abrir um novo negócio no país diminuiu, mas em outros países em desenvolvimento a mudança foi muito mais acelerada.
Há três anos, o Banco Mundial estimou que o custo para abrir uma empresa na China era equivalente a 16% da renda per capita do país, tornando o processo relativamente mais caro que no Brasil. Mas os chineses promoveram várias mudanças para facilitar o registro, e hoje esse custo é menor do que no Brasil, onde é estimado em quase 10% da renda per capita.
Uma área em que o Brasil parece imbatível é a tributária. Segundo o relatório, uma empresa brasileira média precisa de 2,6 mil horas por ano para cumprir suas obrigações tributárias, o equivalente a 108 dias inteiros. Em nenhum outro país pesquisado pelo Banco Mundial se perde tanto tempo com isso. No Chile, 432 horas são suficientes para pôr os impostos em dia.
Em outra medida dos entraves burocráticos com os quais os empreendedores brasileiros convivem, os técnicos do Banco Mundial calculam que são necessários 460 dias para obter as licenças necessárias e construir um simples galpão no Brasil. A média da América Latina é 212 dias, e a dos países ricos, 151.
Como todo levantamento do gênero, o relatório do Banco Mundial tem problemas. Os índices tiram a média das pontuações atribuídas a coisas muito diferentes e difíceis de medir com precisão, como grau de proteção garantido aos acionistas das empresas, dificuldade para registrar títulos de propriedade e grau de flexibilidade do mercado de trabalho.
Além disso, o relatório não leva em conta fatores decisivos, como qualidade da infra-estrutura, transparência no sistema de compras do governo e proximidade de grandes mercados consumidores, deficiência que os próprios autores do trabalho reconhecem e prometem começar a corrigir no próximo ano.
Ainda assim, o relatório é útil, porque ilumina áreas em que os países podem melhorar e aponta o tipo de mudança que tende a funcionar. O documento recomenda que, em vez de reformas legais muito ambiciosas e difíceis de aprovar, os governos comecem fazendo coisas mais simples, como examinar procedimentos burocráticos para eliminar os que ficaram obsoletos.
Outra lição do relatório é que os países em geral só se mexem nessa área quando sofrem a pressão de fatores externos. O país que mais aplausos ganha do Banco Mundial no documento é a Geórgia, uma antiga república soviética que trocou de governo em 2004 e agora sonha em entrar na União Européia. Outros países que têm esse objetivo, como a Croácia e a Romênia, também fizeram reformas.
Também melhoraram de posição nas tabelas do Banco Mundial países muito abertos ao comércio exterior, como México e China, e países pobres da África, que têm sido pressionados a modernizar suas instituições por agências multilaterais e doadores, como a Corporação do Desafio do Milênio (MCC, na sigla em inglês), financiada pelo governo americano.
Em uma das poucas menções positivas ao Brasil, o relatório elogia a nova Lei de Falências, que criou procedimentos para recuperar negócios que atravessam crises financeiras e entrou em vigor há pouco mais de um ano. O caso da Varig, vendida em julho de acordo com as novas regras, é considerado exemplo de sucesso na aplicação da lei.
O relatório e as edições anteriores estão em http://www.doingbusiness.org
Ricardo Balthazar
06/09/2006
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O Brasil tem sido muito lento ao promover as reformas necessárias para facilitar a abertura de novos negócios no país e eliminar barreiras que atrapalham as empresas, de acordo com relatório publicado ontem nos EUA. O documento mostra que outros países em desenvolvimento têm se esforçado muito mais para criar ambientes favoráveis aos empreendedores.
O relatório é o resultado de um amplo levantamento feito pelo Banco Mundial e pela Corporação Financeira Internacional (IFC, na sigla em inglês), o braço da instituição que financia projetos do setor privado. Num ranking que classifica os ambientes de negócios dos 175 países pesquisados de acordo com vários critérios, o Brasil ficou em 121º lugar, depois da Albânia e na frente do Suriname.
O processo de abertura de uma empresa demora em média três meses no Brasil, segundo o relatório. É o mesmo tempo que era necessário há três anos, quando o primeiro levantamento da série foi divulgado pelo Banco Mundial. O custo para abrir um novo negócio no país diminuiu, mas em outros países em desenvolvimento a mudança foi muito mais acelerada.
Há três anos, o Banco Mundial estimou que o custo para abrir uma empresa na China era equivalente a 16% da renda per capita do país, tornando o processo relativamente mais caro que no Brasil. Mas os chineses promoveram várias mudanças para facilitar o registro, e hoje esse custo é menor do que no Brasil, onde é estimado em quase 10% da renda per capita.
Uma área em que o Brasil parece imbatível é a tributária. Segundo o relatório, uma empresa brasileira média precisa de 2,6 mil horas por ano para cumprir suas obrigações tributárias, o equivalente a 108 dias inteiros. Em nenhum outro país pesquisado pelo Banco Mundial se perde tanto tempo com isso. No Chile, 432 horas são suficientes para pôr os impostos em dia.
Em outra medida dos entraves burocráticos com os quais os empreendedores brasileiros convivem, os técnicos do Banco Mundial calculam que são necessários 460 dias para obter as licenças necessárias e construir um simples galpão no Brasil. A média da América Latina é 212 dias, e a dos países ricos, 151.
Como todo levantamento do gênero, o relatório do Banco Mundial tem problemas. Os índices tiram a média das pontuações atribuídas a coisas muito diferentes e difíceis de medir com precisão, como grau de proteção garantido aos acionistas das empresas, dificuldade para registrar títulos de propriedade e grau de flexibilidade do mercado de trabalho.
Além disso, o relatório não leva em conta fatores decisivos, como qualidade da infra-estrutura, transparência no sistema de compras do governo e proximidade de grandes mercados consumidores, deficiência que os próprios autores do trabalho reconhecem e prometem começar a corrigir no próximo ano.
Ainda assim, o relatório é útil, porque ilumina áreas em que os países podem melhorar e aponta o tipo de mudança que tende a funcionar. O documento recomenda que, em vez de reformas legais muito ambiciosas e difíceis de aprovar, os governos comecem fazendo coisas mais simples, como examinar procedimentos burocráticos para eliminar os que ficaram obsoletos.
Outra lição do relatório é que os países em geral só se mexem nessa área quando sofrem a pressão de fatores externos. O país que mais aplausos ganha do Banco Mundial no documento é a Geórgia, uma antiga república soviética que trocou de governo em 2004 e agora sonha em entrar na União Européia. Outros países que têm esse objetivo, como a Croácia e a Romênia, também fizeram reformas.
Também melhoraram de posição nas tabelas do Banco Mundial países muito abertos ao comércio exterior, como México e China, e países pobres da África, que têm sido pressionados a modernizar suas instituições por agências multilaterais e doadores, como a Corporação do Desafio do Milênio (MCC, na sigla em inglês), financiada pelo governo americano.
Em uma das poucas menções positivas ao Brasil, o relatório elogia a nova Lei de Falências, que criou procedimentos para recuperar negócios que atravessam crises financeiras e entrou em vigor há pouco mais de um ano. O caso da Varig, vendida em julho de acordo com as novas regras, é considerado exemplo de sucesso na aplicação da lei.
O relatório e as edições anteriores estão em http://www.doingbusiness.org
preparem o estômago. a entrevista a seguir, retirada do Valor de hoje, ensina o que é o pensamento de esquerda no Brasil. Ensina que tb que o governo Lula é ruim até pra malucos como esse, que, infelizmente, são professores de economia e formarão nossos futuros "doutores em economia"... 😡 Em vermelho, os problemas. em azul, as esquerdices imbecis. Vejam tb que a premissa básica da esquerdice é uma só: o Homem não presta. Ele deve ser conduzido. Há çábios no mundo, e por uma dessas coincidências cósmicas que o Urbano estuda, estariam todos em um governo "bom", que seria o melhor alocador de recursos do mundo. Nem que o presidente fosse o Warren Buffett. O MERCADO, o processamento de INFORMAÇÕES DESCENTRALIZADA, é que permite a ótima alocação de recursos. o resto é balela, esquerdice maluca.
Valor: Qual é sua avaliação da condução da política econômica do governo Lula?
Fernando Cardim: O balanço mais sintético dos quatro anos do Lula talvez seja o da perda de oportunidade. O que chama atenção é que esse foi um período excepcionalmente benéfico no cenário internacional. Desde os anos 60 não se tinha período tão bom. Nos anos 70, tivemos os desequilíbrios inflacionários no mundo inteiro, choque de petróleo; nos anos 80, crise da dívida. Nos anos 90, crises financeiras, especialmente na segunda metade da década. O período pós-ataque às torres - de 2002 para frente - é de crescimento mundial, e as únicas crises financeiras importantes são Argentina e Turquia, que tiveram pouco efeito sobre o mundo. Quando se olha para trás, o mais dramático é a sensação de oportunidade perdida, que dificilmente vai se repetir nos próximos anos. O Brasil deixou de aproveitar e perdeu chance única de voltar a ocupar posição de liderança no cenário internacional.
Valor: Apesar disso, o sr. avalia que houve alguns acertos neste governo? Qual foi o principal?
Cardim: Acertos, sempre há. A política externa, reconheço que foi um acerto. A Alca era praticamente uma realidade, quando começou o governo Lula. E teria sido um desastre. Então, na política externa, apesar dos problemas que acabaram restando, como os desacertos com a Bolívia e agora, no FMI, acho que foi bem-sucedida, como, por exemplo, a política de alianças com a Índia e a África do Sul, que tem um potencial importante. Para mim, deter a Alca e as ameaças que se colocavam na OMC foi um grande progresso.
Valor: E no âmbito interno?
Cardim: Na política doméstica, acho que é mais difícil uma avaliação positiva. Acredito que algumas coisas funcionaram por inércia. A política cambial foi um desastre. Como o mundo cresceu muito e pressões chinesas levaram ao aumento de preço de muitas mercadorias exportadas, isso compensou a política cambial, mas seus efeitos vão ser sentidos, aliás, já estão sendo sentidos, e daqui para frente devem piorar se a economia americana entrar em recessão. A política de juros foi de uma insensibilidade até maior do que no período Fernando Henrique Cardoso. A política fiscal foi igualmente muito ruim. Enfim, a política macroeconômica foi desastrosa.
Valor: No plano interno, o sr. não vê nenhum acerto do governo Lula?
Cardim: Eu citaria um acerto possível, ainda que esteja em processo, que foi a recuperação do BNDES . Acho que esta foi uma medida muito importante. O BNDES tinha se tornado um banco de investimento, de privatizações. Um banco, enfim, a caminho da autodissolução.
Valor:
Qual o principal equívoco da atual política macroeconômica?
Cardim: O que eu chamaria de principal, porque está um pouco na raiz dos outros dois, é a política de juros. Em grande medida, a política cambial é prejudicada pela política de juros, e a fiscal, também. Grande parte do que nós temos como problema cambial, que é a sobrevalorização do real, se deve ao fato de que as taxas de juros que se pagam aqui, não se pagam em lugar nenhum do mundo. Portanto, há uma pressão à entrada de capitais sempre muito grande. E, no problema fiscal, são os famosos 8% do PIB pagos de serviço da dívida pública e que não se justificam. Não se justifica que a conta tenha este tamanho, porque não é defesa de calote. A grande justificativa é o Banco Central, que trabalha orientado por visões da economia, por parâmetros, que se a gente compara com o resto do mundo, não se justificam. Se existe algo estranho, e que é legitimamente brasileiro, é o Banco Central. Para mim, O BC é o que os conservadores gostam de chamar uma jabuticaba. O BC alega que a economia está crescendo para tocar sua política contracionista. Sim, nós estamos crescendo junto com o Haiti. Os outros todos deslancharam na frente. Havia aquele grupo dos BRICs, que hoje em dia são os RICs. Rússia, India e China correram na frente. E nós estamos aqui, na rabeira, satisfazendo o BC.
Valor: A falta de crescimento continua sendo o grande problema do Brasil?
Cardim: Eu vou talvez destoar um pouco do senso mais comum. Acredito que economia em desenvolvimento, como é o nosso caso, não prescinde de um governo ativo na economia. Falo de um governo que tenha uma estratégia, uma visão de longo prazo, que seja capaz de coordenar a ação de atores privados. Nós não temos muito recursos. Somos um país pobre, subdesenvolvido, então os recursos têm que ser bem usados, seu uso tem que ser estrategicamente bem pesado. Isto certamente era um erro do governo FHC. E é uma preocupação que se mantém no governo Lula, um governo que não tem sido capaz de apontar para lugar nenhum.
Valor: Por essa razão temos uma baixa taxa de investimento?
Cardim: As empresas estão tendo lucros imensos. Por que não investem? Não investem porque não se tem segurança de qual é o caminho escolhido para o Brasil. É imprescindível um governo que saiba para onde vai, para que o Brasil cresça , para que o setor privado tenha um mínimo de confiança e para que os recursos rendam o que podem render.
Valor: O que é necessário para o país ter um plano estratégico para ter resultados melhores na sua busca pelo desenvolvimento?
Se existe algo legitimamente brasileiro, é o BC. O banco é o que conservadores gostam de chamar uma jabuticaba "
Cardim: Ai vem uma segunda coisa, e acho que o problema efetivamente não é o governo Lula, mas é a necessidade de uma reforma política. Desde o fim do regime militar, nosso regime político é de paralisia. Criou partidos que têm poder de veto, mas nenhum tem poder de liderança. Você não tem um sistema político que dá a chance de uma estratégia ser pensada. Uma coalizão PSDB-PFL chega lá, não tem maioria e vira balcão de negócios. Se elege-se uma coalizão PT-PC do B, ela tem menos maioria ainda. E vira balcão de negócios. Eu acho que uma reforma política que adote, por exemplo, cláusulas de barreira efetivas já é um primeiro passo. Essas histórias do governo Lula são pavorosas. Mas, no governo do FHC, o primeiro escândalo explodiu com o Sivam, dois meses após a posse. O chefe do cerimonial da Presidência estava vendendo influência a um grupo americano na venda do sistema de segurança da Amazônia e foi punido com uma embaixada na FAO, em Roma.
Valor: Para o sr., então, para o Brasil crescer não basta baixar juros. É preciso ter uma reforma política e um projeto nacional....
Cardim: Se você baixar juros, é bem possível que algumas empresas até se disponham a investir, para compensar a falta de ganhos no mercado financeiro. O problema vai ser, provavelmente, dispersão. Não se tem muitos recursos no país. Provavelmente você vai ter um grau de desperdício, de duplicação, de flutuação, que você poderia prevenir com uma política industrial que aponte prioridades, apoiada na reforma do sistema financeiro, que há muito tempo insisto que seria importante.
UMA DAS BOBAGENS MAIS GRITANTES QUE LI NOS ÚLTIMOS ANOS. INICIATIVA PRIVADA NÃO TEM NENHUM INCENTIVO PRA DESPERDIÇAR RECURSOS, PRA COMEÇO DE CONVERSA. MAS NÃO VOU GASTAR DEDO DIGITANDO AQUI.
Valor: Como seria a reforma financeira?
Cardim: Seriam iniciativas de desenvolvimento de mercado de capitais. O sistema financeiro brasileiro é basicamente o sistema bancário, e a criação de outros mercados é feita a partir de grupos bancários, o que acaba eliminando a possibilidade de competição. Então, por exemplo, o crédito para empresas é muito caro. O que uma empresa americana faz quando o capital de giro é muito caro? Ela vende "commercial papers". Porque, nos EUA, as empresas que se voltavam para o mercado de capitais, eram legalmente forçadas a serem competidoras do sistema bancário. Se reclama muito do spread bancário no Brasil. As nossas políticas de securitização não vão combater isso. A receita americana é criar esquemas de securitização independentes do sistema bancário. Você só quebra o monopólio do sistema bancário com desenvolvimento de instituições paralelas aos bancos e isso não sai do nada. Tem que ter políticas de incentivo. O que promove a concorrência são novas instituições e não novos instrumentos. Esta é, para mim, uma falha na estratégia pensada pelo Ministério da Fazenda para reduzir spreads do sistema financeiro. Existe uma febre inovadora grande, mas o foco sempre está voltado para as mesmas instituições. A pressão para redução do custo dos recursos será muito pequena, enquanto os novos instrumentos forem aportados pelas mesmas instituições.
PERGUNTA: COMO INCENTIVAR O MERCADO DE CAPITAIS EM ECONOMIA DIRIGIDA? TEMPO.......................ê ESQUIZOFRENIA...
Valor: Qual modelo pode ajudar mais o país a deslanchar? Um modelo de consumo de massas?
Cardim: Este modelo já opera no Brasil desde os anos 70. Ele em si, não é suficiente. Toda grande economia, como a brasileira, não tem escolhas. O Brasil é assim desde o Plano de Metas. É claro que é um modelo de consumo de massas com grandes diferenciações. Uma economia do tamanho da brasileira é sempre uma economia de consumo de massas. Umas pessoas tomavam esta definição no sentido de uma política que penaliza exportações e favorece o mercado interno. Alguns grupos mais à esquerda sugeriram isto, o que é um erro brutal. A exportação aumenta a renda e permite a produção para as massas dentro do país. Ter um complexo exportador de soja gera empregos que provavelmente não existiriam com a política contracionista que o governo aplica no resto. Há uma tese equivocada, que diz que é preciso escolher entre as duas coisas. Ou exporta ou faz consumo de massas. As duas combinam. Este é o melhor modelo.
O COMUNISTA CONCORDA COM O ROBERTO CAMPOS!! QUEM DIRIA...É QUE, CONTRA NÚMEROS, NÃO HÁ ARGUMENTOS....
Valor: O Bolsa Família ajuda a aumentar o consumo interno?
Cardim: O Bolsa família é importante, mas atende a um segmento de fundo de poço. Do ponto de vista da economia em si, tem efeito positivo em áreas onde o fundo do poço é muito importante. No Nordeste acabou tendo este efeito. Como política econômica, o Bolsa Família não tem grande importância. Como política social, não é muito eficaz no longo prazo. Por outro lado, sempre tenho em mente uma frase que o saudoso Betinho gostava de repetir: "Quem tem fome tem pressa". Então, não jogo pedras no Bolsa Família.
Valor: Como o sr. vê um eventual segundo governo Lula? A condução da economia deve mudar ?
Cardim: O futuro imediato enfrenta duas grandes incertezas. A primeira é externa. Os bons tempos aparentemente estão acabando, mas pelo menos até agora não há nenhuma grande tragédia no horizonte. Claro que a maioria das grandes tragédias chega de repente. Então, isso não quer dizer muita coisa. Há uma incerteza externa que é a recessão americana e que, ao contrário do que se pensa, pode afetar a China, que inunda o mercado americano de produtos.
Valor: E a segunda incerteza?
Cardim: A segunda incerteza é o que significaria um segundo governo Lula. A esta altura, por mais desastres que apareçam, acho que o presidente vai ser reeleito. Mas ninguém sabe o que isso pode significar. Por um lado, acho que o presidente descobriu a virtude da indefinição. De não dizer nada, jamais. São sempre frases muito genéricas, muitas vezes contraditórias. Por outro lado, o último ano de governo tem sido especialmente confuso. Quando começou o governo, sabíamos o que era o governo Lula. O Palocci era a voz dominante, a qual todas as outras se subordinavam no sentido de continuar e aprofundar o modelo econômico herdado do governo FHC. O ministério (dirigido por Palocci) era transparente. Com a mudança no último ano, ficou tudo muito incerto.
Valor: Em que sentido?
Cardim: Parece que o presidente escolheu o ministro Mantega para substituir o Palocci, principalmente pela lealdade pessoal. O presidente foi perdendo todos os assessores, aparentemente traído por todos eles, - e o próprio presidente parece sentir isto, é o discurso dele - e se voltou para alguém cuja maior qualidade é a lealdade pessoal. Mantega é extremamente coerente com isso. Se vê que ele subordina seu posicionamento, e isso não é crítica. Para os cidadãos dessa economia, significa que a própria escolha do Mantega é uma incógnita completa. Ele foi escolhido pela proximidade pessoal e não por eventual divergência com o modelo seguido pelo Palocci.
Valor: Na sua avaliação, Mantega vai continuar, caso Lula seja reeleito?
Cardim: Não se sabe até agora se o ministro Mantega é ministro de transição ou do segundo mandato. Ele está falando como se fosse. Mas o presidente não dá esta indicação. Por um lado, se trouxe o Mantega para o ministério, e lhe deu liberdade para reforçar uma equipe mais desenvolvimentista, Lula publicamente reforçou o papel do presidente do BC, Henrique Meirelles. Ele reforça um lado mais desenvolvimentista e torna praticamente autônomo o remanescente da estratégia mais conservadora.
Valor: O governo poderá abandonar esta trilha e ter uma política econômica mais de esquerda se obtiver um segundo mandato?
Cardim: Acho que o mais provável é o governo Lula reproduzir o primeiro mandato. Em grande parte porque não tem sinalizado qual seria sua visão estratégica e estratégia não se improvisa. No segundo mandato, ele estará herdando a si mesmo e não a "herança maldita" de Fernando Henrique Cardoso. Tenho a impressão de que o governo Lula se conformou com a idéia de que política econômica não é com ele. Tem que ser conservadora mesmo e que o papel de um governo do PT é ser bom para os pobres. Por conta disso, o que eu esperaria de um segundo governo do PT é mais do mesmo. Mais Bolsa Família e mais indecisão no sentido macroeconômico. Mais política monetária permeável às pressões do sistema financeiro, uma política fiscal decorrente disso, continuando com o superávit primário. Não acredito que Lula tenha um plano B na cabeça.
Valor: Mas o pano de fundo internacional não será o mesmo....
Cardim: Por essa razão, temo que o país se encaminhe para uma situação mais difícil. Um governo com pouca iniciativa tentando reproduzir uma inércia que só funcionava quando o contexto internacional era tão bom, que na inércia você vai. Vai menos que os outros, mas não vai tão ruim. Na melhor das hipóteses, vamos continuar crescendo pouco, mas se o resto do mundo perder fôlego, vamos perder também, o que pode significar taxas de crescimento negativas.
Valor: Qual é sua avaliação da condução da política econômica do governo Lula?
Fernando Cardim: O balanço mais sintético dos quatro anos do Lula talvez seja o da perda de oportunidade. O que chama atenção é que esse foi um período excepcionalmente benéfico no cenário internacional. Desde os anos 60 não se tinha período tão bom. Nos anos 70, tivemos os desequilíbrios inflacionários no mundo inteiro, choque de petróleo; nos anos 80, crise da dívida. Nos anos 90, crises financeiras, especialmente na segunda metade da década. O período pós-ataque às torres - de 2002 para frente - é de crescimento mundial, e as únicas crises financeiras importantes são Argentina e Turquia, que tiveram pouco efeito sobre o mundo. Quando se olha para trás, o mais dramático é a sensação de oportunidade perdida, que dificilmente vai se repetir nos próximos anos. O Brasil deixou de aproveitar e perdeu chance única de voltar a ocupar posição de liderança no cenário internacional.
Valor: Apesar disso, o sr. avalia que houve alguns acertos neste governo? Qual foi o principal?
Cardim: Acertos, sempre há. A política externa, reconheço que foi um acerto. A Alca era praticamente uma realidade, quando começou o governo Lula. E teria sido um desastre. Então, na política externa, apesar dos problemas que acabaram restando, como os desacertos com a Bolívia e agora, no FMI, acho que foi bem-sucedida, como, por exemplo, a política de alianças com a Índia e a África do Sul, que tem um potencial importante. Para mim, deter a Alca e as ameaças que se colocavam na OMC foi um grande progresso.
Valor: E no âmbito interno?
Cardim: Na política doméstica, acho que é mais difícil uma avaliação positiva. Acredito que algumas coisas funcionaram por inércia. A política cambial foi um desastre. Como o mundo cresceu muito e pressões chinesas levaram ao aumento de preço de muitas mercadorias exportadas, isso compensou a política cambial, mas seus efeitos vão ser sentidos, aliás, já estão sendo sentidos, e daqui para frente devem piorar se a economia americana entrar em recessão. A política de juros foi de uma insensibilidade até maior do que no período Fernando Henrique Cardoso. A política fiscal foi igualmente muito ruim. Enfim, a política macroeconômica foi desastrosa.
Valor: No plano interno, o sr. não vê nenhum acerto do governo Lula?
Cardim: Eu citaria um acerto possível, ainda que esteja em processo, que foi a recuperação do BNDES . Acho que esta foi uma medida muito importante. O BNDES tinha se tornado um banco de investimento, de privatizações. Um banco, enfim, a caminho da autodissolução.
Valor:
Qual o principal equívoco da atual política macroeconômica?
Cardim: O que eu chamaria de principal, porque está um pouco na raiz dos outros dois, é a política de juros. Em grande medida, a política cambial é prejudicada pela política de juros, e a fiscal, também. Grande parte do que nós temos como problema cambial, que é a sobrevalorização do real, se deve ao fato de que as taxas de juros que se pagam aqui, não se pagam em lugar nenhum do mundo. Portanto, há uma pressão à entrada de capitais sempre muito grande. E, no problema fiscal, são os famosos 8% do PIB pagos de serviço da dívida pública e que não se justificam. Não se justifica que a conta tenha este tamanho, porque não é defesa de calote. A grande justificativa é o Banco Central, que trabalha orientado por visões da economia, por parâmetros, que se a gente compara com o resto do mundo, não se justificam. Se existe algo estranho, e que é legitimamente brasileiro, é o Banco Central. Para mim, O BC é o que os conservadores gostam de chamar uma jabuticaba. O BC alega que a economia está crescendo para tocar sua política contracionista. Sim, nós estamos crescendo junto com o Haiti. Os outros todos deslancharam na frente. Havia aquele grupo dos BRICs, que hoje em dia são os RICs. Rússia, India e China correram na frente. E nós estamos aqui, na rabeira, satisfazendo o BC.
Valor: A falta de crescimento continua sendo o grande problema do Brasil?
Cardim: Eu vou talvez destoar um pouco do senso mais comum. Acredito que economia em desenvolvimento, como é o nosso caso, não prescinde de um governo ativo na economia. Falo de um governo que tenha uma estratégia, uma visão de longo prazo, que seja capaz de coordenar a ação de atores privados. Nós não temos muito recursos. Somos um país pobre, subdesenvolvido, então os recursos têm que ser bem usados, seu uso tem que ser estrategicamente bem pesado. Isto certamente era um erro do governo FHC. E é uma preocupação que se mantém no governo Lula, um governo que não tem sido capaz de apontar para lugar nenhum.
Valor: Por essa razão temos uma baixa taxa de investimento?
Cardim: As empresas estão tendo lucros imensos. Por que não investem? Não investem porque não se tem segurança de qual é o caminho escolhido para o Brasil. É imprescindível um governo que saiba para onde vai, para que o Brasil cresça , para que o setor privado tenha um mínimo de confiança e para que os recursos rendam o que podem render.
Valor: O que é necessário para o país ter um plano estratégico para ter resultados melhores na sua busca pelo desenvolvimento?
Se existe algo legitimamente brasileiro, é o BC. O banco é o que conservadores gostam de chamar uma jabuticaba "
Cardim: Ai vem uma segunda coisa, e acho que o problema efetivamente não é o governo Lula, mas é a necessidade de uma reforma política. Desde o fim do regime militar, nosso regime político é de paralisia. Criou partidos que têm poder de veto, mas nenhum tem poder de liderança. Você não tem um sistema político que dá a chance de uma estratégia ser pensada. Uma coalizão PSDB-PFL chega lá, não tem maioria e vira balcão de negócios. Se elege-se uma coalizão PT-PC do B, ela tem menos maioria ainda. E vira balcão de negócios. Eu acho que uma reforma política que adote, por exemplo, cláusulas de barreira efetivas já é um primeiro passo. Essas histórias do governo Lula são pavorosas. Mas, no governo do FHC, o primeiro escândalo explodiu com o Sivam, dois meses após a posse. O chefe do cerimonial da Presidência estava vendendo influência a um grupo americano na venda do sistema de segurança da Amazônia e foi punido com uma embaixada na FAO, em Roma.
Valor: Para o sr., então, para o Brasil crescer não basta baixar juros. É preciso ter uma reforma política e um projeto nacional....
Cardim: Se você baixar juros, é bem possível que algumas empresas até se disponham a investir, para compensar a falta de ganhos no mercado financeiro. O problema vai ser, provavelmente, dispersão. Não se tem muitos recursos no país. Provavelmente você vai ter um grau de desperdício, de duplicação, de flutuação, que você poderia prevenir com uma política industrial que aponte prioridades, apoiada na reforma do sistema financeiro, que há muito tempo insisto que seria importante.
UMA DAS BOBAGENS MAIS GRITANTES QUE LI NOS ÚLTIMOS ANOS. INICIATIVA PRIVADA NÃO TEM NENHUM INCENTIVO PRA DESPERDIÇAR RECURSOS, PRA COMEÇO DE CONVERSA. MAS NÃO VOU GASTAR DEDO DIGITANDO AQUI.
Valor: Como seria a reforma financeira?
Cardim: Seriam iniciativas de desenvolvimento de mercado de capitais. O sistema financeiro brasileiro é basicamente o sistema bancário, e a criação de outros mercados é feita a partir de grupos bancários, o que acaba eliminando a possibilidade de competição. Então, por exemplo, o crédito para empresas é muito caro. O que uma empresa americana faz quando o capital de giro é muito caro? Ela vende "commercial papers". Porque, nos EUA, as empresas que se voltavam para o mercado de capitais, eram legalmente forçadas a serem competidoras do sistema bancário. Se reclama muito do spread bancário no Brasil. As nossas políticas de securitização não vão combater isso. A receita americana é criar esquemas de securitização independentes do sistema bancário. Você só quebra o monopólio do sistema bancário com desenvolvimento de instituições paralelas aos bancos e isso não sai do nada. Tem que ter políticas de incentivo. O que promove a concorrência são novas instituições e não novos instrumentos. Esta é, para mim, uma falha na estratégia pensada pelo Ministério da Fazenda para reduzir spreads do sistema financeiro. Existe uma febre inovadora grande, mas o foco sempre está voltado para as mesmas instituições. A pressão para redução do custo dos recursos será muito pequena, enquanto os novos instrumentos forem aportados pelas mesmas instituições.
PERGUNTA: COMO INCENTIVAR O MERCADO DE CAPITAIS EM ECONOMIA DIRIGIDA? TEMPO.......................ê ESQUIZOFRENIA...
Valor: Qual modelo pode ajudar mais o país a deslanchar? Um modelo de consumo de massas?
Cardim: Este modelo já opera no Brasil desde os anos 70. Ele em si, não é suficiente. Toda grande economia, como a brasileira, não tem escolhas. O Brasil é assim desde o Plano de Metas. É claro que é um modelo de consumo de massas com grandes diferenciações. Uma economia do tamanho da brasileira é sempre uma economia de consumo de massas. Umas pessoas tomavam esta definição no sentido de uma política que penaliza exportações e favorece o mercado interno. Alguns grupos mais à esquerda sugeriram isto, o que é um erro brutal. A exportação aumenta a renda e permite a produção para as massas dentro do país. Ter um complexo exportador de soja gera empregos que provavelmente não existiriam com a política contracionista que o governo aplica no resto. Há uma tese equivocada, que diz que é preciso escolher entre as duas coisas. Ou exporta ou faz consumo de massas. As duas combinam. Este é o melhor modelo.
O COMUNISTA CONCORDA COM O ROBERTO CAMPOS!! QUEM DIRIA...É QUE, CONTRA NÚMEROS, NÃO HÁ ARGUMENTOS....
Valor: O Bolsa Família ajuda a aumentar o consumo interno?
Cardim: O Bolsa família é importante, mas atende a um segmento de fundo de poço. Do ponto de vista da economia em si, tem efeito positivo em áreas onde o fundo do poço é muito importante. No Nordeste acabou tendo este efeito. Como política econômica, o Bolsa Família não tem grande importância. Como política social, não é muito eficaz no longo prazo. Por outro lado, sempre tenho em mente uma frase que o saudoso Betinho gostava de repetir: "Quem tem fome tem pressa". Então, não jogo pedras no Bolsa Família.
Valor: Como o sr. vê um eventual segundo governo Lula? A condução da economia deve mudar ?
Cardim: O futuro imediato enfrenta duas grandes incertezas. A primeira é externa. Os bons tempos aparentemente estão acabando, mas pelo menos até agora não há nenhuma grande tragédia no horizonte. Claro que a maioria das grandes tragédias chega de repente. Então, isso não quer dizer muita coisa. Há uma incerteza externa que é a recessão americana e que, ao contrário do que se pensa, pode afetar a China, que inunda o mercado americano de produtos.
Valor: E a segunda incerteza?
Cardim: A segunda incerteza é o que significaria um segundo governo Lula. A esta altura, por mais desastres que apareçam, acho que o presidente vai ser reeleito. Mas ninguém sabe o que isso pode significar. Por um lado, acho que o presidente descobriu a virtude da indefinição. De não dizer nada, jamais. São sempre frases muito genéricas, muitas vezes contraditórias. Por outro lado, o último ano de governo tem sido especialmente confuso. Quando começou o governo, sabíamos o que era o governo Lula. O Palocci era a voz dominante, a qual todas as outras se subordinavam no sentido de continuar e aprofundar o modelo econômico herdado do governo FHC. O ministério (dirigido por Palocci) era transparente. Com a mudança no último ano, ficou tudo muito incerto.
Valor: Em que sentido?
Cardim: Parece que o presidente escolheu o ministro Mantega para substituir o Palocci, principalmente pela lealdade pessoal. O presidente foi perdendo todos os assessores, aparentemente traído por todos eles, - e o próprio presidente parece sentir isto, é o discurso dele - e se voltou para alguém cuja maior qualidade é a lealdade pessoal. Mantega é extremamente coerente com isso. Se vê que ele subordina seu posicionamento, e isso não é crítica. Para os cidadãos dessa economia, significa que a própria escolha do Mantega é uma incógnita completa. Ele foi escolhido pela proximidade pessoal e não por eventual divergência com o modelo seguido pelo Palocci.
Valor: Na sua avaliação, Mantega vai continuar, caso Lula seja reeleito?
Cardim: Não se sabe até agora se o ministro Mantega é ministro de transição ou do segundo mandato. Ele está falando como se fosse. Mas o presidente não dá esta indicação. Por um lado, se trouxe o Mantega para o ministério, e lhe deu liberdade para reforçar uma equipe mais desenvolvimentista, Lula publicamente reforçou o papel do presidente do BC, Henrique Meirelles. Ele reforça um lado mais desenvolvimentista e torna praticamente autônomo o remanescente da estratégia mais conservadora.
Valor: O governo poderá abandonar esta trilha e ter uma política econômica mais de esquerda se obtiver um segundo mandato?
Cardim: Acho que o mais provável é o governo Lula reproduzir o primeiro mandato. Em grande parte porque não tem sinalizado qual seria sua visão estratégica e estratégia não se improvisa. No segundo mandato, ele estará herdando a si mesmo e não a "herança maldita" de Fernando Henrique Cardoso. Tenho a impressão de que o governo Lula se conformou com a idéia de que política econômica não é com ele. Tem que ser conservadora mesmo e que o papel de um governo do PT é ser bom para os pobres. Por conta disso, o que eu esperaria de um segundo governo do PT é mais do mesmo. Mais Bolsa Família e mais indecisão no sentido macroeconômico. Mais política monetária permeável às pressões do sistema financeiro, uma política fiscal decorrente disso, continuando com o superávit primário. Não acredito que Lula tenha um plano B na cabeça.
Valor: Mas o pano de fundo internacional não será o mesmo....
Cardim: Por essa razão, temo que o país se encaminhe para uma situação mais difícil. Um governo com pouca iniciativa tentando reproduzir uma inércia que só funcionava quando o contexto internacional era tão bom, que na inércia você vai. Vai menos que os outros, mas não vai tão ruim. Na melhor das hipóteses, vamos continuar crescendo pouco, mas se o resto do mundo perder fôlego, vamos perder também, o que pode significar taxas de crescimento negativas.
da coluna da Sonia Racy
TÁ MAL
Em conversa fechada em um banco privado, esta semana, o economista Affonso Celso Pastore assustou seus interlocutores sofre o futuro do Brasil.
Quem ouviu teve vontade de deixar o País.
TÁ MAL
Em conversa fechada em um banco privado, esta semana, o economista Affonso Celso Pastore assustou seus interlocutores sofre o futuro do Brasil.
Quem ouviu teve vontade de deixar o País.
eu falo que esse Mantega é um idiota...(mais idiotias depois).
ele quer que Meirelles "explique" porque o Brasil não cresce...
Explico eu: ora, caro professor, porque o déficit público não deixa, a selic (que é efeito, não causa) tem que ser alta pra fazer o déficit público do governo que o senhor deveria cuidar, caber no PIB. E o senhor quuer aumentar o déficit público...
Isso mesmo professor, eu sou aquele aluno arrogante que, em uma prova de matéria sua, respondeu o que o senhor queria saber e depois escreveu assim: "só que tudo isso é uma tremenda de uma bobagem..."
o senhor é péssimo professor, e é péssimo ministro. sugiro que o senhor faça o favor de não voltar à GV e vá tentar viver de consultoria, pra que todos conheçam a topeira que o senhor é.
O novo cerco a Meirelles
Presidente do BC derrubou a inflaçÃo, mas o PIB também esfriou. agora, ele terá de se explicar
Por Octávio Costa
O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, está prestes a sofrer um constrangimento inédito, desde a implantação do regime de metas de inflação no País, em 1999. Ele terá de explicar publicamente ao ministro da Fazenda, Guido Mantega, por que não cumpriu o alvo de 4,5% traçado pelo Comitê de Política Monetária para 2006. O curioso é que Meirelles errou para menos, pois a taxa de inflação deste ano deverá ser próxima a 3%. E essa, que seria uma boa notícia, não vem sendo encarada com bons olhos por Mantega. Isso porque o crescimento do PIB, antes estimado em 4% para 2006, também foi rebaixado para 3,5%. A causa seria um equívoco na política monetária, que conteve os preços mas também esfriou a economia. “Ficou claro que houve um erro de dosagem nos juros”, ataca uma fonte da Fazenda. De acordo com a lei que rege a relação entre os dois órgãos públicos, caso se confirme uma inflação abaixo do piso mínimo, o presidente do BC é obrigado a enviar uma carta aberta ao ministro da Fazenda. E ninguém esconde que Mantega está ansioso para conhecer os termos da carta de Meirelles – principalmente porque o erro aconteceu no ano da reeleição de Lula.
Esse novo episódio azedou ainda mais a relação entre as duas principais autoridades econômicas do PIB. Mantega recebeu a notícia de revisão do PIB para baixo como uma punhalada nas costas. Embora tenha dito publicamente que bancos centrais são sempre conservadores, ele criticou muito a postura de Meirelles, em ocasiões reservadas. E achou inadmissível o Banco Central jogar para baixo a previsão de crescimento do PIB às vésperas do primeiro turno das eleições. Também foi negativa a reação no Palácio do Planalto. Do ponto de vista eleitoral, considerou-se inoportuna a divulgação de uma taxa de crescimento mais baixa antes da eleição. Além disso, na mesma semana, Meirelles recebeu os senadores Tasso Jereissati (PSDB-CE) e Heráclito Fortes (PFL-PI) e informou-lhes que não havia recebido pedido da Polícia Federal para investigar a origem do dinheiro usado na compra do dossiê contra os tucanos – o que também irritou o presidente Lula. No Planalto, ainda não se faz propriamente carga contra Henrique Meirelles. Fontes do círculo íntimo do presidente explicam que o governo não pretende esconder dados negativos da economia – tanto assim que anunciou o corte de R$ 1,6 bilhão no orçamento. Mas afirmam que faltou ao presidente do BC sensibilidade política. “Não se espera que Meirelles, de perfil técnico, ajude na campanha de reeleição, mas, pelo menos, que não atrapalhe”, disse uma fonte próxima a Lula.
ele quer que Meirelles "explique" porque o Brasil não cresce...
Explico eu: ora, caro professor, porque o déficit público não deixa, a selic (que é efeito, não causa) tem que ser alta pra fazer o déficit público do governo que o senhor deveria cuidar, caber no PIB. E o senhor quuer aumentar o déficit público...
Isso mesmo professor, eu sou aquele aluno arrogante que, em uma prova de matéria sua, respondeu o que o senhor queria saber e depois escreveu assim: "só que tudo isso é uma tremenda de uma bobagem..."
o senhor é péssimo professor, e é péssimo ministro. sugiro que o senhor faça o favor de não voltar à GV e vá tentar viver de consultoria, pra que todos conheçam a topeira que o senhor é.
O novo cerco a Meirelles
Presidente do BC derrubou a inflaçÃo, mas o PIB também esfriou. agora, ele terá de se explicar
Por Octávio Costa
O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, está prestes a sofrer um constrangimento inédito, desde a implantação do regime de metas de inflação no País, em 1999. Ele terá de explicar publicamente ao ministro da Fazenda, Guido Mantega, por que não cumpriu o alvo de 4,5% traçado pelo Comitê de Política Monetária para 2006. O curioso é que Meirelles errou para menos, pois a taxa de inflação deste ano deverá ser próxima a 3%. E essa, que seria uma boa notícia, não vem sendo encarada com bons olhos por Mantega. Isso porque o crescimento do PIB, antes estimado em 4% para 2006, também foi rebaixado para 3,5%. A causa seria um equívoco na política monetária, que conteve os preços mas também esfriou a economia. “Ficou claro que houve um erro de dosagem nos juros”, ataca uma fonte da Fazenda. De acordo com a lei que rege a relação entre os dois órgãos públicos, caso se confirme uma inflação abaixo do piso mínimo, o presidente do BC é obrigado a enviar uma carta aberta ao ministro da Fazenda. E ninguém esconde que Mantega está ansioso para conhecer os termos da carta de Meirelles – principalmente porque o erro aconteceu no ano da reeleição de Lula.
Esse novo episódio azedou ainda mais a relação entre as duas principais autoridades econômicas do PIB. Mantega recebeu a notícia de revisão do PIB para baixo como uma punhalada nas costas. Embora tenha dito publicamente que bancos centrais são sempre conservadores, ele criticou muito a postura de Meirelles, em ocasiões reservadas. E achou inadmissível o Banco Central jogar para baixo a previsão de crescimento do PIB às vésperas do primeiro turno das eleições. Também foi negativa a reação no Palácio do Planalto. Do ponto de vista eleitoral, considerou-se inoportuna a divulgação de uma taxa de crescimento mais baixa antes da eleição. Além disso, na mesma semana, Meirelles recebeu os senadores Tasso Jereissati (PSDB-CE) e Heráclito Fortes (PFL-PI) e informou-lhes que não havia recebido pedido da Polícia Federal para investigar a origem do dinheiro usado na compra do dossiê contra os tucanos – o que também irritou o presidente Lula. No Planalto, ainda não se faz propriamente carga contra Henrique Meirelles. Fontes do círculo íntimo do presidente explicam que o governo não pretende esconder dados negativos da economia – tanto assim que anunciou o corte de R$ 1,6 bilhão no orçamento. Mas afirmam que faltou ao presidente do BC sensibilidade política. “Não se espera que Meirelles, de perfil técnico, ajude na campanha de reeleição, mas, pelo menos, que não atrapalhe”, disse uma fonte próxima a Lula.
vamos ao que o Professor Nakano disse por aí...no fim, comentários meus em azul (Zú!, como diz o Fernando)
Nakano defende mudança no câmbio
Denise Neumann
A montagem de uma política econômica que permita ao país voltar a crescer passa por mudanças no atual regime cambial, defendeu, ontem, Yoshiaki Nakano, diretor da Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e um dos economistas que está participando da elaboração do programa econômico do candidato do PSDB à presidência da República, Geraldo Alckmin.
Nakano defende um modelo de câmbio administrado que, eventualmente e por um período curto, poderia ter algum controle de capital na entrada de recursos.
Para o economista, o governo não deve definir uma meta de câmbio, mas precisa administrar a taxa. Hoje, o governo compra dólares, mas a intervenção não mira um câmbio competitivo e o diferencial de juros interno e externo a torna ineficaz, diz. Para melhorar o poder de intervenção, de forma a remunerar o exportador, ele sugeriu, em evento na Universidade Federal do Rio (UFRJ), a criação de um fundo de estabilização cambial no Tesouro Nacional.
Para Nakano, o atual tripé de política econômica - superávit primário, câmbio flutuante e metas de inflação - não funciona, é inconsistente e tem objetivo limitado, de buscar a estabilidade de preços e financeira. Ciente de que defende idéias polêmicas e de que sofre resistência do "mercado", esclareceu: "Não falo em nome de ninguém e não sou candidato a nada".
No atual modelo, resumiu ele, "não há um único objetivo alocado para o crescimento". E esse deve ser, na sua avaliação, o primeiro objetivo de uma nova política. A transição para um sistema com foco no crescimento passa por mexer nas despesas, no juro, na administração da dívida pública e, se necessário, no fluxo de entrada de recursos, lista Nakano.
No "seu programa", tudo começaria com um ajuste fiscal feito com corte de despesas e não com aumento de impostos. O corte reduziria gastos e a necessidade de financiamento, abrindo espaço para juro menor que, por sua vez, levariam à desvalorização do câmbio. Ainda dentro da sua lógica, o setor exportador faria novos investimentos (para os quais haveria crédito, pois a poupança estaria liberada do financiamento público) e a menor demanda controlaria a inflação, ainda que em um primeiro momento os preços possam subir influenciados pelo novo câmbio.
"A inflação que temos hoje é artificial porque o câmbio está fora do lugar. Quando o câmbio for corrigido, a inflação vai voltar para um nível maior", admite Nakano. Mas, no seu modelo, a inflação - após a transição - deve ser buscada em um intervalo entre 2% a 4% ao ano.
Assim como a inflação mais alta pode ser um movimento transitório, Nakano admite que por um determinado período - até que a taxa de juros interna fique próxima da externa - o país pode adotar controle de capitais para ajudar na correção da taxa de câmbio. "Os países que cresceram, o fizeram pela integração comercial e com algum controle do fluxo de capitais", argumentou. "O Brasil, ao contrário, tomou o caminho errado e fez a integração financeira", ponderou.
Nakano sabe que essa mudança desenhada por ele deve enfrentar resistências no setor financeiro que hoje se beneficia das altas taxas de juros. "Precisamos desenhar uma nova política que permita atingir o crescimento, mas gere uma conciliação de interesses", explicou. Segundo ele, o sistema financeiro pode ganhar dinheiro com crédito. E a demanda por financiamentos cresceria influenciada pelos novos investimentos, pelo aumento da população ocupada e pela renda liberada do pagamento de juros.
Nakano foi questionado sobre o tamanho de corte de despesas necessário para alcançar o déficit nominal zero, defendido por ele. Hoje, isso representaria uma redução superior a 3% do Produto Interno Bruto (PIB). Recorrendo a sua experiência na secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo quando, conta ele, o governo estadual saiu de um déficit orçamentário equivalente a 27% das receitas em 1994 para um superávit em dois anos - ele garantiu que é possível fazer esse ajuste sem afetar os programas sociais.
1-Voltar a crescer: Nakano é um onanista do crescimento...é discípulo de Bresser-Pereira, que acredita que inflação propicia aceleramento de poupança interna, que essa é preferível à poupança externa, e parte da premissa que a sociedade ainda suporta inflação. Let me tell you, sir: PERDEU! Crescimento com inflação é PAGO (tudo custa, alguém sempre paga) pelos POBRES. E, adivinha?, eles não querem mais pagar...
2-Câmbio administrado ("desvalorizar pode, valorizar não"): ai que saudades de 1982, esse cara deve pensar: em 1983-84, exportamos até GOIABADA por conta do dólar valorizado (moeda nossa desvalorizada). Só que, atenção pra perguntinha básica do titio Friedman: Existe almoço grátis? NÃO. QUEM PAGA? NOVAMENTE OS POBRES: QUEM TEM EM SEU CUSTO DE VIDA UMA PARTICIPAÇÃO GRANDE DA CESTA BÁSICA CONSOME ME DÓLAR "NEZTPAÍS". SIM, POBRE BRASILEIRO É TÃO XIQUI QUE GASTA EM DÓLA, TÁ PENSANDO O QUÊ? OS PREÇOS DOS ITENS BÁSICOS SÃO INTERNACIONAIS, NÃO CONTROLAMOS PREÇOS DE TRIGO, CAFÉ, AÇÚCAR, ARROZ. LOGO, ELES VARIAM COM O DÓLAR, BIDUZÃO!!!
3 - Controle de capitais: como ele mesmo diz, o dia em que "Neztpaís" tiver juro que respeite a paridade internacional, ie, seja função dos preços relativos dos bens, não precisa de controle nenhum porque não haverá espaço pra arbitragem - tomar dinheiro a juros reais negativos no Japão e vir aqui ganhar 11 purça ao ano. Mais, "controle" significa que ele parte da premissa que sabe, de antemão, onde quer chegar, qual o equilíbrio. A maxi de 1982 nos lembra que o Governo não tem poderes de predição melhores que qualquer um de nós, minimamente treinado. E juros "civilizados" são uma questão de cortar MESMO o déficit, acabar com grande parte das vinculações constitucionais, acabar com a correção das aposentadorias pelo salário mínimo, acabar com a Previdência Pública, por que não? Um Homem deve saber cuidar de si!
4-Déficit nominal zero: aqui entra um "tecnicismo": Nakano abraça a proposta de Delfim, do déficit nominal zero PONTUAL. Só que perseguir déficit zero ano a ano tende a ser contraprodutovo. Em anos de crescimento da economia, onde superávits são mais "fáceis", o "algoritmo" mandaria diminuir o superávit. A Bíblia já ensinava: engorde o gado nos sete anos de fartura, para que ele sobreviva nos sete anos de miséria. O déficit deve ser zero no longo prazo, deve "convergir" a zero. Para isso, o mais adequado, com mais sentido econômico, seria uma política de contra-ciclo: o governo POUPA e busca superávits em anos bons e ESTIMULA a economia, pelo lado da demanda agregada, em anos ruins.
Nakano é burro? Não. Mas é Cepalino. Essa gente nos enterrou na década de 60 e continua nos assombrando.
Nakano defende mudança no câmbio
Denise Neumann
A montagem de uma política econômica que permita ao país voltar a crescer passa por mudanças no atual regime cambial, defendeu, ontem, Yoshiaki Nakano, diretor da Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e um dos economistas que está participando da elaboração do programa econômico do candidato do PSDB à presidência da República, Geraldo Alckmin.
Nakano defende um modelo de câmbio administrado que, eventualmente e por um período curto, poderia ter algum controle de capital na entrada de recursos.
Para o economista, o governo não deve definir uma meta de câmbio, mas precisa administrar a taxa. Hoje, o governo compra dólares, mas a intervenção não mira um câmbio competitivo e o diferencial de juros interno e externo a torna ineficaz, diz. Para melhorar o poder de intervenção, de forma a remunerar o exportador, ele sugeriu, em evento na Universidade Federal do Rio (UFRJ), a criação de um fundo de estabilização cambial no Tesouro Nacional.
Para Nakano, o atual tripé de política econômica - superávit primário, câmbio flutuante e metas de inflação - não funciona, é inconsistente e tem objetivo limitado, de buscar a estabilidade de preços e financeira. Ciente de que defende idéias polêmicas e de que sofre resistência do "mercado", esclareceu: "Não falo em nome de ninguém e não sou candidato a nada".
No atual modelo, resumiu ele, "não há um único objetivo alocado para o crescimento". E esse deve ser, na sua avaliação, o primeiro objetivo de uma nova política. A transição para um sistema com foco no crescimento passa por mexer nas despesas, no juro, na administração da dívida pública e, se necessário, no fluxo de entrada de recursos, lista Nakano.
No "seu programa", tudo começaria com um ajuste fiscal feito com corte de despesas e não com aumento de impostos. O corte reduziria gastos e a necessidade de financiamento, abrindo espaço para juro menor que, por sua vez, levariam à desvalorização do câmbio. Ainda dentro da sua lógica, o setor exportador faria novos investimentos (para os quais haveria crédito, pois a poupança estaria liberada do financiamento público) e a menor demanda controlaria a inflação, ainda que em um primeiro momento os preços possam subir influenciados pelo novo câmbio.
"A inflação que temos hoje é artificial porque o câmbio está fora do lugar. Quando o câmbio for corrigido, a inflação vai voltar para um nível maior", admite Nakano. Mas, no seu modelo, a inflação - após a transição - deve ser buscada em um intervalo entre 2% a 4% ao ano.
Assim como a inflação mais alta pode ser um movimento transitório, Nakano admite que por um determinado período - até que a taxa de juros interna fique próxima da externa - o país pode adotar controle de capitais para ajudar na correção da taxa de câmbio. "Os países que cresceram, o fizeram pela integração comercial e com algum controle do fluxo de capitais", argumentou. "O Brasil, ao contrário, tomou o caminho errado e fez a integração financeira", ponderou.
Nakano sabe que essa mudança desenhada por ele deve enfrentar resistências no setor financeiro que hoje se beneficia das altas taxas de juros. "Precisamos desenhar uma nova política que permita atingir o crescimento, mas gere uma conciliação de interesses", explicou. Segundo ele, o sistema financeiro pode ganhar dinheiro com crédito. E a demanda por financiamentos cresceria influenciada pelos novos investimentos, pelo aumento da população ocupada e pela renda liberada do pagamento de juros.
Nakano foi questionado sobre o tamanho de corte de despesas necessário para alcançar o déficit nominal zero, defendido por ele. Hoje, isso representaria uma redução superior a 3% do Produto Interno Bruto (PIB). Recorrendo a sua experiência na secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo quando, conta ele, o governo estadual saiu de um déficit orçamentário equivalente a 27% das receitas em 1994 para um superávit em dois anos - ele garantiu que é possível fazer esse ajuste sem afetar os programas sociais.
1-Voltar a crescer: Nakano é um onanista do crescimento...é discípulo de Bresser-Pereira, que acredita que inflação propicia aceleramento de poupança interna, que essa é preferível à poupança externa, e parte da premissa que a sociedade ainda suporta inflação. Let me tell you, sir: PERDEU! Crescimento com inflação é PAGO (tudo custa, alguém sempre paga) pelos POBRES. E, adivinha?, eles não querem mais pagar...
2-Câmbio administrado ("desvalorizar pode, valorizar não"): ai que saudades de 1982, esse cara deve pensar: em 1983-84, exportamos até GOIABADA por conta do dólar valorizado (moeda nossa desvalorizada). Só que, atenção pra perguntinha básica do titio Friedman: Existe almoço grátis? NÃO. QUEM PAGA? NOVAMENTE OS POBRES: QUEM TEM EM SEU CUSTO DE VIDA UMA PARTICIPAÇÃO GRANDE DA CESTA BÁSICA CONSOME ME DÓLAR "NEZTPAÍS". SIM, POBRE BRASILEIRO É TÃO XIQUI QUE GASTA EM DÓLA, TÁ PENSANDO O QUÊ? OS PREÇOS DOS ITENS BÁSICOS SÃO INTERNACIONAIS, NÃO CONTROLAMOS PREÇOS DE TRIGO, CAFÉ, AÇÚCAR, ARROZ. LOGO, ELES VARIAM COM O DÓLAR, BIDUZÃO!!!
3 - Controle de capitais: como ele mesmo diz, o dia em que "Neztpaís" tiver juro que respeite a paridade internacional, ie, seja função dos preços relativos dos bens, não precisa de controle nenhum porque não haverá espaço pra arbitragem - tomar dinheiro a juros reais negativos no Japão e vir aqui ganhar 11 purça ao ano. Mais, "controle" significa que ele parte da premissa que sabe, de antemão, onde quer chegar, qual o equilíbrio. A maxi de 1982 nos lembra que o Governo não tem poderes de predição melhores que qualquer um de nós, minimamente treinado. E juros "civilizados" são uma questão de cortar MESMO o déficit, acabar com grande parte das vinculações constitucionais, acabar com a correção das aposentadorias pelo salário mínimo, acabar com a Previdência Pública, por que não? Um Homem deve saber cuidar de si!
4-Déficit nominal zero: aqui entra um "tecnicismo": Nakano abraça a proposta de Delfim, do déficit nominal zero PONTUAL. Só que perseguir déficit zero ano a ano tende a ser contraprodutovo. Em anos de crescimento da economia, onde superávits são mais "fáceis", o "algoritmo" mandaria diminuir o superávit. A Bíblia já ensinava: engorde o gado nos sete anos de fartura, para que ele sobreviva nos sete anos de miséria. O déficit deve ser zero no longo prazo, deve "convergir" a zero. Para isso, o mais adequado, com mais sentido econômico, seria uma política de contra-ciclo: o governo POUPA e busca superávits em anos bons e ESTIMULA a economia, pelo lado da demanda agregada, em anos ruins.
Nakano é burro? Não. Mas é Cepalino. Essa gente nos enterrou na década de 60 e continua nos assombrando.
Lulla falando de economia 🤣 🤣 🤣 🤣
O que pensa o piloto da economia
Lula atribui o baixo crescimento da economia à herança que recebeu do governo anterior, diz o que pretende fazer nos próximos quatro anos e promete um período de bonança, sem inflação e solavancos externos
Por Octávio Costa
DINHEIRO – Enquanto vários países emergentes crescem 7% ao ano, o Brasil em seu governo apresentou crescimento médio de 2,5%. O que deu errado?
LULA – Quando assumi a Presidência, o Brasil vinha de um período de mais de 20 anos de baixo crescimento e de desequilíbrio nas contas internas e externas. Era necessário preparar o País para crescer.
não dá pra crescer com 40% do PIB financiando o governo. Escrevo sempre que é pra vc decorar... :P
Assim como você faz comparação com outros países, dou o exemplo de área em que o Brasil teve desempenho superior ao do resto do mundo: as exportações. De acordo com números do FMI, no ano passado as vendas externas brasileiras subiram 23%, contra 13% da média mundial.
bom, 50% dos países, mais ou menos, estão acima da média 🤔 o brasil é grande produtor de soja, que a china compra como louca - pra alimento e pra alimentar frango. o principal concorrente da soja nesse campo é farinha de peixe (peruana, por exemplo) que teve uma retração nos últimos anos. a ladainha: china bombando etc etc.
DINHEIRO – Mas o que conta é o crescimento, não?
LULA – Temos, hoje, um conjunto de fatores positivos: crescimento econômico com inflação baixa e geração de empregos,
não temos crescimento econômico.
expansão das exportações com ampliação do mercado interno,
exportações vinculadas ao desempenho mundial e altamente elásticas.mercado interno 1.0
aumento do crédito e do investimento com redução constante da taxa de juros e do risco-país.
risco-país é função das reservas externas e mede nossa capacidade de honrar a dívida soberana, que acabou graças às exportações etc etc. aumento de crédito CARO e IMORAL (crédito consignado é de uma imoralidade atroz; nos EUA, só pode reter na folha se o cara é acionado depois de inadimplente e condenado). A taxa de juros real está constante.
Essa combinação de fatores é excepcional na história do Brasil. A casa está arrumada. E devemos crescer este ano em torno de 4%.
"NUNCA na história etc"
DINHEIRO – O Banco Central prevê crescimento de 3,5%.
LULA – A partir de 2007, o Brasil estará em condições de promover um crescimento ainda mais elevado e – o que é mais importante – com condições de ser sustentado a médio e longo prazo.
DINHEIRO – Um dos principais obstáculos ao crescimento é a carga tributária recorde, em torno de 40% do PIB. O que pode ser feito para reduzi-la?
LULA – Nós não aumentamos impostos. Se você vê a carga tributária como a relação do que o governo arrecada em função do PIB, vai dizer que houve aumento. Mas se enxergá-la como aumento de impostos, isso não ocorreu. Quem declara Imposto de Renda sabe que o nosso governo corrigiu a tabela duas vezes, beneficiando os assalariados – o que não ocorria há cinco anos. Além disso, reduzimos o IPI sobre praticamente todos os bens de capital e também o PIS/Cofins que incidia sobre a cesta básica e outros produtos. No total, desoneramos mais de R$ 19 bilhões em impostos: na indústria de máquinas, no arroz, no feijão, na farinha de mandioca, no leite e no material de construção.
quando vc dá subsídio fiscal pra alguém, outro alguém paga a conta. todas essas reduções foram compensadas. a tabela do IR foi corrigida abaixo do que deveria ter sido. a sonegação ainda é grande, o que faz com que outros paguem mais.
DINHEIRO – Haverá novos cortes?
LULA – Vamos continuar ajustando, setor por setor. Uma discussão séria sobre o aumento da arrecadação tem que levar em conta o fato de que a economia cresceu mais, houve um processo de formalização de empregos e os mecanismos de controle do governo sobre a sonegação melhoraram muito.
DINHEIRO – Outro entrave ao investimento produtivo é o nível recorde de juros, além do spread proibitivo. O País pode crescer mais rápido sem baixar mais as taxas de juros?
LULA – Não é verdade que o nível das taxas de juros seja recorde. Pelo contrário – são as taxas mais baixas em muitos e muitos anos, embora seja preciso continuar baixando.
em termos reais continuam recordes, as mesmas.
Nesses quase quatro anos, o governo implantou um modelo de política econômica que promoveu mudanças substanciais no País. Controlamos a inflação, que, no final do ano, deve ficar abaixo da meta fixada pelo governo, de 4,5%.
com essa política monetária não tem como inflação subir.
Baixamos o risco Brasil para os patamares mais baixos desde que ele existe.
as exportações baixaram o risco brasil
Produzimos um superávit nas contas externas. E conseguimos baixar os juros nominais para 14,25%.
O QUE IMPORTA SÃO JUROS REAIS. 😡 😡
DINHEIRO – Mas continuam altos, presidente.
LULA – Ainda estão altos, mas criamos condições para que continuem diminuindo de forma equilibrada e consistente. O BNDES também baixou a TJLP para o menor nível de sua existência.
SE É SUBSÍDIO, ALGUÉM PAGA. RENÚNCIA FISCAL ENTRA NO DÉFICIT PÚBLICO, QUE DEVE SER FINANCIADO PELOS JUROS ALTOS. E RENÚNCIA FISCAL É O NOME DO DESCOLAMENTO TJLP/SELIC.
Além disso, temos flutuação cambial, mas com forte redução da vulnerabilidade externa.
POR CONTA DO AUMENTO DAS RESERVAS, FRUTO DO AUMENTO DE EXPORTAÇÕES, FRUTO DO RITMO MUNDIAL...
Num segundo mandato, vamos dar impulso maior ainda ao crescimento econômico e à geração de empregos. Vamos ampliar o mercado interno, as exportações e continuar combatendo a exclusão social, a pobreza e a desigualdade com a erradicação da fome e a expansão das políticas sociais.
VAI CONTINUAR A AUMENTAR O DEFICIT
DINHEIRO – Nos últimos meses houve grande expansão dos gastos públicos. Diante disso, muitos economistas afirmam que a economia no ano que vem vai passar necessariamente por forte ajuste fiscal. Isso procede?
LULA – Não concordo. No início deste ano, alguns analistas diziam que o governo não cumpriria a meta de superávit primário de 4,25%. Mas os fatos estão demonstrando que eles estavam errados. O gasto público está sob controle e cumpriremos a meta estipulada para este ano. Vamos aos fatos: elevamos as transferências previdenciárias e assistenciais para as famílias de 8,6% do PIB em 2005 para cerca de 9,1% do PIB este ano;
ELE ASSUME QUE ELEVOU O DÉFICIT EM 0.5% DO PIB
e aumentamos o gasto com pessoal e encargos sociais de 4,8% do PIB em 2005 para cerca de 5% do PIB em 2006.
MAIS 0.2%. A MAIORIA DO AUMENTO DE FUNCIONALISMO EM CARGOS DAS-4 PRA CIMA, COM SALÁRIOS MAIS ALTOS E DÍZIMO PRO PT.
Esse aumento é pontual, decorrente do reajuste de algumas carreiras-chave de Estado, e será eliminado nos próximos anos com o maior crescimento do PIB.
NÃO SERÃO, PORQUE A DESPESA É VINCULADA AO PIB. SE O PIB CRESCER 1000%, A DESPESA TEM QUE SER NO MÍNIMO X% DO PIB, ENTÃO CRESCE 1000% TAMBÉM.
O importante é que a inflação está sob controle, a taxa de juros caindo, e o crescimento do PIB se acelerando. A conjunção de fatores favoráveis facilitará a redução do gasto público em relação ao PIB, sem arrocho fiscal.
CANSEI
DINHEIRO – O agronegócio está em crise e isso se refletiu nos votos que o senhor recebeu nos Estados em que a produção agrícola tem maior peso. Como fortalecer a agricultura brasileira?
LULA – A crise atinge alguns setores importantes da agricultura, como a produção de soja, mas outros estão produzindo e comercializando muito bem, como o caso do café. Logo, não há uma crise geral. O governo tomou medidas especiais, procurando atender às demandas dos segmentos mais prejudicados por intempéries e dificuldades do câmbio. Ampliamos o crédito rural e renegociamos dívidas, por exemplo, em volumes significativos na nossa história.
O GOVERNO NÃO GARANTE A PROPRIEDADE, ESTIMULA A BADERNA, NÃO PERMITE A UTILIZAÇÃO INTENSIVA DE DERIVATIVOS NA GESTÃO DE RISCO DO AGRICULTOR, SUBSIDIA MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS (ALGUÉM SEMPRE PAGA)...
DINHEIRO – No entanto, a crise continua e teve reflexo no resultado da eleição.
LULA – Por isso, vamos ampliar mais ainda os recursos do crédito rural para financiamento da produção agropecuária, com custos e prazos cada vez mais adequados à realidade do setor. E outras medidas importantes estão em andamento.
DINHEIRO – Quais são?
LULA – Vamos consolidar a implantação do seguro rural no Brasil, ampliar os recursos de garantia de renda ao produtor
MAIS DÉFICIT=>MAIS JUROS
e fortalecer as negociações na Organização Mundial do Comércio para reduzir subsídios.
DOS OUTROS. E OS OUTROS NÃO REDUZEM PORQUE A GENTE TAMBÉM SUSIDIA.
DINHEIRO – Com o estado precário de estradas, ferrovias e portos, o Brasil dificilmente terá condições de competir com os demais países emergentes. O que fazer para eliminar o gargalo na infra-estrutura?
LULA – Investimos muito na recuperação da infra-estrutura, que estava em grande parte sucateada. Entre 2003 e 2005, por exemplo, o governo federal investiu R$ 4,5 bilhões na melhoria e ampliação das estradas. Na área do transporte aéreo, investimos na reforma e ampliação de 19 aeroportos brasileiros. Em maio de 2003, lançamos o Plano de Revitalização das Ferrovias e o Programa de Expansão da Malha Ferroviária e estão sendo construídas a Ferrovia Norte-Sul e a Transnordestina, com investimentos privados de cerca de R$ 4,5 bilhões. É muita coisa.
SE OS INVESTIMENTOS SÃO PRIVADOS, FORAM FEITOS PELO GOVERNO? 🤔
DINHEIRO – Os portos continuam atrasados.
LULA – Não é verdade. Os 20 portos públicos do País foram beneficiados com obras de recuperação. Com essas ações, a movimentação de cargas nos portos cresceu 18,2%, entre 2003 e 2005. Em relação à energia, o Brasil vai se tornar independente na produção do gás com a conclusão do Gasoduto Coari-Manaus e do Projeto Gasene.
NENHUM DELES DO LULLA
Consolidaremos os pólos de biocombustíveis, de etanol, biodiesel e H-Bio.
🤣 🤣 🤣 🤣 A NOSSA ILUSÃO DA HORA: H-BIO PRECISA DE PETRÓLEO A 60 DÓLARES PRA SER VIÁVEL. HOJE ESTÁ A 58.00...O ETANOL É NEGÓCIO SEM BARREIRA DE ENTRADA, COM RESTRIÇÕES NATURAIS IMPORTANTES. DIZER QUE VAI SUBSTITUIR PETRÓLEO É SONHO. DIZER QUE O BRASIL VAI SER O MAIOR PRODUTOR, WISHFULL THINKING.
Iniciaremos a construção das hidrelétricas de Rio Madeira e Belo Monte e a construção da Refinaria Abreu e Lima em Pernambuco. Vamos, é claro, continuar estimulando as Parcerias Público-Privadas (PPPs), o que está garantido por lei.
DINHEIRO – A máquina pública inchou ou não nos últimos anos?
LULA – A máquina pública federal não inchou no nosso governo. O que fizemos foi dar um basta no enfraquecimento e na terceirização do Estado, levando-o a voltar a ter um papel essencial de indutor do desenvolvimento e de prestação de serviços de melhor qualidade à população.
ESTADO SÓ INDUZ COMA NA ECONOMIA.
DINHEIRO – Houve ou não “aparelhamento” da máquina do Estado em seu governo?
LULA – Comparando meu governo com o anterior, não há diferenças significativas quanto à ocupação de cargos de confiança. Pelos dados disponíveis no site do Ministério do Planejamento, em novembro de 2001, um ano antes do final do governo anterior, 70,5% dos DAS eram ocupados por funcionários públicos de carreira. Esse percentual não se modificou significativamente de lá para cá. Em novembro de 2005, 68,9% dos cargos de confiança do nosso governo também eram ocupados por funcionários públicos de carreira. Desde 2005, 75% dos DAS de um a três e 50% dos DAS 4 – que, no total, representam 94,5% dos cargos – devem, necessariamente, ser ocupados por funcionários de carreira. Isso não é aparelhamento.
O CARA PODE SER CONCURSADO, MAS ASSUME OS DAS MAIORES POR SER PETISTA, TÃO SOMENTE.
DINHEIRO – Todos dizem que só a reforma política pode melhorar as relações do Executivo com o Congresso. O próximo governo terá condições de realizá-la?
LULA – O Brasil precisa fazer a reforma política com urgência. Ela é, de fato, a mãe de todas as reformas. Nosso governo sempre teve consciência disso, embora a iniciativa e deliberação a respeito do assunto caibam ao Legislativo, e não ao Executivo. De toda forma, tivemos que atender outras prioridades, como vocês sabem, porque recebemos um país praticamente quebrado. Agora, felizmente, já colocamos o Brasil nos eixos. Acredito que existam todas as possibilidades de aprovar uma reforma política e eleitoral. Tenho certeza de que a grande maioria da sociedade sabe que é preciso mudar a estrutura política para corrigir desvios e combater ainda mais eficazmente a corrupção.
OLHA O GOLPE!
DINHEIRO – Quais as prioridades da reforma política?
LULA – Penso na fidelidade partidária, no financiamento público de campanhas, no fim da reeleição e em outras medidas. A questão da forma de fazer é relevante. Muito mais importante é não deixar passar essa oportunidade.
DINHEIRO – Quais serão as medidas na área educacional?
LULA – O empenho do governo em melhorar a qualidade da educação já tem sido enorme. Num segundo mandato, a Educação terá prioridade absoluta. Para garantir a qualidade no ensino, vamos continuar investindo fortemente em todos os níveis, da creche à universidade. Enviamos ao Congresso o projeto de criação do Fundeb, que aumentará em dez vezes os recursos para o ensino básico. Além disso, criamos dez universidades públicas e 48 extensões universitárias. Por meio do Prouni, concedemos 204 mil bolsas de estudo para que alunos de baixa renda pudessem entrar na universidade. O governo mudou também a lei que impedia o Estado de criar escolas técnicas federais e já criamos 32 Cefets, dos quais quatro são escolas agrotécnicas. Outra medida importante foi a elevação de oito para nove anos do tempo de permanência na escola. Vamos também dar mais ênfase à formação dos professores, através da Universidade Aberta. E implantar o piso salarial da categoria.
DINHEIRO – Na área social, o Bolsa Família continuará a ser o carro-chefe de seu governo?
LULA – O Bolsa Família é hoje um dos maiores e mais eficientes programas de transferência de renda do mundo – beneficiando mais de 11 milhões de famílias que vivem abaixo da linha da pobreza. É o principal instrumento do Fome Zero, que integra ações de combate à fome, distribuição de renda, acesso a alimentos mais baratos, fortalecimento da agricultura familiar, entre outras iniciativas voltadas para a geração de oportunidades de trabalho e renda. Segundo a mais recente Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), a miséria foi reduzida em mais de 19% em nosso governo. Milhões de famílias que hoje estão no programa vão poder encontrar portas de saída e não mais depender da ajuda do Estado.
DINHEIRO – No seu julgamento, qual o grande acerto do governo na área econômica?
LULA – Recebemos um governo com a inflação alta, desequilíbrios orçamentários e nas contas externas, alto desemprego e crescimento muito baixo. Mas conseguimos pôr a economia brasileira na rota do desenvolvimento sustentado. Temos, hoje, um conjunto de fatores positivos: crescimento econômico com inflação baixa e geração de empregos, expansão das exportações com ampliação do mercado interno, aumento do crédito e do investimento com redução constante da taxa de juros e do risco país. Essa combinação de fatores é inédita na história do Brasil. Um grande acerto é, sem dúvida, a geração de empregos: de 2003 a 2006, o país gerou 7,6 milhões de empregos, sendo 5,7 milhões formais. Uma média mensal de mais de 100 mil postos de trabalho, dez vezes superior à média mensal do governo anterior.
DINHEIRO – Quais as falhas e como corrigi-las no segundo mandato?
LULA – Estamos satisfeitos porque muito mais coisas deram certo do que errado em nosso governo. E mesmo as que não funcionaram como esperávamos, voltamos a discutir internamente, e também com a sociedade, corrigimos os problemas e aperfeiçoamos os programas e ações políticas. Mas acredito que o êxito de um governo não pode ser medido pela ausência de problemas, e, sim, pela sua capacidade de superá-los e de aprender com eles. Esse aprendizado, às vezes, é doloroso. Enfrentamos, por exemplo, crises políticas. E, no entanto, fizemos tudo o que precisava ser feito: afastamos os supostos envolvidos, determinamos que a Polícia Federal e a CGU investigassem e não colocamos obstáculo a que as outras instituições, como o Ministério Público e o Legislativo – com três CPIs – também investigassem com total independência.
DINHEIRO – Que reformas pretende implementar num segundo mandato? Há planos de novos ajustes na Previdência?
LULA – Fizemos a parte federal da reforma tributária – falta o Congresso aprovar a parte referente aos Estados. Encaminhamos ao Congresso as reformas sindical e universitária. Fizemos a reforma previdenciária para o setor público. Reduzimos gastos e criamos mecanismos – como o recadastramento – para evitar fraudes, desvios e pagamentos indevidos. Recuperamos créditos e modernizamos os sistemas de arrecadação e fiscalização. O resultado é que, no início deste ano, a previsão de déficit era de R$ 50 bilhões, mas já foi reduzida para R$ 41 bilhões. Não há, contudo, nenhuma receita milagrosa para enfrentar o déficit da Previdência. São necessárias medidas e ações permanentes para equilibrá-la. Nesse sentido, quero destacar o censo previdenciário que realizamos e o ajuste no sistema de concessão de auxílio-doença. O crescimento econômico trouxe e trará maior receita ao sistema e apostamos também na redução da informalidade.
DINHEIRO – No seu governo, houve muitas denúncias e escândalos. O que deve ser feito para reduzir a corrupção em todas as esferas da máquina pública?
LULA – Ao assumir o governo em 2003, uma das minhas primeiras providências foi reforçar o combate ao crime e à corrupção. Transformamos a Controladoria Geral da União em ministério. Modernizamos a Polícia Federal e demos todas as condições para que esses órgãos agissem de forma livre e independente. O resultado é que nunca se apurou e puniu tanto como agora. Nos últimos quatro anos do governo passado, a Polícia Federal fez apenas 29 operações especiais. Em menos de quatro anos, nosso governo já fez 276 operações especiais, que resultaram na prisão de 3.260 pessoas, 1.300 por corrupção. São quadrilhas que, em muitos casos, já vinham agindo há décadas, e que agora estão sendo descobertas e desbaratadas. Isso vai continuar e todo culpado, seja quem for, será exemplarmente punido.
DINHEIRO – Como o sr. imagina o Brasil em 31 de dezembro de 2010, ao fim de seu possível segundo mandato?
LULA – Acredito que o Brasil caminha para ser um país definitivamente desenvolvido, com mais igualdade social, emprego e bem-estar para todos – um país que defenda a paz e que seja cada vez mais respeitado no cenário internacional. Se for reeleito, vamos avançar na condução do Brasil ao pleno desenvolvimento, com mais emprego, distribuição de renda e educação de qualidade para todos. Penso que é assim que os brasileiros e brasileiras esperam encontrar o nosso país em dezembro de 2010
CANSEI DE TANTA BOBAGEM.
O que pensa o piloto da economia
Lula atribui o baixo crescimento da economia à herança que recebeu do governo anterior, diz o que pretende fazer nos próximos quatro anos e promete um período de bonança, sem inflação e solavancos externos
Por Octávio Costa
DINHEIRO – Enquanto vários países emergentes crescem 7% ao ano, o Brasil em seu governo apresentou crescimento médio de 2,5%. O que deu errado?
LULA – Quando assumi a Presidência, o Brasil vinha de um período de mais de 20 anos de baixo crescimento e de desequilíbrio nas contas internas e externas. Era necessário preparar o País para crescer.
não dá pra crescer com 40% do PIB financiando o governo. Escrevo sempre que é pra vc decorar... :P
Assim como você faz comparação com outros países, dou o exemplo de área em que o Brasil teve desempenho superior ao do resto do mundo: as exportações. De acordo com números do FMI, no ano passado as vendas externas brasileiras subiram 23%, contra 13% da média mundial.
bom, 50% dos países, mais ou menos, estão acima da média 🤔 o brasil é grande produtor de soja, que a china compra como louca - pra alimento e pra alimentar frango. o principal concorrente da soja nesse campo é farinha de peixe (peruana, por exemplo) que teve uma retração nos últimos anos. a ladainha: china bombando etc etc.
DINHEIRO – Mas o que conta é o crescimento, não?
LULA – Temos, hoje, um conjunto de fatores positivos: crescimento econômico com inflação baixa e geração de empregos,
não temos crescimento econômico.
expansão das exportações com ampliação do mercado interno,
exportações vinculadas ao desempenho mundial e altamente elásticas.mercado interno 1.0
aumento do crédito e do investimento com redução constante da taxa de juros e do risco-país.
risco-país é função das reservas externas e mede nossa capacidade de honrar a dívida soberana, que acabou graças às exportações etc etc. aumento de crédito CARO e IMORAL (crédito consignado é de uma imoralidade atroz; nos EUA, só pode reter na folha se o cara é acionado depois de inadimplente e condenado). A taxa de juros real está constante.
Essa combinação de fatores é excepcional na história do Brasil. A casa está arrumada. E devemos crescer este ano em torno de 4%.
"NUNCA na história etc"
DINHEIRO – O Banco Central prevê crescimento de 3,5%.
LULA – A partir de 2007, o Brasil estará em condições de promover um crescimento ainda mais elevado e – o que é mais importante – com condições de ser sustentado a médio e longo prazo.
DINHEIRO – Um dos principais obstáculos ao crescimento é a carga tributária recorde, em torno de 40% do PIB. O que pode ser feito para reduzi-la?
LULA – Nós não aumentamos impostos. Se você vê a carga tributária como a relação do que o governo arrecada em função do PIB, vai dizer que houve aumento. Mas se enxergá-la como aumento de impostos, isso não ocorreu. Quem declara Imposto de Renda sabe que o nosso governo corrigiu a tabela duas vezes, beneficiando os assalariados – o que não ocorria há cinco anos. Além disso, reduzimos o IPI sobre praticamente todos os bens de capital e também o PIS/Cofins que incidia sobre a cesta básica e outros produtos. No total, desoneramos mais de R$ 19 bilhões em impostos: na indústria de máquinas, no arroz, no feijão, na farinha de mandioca, no leite e no material de construção.
quando vc dá subsídio fiscal pra alguém, outro alguém paga a conta. todas essas reduções foram compensadas. a tabela do IR foi corrigida abaixo do que deveria ter sido. a sonegação ainda é grande, o que faz com que outros paguem mais.
DINHEIRO – Haverá novos cortes?
LULA – Vamos continuar ajustando, setor por setor. Uma discussão séria sobre o aumento da arrecadação tem que levar em conta o fato de que a economia cresceu mais, houve um processo de formalização de empregos e os mecanismos de controle do governo sobre a sonegação melhoraram muito.
DINHEIRO – Outro entrave ao investimento produtivo é o nível recorde de juros, além do spread proibitivo. O País pode crescer mais rápido sem baixar mais as taxas de juros?
LULA – Não é verdade que o nível das taxas de juros seja recorde. Pelo contrário – são as taxas mais baixas em muitos e muitos anos, embora seja preciso continuar baixando.
em termos reais continuam recordes, as mesmas.
Nesses quase quatro anos, o governo implantou um modelo de política econômica que promoveu mudanças substanciais no País. Controlamos a inflação, que, no final do ano, deve ficar abaixo da meta fixada pelo governo, de 4,5%.
com essa política monetária não tem como inflação subir.
Baixamos o risco Brasil para os patamares mais baixos desde que ele existe.
as exportações baixaram o risco brasil
Produzimos um superávit nas contas externas. E conseguimos baixar os juros nominais para 14,25%.
O QUE IMPORTA SÃO JUROS REAIS. 😡 😡
DINHEIRO – Mas continuam altos, presidente.
LULA – Ainda estão altos, mas criamos condições para que continuem diminuindo de forma equilibrada e consistente. O BNDES também baixou a TJLP para o menor nível de sua existência.
SE É SUBSÍDIO, ALGUÉM PAGA. RENÚNCIA FISCAL ENTRA NO DÉFICIT PÚBLICO, QUE DEVE SER FINANCIADO PELOS JUROS ALTOS. E RENÚNCIA FISCAL É O NOME DO DESCOLAMENTO TJLP/SELIC.
Além disso, temos flutuação cambial, mas com forte redução da vulnerabilidade externa.
POR CONTA DO AUMENTO DAS RESERVAS, FRUTO DO AUMENTO DE EXPORTAÇÕES, FRUTO DO RITMO MUNDIAL...
Num segundo mandato, vamos dar impulso maior ainda ao crescimento econômico e à geração de empregos. Vamos ampliar o mercado interno, as exportações e continuar combatendo a exclusão social, a pobreza e a desigualdade com a erradicação da fome e a expansão das políticas sociais.
VAI CONTINUAR A AUMENTAR O DEFICIT
DINHEIRO – Nos últimos meses houve grande expansão dos gastos públicos. Diante disso, muitos economistas afirmam que a economia no ano que vem vai passar necessariamente por forte ajuste fiscal. Isso procede?
LULA – Não concordo. No início deste ano, alguns analistas diziam que o governo não cumpriria a meta de superávit primário de 4,25%. Mas os fatos estão demonstrando que eles estavam errados. O gasto público está sob controle e cumpriremos a meta estipulada para este ano. Vamos aos fatos: elevamos as transferências previdenciárias e assistenciais para as famílias de 8,6% do PIB em 2005 para cerca de 9,1% do PIB este ano;
ELE ASSUME QUE ELEVOU O DÉFICIT EM 0.5% DO PIB
e aumentamos o gasto com pessoal e encargos sociais de 4,8% do PIB em 2005 para cerca de 5% do PIB em 2006.
MAIS 0.2%. A MAIORIA DO AUMENTO DE FUNCIONALISMO EM CARGOS DAS-4 PRA CIMA, COM SALÁRIOS MAIS ALTOS E DÍZIMO PRO PT.
Esse aumento é pontual, decorrente do reajuste de algumas carreiras-chave de Estado, e será eliminado nos próximos anos com o maior crescimento do PIB.
NÃO SERÃO, PORQUE A DESPESA É VINCULADA AO PIB. SE O PIB CRESCER 1000%, A DESPESA TEM QUE SER NO MÍNIMO X% DO PIB, ENTÃO CRESCE 1000% TAMBÉM.
O importante é que a inflação está sob controle, a taxa de juros caindo, e o crescimento do PIB se acelerando. A conjunção de fatores favoráveis facilitará a redução do gasto público em relação ao PIB, sem arrocho fiscal.
CANSEI
DINHEIRO – O agronegócio está em crise e isso se refletiu nos votos que o senhor recebeu nos Estados em que a produção agrícola tem maior peso. Como fortalecer a agricultura brasileira?
LULA – A crise atinge alguns setores importantes da agricultura, como a produção de soja, mas outros estão produzindo e comercializando muito bem, como o caso do café. Logo, não há uma crise geral. O governo tomou medidas especiais, procurando atender às demandas dos segmentos mais prejudicados por intempéries e dificuldades do câmbio. Ampliamos o crédito rural e renegociamos dívidas, por exemplo, em volumes significativos na nossa história.
O GOVERNO NÃO GARANTE A PROPRIEDADE, ESTIMULA A BADERNA, NÃO PERMITE A UTILIZAÇÃO INTENSIVA DE DERIVATIVOS NA GESTÃO DE RISCO DO AGRICULTOR, SUBSIDIA MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS (ALGUÉM SEMPRE PAGA)...
DINHEIRO – No entanto, a crise continua e teve reflexo no resultado da eleição.
LULA – Por isso, vamos ampliar mais ainda os recursos do crédito rural para financiamento da produção agropecuária, com custos e prazos cada vez mais adequados à realidade do setor. E outras medidas importantes estão em andamento.
DINHEIRO – Quais são?
LULA – Vamos consolidar a implantação do seguro rural no Brasil, ampliar os recursos de garantia de renda ao produtor
MAIS DÉFICIT=>MAIS JUROS
e fortalecer as negociações na Organização Mundial do Comércio para reduzir subsídios.
DOS OUTROS. E OS OUTROS NÃO REDUZEM PORQUE A GENTE TAMBÉM SUSIDIA.
DINHEIRO – Com o estado precário de estradas, ferrovias e portos, o Brasil dificilmente terá condições de competir com os demais países emergentes. O que fazer para eliminar o gargalo na infra-estrutura?
LULA – Investimos muito na recuperação da infra-estrutura, que estava em grande parte sucateada. Entre 2003 e 2005, por exemplo, o governo federal investiu R$ 4,5 bilhões na melhoria e ampliação das estradas. Na área do transporte aéreo, investimos na reforma e ampliação de 19 aeroportos brasileiros. Em maio de 2003, lançamos o Plano de Revitalização das Ferrovias e o Programa de Expansão da Malha Ferroviária e estão sendo construídas a Ferrovia Norte-Sul e a Transnordestina, com investimentos privados de cerca de R$ 4,5 bilhões. É muita coisa.
SE OS INVESTIMENTOS SÃO PRIVADOS, FORAM FEITOS PELO GOVERNO? 🤔
DINHEIRO – Os portos continuam atrasados.
LULA – Não é verdade. Os 20 portos públicos do País foram beneficiados com obras de recuperação. Com essas ações, a movimentação de cargas nos portos cresceu 18,2%, entre 2003 e 2005. Em relação à energia, o Brasil vai se tornar independente na produção do gás com a conclusão do Gasoduto Coari-Manaus e do Projeto Gasene.
NENHUM DELES DO LULLA
Consolidaremos os pólos de biocombustíveis, de etanol, biodiesel e H-Bio.
🤣 🤣 🤣 🤣 A NOSSA ILUSÃO DA HORA: H-BIO PRECISA DE PETRÓLEO A 60 DÓLARES PRA SER VIÁVEL. HOJE ESTÁ A 58.00...O ETANOL É NEGÓCIO SEM BARREIRA DE ENTRADA, COM RESTRIÇÕES NATURAIS IMPORTANTES. DIZER QUE VAI SUBSTITUIR PETRÓLEO É SONHO. DIZER QUE O BRASIL VAI SER O MAIOR PRODUTOR, WISHFULL THINKING.
Iniciaremos a construção das hidrelétricas de Rio Madeira e Belo Monte e a construção da Refinaria Abreu e Lima em Pernambuco. Vamos, é claro, continuar estimulando as Parcerias Público-Privadas (PPPs), o que está garantido por lei.
DINHEIRO – A máquina pública inchou ou não nos últimos anos?
LULA – A máquina pública federal não inchou no nosso governo. O que fizemos foi dar um basta no enfraquecimento e na terceirização do Estado, levando-o a voltar a ter um papel essencial de indutor do desenvolvimento e de prestação de serviços de melhor qualidade à população.
ESTADO SÓ INDUZ COMA NA ECONOMIA.
DINHEIRO – Houve ou não “aparelhamento” da máquina do Estado em seu governo?
LULA – Comparando meu governo com o anterior, não há diferenças significativas quanto à ocupação de cargos de confiança. Pelos dados disponíveis no site do Ministério do Planejamento, em novembro de 2001, um ano antes do final do governo anterior, 70,5% dos DAS eram ocupados por funcionários públicos de carreira. Esse percentual não se modificou significativamente de lá para cá. Em novembro de 2005, 68,9% dos cargos de confiança do nosso governo também eram ocupados por funcionários públicos de carreira. Desde 2005, 75% dos DAS de um a três e 50% dos DAS 4 – que, no total, representam 94,5% dos cargos – devem, necessariamente, ser ocupados por funcionários de carreira. Isso não é aparelhamento.
O CARA PODE SER CONCURSADO, MAS ASSUME OS DAS MAIORES POR SER PETISTA, TÃO SOMENTE.
DINHEIRO – Todos dizem que só a reforma política pode melhorar as relações do Executivo com o Congresso. O próximo governo terá condições de realizá-la?
LULA – O Brasil precisa fazer a reforma política com urgência. Ela é, de fato, a mãe de todas as reformas. Nosso governo sempre teve consciência disso, embora a iniciativa e deliberação a respeito do assunto caibam ao Legislativo, e não ao Executivo. De toda forma, tivemos que atender outras prioridades, como vocês sabem, porque recebemos um país praticamente quebrado. Agora, felizmente, já colocamos o Brasil nos eixos. Acredito que existam todas as possibilidades de aprovar uma reforma política e eleitoral. Tenho certeza de que a grande maioria da sociedade sabe que é preciso mudar a estrutura política para corrigir desvios e combater ainda mais eficazmente a corrupção.
OLHA O GOLPE!
DINHEIRO – Quais as prioridades da reforma política?
LULA – Penso na fidelidade partidária, no financiamento público de campanhas, no fim da reeleição e em outras medidas. A questão da forma de fazer é relevante. Muito mais importante é não deixar passar essa oportunidade.
DINHEIRO – Quais serão as medidas na área educacional?
LULA – O empenho do governo em melhorar a qualidade da educação já tem sido enorme. Num segundo mandato, a Educação terá prioridade absoluta. Para garantir a qualidade no ensino, vamos continuar investindo fortemente em todos os níveis, da creche à universidade. Enviamos ao Congresso o projeto de criação do Fundeb, que aumentará em dez vezes os recursos para o ensino básico. Além disso, criamos dez universidades públicas e 48 extensões universitárias. Por meio do Prouni, concedemos 204 mil bolsas de estudo para que alunos de baixa renda pudessem entrar na universidade. O governo mudou também a lei que impedia o Estado de criar escolas técnicas federais e já criamos 32 Cefets, dos quais quatro são escolas agrotécnicas. Outra medida importante foi a elevação de oito para nove anos do tempo de permanência na escola. Vamos também dar mais ênfase à formação dos professores, através da Universidade Aberta. E implantar o piso salarial da categoria.
DINHEIRO – Na área social, o Bolsa Família continuará a ser o carro-chefe de seu governo?
LULA – O Bolsa Família é hoje um dos maiores e mais eficientes programas de transferência de renda do mundo – beneficiando mais de 11 milhões de famílias que vivem abaixo da linha da pobreza. É o principal instrumento do Fome Zero, que integra ações de combate à fome, distribuição de renda, acesso a alimentos mais baratos, fortalecimento da agricultura familiar, entre outras iniciativas voltadas para a geração de oportunidades de trabalho e renda. Segundo a mais recente Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), a miséria foi reduzida em mais de 19% em nosso governo. Milhões de famílias que hoje estão no programa vão poder encontrar portas de saída e não mais depender da ajuda do Estado.
DINHEIRO – No seu julgamento, qual o grande acerto do governo na área econômica?
LULA – Recebemos um governo com a inflação alta, desequilíbrios orçamentários e nas contas externas, alto desemprego e crescimento muito baixo. Mas conseguimos pôr a economia brasileira na rota do desenvolvimento sustentado. Temos, hoje, um conjunto de fatores positivos: crescimento econômico com inflação baixa e geração de empregos, expansão das exportações com ampliação do mercado interno, aumento do crédito e do investimento com redução constante da taxa de juros e do risco país. Essa combinação de fatores é inédita na história do Brasil. Um grande acerto é, sem dúvida, a geração de empregos: de 2003 a 2006, o país gerou 7,6 milhões de empregos, sendo 5,7 milhões formais. Uma média mensal de mais de 100 mil postos de trabalho, dez vezes superior à média mensal do governo anterior.
DINHEIRO – Quais as falhas e como corrigi-las no segundo mandato?
LULA – Estamos satisfeitos porque muito mais coisas deram certo do que errado em nosso governo. E mesmo as que não funcionaram como esperávamos, voltamos a discutir internamente, e também com a sociedade, corrigimos os problemas e aperfeiçoamos os programas e ações políticas. Mas acredito que o êxito de um governo não pode ser medido pela ausência de problemas, e, sim, pela sua capacidade de superá-los e de aprender com eles. Esse aprendizado, às vezes, é doloroso. Enfrentamos, por exemplo, crises políticas. E, no entanto, fizemos tudo o que precisava ser feito: afastamos os supostos envolvidos, determinamos que a Polícia Federal e a CGU investigassem e não colocamos obstáculo a que as outras instituições, como o Ministério Público e o Legislativo – com três CPIs – também investigassem com total independência.
DINHEIRO – Que reformas pretende implementar num segundo mandato? Há planos de novos ajustes na Previdência?
LULA – Fizemos a parte federal da reforma tributária – falta o Congresso aprovar a parte referente aos Estados. Encaminhamos ao Congresso as reformas sindical e universitária. Fizemos a reforma previdenciária para o setor público. Reduzimos gastos e criamos mecanismos – como o recadastramento – para evitar fraudes, desvios e pagamentos indevidos. Recuperamos créditos e modernizamos os sistemas de arrecadação e fiscalização. O resultado é que, no início deste ano, a previsão de déficit era de R$ 50 bilhões, mas já foi reduzida para R$ 41 bilhões. Não há, contudo, nenhuma receita milagrosa para enfrentar o déficit da Previdência. São necessárias medidas e ações permanentes para equilibrá-la. Nesse sentido, quero destacar o censo previdenciário que realizamos e o ajuste no sistema de concessão de auxílio-doença. O crescimento econômico trouxe e trará maior receita ao sistema e apostamos também na redução da informalidade.
DINHEIRO – No seu governo, houve muitas denúncias e escândalos. O que deve ser feito para reduzir a corrupção em todas as esferas da máquina pública?
LULA – Ao assumir o governo em 2003, uma das minhas primeiras providências foi reforçar o combate ao crime e à corrupção. Transformamos a Controladoria Geral da União em ministério. Modernizamos a Polícia Federal e demos todas as condições para que esses órgãos agissem de forma livre e independente. O resultado é que nunca se apurou e puniu tanto como agora. Nos últimos quatro anos do governo passado, a Polícia Federal fez apenas 29 operações especiais. Em menos de quatro anos, nosso governo já fez 276 operações especiais, que resultaram na prisão de 3.260 pessoas, 1.300 por corrupção. São quadrilhas que, em muitos casos, já vinham agindo há décadas, e que agora estão sendo descobertas e desbaratadas. Isso vai continuar e todo culpado, seja quem for, será exemplarmente punido.
DINHEIRO – Como o sr. imagina o Brasil em 31 de dezembro de 2010, ao fim de seu possível segundo mandato?
LULA – Acredito que o Brasil caminha para ser um país definitivamente desenvolvido, com mais igualdade social, emprego e bem-estar para todos – um país que defenda a paz e que seja cada vez mais respeitado no cenário internacional. Se for reeleito, vamos avançar na condução do Brasil ao pleno desenvolvimento, com mais emprego, distribuição de renda e educação de qualidade para todos. Penso que é assim que os brasileiros e brasileiras esperam encontrar o nosso país em dezembro de 2010
CANSEI DE TANTA BOBAGEM.
como se baixar os juros não fosse obrigação do governo (baixar o déficit)
Governo quer que BC leve juro real a 5%
Meta seria para o final de 2007 em eventual 2º mandato, chamado de "desenvolvimentista" na intimidade do Planalto
"Carta-branca" que Meirelles teria obtido por escrito de Palocci no atual mandato não se repetiria numa nova administração petista
CLÓVIS ROSSI
ENVIADO ESPECIAL A BRASÍLIA
Se o presidente Luiz Inácio Lula da Silva for reeleito, como indicam as pesquisas, buscará forçar em seu segundo período uma redução de juros muito mais intensa do que a atual, de forma a levá-los, ao final de 2007, ao civilizado patamar de 5% ao ano, em termos reais (descontada a inflação), segundo a Folha apurou.
O juro nominal seria então de cerca de 9% ao ano, já que a previsão do mercado financeiro para a inflação de 2007 é de 4,2% e a meta oficial do Banco Central é de 4,5%. Hoje, os cerca de 9% correspondem aos juros reais, já considerando a redução decidida ontem pelo Banco Central. O juro nominal foi para 13,75%.
Continuam sendo as maiores taxas do mundo, à frente dos 6,2% da Turquia e dos 4,8% da China, os países que vêm a seguir no ranking dos juros.
Esse nível de juros é tido, no governo, como o único grande obstáculo remanescente para o "espetáculo do crescimento", prometido pelo presidente Lula em maio de 2003 e que até agora esteve longe de ser encenado. Se, de fato, tudo funcionar como pretende a equipe econômica e os juros baixarem para níveis "compatíveis com o mundo", como disse o próprio Lula na sabatina promovida ontem pela Folha, o crescimento será de 5% ao ano em cada um dos quatro anos do segundo mandato, segundo cálculos do governo.
Também haverá indução maior ainda para um realinhamento do câmbio (mas, neste caso, não há números disponíveis). O real sobrevalorizado está prejudicando setores inteiros voltados para a exportação, o que se refletiu diretamente na votação de Lula no primeiro turno: em regiões ou mesmo Estados inteiros em que há problemas relacionados ao nível do câmbio, o candidato oposicionista Geraldo Alckmin superou Lula.
A segunda gestão Lula já está sendo carimbada, na intimidade do Palácio do Planalto, como "desenvolvimentista", em oposição ao excesso de ortodoxia que é atribuído ao ministro da Fazenda anterior, Antonio Palocci, que foi a principal figura do governo nos três primeiros anos de Lula-1.
O governo calcula que o rigor ortodoxo causou perda de três pontos percentuais no crescimento do PIB (Produto Interno Bruto, medida da produção econômica de um país) no período 2003/06.
BC independente
Foi tamanha a ortodoxia que o próprio presidente demorou muito tempo para descobrir que Palocci havia dado independência não apenas informal ao Banco Central. Autorizou o presidente do BC, Henrique Meirelles, a contratar seus auxiliares com uma cláusula de independência por escrito.
Só quando Lula queixou-se dos juros altos, depois da queda de Palocci, é que Meirelles, para se justificar, contou dos contratos com cláusula de independência. Permitiam o que o próprio governo agora considera um absurdo: os diretores do BC sentiam-se tão independentes que não trocavam idéias antes das reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom), o que define os juros. Cada um levava sua própria posição para o encontro formal.
A queixa que a Folha ouviu no próprio governo é a de que nem o Fed (banco central norte-americano), cuja independência está assentada na legislação, adota tal comportamento. A fixação dos juros passa, sim, por conversas permeadas pela argumentação técnica, acima de tudo, mas também por considerações de ordem política, em especial as necessidades de crescimento econômico. Para garantir que o "espetáculo do crescimento" de fato ocorra a partir do ano que vem, o governo conta com a mudança fundamental ocorrida no círculo mais íntimo do presidente.
Harmonia
Agora, há harmonia plena, segundo a Folha ouviu, entre os ministros Tarso Genro (Relações Institucionais e, como tal, responsável pela negociação política), Guido Mantega (Fazenda, que passará a ter mais ingerência no Banco Central) e Dilma Rousseff (Casa Civil, uma espécie de gerente ou coordenadora administrativa).
Antes, José Dirceu (Casa Civil) e Palocci, na Fazenda, trocavam cotoveladas o tempo todo. Dirceu era um crítico da ortodoxia que Palocci defendeu até ser defenestrado por envolvimento na violação do sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa. Mas era um crítico pouco ativo porque Palocci era ou pretendia ser o avalista do próprio presidente ante o empresariado e os mercados financeiros.
A nova "troika" de comando, ao contrário, é tida, toda ela, como mais à esquerda, mais próxima do que era o PT antes de chegar ao governo. A diferença é que, antes, usava-se muito o termo "socialistas", agora trocado para "desenvolvimentistas".
O que não significa que o segundo período será marcado por experiências ou "mágicas", termo que Lula sempre usa para descartar alterações bruscas de rumo.
Na visão governista, facilita o trabalho harmônico o fato de que, ao contrário de Palocci e Dirceu, nem Tarso, nem Mantega, nem Dilma demonstram pretensões presidenciais para 2010.
É verdade que Tarso Genro chegou a ser indicado candidato presidencial do PT em 1997 (para a eleição de 1998), hipótese que naufragou rapidamente. É razoável supor que tenha ambições, mas elas ficam aguadas pelas derrotas dele próprio e do PT do Rio Grande do Sul, Estado de Tarso (e também de Dilma).
Governo quer que BC leve juro real a 5%
Meta seria para o final de 2007 em eventual 2º mandato, chamado de "desenvolvimentista" na intimidade do Planalto
"Carta-branca" que Meirelles teria obtido por escrito de Palocci no atual mandato não se repetiria numa nova administração petista
CLÓVIS ROSSI
ENVIADO ESPECIAL A BRASÍLIA
Se o presidente Luiz Inácio Lula da Silva for reeleito, como indicam as pesquisas, buscará forçar em seu segundo período uma redução de juros muito mais intensa do que a atual, de forma a levá-los, ao final de 2007, ao civilizado patamar de 5% ao ano, em termos reais (descontada a inflação), segundo a Folha apurou.
O juro nominal seria então de cerca de 9% ao ano, já que a previsão do mercado financeiro para a inflação de 2007 é de 4,2% e a meta oficial do Banco Central é de 4,5%. Hoje, os cerca de 9% correspondem aos juros reais, já considerando a redução decidida ontem pelo Banco Central. O juro nominal foi para 13,75%.
Continuam sendo as maiores taxas do mundo, à frente dos 6,2% da Turquia e dos 4,8% da China, os países que vêm a seguir no ranking dos juros.
Esse nível de juros é tido, no governo, como o único grande obstáculo remanescente para o "espetáculo do crescimento", prometido pelo presidente Lula em maio de 2003 e que até agora esteve longe de ser encenado. Se, de fato, tudo funcionar como pretende a equipe econômica e os juros baixarem para níveis "compatíveis com o mundo", como disse o próprio Lula na sabatina promovida ontem pela Folha, o crescimento será de 5% ao ano em cada um dos quatro anos do segundo mandato, segundo cálculos do governo.
Também haverá indução maior ainda para um realinhamento do câmbio (mas, neste caso, não há números disponíveis). O real sobrevalorizado está prejudicando setores inteiros voltados para a exportação, o que se refletiu diretamente na votação de Lula no primeiro turno: em regiões ou mesmo Estados inteiros em que há problemas relacionados ao nível do câmbio, o candidato oposicionista Geraldo Alckmin superou Lula.
A segunda gestão Lula já está sendo carimbada, na intimidade do Palácio do Planalto, como "desenvolvimentista", em oposição ao excesso de ortodoxia que é atribuído ao ministro da Fazenda anterior, Antonio Palocci, que foi a principal figura do governo nos três primeiros anos de Lula-1.
O governo calcula que o rigor ortodoxo causou perda de três pontos percentuais no crescimento do PIB (Produto Interno Bruto, medida da produção econômica de um país) no período 2003/06.
BC independente
Foi tamanha a ortodoxia que o próprio presidente demorou muito tempo para descobrir que Palocci havia dado independência não apenas informal ao Banco Central. Autorizou o presidente do BC, Henrique Meirelles, a contratar seus auxiliares com uma cláusula de independência por escrito.
Só quando Lula queixou-se dos juros altos, depois da queda de Palocci, é que Meirelles, para se justificar, contou dos contratos com cláusula de independência. Permitiam o que o próprio governo agora considera um absurdo: os diretores do BC sentiam-se tão independentes que não trocavam idéias antes das reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom), o que define os juros. Cada um levava sua própria posição para o encontro formal.
A queixa que a Folha ouviu no próprio governo é a de que nem o Fed (banco central norte-americano), cuja independência está assentada na legislação, adota tal comportamento. A fixação dos juros passa, sim, por conversas permeadas pela argumentação técnica, acima de tudo, mas também por considerações de ordem política, em especial as necessidades de crescimento econômico. Para garantir que o "espetáculo do crescimento" de fato ocorra a partir do ano que vem, o governo conta com a mudança fundamental ocorrida no círculo mais íntimo do presidente.
Harmonia
Agora, há harmonia plena, segundo a Folha ouviu, entre os ministros Tarso Genro (Relações Institucionais e, como tal, responsável pela negociação política), Guido Mantega (Fazenda, que passará a ter mais ingerência no Banco Central) e Dilma Rousseff (Casa Civil, uma espécie de gerente ou coordenadora administrativa).
Antes, José Dirceu (Casa Civil) e Palocci, na Fazenda, trocavam cotoveladas o tempo todo. Dirceu era um crítico da ortodoxia que Palocci defendeu até ser defenestrado por envolvimento na violação do sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa. Mas era um crítico pouco ativo porque Palocci era ou pretendia ser o avalista do próprio presidente ante o empresariado e os mercados financeiros.
A nova "troika" de comando, ao contrário, é tida, toda ela, como mais à esquerda, mais próxima do que era o PT antes de chegar ao governo. A diferença é que, antes, usava-se muito o termo "socialistas", agora trocado para "desenvolvimentistas".
O que não significa que o segundo período será marcado por experiências ou "mágicas", termo que Lula sempre usa para descartar alterações bruscas de rumo.
Na visão governista, facilita o trabalho harmônico o fato de que, ao contrário de Palocci e Dirceu, nem Tarso, nem Mantega, nem Dilma demonstram pretensões presidenciais para 2010.
É verdade que Tarso Genro chegou a ser indicado candidato presidencial do PT em 1997 (para a eleição de 1998), hipótese que naufragou rapidamente. É razoável supor que tenha ambições, mas elas ficam aguadas pelas derrotas dele próprio e do PT do Rio Grande do Sul, Estado de Tarso (e também de Dilma).
argumento contrário ao que defendo. perceba que, na falta de argumentação técnica - talvez devido ao espaço, o professor Nogueira, de quem também fui aluno na GV - ele se limita a dizer que "a relação é inversa" e a atacar os "rentistas", a Bolsa Família dos ricos, o que, aliás, paga o salário dele, pois dar aula na GV é dar aula pros filhos de mais da metade do PIB do país 🤣
PAULO NOGUEIRA BATISTA JR.
Mais um teco na turma da bufunfa
A combinação juro alto e câmbio valorizado é a receita infalível para manter o Brasil crescendo abaixo do potencial
A Fernando Gasparian
In memoriam
O DEBATE econômico na campanha presidencial, mesmo no segundo turno, tem sido bastante rarefeito. Os gastos públicos acabaram assumindo a posição de destaque. Apareceram até defensores entusiasmados de uma redução radical e imediata das despesas correntes não-financeiras.
O destaque deveria ser outro: os erros clamorosos do Banco Central na condução da política de juros e câmbio. A combinação juros altos-câmbio valorizado é a receita infalível para manter o Brasil crescendo abaixo do seu potencial. Lamentavelmente, a poderosa turma da bufunfa não colabora.
Banqueiros, rentistas e seus numerosos asseclas nos meios políticos e na imprensa nem sempre permitem que o tema juros-câmbio receba a atenção e o tratamento merecidos.
São, como se sabe, os felizes beneficiários da política de juros do Banco Central. É o Bolsa Família dos ricos. Muitos analistas insistem em condicionar a redução das taxas de juro ao prévio equacionamento dos problemas fiscais do governo. Trata-se de uma inversão. O déficit público contribui para o nível da taxa de juro, mas a relação de causalidade é tênue e difícil de captar com precisão.
Já a relação inversa, da taxa de juro para o déficit, é clara e cristalina, podendo ser mensurada com relativa facilidade. Graças à overdose aplicada pelo Banco Central, o custo da dívida pública continua nas alturas. O setor público como um todo paga juros equivalentes a nada menos que 8% do PIB.
Repare, leitor, que, apesar das despesas financeiras, a situação das contas públicas está longe de ser calamitosa. Há diversos pontos de fragilidade, mas não existe crise fiscal. O superávit primário tem sido sempre superior a 4% do PIB nos anos recentes. O déficit público total (incluindo juros) alcança atualmente 3,5% do PIB. Poderia ser menor, mas não é nada de excepcional em termos do que se vê no resto do mundo. Nos EUA, o déficit do governo geral será de 3,1% do PIB em 2006, segundo projeção do FMI. Na Alemanha, de 2,9%; na França, de 2,7%; na Itália, de 4%; no Reino Unido, de 3,2%; no Japão, de 5,2%. O único país do Grupo dos 7 que apresentará superávit nas contas do governo geral é o Canadá (de 1,1% do PIB).
A dívida pública brasileira também não é excepcionalmente alta para padrões internacionais. Em termos líquidos, ela está estabilizada, flutuando entre 50% e 52% do PIB desde o final de 2004. Isso depois de ter aumentado rapidamente no governo FHC e no primeiro ano do governo Lula, quando chegou a 57% do PIB.
O que é, sim, claramente fora do comum é o nível das taxas de juro praticadas no Brasil. A começar pela taxa básica fixada pelo Banco Central. Apesar da queda da Selic nos últimos meses, a taxa real brasileira ainda é a maior do mundo. A brasileira é superior a 9%; a média internacional dos principais países desenvolvidos e emergentes é 1,9%, segundo levantamento da UpTrend Consultoria.
Vamos sonhar um pouco. Imaginemos, por um instante, uma diminuição das taxas básicas de juro para níveis mais próximos aos internacionais, digamos, uma Selic nominal da ordem de 7% a 8%, patamar que poderia ser alcançado acelerando o ritmo de diminuição dos juros ao longo dos próximos meses. Isso traria enorme alívio para as contas públicas. De duas maneiras. Diretamente, por diminuir o custo médio da dívida governamental. Indiretamente, por provocar aceleração do crescimento da economia com benefícios para as contas públicas do lado da receita (maior arrecadação sem aumento de impostos) e do lado dos gastos (diminuição das despesas com seguro-desemprego e outros gastos de caráter cíclico).
A turma da bufunfa, tradicional defensora do ajustamento das contas públicas, teria motivos de sobra para apoiar essa economia de despesas. Mas já sabemos. Não o fará nunca. Como diz o deputado Delfim Neto, "o bolso é a parte mais sensível do corpo humano".
--------------------------------------------------------------------------------
PAULO NOGUEIRA BATISTA JR., 51, economista e professor da FGV-EAESP, escreve às quintas-feiras nesta coluna. É autor do livro "O Brasil e a Economia Internacional: Recuperação e Defesa da Autonomia Nacional" (Campus/Elsevier, 2005).
[email protected]
PAULO NOGUEIRA BATISTA JR.
Mais um teco na turma da bufunfa
A combinação juro alto e câmbio valorizado é a receita infalível para manter o Brasil crescendo abaixo do potencial
A Fernando Gasparian
In memoriam
O DEBATE econômico na campanha presidencial, mesmo no segundo turno, tem sido bastante rarefeito. Os gastos públicos acabaram assumindo a posição de destaque. Apareceram até defensores entusiasmados de uma redução radical e imediata das despesas correntes não-financeiras.
O destaque deveria ser outro: os erros clamorosos do Banco Central na condução da política de juros e câmbio. A combinação juros altos-câmbio valorizado é a receita infalível para manter o Brasil crescendo abaixo do seu potencial. Lamentavelmente, a poderosa turma da bufunfa não colabora.
Banqueiros, rentistas e seus numerosos asseclas nos meios políticos e na imprensa nem sempre permitem que o tema juros-câmbio receba a atenção e o tratamento merecidos.
São, como se sabe, os felizes beneficiários da política de juros do Banco Central. É o Bolsa Família dos ricos. Muitos analistas insistem em condicionar a redução das taxas de juro ao prévio equacionamento dos problemas fiscais do governo. Trata-se de uma inversão. O déficit público contribui para o nível da taxa de juro, mas a relação de causalidade é tênue e difícil de captar com precisão.
Já a relação inversa, da taxa de juro para o déficit, é clara e cristalina, podendo ser mensurada com relativa facilidade. Graças à overdose aplicada pelo Banco Central, o custo da dívida pública continua nas alturas. O setor público como um todo paga juros equivalentes a nada menos que 8% do PIB.
Repare, leitor, que, apesar das despesas financeiras, a situação das contas públicas está longe de ser calamitosa. Há diversos pontos de fragilidade, mas não existe crise fiscal. O superávit primário tem sido sempre superior a 4% do PIB nos anos recentes. O déficit público total (incluindo juros) alcança atualmente 3,5% do PIB. Poderia ser menor, mas não é nada de excepcional em termos do que se vê no resto do mundo. Nos EUA, o déficit do governo geral será de 3,1% do PIB em 2006, segundo projeção do FMI. Na Alemanha, de 2,9%; na França, de 2,7%; na Itália, de 4%; no Reino Unido, de 3,2%; no Japão, de 5,2%. O único país do Grupo dos 7 que apresentará superávit nas contas do governo geral é o Canadá (de 1,1% do PIB).
A dívida pública brasileira também não é excepcionalmente alta para padrões internacionais. Em termos líquidos, ela está estabilizada, flutuando entre 50% e 52% do PIB desde o final de 2004. Isso depois de ter aumentado rapidamente no governo FHC e no primeiro ano do governo Lula, quando chegou a 57% do PIB.
O que é, sim, claramente fora do comum é o nível das taxas de juro praticadas no Brasil. A começar pela taxa básica fixada pelo Banco Central. Apesar da queda da Selic nos últimos meses, a taxa real brasileira ainda é a maior do mundo. A brasileira é superior a 9%; a média internacional dos principais países desenvolvidos e emergentes é 1,9%, segundo levantamento da UpTrend Consultoria.
Vamos sonhar um pouco. Imaginemos, por um instante, uma diminuição das taxas básicas de juro para níveis mais próximos aos internacionais, digamos, uma Selic nominal da ordem de 7% a 8%, patamar que poderia ser alcançado acelerando o ritmo de diminuição dos juros ao longo dos próximos meses. Isso traria enorme alívio para as contas públicas. De duas maneiras. Diretamente, por diminuir o custo médio da dívida governamental. Indiretamente, por provocar aceleração do crescimento da economia com benefícios para as contas públicas do lado da receita (maior arrecadação sem aumento de impostos) e do lado dos gastos (diminuição das despesas com seguro-desemprego e outros gastos de caráter cíclico).
A turma da bufunfa, tradicional defensora do ajustamento das contas públicas, teria motivos de sobra para apoiar essa economia de despesas. Mas já sabemos. Não o fará nunca. Como diz o deputado Delfim Neto, "o bolso é a parte mais sensível do corpo humano".
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PAULO NOGUEIRA BATISTA JR., 51, economista e professor da FGV-EAESP, escreve às quintas-feiras nesta coluna. É autor do livro "O Brasil e a Economia Internacional: Recuperação e Defesa da Autonomia Nacional" (Campus/Elsevier, 2005).
[email protected]
Não há capitais a controlar
As contas externas divulgadas quinta-feira não dão respaldo aos economistas que defendem o controle do fluxo de capitais para impedir queda maior da cotação do dólar no câmbio interno.
Nos nove primeiros meses deste ano, a entrada líquida de moeda estrangeira (exceto investimentos diretos) foi de apenas US$ 4,8 bilhões, uma canequinha diante da bacia de US$ 34 bilhões, correspondente ao superávit comercial (exportações menos importações) do mesmo período.
Para que controlar fluxo tão inexpressivo com objetivo de estimular as exportações, se o que está derrubando as cotações do dólar são as receitas dos exportadores?
Quem sustenta essa posição parte do princípio de que está em curso uma vasta operação de arbitragem. Simplificadamente, essa arbitragem consiste em tirar proveito dos juros generosos internos. Há várias maneiras de fazer essa operação. O interessado, por exemplo, pode levantar empréstimos externos em dólares (a juros de até 7% ao ano), transformar esses recursos em reais e aplicar o resultado no mercado financeiro interno a juros agora de 13,75% e embolsar a diferença. Outro jeito é adiar remessas ao exterior e, em vez disso, manter o dinheiro aplicado aqui.
Quem trabalha com comércio exterior também pode comer desse mingau. O exportador, por exemplo, pode descontar antecipadamente seu contrato de fornecimento externo e aplicar os reais no mercado financeiro interno; o importador pode reter ao máximo o pagamento externo e também manter aplicados seus recursos no País. No entanto, essas arbitragens ou se fazem sem saída de recursos e, nesse caso, não há como controlar esse fluxo; ou se fazem com entrada de recursos e eles são inexpressivos.
De setembro de 2005 para cá, os juros básicos (Selic) já caíram 6 pontos porcentuais. Também de setembro para cá, os juros externos (nos Estados Unidos) subiram 1,5 ponto porcentual, estreitando a diferença entre os juros básicos a 8,5 pontos ao ano. Além disso, quem faz operações de arbitragem ainda tem de pagar Imposto de Renda mais CPMF e, também, em caso de desvalorização cambial, de correr o risco de receber menos dólares por reais na hora de repatriar os recursos (risco cambial).
Quer dizer, se a diferença entre juros internos e externos fosse relevante na formação da cotação do câmbio, em um ano algum impacto já teria acontecido. E, no entanto, o câmbio interno não dá sinais de inversão de tendência.
Outro assunto consiste em saber se o controle de capitais é um método eficiente de evitar a desvalorização cambial. O Chile, por exemplo, manteve essa política ao longo dos anos 90 com o objetivo de impedir a entrada do que se chama por lá de capital andorinha, que só vem para veraneio. Mas desistiu do intento quando o governo chileno concluiu que a globalização dos mercados tirou ineficiência a esses procedimentos.
Além disso, o mercado internacional de derivativos permite largas práticas de especulação no mercado futuro de moedas sem que haja fluxo internacional de recursos. Qualquer um pode apostar na queda do dólar no Brasil sem tirar um centavo de Nova York.
O ex-presidente do Banco Central Gustavo Franco escreveu um trabalho (Capital inflows into Brazil, 1992-98: the nature and effects of controls and restrictions), só disponível na versão em inglês (http://www.econ.puc-rio.br/PDF/td517.pdf.), para responder a três professores da PUC do Rio, José Maria Carvalho, Marcio Garcia e Bernardo Carvalho, cuja posição era de que esses controles definitivamente não funcionam.
Ele explica que entre 1992 e 1998, quando o câmbio era de bandas (e não fixo), houve enorme entrada de capitais no Brasil. Gustavo Franco foi diretor da Área Externa do Banco Central de 1993 até 1997 e, a seguir, presidente do Banco Central (até 1999).
“Usei fartamente medidas de controle (na entrada) de capitais. Não há nenhum obstáculo ideológico em fazer controles market friendly. É bobagem dizer que esses controles foram ineficazes. Funcionaram direitinho. Jamais seriam suficientes para neutralizar toda a bonanza, mas naquela época desempenharam bem seu papel.”
Mas ele observa que “hoje esses controles não fariam sentido porque esses recursos não entram no Brasil pela conta de capitais. Entram pelo superávit comercial ou pela repressão às importações”.
As contas externas divulgadas quinta-feira não dão respaldo aos economistas que defendem o controle do fluxo de capitais para impedir queda maior da cotação do dólar no câmbio interno.
Nos nove primeiros meses deste ano, a entrada líquida de moeda estrangeira (exceto investimentos diretos) foi de apenas US$ 4,8 bilhões, uma canequinha diante da bacia de US$ 34 bilhões, correspondente ao superávit comercial (exportações menos importações) do mesmo período.
Para que controlar fluxo tão inexpressivo com objetivo de estimular as exportações, se o que está derrubando as cotações do dólar são as receitas dos exportadores?
Quem sustenta essa posição parte do princípio de que está em curso uma vasta operação de arbitragem. Simplificadamente, essa arbitragem consiste em tirar proveito dos juros generosos internos. Há várias maneiras de fazer essa operação. O interessado, por exemplo, pode levantar empréstimos externos em dólares (a juros de até 7% ao ano), transformar esses recursos em reais e aplicar o resultado no mercado financeiro interno a juros agora de 13,75% e embolsar a diferença. Outro jeito é adiar remessas ao exterior e, em vez disso, manter o dinheiro aplicado aqui.
Quem trabalha com comércio exterior também pode comer desse mingau. O exportador, por exemplo, pode descontar antecipadamente seu contrato de fornecimento externo e aplicar os reais no mercado financeiro interno; o importador pode reter ao máximo o pagamento externo e também manter aplicados seus recursos no País. No entanto, essas arbitragens ou se fazem sem saída de recursos e, nesse caso, não há como controlar esse fluxo; ou se fazem com entrada de recursos e eles são inexpressivos.
De setembro de 2005 para cá, os juros básicos (Selic) já caíram 6 pontos porcentuais. Também de setembro para cá, os juros externos (nos Estados Unidos) subiram 1,5 ponto porcentual, estreitando a diferença entre os juros básicos a 8,5 pontos ao ano. Além disso, quem faz operações de arbitragem ainda tem de pagar Imposto de Renda mais CPMF e, também, em caso de desvalorização cambial, de correr o risco de receber menos dólares por reais na hora de repatriar os recursos (risco cambial).
Quer dizer, se a diferença entre juros internos e externos fosse relevante na formação da cotação do câmbio, em um ano algum impacto já teria acontecido. E, no entanto, o câmbio interno não dá sinais de inversão de tendência.
Outro assunto consiste em saber se o controle de capitais é um método eficiente de evitar a desvalorização cambial. O Chile, por exemplo, manteve essa política ao longo dos anos 90 com o objetivo de impedir a entrada do que se chama por lá de capital andorinha, que só vem para veraneio. Mas desistiu do intento quando o governo chileno concluiu que a globalização dos mercados tirou ineficiência a esses procedimentos.
Além disso, o mercado internacional de derivativos permite largas práticas de especulação no mercado futuro de moedas sem que haja fluxo internacional de recursos. Qualquer um pode apostar na queda do dólar no Brasil sem tirar um centavo de Nova York.
O ex-presidente do Banco Central Gustavo Franco escreveu um trabalho (Capital inflows into Brazil, 1992-98: the nature and effects of controls and restrictions), só disponível na versão em inglês (http://www.econ.puc-rio.br/PDF/td517.pdf.), para responder a três professores da PUC do Rio, José Maria Carvalho, Marcio Garcia e Bernardo Carvalho, cuja posição era de que esses controles definitivamente não funcionam.
Ele explica que entre 1992 e 1998, quando o câmbio era de bandas (e não fixo), houve enorme entrada de capitais no Brasil. Gustavo Franco foi diretor da Área Externa do Banco Central de 1993 até 1997 e, a seguir, presidente do Banco Central (até 1999).
“Usei fartamente medidas de controle (na entrada) de capitais. Não há nenhum obstáculo ideológico em fazer controles market friendly. É bobagem dizer que esses controles foram ineficazes. Funcionaram direitinho. Jamais seriam suficientes para neutralizar toda a bonanza, mas naquela época desempenharam bem seu papel.”
Mas ele observa que “hoje esses controles não fariam sentido porque esses recursos não entram no Brasil pela conta de capitais. Entram pelo superávit comercial ou pela repressão às importações”.
Às vésperas das eleições, Geraldo Alckmin garante que ainda pode reverter a vantagem de Lula nas pesquisas e promete uma agenda econômica com cortes de gastos, reduções de impostos e juros menores
DINHEIRO – Uma de suas promessas de campanha é a redução de impostos. Mas, ao mesmo tempo, o senhor diz que não extinguirá a CPMF. Como explica isso?
ALCKMIN – A CPMF arrecada cerca de R$ 30 bilhões por ano, utilizados pelo governo federal para financiar a saúde pública, a Previdência Social e a assistência social. É difícil, de imediato, abrir mão desses recursos. A alíquota da CPMF será reduzida, e isto reduzirá as distorções associadas a um imposto em cascata e que incide várias vezes sobre um mesmo processo produtivo ou negócio. Um dos principais entraves para o desenvolvimento econômico e social do País é a elevada carga tributária, que desestimula investimentos. E ela não pára de crescer. No governo Lula, ela já chegou a quase 40% do PIB.
DINHEIRO – O que fazer para reduzir a carga tributária?
ALCKMIN – No meu governo vamos reduzir o peso dos impostos com um rigoroso controle dos gastos públicos e vamos levar adiante uma reforma tributária que amenize o ônus sobre o setor produtivo. Um dos primeiros passos será a unificação da lei do ICMS, com cinco alíquotas. Em São Paulo, como governador, reduzi os impostos de mais de 200 produtos e serviços e o Estado de São Paulo tem R$ 9 bilhões para investir neste ano. Um setor ao qual darei atenção especial é o das micro e pequenas empresas. Vamos regulamentar o Super Simples. O projeto prevê uma economia de até 45% no pagamento de tributos para as empresas que vão poder se beneficiar do sistema simplificado de impostos.
DINHEIRO – O senhor critica a política econômica do atual governo, mas ao mesmo tempo enfatiza que é continuação da política econômica do governo Fernando Henrique. Não é contraditório?
ALCKMIN – Como médico sei que o remédio se aplica de acordo como o estado clínico do paciente. O contexto do governo FHC era muito diferente: de um lado, um país saindo de 20 anos de regime inflacionário, com a memória viva da hiperinflação e dos vários pacotes intervencionistas que contribuíram para elevar a instabilidade institucional e falta de credibilidade da política pública; de outro lado, um mundo chacoalhado por seguidas crises financeiras, que se propagavam em ondas e atingiram fortemente todos os países emergentes. Neste quadro clínico, o remédio tinha que ser forte e a aplicação enérgica. O contexto do governo Lula foi outro: herdou uma economia ajustada, em que pesem os atropelos provocados pela incerteza eleitoral em 2002; o mundo todo cresceu, com ausência de crises e abundância de capitais. Neste quadro clínico o mesmo remédio, em lugar de curar o paciente, está estrangulando, tirando o ar e provocando a quase estagnação na qual estamos vivendo. Não há, portanto, nenhuma contradição.
(trecho de terra.com.br/istoedinheiro/475/economia)
DINHEIRO – Uma de suas promessas de campanha é a redução de impostos. Mas, ao mesmo tempo, o senhor diz que não extinguirá a CPMF. Como explica isso?
ALCKMIN – A CPMF arrecada cerca de R$ 30 bilhões por ano, utilizados pelo governo federal para financiar a saúde pública, a Previdência Social e a assistência social. É difícil, de imediato, abrir mão desses recursos. A alíquota da CPMF será reduzida, e isto reduzirá as distorções associadas a um imposto em cascata e que incide várias vezes sobre um mesmo processo produtivo ou negócio. Um dos principais entraves para o desenvolvimento econômico e social do País é a elevada carga tributária, que desestimula investimentos. E ela não pára de crescer. No governo Lula, ela já chegou a quase 40% do PIB.
DINHEIRO – O que fazer para reduzir a carga tributária?
ALCKMIN – No meu governo vamos reduzir o peso dos impostos com um rigoroso controle dos gastos públicos e vamos levar adiante uma reforma tributária que amenize o ônus sobre o setor produtivo. Um dos primeiros passos será a unificação da lei do ICMS, com cinco alíquotas. Em São Paulo, como governador, reduzi os impostos de mais de 200 produtos e serviços e o Estado de São Paulo tem R$ 9 bilhões para investir neste ano. Um setor ao qual darei atenção especial é o das micro e pequenas empresas. Vamos regulamentar o Super Simples. O projeto prevê uma economia de até 45% no pagamento de tributos para as empresas que vão poder se beneficiar do sistema simplificado de impostos.
DINHEIRO – O senhor critica a política econômica do atual governo, mas ao mesmo tempo enfatiza que é continuação da política econômica do governo Fernando Henrique. Não é contraditório?
ALCKMIN – Como médico sei que o remédio se aplica de acordo como o estado clínico do paciente. O contexto do governo FHC era muito diferente: de um lado, um país saindo de 20 anos de regime inflacionário, com a memória viva da hiperinflação e dos vários pacotes intervencionistas que contribuíram para elevar a instabilidade institucional e falta de credibilidade da política pública; de outro lado, um mundo chacoalhado por seguidas crises financeiras, que se propagavam em ondas e atingiram fortemente todos os países emergentes. Neste quadro clínico, o remédio tinha que ser forte e a aplicação enérgica. O contexto do governo Lula foi outro: herdou uma economia ajustada, em que pesem os atropelos provocados pela incerteza eleitoral em 2002; o mundo todo cresceu, com ausência de crises e abundância de capitais. Neste quadro clínico o mesmo remédio, em lugar de curar o paciente, está estrangulando, tirando o ar e provocando a quase estagnação na qual estamos vivendo. Não há, portanto, nenhuma contradição.
(trecho de terra.com.br/istoedinheiro/475/economia)
😢 😢 😞 😢 😢Danilo wrote:Às vésperas das eleições, Geraldo Alckmin garante que ainda pode reverter a vantagem de Lula nas pesquisas
Meu, eu já joguei a toalha - teremos mais 4 anos (oq me consola é que podemos ver a morte do PT neste período - acho q só falta enterrar, pq só sobrou o barbudo)
Caras, recebi pela saidera uma corrente fantástica... vcs tb receberam...
que se a gente não passar para mais 10 pessoas, convencendo-as a não votar no Lula, um mal vai nos perseguir por 4 anos...
Só tenho um problema... praticamente todos com quem eu converso, vão votar no Alckimin... o que faço? não quero esse mal pra mim....
que se a gente não passar para mais 10 pessoas, convencendo-as a não votar no Lula, um mal vai nos perseguir por 4 anos...
Só tenho um problema... praticamente todos com quem eu converso, vão votar no Alckimin... o que faço? não quero esse mal pra mim....
Já que perguntou... vejo duas opções:
1- Entre logo em alguma comunidade no Orkut pró-Lula, e sai adicionando todo mundo pela frente. E passe a corrente pros seus milhares de novos contatos. Essa é arriscada, mas atinge mais que 10 mil pessoas se você tiver paciência.
2- Imprime umas 100 cópias da corrente. Leve-as com você no carro. Todo farol que você parar, você no mínimo entrega uma corrente pra moça que vier te entregar um folheto de propaganda. Se estiver animado, no farol mais demorado, saia do carro e entregue pros motoristas também! Mais um pouco de atividade e pode soltar um xaveco na motorista mais gatinha que tiver por perto. Hehehe...
1- Entre logo em alguma comunidade no Orkut pró-Lula, e sai adicionando todo mundo pela frente. E passe a corrente pros seus milhares de novos contatos. Essa é arriscada, mas atinge mais que 10 mil pessoas se você tiver paciência.
2- Imprime umas 100 cópias da corrente. Leve-as com você no carro. Todo farol que você parar, você no mínimo entrega uma corrente pra moça que vier te entregar um folheto de propaganda. Se estiver animado, no farol mais demorado, saia do carro e entregue pros motoristas também! Mais um pouco de atividade e pode soltar um xaveco na motorista mais gatinha que tiver por perto. Hehehe...
ah, a genialidade dos "pençadores" brasileiros...
LUIZ CARLOS BRESSER-PEREIRA
A Argentina aprendeu
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Os argentinos aprenderam duramente com a crise de 2001 como é importante manter o câmbio competitivo
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FALAR A favor das políticas econômicas adotadas pela Argentina implica contradizer o saber hegemônico segundo o qual Néstor Kirchner estaria fazendo uma gestão "populista" na economia, enquanto o governo Lula seria um exemplo de bom comportamento. Não é isso, entretanto, o que dizem os dados: enquanto a Argentina continua a crescer a taxas aceleradas e já compensou com sobras as perdas da grande crise de 2001, o Brasil se mantém quase estagnado, não obstante a conjuntura internacional muito favorável. Como mostra o quadro, a diferença de taxas é de 3 para 1: 8,9% de crescimento médio nos últimos quatro anos na Argentina, contra 2,8% no Brasil.
E o populismo que a ortodoxia convencional usa para criticar quem não a obedece? Nesse ponto, é importante distinguir o político do econômico: populismo político define-se pela comunicação direta do líder com o povo sem a intermediação dos partidos e das respectivas ideologias; populismo econômico é gastar mais do que se arrecada: se for a organização do Estado que gasta além de suas possibilidades, o populismo será fiscal; se for o Estado-nação ou país que deixa sua taxa de câmbio se apreciar, o populismo será cambial.
Do ponto de vista político, tanto Lula como Kirchner são populistas, mas o populismo político é praticamente inevitável em sociedades democráticas pobres. Quanto ao populismo econômico, os dados da tabela mostram que definitivamente não existe populismo fiscal na Argentina, que apresenta superávit fiscal de 1,7% do PIB (Produto Interno Bruto), contra déficit público no Brasil em torno de 3,5% em 2006. O populismo cambial, por sua vez, está diretamente relacionado com a taxa de câmbio apreciada, que aumenta artificialmente os salários reais e o consumo tanto de bens importados como de produtos cujo preço é determinado no mercado internacional. Na Argentina, a taxa de câmbio continua depreciada, apesar da pressão da ortodoxia convencional no sentido de apreciá-la "para combater a inflação".
A resistência da Argentina em reapreciar sua moeda é central para sua estratégia de retomada do desenvolvimento, como é central a sua decisão de impor imposto de exportação sobre os produtos agropecuários que podem ser causa de "doença holandesa", ou seja, a apreciação artificial do câmbio -sem, porém, com isso prejudicar a lucratividade das exportações. Os argentinos aprenderam duramente com a crise de 2001 como é importante manter a taxa de câmbio competitiva, e, como os países asiáticos, não mais aceitam a política de crescimento com poupança externa que o Norte nos aconselha.
Com uma política econômica baseada, de um lado, em ajuste fiscal firme, e, de outro, em taxa de juro baixa combinada com taxa de câmbio competitiva, a Argentina cresce e está se tornando um exemplo de novo desenvolvimentismo na América Latina. Enquanto isso, a ortodoxia convencional à qual interessa câmbio baixo e juro alto cobre de elogios o Brasil que não cresce.
Apenas em um ponto o Brasil está melhor do que a Argentina: a taxa de inflação aqui é de 3%, contra 11% na Argentina. As duas taxas são artificiais, porque a brasileira foi alcançada graças à apreciação do câmbio, a argentina, graças a controles administrativos de preços que, sabemos bem, nada garantem no médio prazo. A inflação é o calcanhar-de-aquiles do modelo argentino, mas, no momento em que esse problema for resolvido -e não há razão por que não acreditar que o será, já que está havendo responsabilidade fiscal-, teremos afinal, na região, um país que rejeitou os conselhos e as pressões do Norte, reconstruiu sua nação e reaprendeu o caminho do desenvolvimento econômico.
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LUIZ CARLOS BRESSER-PEREIRA , 72, professor emérito da Fundação Getulio Vargas, ex-ministro da Fazenda, da Reforma do Estado, e da Ciência e Tecnologia, é autor de "As Revoluções Utópicas dos Anos 60".
Internet: http://www.bresserpereira.org.br
[email protected]
LUIZ CARLOS BRESSER-PEREIRA
A Argentina aprendeu
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Os argentinos aprenderam duramente com a crise de 2001 como é importante manter o câmbio competitivo
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FALAR A favor das políticas econômicas adotadas pela Argentina implica contradizer o saber hegemônico segundo o qual Néstor Kirchner estaria fazendo uma gestão "populista" na economia, enquanto o governo Lula seria um exemplo de bom comportamento. Não é isso, entretanto, o que dizem os dados: enquanto a Argentina continua a crescer a taxas aceleradas e já compensou com sobras as perdas da grande crise de 2001, o Brasil se mantém quase estagnado, não obstante a conjuntura internacional muito favorável. Como mostra o quadro, a diferença de taxas é de 3 para 1: 8,9% de crescimento médio nos últimos quatro anos na Argentina, contra 2,8% no Brasil.
E o populismo que a ortodoxia convencional usa para criticar quem não a obedece? Nesse ponto, é importante distinguir o político do econômico: populismo político define-se pela comunicação direta do líder com o povo sem a intermediação dos partidos e das respectivas ideologias; populismo econômico é gastar mais do que se arrecada: se for a organização do Estado que gasta além de suas possibilidades, o populismo será fiscal; se for o Estado-nação ou país que deixa sua taxa de câmbio se apreciar, o populismo será cambial.
Do ponto de vista político, tanto Lula como Kirchner são populistas, mas o populismo político é praticamente inevitável em sociedades democráticas pobres. Quanto ao populismo econômico, os dados da tabela mostram que definitivamente não existe populismo fiscal na Argentina, que apresenta superávit fiscal de 1,7% do PIB (Produto Interno Bruto), contra déficit público no Brasil em torno de 3,5% em 2006. O populismo cambial, por sua vez, está diretamente relacionado com a taxa de câmbio apreciada, que aumenta artificialmente os salários reais e o consumo tanto de bens importados como de produtos cujo preço é determinado no mercado internacional. Na Argentina, a taxa de câmbio continua depreciada, apesar da pressão da ortodoxia convencional no sentido de apreciá-la "para combater a inflação".
A resistência da Argentina em reapreciar sua moeda é central para sua estratégia de retomada do desenvolvimento, como é central a sua decisão de impor imposto de exportação sobre os produtos agropecuários que podem ser causa de "doença holandesa", ou seja, a apreciação artificial do câmbio -sem, porém, com isso prejudicar a lucratividade das exportações. Os argentinos aprenderam duramente com a crise de 2001 como é importante manter a taxa de câmbio competitiva, e, como os países asiáticos, não mais aceitam a política de crescimento com poupança externa que o Norte nos aconselha.
Com uma política econômica baseada, de um lado, em ajuste fiscal firme, e, de outro, em taxa de juro baixa combinada com taxa de câmbio competitiva, a Argentina cresce e está se tornando um exemplo de novo desenvolvimentismo na América Latina. Enquanto isso, a ortodoxia convencional à qual interessa câmbio baixo e juro alto cobre de elogios o Brasil que não cresce.
Apenas em um ponto o Brasil está melhor do que a Argentina: a taxa de inflação aqui é de 3%, contra 11% na Argentina. As duas taxas são artificiais, porque a brasileira foi alcançada graças à apreciação do câmbio, a argentina, graças a controles administrativos de preços que, sabemos bem, nada garantem no médio prazo. A inflação é o calcanhar-de-aquiles do modelo argentino, mas, no momento em que esse problema for resolvido -e não há razão por que não acreditar que o será, já que está havendo responsabilidade fiscal-, teremos afinal, na região, um país que rejeitou os conselhos e as pressões do Norte, reconstruiu sua nação e reaprendeu o caminho do desenvolvimento econômico.
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LUIZ CARLOS BRESSER-PEREIRA , 72, professor emérito da Fundação Getulio Vargas, ex-ministro da Fazenda, da Reforma do Estado, e da Ciência e Tecnologia, é autor de "As Revoluções Utópicas dos Anos 60".
Internet: http://www.bresserpereira.org.br
[email protected]
Investment Grade Eludes Brazil
A Boost for India
Leaves Latin Titan
In a Club of One
By ROGERIO JELMAYER, TOM MURPHY and IAIN MCDONALD
January 31, 2007; Page C12
Chronic government deficits, slow economic growth and an unfriendly business climate aren't just delaying Brazil's dream of winning investment-grade status.
They are also causing it to lag further behind its biggest emerging-market peers.
This was highlighted yesterday, when credit-ratings firm Standard & Poor's graduated India to the coveted investment-grade status, noting the South Asian titan's high economic growth, hefty foreign reserves and deep capital markets.
The move left Brazil an order of magnitude below its colleagues in the so-called BRIC group of emerging-market titans -- Brazil, Russia, India and China.
As China and Russia already enjoy investment-grade ratings, Brazil is the only one of the four now stuck with the "speculative" label. And it will probably remain there for at least the foreseeable future.
"The remarkable reduction in Brazil's external vulnerability has not been matched by improvement in the country's fiscal indicators, which now stand as the important constraint on faster improvement of the sovereign credit ratings," JPMorgan said in a report.
Brazil's sovereign debt is rated BB by S&P, Ba2 by Moody's Investors Service and BB by Fitch Ratings. The ratings are considered "junk," two notches below investment grade.
India, meanwhile, is now rated BBB- by S&P, with a stable outlook, in line with Moody's and Fitch's ratings, which both have investment-grade rankings for the country.
"India's economic prospects remain strong and are rising gradually, with GDP trend growth likely to average more than 7.5% in the medium term," S&P's credit analyst, Ping Chew, said in a statement.
India's finance minister, P. Chidambaram, welcomed the upgrade, calling it "an acknowledgment of India's improving macroeconomic stability and strength."
The Indian economy has been growing at more than 8% a year for the past three years. In the first half of the current fiscal year ending March 31, the economy grew 9.1% due to robust expansion in the country's industrial and services sector.
In contrast, Brazil's economy expanded only 3.2% in the third quarter of 2006 on the year. Most economists expect calendar-year expansion for 2006 to come in even lower.
"Brazil is losing the investment-grade race, in part, because its growth is lagging behind the others," said Pedro Jobim, chief economist for ING Bank in Brazil. "Meanwhile, the government is not attacking the real problems, which are high taxes, deficits and a poor business environment."
Treasurys Trade Quietly Ahead of Fed Meeting
The Treasury market closed out a quiet session yesterday with small gains, as the market braced for the outcome of the Federal Reserve meeting today with thin gains.
At 3 p.m., the benchmark 10-year note was up 4/32 point, or $1.25 per $1,000 face value, at 98 2/32. Its yield fell to 4.875% from 4.892%, as yields move inversely to prices.
In the two-day meeting that ends today, central bankers are expected to hold the key lending rate at 5.25%, which has been in place since last June. The Federal Open Market Committee policy statement announcing the decision is widely expected to be upbeat about growth, while flagging central bankers' continuing concern that price pressures, while moving lower, still remain the primary threat to growth.
Once the Fed meeting is completed, investors will turn their attention to this week's data. Kevin Giddis, managing director with Morgan Keegan in Memphis, said "if we can get any kind of weakness in this week's economic numbers, we might once again be able to return to the 'salad days' of the bond market" and see some price gains.
--Michael S. Derby
Oracle's Ratings Rise
Fitch Ratings has raised Oracle Corp.'s investment-grade ratings another notch to A, citing strong free cash flow in excess of $4 billion, while Standard & Poor's knocked Sprint Nextel Corp.'s rating down a peg to BBB. S&P said that its downgrade reflects "convergence of a number of operating challenges and execution missteps since the August 2005 merger of Sprint and Nextel, which will weaken credit measures over the next year." Sprint has about $34.5 billion in total debt outstanding, S&P said. Risk premiums on Sprint's 6% bonds due 2016 were 0.03 percentage point wider at 1.55 percentage point over Treasurys in heavy trading Tuesday, according to MarketAxess, an electronic trading platform for corporate bonds. Oracle's 5.25% bonds due 2016 were unchanged Tuesday at 75 basis points, according to MarketAxess.
--Marine Cole
Moody's Cuts Ecuador
Moody's Investors Service cut Ecuador's ratings to Caa2 from Caa1 and also downgraded its outlook to negative from stable, saying the government's plans to restructure its external debt would likely result in heavy losses for creditors. "If the government intends to significantly reduce its debt-service obligations, it would be forced to do so via an outright moratorium that could have overwhelmingly negative consequences for Ecuador's economy," Moody's analyst Alessandra Alecci wrote. But the country's bonds shrugged off the news and continued Monday's rally, with its Global 2030 rising three points to 78½, according to Reuters. "Prices are still up on the day," said one New York-based trader, adding that Ecuadorean Economy Minister Ricardo Patino's remarks on Monday that he would prefer a "friendly" restructuring "started the ball in motion to the upside." However, Moody's cautioned yesterday that creditors are unlikely to accept a voluntary restructuring while they see Ecuador with comfortable ability to pay its debt. Goldman Sachs said in a research note that the Moody's downgrade was "a negative although expected development" after Standard & Poor's and Fitch Ratings both cut Ecuador to triple-C in the last two weeks.
--Wailin Wong
A Boost for India
Leaves Latin Titan
In a Club of One
By ROGERIO JELMAYER, TOM MURPHY and IAIN MCDONALD
January 31, 2007; Page C12
Chronic government deficits, slow economic growth and an unfriendly business climate aren't just delaying Brazil's dream of winning investment-grade status.
They are also causing it to lag further behind its biggest emerging-market peers.
This was highlighted yesterday, when credit-ratings firm Standard & Poor's graduated India to the coveted investment-grade status, noting the South Asian titan's high economic growth, hefty foreign reserves and deep capital markets.
The move left Brazil an order of magnitude below its colleagues in the so-called BRIC group of emerging-market titans -- Brazil, Russia, India and China.
As China and Russia already enjoy investment-grade ratings, Brazil is the only one of the four now stuck with the "speculative" label. And it will probably remain there for at least the foreseeable future.
"The remarkable reduction in Brazil's external vulnerability has not been matched by improvement in the country's fiscal indicators, which now stand as the important constraint on faster improvement of the sovereign credit ratings," JPMorgan said in a report.
Brazil's sovereign debt is rated BB by S&P, Ba2 by Moody's Investors Service and BB by Fitch Ratings. The ratings are considered "junk," two notches below investment grade.
India, meanwhile, is now rated BBB- by S&P, with a stable outlook, in line with Moody's and Fitch's ratings, which both have investment-grade rankings for the country.
"India's economic prospects remain strong and are rising gradually, with GDP trend growth likely to average more than 7.5% in the medium term," S&P's credit analyst, Ping Chew, said in a statement.
India's finance minister, P. Chidambaram, welcomed the upgrade, calling it "an acknowledgment of India's improving macroeconomic stability and strength."
The Indian economy has been growing at more than 8% a year for the past three years. In the first half of the current fiscal year ending March 31, the economy grew 9.1% due to robust expansion in the country's industrial and services sector.
In contrast, Brazil's economy expanded only 3.2% in the third quarter of 2006 on the year. Most economists expect calendar-year expansion for 2006 to come in even lower.
"Brazil is losing the investment-grade race, in part, because its growth is lagging behind the others," said Pedro Jobim, chief economist for ING Bank in Brazil. "Meanwhile, the government is not attacking the real problems, which are high taxes, deficits and a poor business environment."
Treasurys Trade Quietly Ahead of Fed Meeting
The Treasury market closed out a quiet session yesterday with small gains, as the market braced for the outcome of the Federal Reserve meeting today with thin gains.
At 3 p.m., the benchmark 10-year note was up 4/32 point, or $1.25 per $1,000 face value, at 98 2/32. Its yield fell to 4.875% from 4.892%, as yields move inversely to prices.
In the two-day meeting that ends today, central bankers are expected to hold the key lending rate at 5.25%, which has been in place since last June. The Federal Open Market Committee policy statement announcing the decision is widely expected to be upbeat about growth, while flagging central bankers' continuing concern that price pressures, while moving lower, still remain the primary threat to growth.
Once the Fed meeting is completed, investors will turn their attention to this week's data. Kevin Giddis, managing director with Morgan Keegan in Memphis, said "if we can get any kind of weakness in this week's economic numbers, we might once again be able to return to the 'salad days' of the bond market" and see some price gains.
--Michael S. Derby
Oracle's Ratings Rise
Fitch Ratings has raised Oracle Corp.'s investment-grade ratings another notch to A, citing strong free cash flow in excess of $4 billion, while Standard & Poor's knocked Sprint Nextel Corp.'s rating down a peg to BBB. S&P said that its downgrade reflects "convergence of a number of operating challenges and execution missteps since the August 2005 merger of Sprint and Nextel, which will weaken credit measures over the next year." Sprint has about $34.5 billion in total debt outstanding, S&P said. Risk premiums on Sprint's 6% bonds due 2016 were 0.03 percentage point wider at 1.55 percentage point over Treasurys in heavy trading Tuesday, according to MarketAxess, an electronic trading platform for corporate bonds. Oracle's 5.25% bonds due 2016 were unchanged Tuesday at 75 basis points, according to MarketAxess.
--Marine Cole
Moody's Cuts Ecuador
Moody's Investors Service cut Ecuador's ratings to Caa2 from Caa1 and also downgraded its outlook to negative from stable, saying the government's plans to restructure its external debt would likely result in heavy losses for creditors. "If the government intends to significantly reduce its debt-service obligations, it would be forced to do so via an outright moratorium that could have overwhelmingly negative consequences for Ecuador's economy," Moody's analyst Alessandra Alecci wrote. But the country's bonds shrugged off the news and continued Monday's rally, with its Global 2030 rising three points to 78½, according to Reuters. "Prices are still up on the day," said one New York-based trader, adding that Ecuadorean Economy Minister Ricardo Patino's remarks on Monday that he would prefer a "friendly" restructuring "started the ball in motion to the upside." However, Moody's cautioned yesterday that creditors are unlikely to accept a voluntary restructuring while they see Ecuador with comfortable ability to pay its debt. Goldman Sachs said in a research note that the Moody's downgrade was "a negative although expected development" after Standard & Poor's and Fitch Ratings both cut Ecuador to triple-C in the last two weeks.
--Wailin Wong
A seita anti-capitalista e a tristeza do Jeca
Boa parte do noticiário sobre o desabamento da Estação Pinheiros do metrô, em São Paulo, levou-me a convocar o espírito de Monteiro Lobato para conjurar o demônio do atraso que toma conta da vida pública brasileira. Os corpos nem haviam sido retirados dos escombros, e o canhoto do estatismo já escandia sua escatologia: a sede de lucro fizera mais vítimas. A militância antiprivatista que ajudara a eleger, havia pouco, um presidente da República encontrava na cratera o seu altar. Enquanto uns choravam seus desaparecidos, outros celebravam um triunfo intelectual. Os que lamentavam seus mortos tinham de genuinamente seu a dor. Os que pranteavam uma idéia tomavam de empréstimo sete cadáveres para exibi-los como emblemas de seu ódio.
Lobato foi um prodígio. Ainda hoje apanha nas escolas do ensino médio – será? – porque resolveu enroscar com a pintura modernista, numa crítica tão obtusa quanto brilhante. A turma da Semana de 22 caiu de pau no coitado. Só mais tarde foi reabilitado por Oswald de Andrade, que o chamou de "o Gandhi do modernismo". Gandhi? Lobato era bom de briga. Alguns de seus melhores textos estão reunidos em Urupês. Ali ele faz o retrato do Jeca Tatu: "Este funesto parasita da terra é o caboclo, espécie de homem baldio, seminômade, inadaptável à civilização, mas que vive à beira dela, nas penumbras fronteiriças. À medida que o progresso vem chegando com a via férrea, o italiano, o arado, a valorização da propriedade, vai ele refugiando em silêncio, com o seu cachorro, o seu pilão, a picapau e o isqueiro, de modo a sempre conservar-se fronteiriço, mudo e sorna. Encoscorado numa rotina de pedra, recua para não adaptar-se".
O pai de Emília (um tanto descrente dos homens, fez gênios uma boneca e um sabugo) referia-se aos meeiros e posseiros do Vale do Paraíba (SP), a então decadente região de Cidades Mortas, onde fica a sua Taubaté natal. Penso no trecho, e isso me assusta um pouco, como uma espécie de emblema e de signo sempre ativo não só do passado, mas também do futuro. Temo que o Jeca possa não ser apenas uma herança, mas também um destino. Pergunto-me: "Estaria ainda dentro de nós aquele homem das 'penumbras fronteiriças', que resiste à civilização, assim como a Capitu dos olhos de ressaca da Praia da Glória estava na inocente espevitada de Matacavalos?". Não sei. Resisto a pensar que o ódio cotidianamente destilado contra o capitalismo seja ou uma vocação ou um édito da sociologia, herança permanentemente atualizada e da qual não conseguimos nos livrar.
É claro que algum erro aconteceu na estação de Pinheiros, ou a obra não teria ido abaixo. Insurjo-me é contra os supostos motivos apresentados – antes de qualquer perícia, diga-se. Todos eles, não por acaso, são expressões de valores que fizeram e fazem a riqueza das nações, não o contrário. Ditaduras, incluindo a cultural, esta nossa, tentam emprestar sentido ético até à aritmética. Uma empreiteira não pode fazer uma obra pelo valor de custo porque isso corresponde a negar a existência da própria empreiteira, entendem? O lucro não é uma categoria moral inferior ao escambo. É só um outro patamar da civilização.
A cupidez capitalista, cara-pálida, faz estações para durar, não para cair. A sede de lucro pode não inventar a penicilina, mas massifica-a. Os bilhões de dólares que a indústria farmacêutica torra em pesquisa visam, é certo, à acumulação, mas fazem antibióticos. Não pensem que estou apelando à surrada dialética, acostamento dos desvalidos de argumento: "Ah, os malvados lucram, é verdade, mas têm o seu lado bom!". Dialética não existe. Não se trata de haurir o Bem do Mal. Não há nenhuma contradição entre lucrar e civilizar. Essa parceria não é mera correlação, mas relação de causa e efeito. Se alguma trapaça responde por aquela cratera, houve uma falha mais importante do que a de engenharia: houve uma falha do sistema. A estação caiu porque algo do capitalismo, naquele canteiro, não funcionou. A natureza do modelo é a expansão, não a autofagia. Do ponto de vista do sistema, o lucro não foi causa, mas também vítima da tragédia.
Então por que tanto ódio destilado contra o ogro dos nossos sonhos? Houve até cronistas emprestando à cratera babados e brocados de má poesia, lamentando a cidade cruel e autofágica, que não respeita a sua história. Tudo vazado naquele estilo decoroso da nostalgia edênica, que sempre me faz levar a mão ao coldre. Falei acima de éditos sociológicos. Dois clássicos que estudam a formação da sociedade brasileira merecem menção: Os Donos do Poder, de Raymundo Faoro, e Raízes do Brasil, de Sérgio Buarque de Holanda. Em poucos livros se pode aprender tanto, acreditem. Não obstante diferenças múltiplas, ambos chegam ao retrato daquilo que somos por meio daquilo que fomos: tratam menos de uma seqüência de eventos, o que seria história corriqueira, do que de uma genealogia do Brasil.
Segundo Buarque de Holanda, aos povos ibéricos, "as ditaduras e o Santo Ofício parecem constituir formas tão típicas de seu caráter como a inclinação à anarquia e à desordem". Vai além: para esses povos, "não existe outra forma de disciplina perfeitamente concebível, além da que se funde na excessiva centralização do poder e na obediência". Faoro chama o último capítulo de seu livro de "Viagem Redonda", indo do Portugal de dom João I ao Brasil de Getúlio Vargas. E consegue encontrar um traço comum em nada menos de seis (!) séculos de história luso-brasileira: o patrimonialismo, cuja expressão política é o "estamento burocrático". E avalia: "O capitalismo clássico, de caráter puritano e anglo-americano, baseia-se em valores de todo estranhos ao curso de uma estrutura de seiscentos anos".
É certo, para lembrar o poeta Carlos Drummond de Andrade, que muito do queixo de nossos avós sobrou em nosso queixo, mas é preciso cuidado para que a sociologia da formação do Brasil não ilumine o passado nem obscureça o presente como uma sombra de autojustificação e determinismo. O contemporâneo jeca brasileiro não está em nossas "vastas solidões", como escreveu Joaquim Nabuco, mas nas cidades. A repulsa ao capitalismo está menos entranhada na, vá lá, "ignorância do povo" do que na sabedoria mística de boa parte de nossos intelectuais e de nossas camadas médias de letrados. Chamo "sabedoria mística" à crença, que já não deve mais nada aos ibéricos e é agora caudatária de uma ideologia internacionalista e regressiva, de que só o Estado pode nos proteger da sanha molestadora do capital.
O ritual de exorcismo da privatização, das parcerias público-privadas e do lucro, dançado à beira da cratera, não é exclusividade, sei bem, do Brasil. O aquecimento global (também eu quero combatê-lo, juro), por exemplo, parece prenunciar, mundo afora, um novo milenarismo. As palavras de ordem são "mudar o nosso estilo de vida" e "disciplinar o consumo desenfreado do capitalismo". O dito-cujo é tratado como se fosse uma craca que tivesse se grudado ao casco do navio da civilização. Sem ele, parece, estaríamos todos cumprindo um grande destino.
Cada país, sei bem, é estúpido a seu modo. Mas será sempre mais inteligente acusar o mal-estar do capitalismo estando na abastança do que fazê-lo na carência, não acham? O Brasil precisa ser um pouco mais capitalista se quer mesmo odiar o sistema com motivos, se não justos, ao menos suficientes. Em tempo: o rombo das contas públicas deve muito mais à Constituição de 1988 do que ao "rei dom Manuel, com três penas no chapéu".
Reinaldo Azevedo
Boa parte do noticiário sobre o desabamento da Estação Pinheiros do metrô, em São Paulo, levou-me a convocar o espírito de Monteiro Lobato para conjurar o demônio do atraso que toma conta da vida pública brasileira. Os corpos nem haviam sido retirados dos escombros, e o canhoto do estatismo já escandia sua escatologia: a sede de lucro fizera mais vítimas. A militância antiprivatista que ajudara a eleger, havia pouco, um presidente da República encontrava na cratera o seu altar. Enquanto uns choravam seus desaparecidos, outros celebravam um triunfo intelectual. Os que lamentavam seus mortos tinham de genuinamente seu a dor. Os que pranteavam uma idéia tomavam de empréstimo sete cadáveres para exibi-los como emblemas de seu ódio.
Lobato foi um prodígio. Ainda hoje apanha nas escolas do ensino médio – será? – porque resolveu enroscar com a pintura modernista, numa crítica tão obtusa quanto brilhante. A turma da Semana de 22 caiu de pau no coitado. Só mais tarde foi reabilitado por Oswald de Andrade, que o chamou de "o Gandhi do modernismo". Gandhi? Lobato era bom de briga. Alguns de seus melhores textos estão reunidos em Urupês. Ali ele faz o retrato do Jeca Tatu: "Este funesto parasita da terra é o caboclo, espécie de homem baldio, seminômade, inadaptável à civilização, mas que vive à beira dela, nas penumbras fronteiriças. À medida que o progresso vem chegando com a via férrea, o italiano, o arado, a valorização da propriedade, vai ele refugiando em silêncio, com o seu cachorro, o seu pilão, a picapau e o isqueiro, de modo a sempre conservar-se fronteiriço, mudo e sorna. Encoscorado numa rotina de pedra, recua para não adaptar-se".
O pai de Emília (um tanto descrente dos homens, fez gênios uma boneca e um sabugo) referia-se aos meeiros e posseiros do Vale do Paraíba (SP), a então decadente região de Cidades Mortas, onde fica a sua Taubaté natal. Penso no trecho, e isso me assusta um pouco, como uma espécie de emblema e de signo sempre ativo não só do passado, mas também do futuro. Temo que o Jeca possa não ser apenas uma herança, mas também um destino. Pergunto-me: "Estaria ainda dentro de nós aquele homem das 'penumbras fronteiriças', que resiste à civilização, assim como a Capitu dos olhos de ressaca da Praia da Glória estava na inocente espevitada de Matacavalos?". Não sei. Resisto a pensar que o ódio cotidianamente destilado contra o capitalismo seja ou uma vocação ou um édito da sociologia, herança permanentemente atualizada e da qual não conseguimos nos livrar.
É claro que algum erro aconteceu na estação de Pinheiros, ou a obra não teria ido abaixo. Insurjo-me é contra os supostos motivos apresentados – antes de qualquer perícia, diga-se. Todos eles, não por acaso, são expressões de valores que fizeram e fazem a riqueza das nações, não o contrário. Ditaduras, incluindo a cultural, esta nossa, tentam emprestar sentido ético até à aritmética. Uma empreiteira não pode fazer uma obra pelo valor de custo porque isso corresponde a negar a existência da própria empreiteira, entendem? O lucro não é uma categoria moral inferior ao escambo. É só um outro patamar da civilização.
A cupidez capitalista, cara-pálida, faz estações para durar, não para cair. A sede de lucro pode não inventar a penicilina, mas massifica-a. Os bilhões de dólares que a indústria farmacêutica torra em pesquisa visam, é certo, à acumulação, mas fazem antibióticos. Não pensem que estou apelando à surrada dialética, acostamento dos desvalidos de argumento: "Ah, os malvados lucram, é verdade, mas têm o seu lado bom!". Dialética não existe. Não se trata de haurir o Bem do Mal. Não há nenhuma contradição entre lucrar e civilizar. Essa parceria não é mera correlação, mas relação de causa e efeito. Se alguma trapaça responde por aquela cratera, houve uma falha mais importante do que a de engenharia: houve uma falha do sistema. A estação caiu porque algo do capitalismo, naquele canteiro, não funcionou. A natureza do modelo é a expansão, não a autofagia. Do ponto de vista do sistema, o lucro não foi causa, mas também vítima da tragédia.
Então por que tanto ódio destilado contra o ogro dos nossos sonhos? Houve até cronistas emprestando à cratera babados e brocados de má poesia, lamentando a cidade cruel e autofágica, que não respeita a sua história. Tudo vazado naquele estilo decoroso da nostalgia edênica, que sempre me faz levar a mão ao coldre. Falei acima de éditos sociológicos. Dois clássicos que estudam a formação da sociedade brasileira merecem menção: Os Donos do Poder, de Raymundo Faoro, e Raízes do Brasil, de Sérgio Buarque de Holanda. Em poucos livros se pode aprender tanto, acreditem. Não obstante diferenças múltiplas, ambos chegam ao retrato daquilo que somos por meio daquilo que fomos: tratam menos de uma seqüência de eventos, o que seria história corriqueira, do que de uma genealogia do Brasil.
Segundo Buarque de Holanda, aos povos ibéricos, "as ditaduras e o Santo Ofício parecem constituir formas tão típicas de seu caráter como a inclinação à anarquia e à desordem". Vai além: para esses povos, "não existe outra forma de disciplina perfeitamente concebível, além da que se funde na excessiva centralização do poder e na obediência". Faoro chama o último capítulo de seu livro de "Viagem Redonda", indo do Portugal de dom João I ao Brasil de Getúlio Vargas. E consegue encontrar um traço comum em nada menos de seis (!) séculos de história luso-brasileira: o patrimonialismo, cuja expressão política é o "estamento burocrático". E avalia: "O capitalismo clássico, de caráter puritano e anglo-americano, baseia-se em valores de todo estranhos ao curso de uma estrutura de seiscentos anos".
É certo, para lembrar o poeta Carlos Drummond de Andrade, que muito do queixo de nossos avós sobrou em nosso queixo, mas é preciso cuidado para que a sociologia da formação do Brasil não ilumine o passado nem obscureça o presente como uma sombra de autojustificação e determinismo. O contemporâneo jeca brasileiro não está em nossas "vastas solidões", como escreveu Joaquim Nabuco, mas nas cidades. A repulsa ao capitalismo está menos entranhada na, vá lá, "ignorância do povo" do que na sabedoria mística de boa parte de nossos intelectuais e de nossas camadas médias de letrados. Chamo "sabedoria mística" à crença, que já não deve mais nada aos ibéricos e é agora caudatária de uma ideologia internacionalista e regressiva, de que só o Estado pode nos proteger da sanha molestadora do capital.
O ritual de exorcismo da privatização, das parcerias público-privadas e do lucro, dançado à beira da cratera, não é exclusividade, sei bem, do Brasil. O aquecimento global (também eu quero combatê-lo, juro), por exemplo, parece prenunciar, mundo afora, um novo milenarismo. As palavras de ordem são "mudar o nosso estilo de vida" e "disciplinar o consumo desenfreado do capitalismo". O dito-cujo é tratado como se fosse uma craca que tivesse se grudado ao casco do navio da civilização. Sem ele, parece, estaríamos todos cumprindo um grande destino.
Cada país, sei bem, é estúpido a seu modo. Mas será sempre mais inteligente acusar o mal-estar do capitalismo estando na abastança do que fazê-lo na carência, não acham? O Brasil precisa ser um pouco mais capitalista se quer mesmo odiar o sistema com motivos, se não justos, ao menos suficientes. Em tempo: o rombo das contas públicas deve muito mais à Constituição de 1988 do que ao "rei dom Manuel, com três penas no chapéu".
Reinaldo Azevedo
Pergunta "ogonorantche": isso é bom pa' nois?? É nossa chance de subir na vida??
Viagem de Bush 2 - EUA querem Opep do etanol com o Brasil
By Reinaldo Azevedo
Por Patrícia Campos Mello, no Estadão deste domingo:
A grande iniciativa que o presidente George W. Bush quer lançar no Brasil está sendo chamada de mercado hemisférico de etanol. A idéia, gestada dentro do Departamento de Estado, é expandir a produção de etanol em vários países da América Latina, principalmente no Caribe e na América Central, para garantir um fornecimento estável do biocombustível. Trata-se de uma Opep do etanol. Para isso, Brasil e Estados Unidos devem fechar parcerias, com participação da iniciativa privada, para instalar usinas de etanol em países da América Central.O homem-chave por trás dessa estratégia é Greg Manuel, conselheiro de Condoleezza Rice para assuntos internacionais de energia. Desde que entrou no Departamento de Estado, em outubro, ele esteve seis vezes no Brasil. Jovem, Manuel aposta em incubadoras e parcerias público-privadas para criar o mercado hemisférico de etanol.“Já que não saiu a Alca, vamos de álcool”, diz Brian Dean, diretor-executivo da Comissão Interamericana de Etanol (CIE). Brian foi diretor da Florida FTAA, grupo que fazia o lobby para que os EUA fossem a sede da Alca. Agora, com a Alca natimorta, Dean cuida da CIE, cujos titulares são o ex-governador da Flórida Jeb Bush, o presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Luis Alberto Moreno, e o ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues. A comissão, que se reúne regularmente com o Departamento de Estado, está fazendo um levantamento sobre produção de etanol e cana-de-açúcar nos diversos países da América Latina. Segundo Dean, países como Guatemala, El Salvador, Honduras, Nicarágua e República Dominicana são bastante promissores para abrigar usinas e expandir a produção de etanol.Manuel não detalha muito o plano de parceria de etanol que será apresentado na viagem de Bush. Mas, a interlocutores, afirmou que o foco é a expansão regional da produção, com muita participação do setor privado. Ele mencionou também a possibilidade de parcerias público-privadas para investimento em infra-estrutura de etanol no Brasil, como alcooldutos e investimentos cruzados nos dois países.
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Viagem de Bush 2 - EUA querem Opep do etanol com o Brasil
By Reinaldo Azevedo
Por Patrícia Campos Mello, no Estadão deste domingo:
A grande iniciativa que o presidente George W. Bush quer lançar no Brasil está sendo chamada de mercado hemisférico de etanol. A idéia, gestada dentro do Departamento de Estado, é expandir a produção de etanol em vários países da América Latina, principalmente no Caribe e na América Central, para garantir um fornecimento estável do biocombustível. Trata-se de uma Opep do etanol. Para isso, Brasil e Estados Unidos devem fechar parcerias, com participação da iniciativa privada, para instalar usinas de etanol em países da América Central.O homem-chave por trás dessa estratégia é Greg Manuel, conselheiro de Condoleezza Rice para assuntos internacionais de energia. Desde que entrou no Departamento de Estado, em outubro, ele esteve seis vezes no Brasil. Jovem, Manuel aposta em incubadoras e parcerias público-privadas para criar o mercado hemisférico de etanol.“Já que não saiu a Alca, vamos de álcool”, diz Brian Dean, diretor-executivo da Comissão Interamericana de Etanol (CIE). Brian foi diretor da Florida FTAA, grupo que fazia o lobby para que os EUA fossem a sede da Alca. Agora, com a Alca natimorta, Dean cuida da CIE, cujos titulares são o ex-governador da Flórida Jeb Bush, o presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Luis Alberto Moreno, e o ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues. A comissão, que se reúne regularmente com o Departamento de Estado, está fazendo um levantamento sobre produção de etanol e cana-de-açúcar nos diversos países da América Latina. Segundo Dean, países como Guatemala, El Salvador, Honduras, Nicarágua e República Dominicana são bastante promissores para abrigar usinas e expandir a produção de etanol.Manuel não detalha muito o plano de parceria de etanol que será apresentado na viagem de Bush. Mas, a interlocutores, afirmou que o foco é a expansão regional da produção, com muita participação do setor privado. Ele mencionou também a possibilidade de parcerias público-privadas para investimento em infra-estrutura de etanol no Brasil, como alcooldutos e investimentos cruzados nos dois países.
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depende 😳
eu não acredito nesse papo de etanol. etanol não é algo que te dá uma vantagem comparativa como nação, pq é algo que pode ser desenvolvido - e inclusive os eua tem pesquisas sobre etanol de celulose, o único que é realmente economicamente viável.
pra ter etanol vc tem que ter um trade off considerável entre "alimento" e cana, e nada impede que os eua joguem dinheiro até em cima do milho pra tornar economicamente viável e a salvação da lavoura deles.
isso pra mim é circo. é bolha. é só ver os valuations malucos que estão pagando por usinas no brasil. é hora de quem tem usina vender, não de comprar.
e não estamos no buraco por causa de falta de coisas pra vender. o buraco é mais embaixo...
eu não acredito nesse papo de etanol. etanol não é algo que te dá uma vantagem comparativa como nação, pq é algo que pode ser desenvolvido - e inclusive os eua tem pesquisas sobre etanol de celulose, o único que é realmente economicamente viável.
pra ter etanol vc tem que ter um trade off considerável entre "alimento" e cana, e nada impede que os eua joguem dinheiro até em cima do milho pra tornar economicamente viável e a salvação da lavoura deles.
isso pra mim é circo. é bolha. é só ver os valuations malucos que estão pagando por usinas no brasil. é hora de quem tem usina vender, não de comprar.
e não estamos no buraco por causa de falta de coisas pra vender. o buraco é mais embaixo...
e não estamos no buraco por causa de falta de coisas pra vender. o buraco é mais embaixo..
subir na vida = virar amigo do tio bill, isso queria dizer 👍 👍
Brasil não cresce porque não merece, diz Giambiagi
Por Fernando Canzian, na Folha deste domingo:
O Brasil não cresce porque não merece. E se converte em uma economia com mentalidade de funcionário público, com espírito de acomodação e dependência do Estado. Para o economista Fabio Giambiagi, 44, que lança neste final de semana o Livro "Raízes do atraso - As dez vacas sagradas que acorrentam o país", o Brasil "colhe o que plantou". Os desarranjos dos anos 80 e a Constituição de 1988 levaram à hiperinflação, ao endividamento e ao forte aumento da carga tributária. O resultado é o crescimento medíocre atual. O livro propõe duas idéias-força: 1) o país precisa caminhar para uma economia em que o bem-estar dependa do esforço, da criatividade e do êxito dos indivíduos, e não do apoio do governo; e 2) que o papel do Estado seja o de ajudar as pessoas a buscar esse êxito, e não apenas o de transferir renda. "O Brasil está se convertendo em um "show-case" de políticas sociais voltadas para o bem-estar de clientelas específicas", diz Giambiagi. "O elemento comum desses programas é que eles fornecem recursos públicos em troca de nada." O economista do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), ligado ao Ministério do Planejamento, defende mudanças nos programas e, evocando Mário Covas (1930-2001), defende um "choque de capitalismo" no Brasil. Leia entrevista à Folha:
FOLHA - No início de seu livro, o sr. cita Nelson Rodrigues: "Nada é mais cansativo do que tentar demonstrar o óbvio". O que é óbvio neste Brasil que não consegue crescer? FABIO GIAMBIAGI - Entre 1991 e 2006, o gasto público primário do governo central passou de 14% para 24% do PIB. Estamos falando de um aumento de gasto público de dez pontos percentuais em 15 anos, o que dá uma média de 0,7% do PIB por ano. O principal responsável pelo aumento foi o crescimento das despesas previdenciárias. De 2,5% do PIB em 1988 para quase 8% em 2006. Isso é triplamente dramático. Primeiro, pela magnitude do número em si. Estamos falando de uma variação de mais de 5% do PIB em 18 anos. Segundo, pelo fato de que aconteceu num momento em que a demografia nos favorecia, em que o número de pessoas idosas apenas estava começando a aumentar. E, terceiro, é um fenômeno do qual ninguém quer ouvir falar. Nós temos um mega, um maiúsculo problema macroeconômico, e todo mundo faz de conta que ele não existe.
Por Fernando Canzian, na Folha deste domingo:
O Brasil não cresce porque não merece. E se converte em uma economia com mentalidade de funcionário público, com espírito de acomodação e dependência do Estado. Para o economista Fabio Giambiagi, 44, que lança neste final de semana o Livro "Raízes do atraso - As dez vacas sagradas que acorrentam o país", o Brasil "colhe o que plantou". Os desarranjos dos anos 80 e a Constituição de 1988 levaram à hiperinflação, ao endividamento e ao forte aumento da carga tributária. O resultado é o crescimento medíocre atual. O livro propõe duas idéias-força: 1) o país precisa caminhar para uma economia em que o bem-estar dependa do esforço, da criatividade e do êxito dos indivíduos, e não do apoio do governo; e 2) que o papel do Estado seja o de ajudar as pessoas a buscar esse êxito, e não apenas o de transferir renda. "O Brasil está se convertendo em um "show-case" de políticas sociais voltadas para o bem-estar de clientelas específicas", diz Giambiagi. "O elemento comum desses programas é que eles fornecem recursos públicos em troca de nada." O economista do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), ligado ao Ministério do Planejamento, defende mudanças nos programas e, evocando Mário Covas (1930-2001), defende um "choque de capitalismo" no Brasil. Leia entrevista à Folha:
FOLHA - No início de seu livro, o sr. cita Nelson Rodrigues: "Nada é mais cansativo do que tentar demonstrar o óbvio". O que é óbvio neste Brasil que não consegue crescer? FABIO GIAMBIAGI - Entre 1991 e 2006, o gasto público primário do governo central passou de 14% para 24% do PIB. Estamos falando de um aumento de gasto público de dez pontos percentuais em 15 anos, o que dá uma média de 0,7% do PIB por ano. O principal responsável pelo aumento foi o crescimento das despesas previdenciárias. De 2,5% do PIB em 1988 para quase 8% em 2006. Isso é triplamente dramático. Primeiro, pela magnitude do número em si. Estamos falando de uma variação de mais de 5% do PIB em 18 anos. Segundo, pelo fato de que aconteceu num momento em que a demografia nos favorecia, em que o número de pessoas idosas apenas estava começando a aumentar. E, terceiro, é um fenômeno do qual ninguém quer ouvir falar. Nós temos um mega, um maiúsculo problema macroeconômico, e todo mundo faz de conta que ele não existe.
Isso sim é que é capitalismo à brasileira 👍 👍
1/04/2007 - 17h45
Filha de ministro posa para a "Playboy" em oficina mecânica
da Folha Online
Acostumado a temas como superávit primário e CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira), o ministro Guido Mantega (Fazenda) terá de encarar um assunto bem diferente neste mês. Sua filha, Marina Mantega, 26, posou para a edição de abril da revista "Playboy".
Marina Mantega posou para a "Playboy"
A publicação masculina traz Marina, que é atriz e trabalha no mercado financeiro, de lingerie em uma oficina mecânica. Ela posou para a seção "Mulheres que Amamos" em uma réplica de um Mercerdes vermelho modelo SL do ano de 1952. O destaque ficou por conta do "sutiã 46" da atriz.
Marina, filha de Mantega e Lavínia Cardim (separados há duas décadas), já atuou no teatro e em breve estará nos cinemas, no filme "Anita Garibaldi - Guerreira da Liberdade". Estão no elenco Antonio Banderas e Letícia Spiller.
A edição de abril da "Playboy" traz na capa a BBB Fani Pacheco, que integrou o triângulo amoroso formado com Íris (Siri) e Diego (Alemão) no "Big Brother Brasil 7".
1/04/2007 - 17h45
Filha de ministro posa para a "Playboy" em oficina mecânica
da Folha Online
Acostumado a temas como superávit primário e CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira), o ministro Guido Mantega (Fazenda) terá de encarar um assunto bem diferente neste mês. Sua filha, Marina Mantega, 26, posou para a edição de abril da revista "Playboy".
Marina Mantega posou para a "Playboy"
A publicação masculina traz Marina, que é atriz e trabalha no mercado financeiro, de lingerie em uma oficina mecânica. Ela posou para a seção "Mulheres que Amamos" em uma réplica de um Mercerdes vermelho modelo SL do ano de 1952. O destaque ficou por conta do "sutiã 46" da atriz.
Marina, filha de Mantega e Lavínia Cardim (separados há duas décadas), já atuou no teatro e em breve estará nos cinemas, no filme "Anita Garibaldi - Guerreira da Liberdade". Estão no elenco Antonio Banderas e Letícia Spiller.
A edição de abril da "Playboy" traz na capa a BBB Fani Pacheco, que integrou o triângulo amoroso formado com Íris (Siri) e Diego (Alemão) no "Big Brother Brasil 7".