Para que o “Acorda Brasil” de certo não pode haver mudança de rota. Se isto acontecer a arrecadação será para mais do que o aplicado e as dimensões desta principalmente nas regiões mais pobres será de grande repercussão social, pois cada beneficiado é responsável no mínimo por mais de três pessoas.
Podemos aproveitar esta para desburocratizar e deduzirmos a quantidade de impostos, pois todas as deduções aparecerão para mais na arrecadação principal, desde que as deduções sejam agregadas ao salário. Quando digo ‘o salário’, estão incluídos aposentados e pensionistas.
O poder central deve governar para toda a nação. Não devemos permitir que uma parte localizada seja beneficiada. Temos que ter o dinheiro para suprir nossas necessidades. Chega de papo-furado!
Para se fazer tudo isto não é preciso mudar as normas do Banco Central, que é o que de melhor aconteceu nas ultimas décadas. O Brasil nunca esteve tão mal servido de moradia; nem mesmo no período anterior à introdução do FGTS. O poder central sempre foi um péssimo administrador dos bens da massa! Nossas cidades estão rodeadas de favelas, mas todo favelado tem uma conta no FGTS, só que para ele não há plano de moradia, às vezes fazem umas gaiolas remontadas. Sugiro que também o fundo de garantia seja incorporado ao salário.
O trabalhador brasileiro está sufocado. Basta verificar que 80% dos telefones fixos têm algum tipo de bloqueio; os celulares mais de 80% são pré-pagos. Só com isto já da para traçar o perfil financeiro, pois a miséria é tão grande que, por segurança, pagamos muito mais caro para nos comunicar e ainda temos a energia e a água. Basta pesquisar estes itens para termos o perfil da situação.
Todas as taxas foram globalizadas muitos produtos do dia-a-dia também o foram mas o salário mínimo é o mesmo, só porque os estados e municípios não têm condições de pagar. Então vamos criar estas condições. Não podemos é protelar mais, temos que enfrentar este problema.
Estamos pior que qualquer irracional. Eles cuidam de sua prole.
Ao adotar este método, estaremos dando trabalho a todo vapor à indústria por 20 anos no mínimo e desde já devemos preparar mais o trabalhador na área do comércio e serviços, pois a automação da indústria empregará cada vez menos. Não podemos barrar a evolução. Os países que mais empregam são os que a tecnologia está mais avançada, e ainda importam mão de obra estrangeira.
A visão de nossos governantes está 50 anos atrasada.
Há muito que não há partido que preencha nossas aspirações sem sectarismo.
Site: http://joaodopaulistao.spaces.live.com
(no site vc encontra todos os textos do “Acorda Brasil”)
Entre em debate, faça suas perguntas e de suas opiniões enviando um E-mail: [email protected] ou [email protected]
Acorda Brasil
Discussão (29 respostas)
cada beneficiado é responsável no mínimo por mais de três pessoas
O que quer dizer com cada beneficiado?
O poder central deve governar para toda a nação. Não devemos permitir que uma parte localizada seja beneficiada
E o que garante que alguém vai governar de forma altruísta, e sem necessidade de fazer alianças com qualquer tipo de poder?
Basta verificar que 80% dos telefones fixos têm algum tipo de bloqueio
Que tipos de bloqueios?
A visão de nossos governantes está 50 anos atrasada.
Cinquenta anos porquê?
Boa, Danilão!!!
Maldito método socrático. Desde um porrilhão de anos a.C fazendo estragos em raciocínios tortos!
Maldito método socrático. Desde um porrilhão de anos a.C fazendo estragos em raciocínios tortos!
no Painel da Folha...
Lorenzetti é Lula
Além da disposição para "assumir a bronca", Jorge Lorenzetti tem em comum com Delúbio Soares uma forte ligação pessoal com Lula, que está longe de se resumir aos churrascos preparados na Granja do Torto.
Ainda em 2003, Lorenzetti esteve com o presidente e pediu autorização para "resolver problemas" de uma ONG de Lurian em Santa Catarina. Lula deu sinal verde e o incumbiu de ser uma espécie de anjo da guarda da filha. Foi Lorenzetti quem conseguiu para Lurian, em novembro daquele ano, um emprego na One WG, agência de publicidade de Wilfredo Gomes. Outra empresa do publicitário, a Foco, ganhou a conta do Besc na mesma época. A diretoria do banco ocupada por Lorenzetti era a responsável pelas licitações.
Lorenzetti é Lula
Além da disposição para "assumir a bronca", Jorge Lorenzetti tem em comum com Delúbio Soares uma forte ligação pessoal com Lula, que está longe de se resumir aos churrascos preparados na Granja do Torto.
Ainda em 2003, Lorenzetti esteve com o presidente e pediu autorização para "resolver problemas" de uma ONG de Lurian em Santa Catarina. Lula deu sinal verde e o incumbiu de ser uma espécie de anjo da guarda da filha. Foi Lorenzetti quem conseguiu para Lurian, em novembro daquele ano, um emprego na One WG, agência de publicidade de Wilfredo Gomes. Outra empresa do publicitário, a Foco, ganhou a conta do Besc na mesma época. A diretoria do banco ocupada por Lorenzetti era a responsável pelas licitações.
Azevedo
O sistema de vassalagem do petismo
No PT, vigora o regime da vassalagem. Os Senhores jamais são atingidos. Antes, alguns vassalos são jogados às cobras, mesmo que sejam, também eles, cavaleiros de nobre estirpe na hierarquia petista. Vejam lá:
Ricardo Berzoini – Era coordenador da campanha de Lula. Caiu. E só caiu porque não tem como se explicar. Ao deixar o Palácio do Planalto, disse que as denúncias contra o PT são “graves” — Não diga. Mas quer que se investigue José Serra. Ele e Fernando Rodrigues. Além de presidente do PT, ele era o coordenador nacional da campanha de Lula. Ganhou a presidência do partido para instaurar nele uma nova moralidade, depois que a trinca José Genoino, Silvio Pereira e Delúbio Soares caiu. Ela está aí.
Hamilton Lacerda – coordenador da campanha de Mercadante. O candidato do PT ao governo de São Paulo negava qualquer interesse no assunto. Agora se sabe que seu homem forte foi quem negociou a entrevista com a IstoÉ. Leiam o que já escrevi aqui. A turma de candidato petista só entrou nessa história porque, originalmente, era ela quem estava sendo chantageada. E aí é chantagem mesmo: os bandidos queriam dinheiro para não dizer o que sabiam. Lacerda se vai. Mercadante acusa quebra de relação de confiança.
Freud Godoy – Ele se diz inocente, claro. Mas é exonerado. É o Gregório Fortunato da turma. Homem da estrita confiança de Lula. É acusado pelos petistas que foram pegos com a mão na massa — ou na grana. É um servo bem lá da base. Protege o Senhor dos senhores.
Osvaldo Bargas – Outro de absoluta confiança de Lula, desde o tempo de sindicato. Casado com a secretária particular do chefe. Assume a sua parte no imbróglio. Também protege o Senhor.
Jorge Lorenzetti – É um dos homens mais poderosos do lulo-petismo-cutismo. Capa preta da CUT, é o seu grande arrecadador. Pode, em minutos, mover uma máquina contra adversários que conta com uma rede espalhada em todo o país. Formalmente, estava subordinado, na campanha, a Berzoini. Mas tem vôo próprio. Pode furar a hierarquia para falar com o poderoso chefão a hora que quiser.
Expedito Afonso Veloso - Diretor do Banco do Brasil. É um tipo comum no petismo. Pertence a certa elite do funcionalismo público ou das estatais que ajuda a fabricar dossiês. Essa gente está em todos os lugares: Executivo, Legislativo, Judiciário, fundos de pensão. Sai, como todos, admitindo a sua culpa, mas se dizendo inocente. Quando Lula cair, esse pessoal vai dar trabalho.
O sistema de vassalagem do petismo
No PT, vigora o regime da vassalagem. Os Senhores jamais são atingidos. Antes, alguns vassalos são jogados às cobras, mesmo que sejam, também eles, cavaleiros de nobre estirpe na hierarquia petista. Vejam lá:
Ricardo Berzoini – Era coordenador da campanha de Lula. Caiu. E só caiu porque não tem como se explicar. Ao deixar o Palácio do Planalto, disse que as denúncias contra o PT são “graves” — Não diga. Mas quer que se investigue José Serra. Ele e Fernando Rodrigues. Além de presidente do PT, ele era o coordenador nacional da campanha de Lula. Ganhou a presidência do partido para instaurar nele uma nova moralidade, depois que a trinca José Genoino, Silvio Pereira e Delúbio Soares caiu. Ela está aí.
Hamilton Lacerda – coordenador da campanha de Mercadante. O candidato do PT ao governo de São Paulo negava qualquer interesse no assunto. Agora se sabe que seu homem forte foi quem negociou a entrevista com a IstoÉ. Leiam o que já escrevi aqui. A turma de candidato petista só entrou nessa história porque, originalmente, era ela quem estava sendo chantageada. E aí é chantagem mesmo: os bandidos queriam dinheiro para não dizer o que sabiam. Lacerda se vai. Mercadante acusa quebra de relação de confiança.
Freud Godoy – Ele se diz inocente, claro. Mas é exonerado. É o Gregório Fortunato da turma. Homem da estrita confiança de Lula. É acusado pelos petistas que foram pegos com a mão na massa — ou na grana. É um servo bem lá da base. Protege o Senhor dos senhores.
Osvaldo Bargas – Outro de absoluta confiança de Lula, desde o tempo de sindicato. Casado com a secretária particular do chefe. Assume a sua parte no imbróglio. Também protege o Senhor.
Jorge Lorenzetti – É um dos homens mais poderosos do lulo-petismo-cutismo. Capa preta da CUT, é o seu grande arrecadador. Pode, em minutos, mover uma máquina contra adversários que conta com uma rede espalhada em todo o país. Formalmente, estava subordinado, na campanha, a Berzoini. Mas tem vôo próprio. Pode furar a hierarquia para falar com o poderoso chefão a hora que quiser.
Expedito Afonso Veloso - Diretor do Banco do Brasil. É um tipo comum no petismo. Pertence a certa elite do funcionalismo público ou das estatais que ajuda a fabricar dossiês. Essa gente está em todos os lugares: Executivo, Legislativo, Judiciário, fundos de pensão. Sai, como todos, admitindo a sua culpa, mas se dizendo inocente. Quando Lula cair, esse pessoal vai dar trabalho.
Impugnação moral e jurídica
MIGUEL REALE JÚNIOR
Resta, antes da impugnação jurídica, que pode se seguir à eleição, a impugnação eleitoral de Lula, sem moral para nos governar
A FORÇA intimidativa na sanção penal ou política busca refrear a reiteração do delito; a impunidade, pelo contrário, incentiva a praticar outro crime.
É o que se vê agora. Lula chefia um governo comprador sistemático de deputados, mas navega de braçadas nas pesquisas, convencido de que a "bolsa-voto" e a redução do preço do arroz apagam a consciência ética do povo brasileiro. Só essa dinâmica do comportamento delituoso pode explicar que pessoas de intimidade do presidente da República formem a quadrilha responsável pelo pagamento a um malandro por uma entrevista difamatória e mentirosa.
Assim, juntam-se Freud Godoy, figura-sombra de Lula desde 1980, que chegou a morar no Alvorada; Jorge Lorenzetti, churrasqueiro de Lula, comensal do Alvorada e protetor de membros da família do presidente; Oswaldo Bargas, secretário de Relações do Trabalho na gestão Berzoini e marido da secretária particular de Lula; e Berzoini, presidente do PT: a "cosa nostra" lulista.
Está tudo podre no reino de Lula. Pessoas de pouca classificação moral e profissional, íntimas do presidente, têm as rédeas ocultas do poder faz quatro anos. Pretendem a todo custo permanecer a comandar o país.
É patente o jogo sujo de pretender interferir no processo eleitoral por via da compra de acusações inverídicas a serem veiculadas pela imprensa, com impacto sobre o eleitorado.
É curioso notar que Lula, na quinta passada, dizia que 81% das investigações da PF, inclusive o caso sanguessuga, tinham origem no governo FHC, como que antecipando o que seria objeto da matéria da "IstoÉ".
A impugnação moral de Lula é obrigatória, mais ainda pela farsa de se mostrar indignado com a falcatrua industriada por pessoas de sua intimidade, por dirigentes de sua campanha e do PT, os únicos que poderiam amealhar quase R$ 2 milhões em efetivo para pagar os Vedoin, líderes dos sanguessugas.
Ao lado da impugnação moral, há a impugnação jurídica. Estabelece o art. 67, IV, da lei nº 9.100/96, que constitui crime divulgar fatos que se sabe inverídicos, distorcer informações sobre partido ou candidato de forma a influir na vontade do eleitor, sendo o delito agravado quando realizado por meio da imprensa.
Em obediência à Constituição Federal, que determina que se protejam a normalidade e a legitimidade das eleições contra a influência do poder econômico e político, a lei complementar nº 64/90, estatui, em seu artigo 19 e parágrafos, que, na preservação da legitimidade das eleições, pode-se impugnar uma candidatura se comprovados o abuso do poder econômico ou poder de autoridade ou a utilização indevida de veículos de comunicação social em benefício de candidato ou partido.
Além de íntimos, os artífices da trama pertenciam à campanha de Lula: Lorenzetti é chefe do núcleo da reeleição; Oswaldo Bargas é responsável pelo programa de governo do candidato Lula; Berzoini, coordenador da campanha e presidente do PT. Foi nessa condição que arquitetaram a entrevista falsa a órgão de comunicação, visando influir na vontade do eleitor. Por determinação da executiva do PT, houve a utilização de alta "quantia não contabilizada".
O crime e as graves infrações eleitorais de abuso do poder econômico e político estão, de início, caracterizados, tanto que o TSE determinou a abertura de processo contra Lula. Lembre-se, também, o abuso do poder de autoridade por ter sido a Polícia Federal orientada a mostrar dados do chamado "dossiê" para incutir a idéia da existência de fatos desairosos contra Serra e Alckmin, ao mesmo tempo em que não veiculou (como seria habitual) imagens dos presos em São Paulo e do dinheiro apreendido, o que constituiu tratamento desigual com a finalidade de interferir na legitimidade e normalidade do pleito, configurando-se conduta típica de abuso do poder político. O ministro da Justiça reconhece a proibição de imagens do dinheiro para não abalar as eleições.
A distribuição ao PT das cartilhas da Secretaria de Comunicações da Presidência já constituiria abuso do poder político. Abuso surgido na semana passada. Assim, a impugnação jurídica da candidatura Lula tem pleno cabimento, para resguardo da ordem constitucional.
Resta ao povo, antes da impugnação jurídica, que pode se seguir à eleição, tomar-se de indignação e promover a impugnação eleitoral de quem não tem condição moral para nos governar. Crie vergonha, Brasil.
--------------------------------------------------------------------------------
MIGUEL REALE JÚNIOR, 62, advogado, ex-ministro da Justiça (governo FHC), é professor titular da Faculdade de Direito da USP. Foi secretário da Segurança Pública (governo Montoro) e da Administração (governo Covas) do Estado de São Paulo. É presidente do comitê financeiro da campanha de Geraldo Alckmin (PSDB).
MIGUEL REALE JÚNIOR
Resta, antes da impugnação jurídica, que pode se seguir à eleição, a impugnação eleitoral de Lula, sem moral para nos governar
A FORÇA intimidativa na sanção penal ou política busca refrear a reiteração do delito; a impunidade, pelo contrário, incentiva a praticar outro crime.
É o que se vê agora. Lula chefia um governo comprador sistemático de deputados, mas navega de braçadas nas pesquisas, convencido de que a "bolsa-voto" e a redução do preço do arroz apagam a consciência ética do povo brasileiro. Só essa dinâmica do comportamento delituoso pode explicar que pessoas de intimidade do presidente da República formem a quadrilha responsável pelo pagamento a um malandro por uma entrevista difamatória e mentirosa.
Assim, juntam-se Freud Godoy, figura-sombra de Lula desde 1980, que chegou a morar no Alvorada; Jorge Lorenzetti, churrasqueiro de Lula, comensal do Alvorada e protetor de membros da família do presidente; Oswaldo Bargas, secretário de Relações do Trabalho na gestão Berzoini e marido da secretária particular de Lula; e Berzoini, presidente do PT: a "cosa nostra" lulista.
Está tudo podre no reino de Lula. Pessoas de pouca classificação moral e profissional, íntimas do presidente, têm as rédeas ocultas do poder faz quatro anos. Pretendem a todo custo permanecer a comandar o país.
É patente o jogo sujo de pretender interferir no processo eleitoral por via da compra de acusações inverídicas a serem veiculadas pela imprensa, com impacto sobre o eleitorado.
É curioso notar que Lula, na quinta passada, dizia que 81% das investigações da PF, inclusive o caso sanguessuga, tinham origem no governo FHC, como que antecipando o que seria objeto da matéria da "IstoÉ".
A impugnação moral de Lula é obrigatória, mais ainda pela farsa de se mostrar indignado com a falcatrua industriada por pessoas de sua intimidade, por dirigentes de sua campanha e do PT, os únicos que poderiam amealhar quase R$ 2 milhões em efetivo para pagar os Vedoin, líderes dos sanguessugas.
Ao lado da impugnação moral, há a impugnação jurídica. Estabelece o art. 67, IV, da lei nº 9.100/96, que constitui crime divulgar fatos que se sabe inverídicos, distorcer informações sobre partido ou candidato de forma a influir na vontade do eleitor, sendo o delito agravado quando realizado por meio da imprensa.
Em obediência à Constituição Federal, que determina que se protejam a normalidade e a legitimidade das eleições contra a influência do poder econômico e político, a lei complementar nº 64/90, estatui, em seu artigo 19 e parágrafos, que, na preservação da legitimidade das eleições, pode-se impugnar uma candidatura se comprovados o abuso do poder econômico ou poder de autoridade ou a utilização indevida de veículos de comunicação social em benefício de candidato ou partido.
Além de íntimos, os artífices da trama pertenciam à campanha de Lula: Lorenzetti é chefe do núcleo da reeleição; Oswaldo Bargas é responsável pelo programa de governo do candidato Lula; Berzoini, coordenador da campanha e presidente do PT. Foi nessa condição que arquitetaram a entrevista falsa a órgão de comunicação, visando influir na vontade do eleitor. Por determinação da executiva do PT, houve a utilização de alta "quantia não contabilizada".
O crime e as graves infrações eleitorais de abuso do poder econômico e político estão, de início, caracterizados, tanto que o TSE determinou a abertura de processo contra Lula. Lembre-se, também, o abuso do poder de autoridade por ter sido a Polícia Federal orientada a mostrar dados do chamado "dossiê" para incutir a idéia da existência de fatos desairosos contra Serra e Alckmin, ao mesmo tempo em que não veiculou (como seria habitual) imagens dos presos em São Paulo e do dinheiro apreendido, o que constituiu tratamento desigual com a finalidade de interferir na legitimidade e normalidade do pleito, configurando-se conduta típica de abuso do poder político. O ministro da Justiça reconhece a proibição de imagens do dinheiro para não abalar as eleições.
A distribuição ao PT das cartilhas da Secretaria de Comunicações da Presidência já constituiria abuso do poder político. Abuso surgido na semana passada. Assim, a impugnação jurídica da candidatura Lula tem pleno cabimento, para resguardo da ordem constitucional.
Resta ao povo, antes da impugnação jurídica, que pode se seguir à eleição, tomar-se de indignação e promover a impugnação eleitoral de quem não tem condição moral para nos governar. Crie vergonha, Brasil.
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MIGUEL REALE JÚNIOR, 62, advogado, ex-ministro da Justiça (governo FHC), é professor titular da Faculdade de Direito da USP. Foi secretário da Segurança Pública (governo Montoro) e da Administração (governo Covas) do Estado de São Paulo. É presidente do comitê financeiro da campanha de Geraldo Alckmin (PSDB).
azevedo
Manobra escandalosa. A oposição deve convocar a imprensa estrangeira
Agora é o novo coordenador político da campanha de Lula, Marco Aurélio Garcia, quem está falando em golpe. Em que ele consiste mesmo? Ah, claro, na tentativa das oposições de vencer as eleições, o que, sabemos, numa democracia, é coisa inaceitável. A OAB está acusando a Presidência da República de constranger a Polícia Federal. E está mesmo. A acusação dispensa provas. Márcio Thomaz Bastos já disse que não levará em conta o calendário eleitoral. Lendo ao contrário, como recomendaria Borges, ele está levando em conta o... calendário eleitoral. Vejam vocês: o FBI já fez a parte dele. A polícia federal americana já fez o que podia para nos ajudar. Agora, a coisa caiu no padrão brasileiro. Alckmin também soltou os cachorros na politização da PF. Faz muito bem. Os tucanos deveriam redigir uma carta aberta à nação, fazendo um balanço do caso. Chamem o Jimmy Carter, mesmo sendo meio petralha. Convoquem uma coletiva com a imprensa estrangeira. A manobra tem de ser denunciada. A PF já sabe a origem do dinheiro. Se ela prejudica o PT, o partido estará arcando com as conseqüências de seus atos
Manobra escandalosa. A oposição deve convocar a imprensa estrangeira
Agora é o novo coordenador político da campanha de Lula, Marco Aurélio Garcia, quem está falando em golpe. Em que ele consiste mesmo? Ah, claro, na tentativa das oposições de vencer as eleições, o que, sabemos, numa democracia, é coisa inaceitável. A OAB está acusando a Presidência da República de constranger a Polícia Federal. E está mesmo. A acusação dispensa provas. Márcio Thomaz Bastos já disse que não levará em conta o calendário eleitoral. Lendo ao contrário, como recomendaria Borges, ele está levando em conta o... calendário eleitoral. Vejam vocês: o FBI já fez a parte dele. A polícia federal americana já fez o que podia para nos ajudar. Agora, a coisa caiu no padrão brasileiro. Alckmin também soltou os cachorros na politização da PF. Faz muito bem. Os tucanos deveriam redigir uma carta aberta à nação, fazendo um balanço do caso. Chamem o Jimmy Carter, mesmo sendo meio petralha. Convoquem uma coletiva com a imprensa estrangeira. A manobra tem de ser denunciada. A PF já sabe a origem do dinheiro. Se ela prejudica o PT, o partido estará arcando com as conseqüências de seus atos
sensacional texto do azevedo. atenção para o destaque! 👍 👍
Dia D: Alckmin terá coragem de falar à boa gente conservadora?
Ao longo da campanha eleitoral, que está chegando ao fim — será apenas a do primeiro turno? —, deu para consolidar uma certeza: ou o adversário decifra Lula, denunciando-o, ou este o engole. Se Lula é uma esfinge, não tem segredo nenhum. Sua força eleitoral está ancorada no assistencialismo desbragado — que tenha votos entre universitários é compreensível por razões outras — e numa monumental, inédita até mesmo para os padrões brasileiros, cara-de-pau.
O que se viu na sua entrevista à TV Record ontem o demonstra à farta. Como se fosse um qualquer, sem compromisso com os fatos em curso, aproveitou para alimentar teorias conspiratórios: “Tenho a impressão que tem jogada política aí”. Ele se referia ao pedido de prisão preventiva de seis dos petistas envolvidos no escândalo do dossiê. Não parecia falar o chefe da Polícia Federal, que hoje omite dados. Não parecia falar o chefe dos “aloprados”. Não é loucura, mas método. Essa é e sempre foi a prática petista. Desde que estourou o caso Lubeca — quem ainda se lembra? Vale uma pesquisa. Acuado, o partido ataca. E grita como se fosse vítima. O PT ainda é monopolista do poder da vítima.
Alckmin sabe — espero que saiba — que tem no debate desta noite da TV Globo a sua última chance de tentar o segundo turno. Se Lula não for, “final força é pisar com violência”. Se for, idem. Qualquer sombra de acomodação ou de respeito reverencial pelo presidente (quando quem estará lá — se estiver — será o candidato), e o tucano pode pegar o chapéu e ir para casa. E seu eleitorado que vá às urnas, mas para fazer um quase voto de protesto.
A propaganda na TV nesta terça-feira, por exemplo, voltou a ficar com aquele sotaque produtivista-burocrático que a vinha caracterizando antes de explodir mais este escândalo. Um caso anterior, denunciado pela Veja, igualmente grave, nem mesmo vinha sendo devidamente explorado: as cartilhas. Mesmo nesta história escabrosa de agora, o programa tucano nitidamente esperou para pegar carona na cobertura jornalística, que se deu conta da enormidade do fato. Não custa lembrar que, dias antes, uma carta de FHC praticamente antevia a barbárie — embora falasse quase sempre em tese. Foi mal recebida por parte da cúpula tucana.
Não estou certo, em suma, de que todos os tucanos, entre o oportunismo e a ingenuidade, tenham a real dimensão do perigo que Lula representa. Que lhes faltava clareza de quais eram seus pontos fortes e fracos, disso não duvido. A campanha o evidenciou. Ora, é preciso ter coragem de fazer política e de chamar as coisas pelo nome. O PSDB terá?
No caderno temático sobre as mulheres, por exemplo, no capítulo que trata dos direitos reprodutivos, o PT evita a palavra “aborto”, mas não poderia ser mais claro: “O Estado e a legislação brasileira devem garantir o direito de decisão das mulheres sobre suas vidas e seus corpos. Para isso, é essencial promover as condições para o exercício da autonomia com garantia dos direitos sexuais e reprodutivos (...)” Fala também em "formular propostas de mudanças na legislação" e em "criar mecanismos nos serviços de saúde que favoreçam a autonomia das mulheres sobre seu corpo". Vale dizer: querem ampliar o direito ao aborto legal. O que será que a população pensa a respeito? O que Alckmin, médico e católico, acha disso? E Lula? Até Heloísa Helena, uma comunista cristã (?), consegue ser inequívoca sobre o assunto.
John Kerry perdeu a eleição para George W. Bush por vários motivos. O principal, entendo, foi a ambigüidade. Num debate — e, nos EUA, é debate mesmo, como escrevi aqui há dois dias, não essa extensão do horário eleitoral —, ambos foram indagados se eram favoráveis ou contrários ao aborto. Reparem: nem se tratava de discutir mudanças na legislação. Era um tema de princípio. Kerry, muito dialético, expressou o seu ponto de vista como católico (“contra”) e como homem de Estado (mais ou menos a favor, mas não muito...). A palavra passou para Bush, que se limitou a dizer: “Sou contra”. E fez um silêncio eloqüente. Ganhou a eleição. E a assertividade contra a ambigüidade se revelou em vários outros temas: fosse a guerra no Iraque, fosse o casamento gay.
É que os EUA, vocês sabem, são uma democracia atrasada, que todos aprendemos a desprezar. Há lá um povinho chinfrim, que gosta de debater temas irrelevantes. Por isso os americanos vivem naquela pindaíba. Já o Brasil, onde viceja uma cultura realmente superior, onde, como diria GilBetti Gil, essas questões de ética têm menas relevância, os políticos podem se dar o luxo de debater macroeconomia com desdentados.
Vá lá, Alckmin. Vá e fale aos homens de bem. À boa e decente gente conservadora do Brasil. Fale à maioria silenciosa que ainda não é maioria eleitoral porque não encontra quem a represente. Você tem coragem para isso?
Dia D: Alckmin terá coragem de falar à boa gente conservadora?
Ao longo da campanha eleitoral, que está chegando ao fim — será apenas a do primeiro turno? —, deu para consolidar uma certeza: ou o adversário decifra Lula, denunciando-o, ou este o engole. Se Lula é uma esfinge, não tem segredo nenhum. Sua força eleitoral está ancorada no assistencialismo desbragado — que tenha votos entre universitários é compreensível por razões outras — e numa monumental, inédita até mesmo para os padrões brasileiros, cara-de-pau.
O que se viu na sua entrevista à TV Record ontem o demonstra à farta. Como se fosse um qualquer, sem compromisso com os fatos em curso, aproveitou para alimentar teorias conspiratórios: “Tenho a impressão que tem jogada política aí”. Ele se referia ao pedido de prisão preventiva de seis dos petistas envolvidos no escândalo do dossiê. Não parecia falar o chefe da Polícia Federal, que hoje omite dados. Não parecia falar o chefe dos “aloprados”. Não é loucura, mas método. Essa é e sempre foi a prática petista. Desde que estourou o caso Lubeca — quem ainda se lembra? Vale uma pesquisa. Acuado, o partido ataca. E grita como se fosse vítima. O PT ainda é monopolista do poder da vítima.
Alckmin sabe — espero que saiba — que tem no debate desta noite da TV Globo a sua última chance de tentar o segundo turno. Se Lula não for, “final força é pisar com violência”. Se for, idem. Qualquer sombra de acomodação ou de respeito reverencial pelo presidente (quando quem estará lá — se estiver — será o candidato), e o tucano pode pegar o chapéu e ir para casa. E seu eleitorado que vá às urnas, mas para fazer um quase voto de protesto.
A propaganda na TV nesta terça-feira, por exemplo, voltou a ficar com aquele sotaque produtivista-burocrático que a vinha caracterizando antes de explodir mais este escândalo. Um caso anterior, denunciado pela Veja, igualmente grave, nem mesmo vinha sendo devidamente explorado: as cartilhas. Mesmo nesta história escabrosa de agora, o programa tucano nitidamente esperou para pegar carona na cobertura jornalística, que se deu conta da enormidade do fato. Não custa lembrar que, dias antes, uma carta de FHC praticamente antevia a barbárie — embora falasse quase sempre em tese. Foi mal recebida por parte da cúpula tucana.
Não estou certo, em suma, de que todos os tucanos, entre o oportunismo e a ingenuidade, tenham a real dimensão do perigo que Lula representa. Que lhes faltava clareza de quais eram seus pontos fortes e fracos, disso não duvido. A campanha o evidenciou. Ora, é preciso ter coragem de fazer política e de chamar as coisas pelo nome. O PSDB terá?
No caderno temático sobre as mulheres, por exemplo, no capítulo que trata dos direitos reprodutivos, o PT evita a palavra “aborto”, mas não poderia ser mais claro: “O Estado e a legislação brasileira devem garantir o direito de decisão das mulheres sobre suas vidas e seus corpos. Para isso, é essencial promover as condições para o exercício da autonomia com garantia dos direitos sexuais e reprodutivos (...)” Fala também em "formular propostas de mudanças na legislação" e em "criar mecanismos nos serviços de saúde que favoreçam a autonomia das mulheres sobre seu corpo". Vale dizer: querem ampliar o direito ao aborto legal. O que será que a população pensa a respeito? O que Alckmin, médico e católico, acha disso? E Lula? Até Heloísa Helena, uma comunista cristã (?), consegue ser inequívoca sobre o assunto.
John Kerry perdeu a eleição para George W. Bush por vários motivos. O principal, entendo, foi a ambigüidade. Num debate — e, nos EUA, é debate mesmo, como escrevi aqui há dois dias, não essa extensão do horário eleitoral —, ambos foram indagados se eram favoráveis ou contrários ao aborto. Reparem: nem se tratava de discutir mudanças na legislação. Era um tema de princípio. Kerry, muito dialético, expressou o seu ponto de vista como católico (“contra”) e como homem de Estado (mais ou menos a favor, mas não muito...). A palavra passou para Bush, que se limitou a dizer: “Sou contra”. E fez um silêncio eloqüente. Ganhou a eleição. E a assertividade contra a ambigüidade se revelou em vários outros temas: fosse a guerra no Iraque, fosse o casamento gay.
É que os EUA, vocês sabem, são uma democracia atrasada, que todos aprendemos a desprezar. Há lá um povinho chinfrim, que gosta de debater temas irrelevantes. Por isso os americanos vivem naquela pindaíba. Já o Brasil, onde viceja uma cultura realmente superior, onde, como diria GilBetti Gil, essas questões de ética têm menas relevância, os políticos podem se dar o luxo de debater macroeconomia com desdentados.
Vá lá, Alckmin. Vá e fale aos homens de bem. À boa e decente gente conservadora do Brasil. Fale à maioria silenciosa que ainda não é maioria eleitoral porque não encontra quem a represente. Você tem coragem para isso?
mais um kit de primeiros socorros e selo pedágio... 😡
Companhias de TI preparam-se para instalar chip em veículos
André Borges
04/10/2006
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Na tarde de ontem, um grupo de executivos e especialistas em tecnologia trancaram-se mais uma vez em uma das salas do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), em Brasília, para levar adiante uma discussão que deve se intensificar nos próximos dias. Até o fim de novembro, o governo tem que definir o padrão tecnológico que irá orientar a instalação de "etiquetas inteligentes" em carros de todo o país. No momento, diz o presidente da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), Roberto Scaringella, falta apenas o Conselho Nacional de Trânsito (Contran) regulamentar a obrigatoriedade do sistema.
Por trás do projeto está a possibilidade de aprimorar a gestão do trânsito, monitorar carros que tenham sido roubados e ampliar o controle fiscal de veículos em situação irregular, com atraso de multas, IPVA e seguro obrigatório, por exemplo. Os benefícios são claros, defende Scaringella. Mas as tecnologias para chegar até lá, nem tanto, um impasse que tem mexido com os principais fornecedores do setor.
De um lado estão as chamadas "etiquetas passivas", um microchip simples que não carrega bateria e é ativado apenas quando cruza por antenas, em um raio de aproximadamente oito metros. "Cada etiqueta dessa custa cerca de R$ 1. Esse baixo custo possibilita a sua implementação em larga escala", comenta Fernando Claro, vice-presidente de operações da Seal Sistemas, especializada em tecnologias de radiofrequência.
Do outro lado estão as "etiquetas ativas", que carregam bateria e têm capacidade própria de processamento. Trata-se do recurso usado no projeto "Sem Parar", dos pedágios rodoviários. "Nosso produto oferece mais segurança, e foi criado para esse tipo de aplicação", defende Eduardo Coutinho, gerente geral da Q-Free no Brasil, empresa de origem norueguesa que já vendeu 750 mil etiquetas inteligentes para o pedágio eletrônico. A dificuldade da Q-Free, no entanto, está no preço de seu produto: cerca de R$ 25.
Com fábrica local desde 2003 e US$ 4 milhões investidos na unidade brasileira, a Q-Free pode investir "bem mais", caso a sua tecnologia seja a escolhida, diz o gerente geral da subsidiária. De outra forma, nada será feito.
Mas não é isso o que espera a brasileira Compsis Computadores e Sistemas, que trabalha com um software para etiquetas passivas, usando antenas e chips importados da Ásia. Posição similar é adotada pela Enternet Informática, integradora de sistemas que investiu US$ 500 mil em uma unidade de sistemas de radiofreqüência só para atender os projetos viários. "Queremos vender 500 mil etiquetas até o fim de 2007", afirma o diretor da Enternet, Sinésio Franco Fernandes.
Enquanto o governo federal não define um padrão, prefeituras se movimentam para tentar se livrar dos custos de adoção da tecnologia, uma vez que a idéia do governo é não repassar esse ônus para o cidadão, embora isso já venha ocorrendo. Em São Paulo, o prefeito Gilberto Kassab procura trabalhar em um projeto de parceria público-privada para disponibilizar as etiquetas ao cidadão. "Estamos esperando a definição. Só então poderemos aumentar a dimensão do que vem sendo testado", diz o prefeito, referindo ao projeto em execução no bairro dos Jardins, com cerca de 500 veículos.
Com a regulamentação da lei, a prefeitura irá não só oferecer mais segurança para o motorista e ter melhor gerenciamento do tráfego, mas também monitorar de perto a frota de 1,7 milhão de veículos que circulam pela capital, dos quais 30% possuem algum tipo de pagamento em atraso. Em um cálculo rápido, diz Roberto Scaringella, presidente da CET, a prefeitura está deixando de receber cerca de R$ 1,7 bilhão. "É inegável que, se conseguirmos baixar esse índice, já conseguimos pagar todo o projeto", diz.
A avaliação de Scaringella, de certa forma, corrobora com o que defende o gerente geral da Q-Free no Brasil, Eduardo Coutinho: "Não podemos negar que o valor de um chip de R$ 25,00 é bem inferior ao de um IPVA", afirma.
Companhias de TI preparam-se para instalar chip em veículos
André Borges
04/10/2006
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Na tarde de ontem, um grupo de executivos e especialistas em tecnologia trancaram-se mais uma vez em uma das salas do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), em Brasília, para levar adiante uma discussão que deve se intensificar nos próximos dias. Até o fim de novembro, o governo tem que definir o padrão tecnológico que irá orientar a instalação de "etiquetas inteligentes" em carros de todo o país. No momento, diz o presidente da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), Roberto Scaringella, falta apenas o Conselho Nacional de Trânsito (Contran) regulamentar a obrigatoriedade do sistema.
Por trás do projeto está a possibilidade de aprimorar a gestão do trânsito, monitorar carros que tenham sido roubados e ampliar o controle fiscal de veículos em situação irregular, com atraso de multas, IPVA e seguro obrigatório, por exemplo. Os benefícios são claros, defende Scaringella. Mas as tecnologias para chegar até lá, nem tanto, um impasse que tem mexido com os principais fornecedores do setor.
De um lado estão as chamadas "etiquetas passivas", um microchip simples que não carrega bateria e é ativado apenas quando cruza por antenas, em um raio de aproximadamente oito metros. "Cada etiqueta dessa custa cerca de R$ 1. Esse baixo custo possibilita a sua implementação em larga escala", comenta Fernando Claro, vice-presidente de operações da Seal Sistemas, especializada em tecnologias de radiofrequência.
Do outro lado estão as "etiquetas ativas", que carregam bateria e têm capacidade própria de processamento. Trata-se do recurso usado no projeto "Sem Parar", dos pedágios rodoviários. "Nosso produto oferece mais segurança, e foi criado para esse tipo de aplicação", defende Eduardo Coutinho, gerente geral da Q-Free no Brasil, empresa de origem norueguesa que já vendeu 750 mil etiquetas inteligentes para o pedágio eletrônico. A dificuldade da Q-Free, no entanto, está no preço de seu produto: cerca de R$ 25.
Com fábrica local desde 2003 e US$ 4 milhões investidos na unidade brasileira, a Q-Free pode investir "bem mais", caso a sua tecnologia seja a escolhida, diz o gerente geral da subsidiária. De outra forma, nada será feito.
Mas não é isso o que espera a brasileira Compsis Computadores e Sistemas, que trabalha com um software para etiquetas passivas, usando antenas e chips importados da Ásia. Posição similar é adotada pela Enternet Informática, integradora de sistemas que investiu US$ 500 mil em uma unidade de sistemas de radiofreqüência só para atender os projetos viários. "Queremos vender 500 mil etiquetas até o fim de 2007", afirma o diretor da Enternet, Sinésio Franco Fernandes.
Enquanto o governo federal não define um padrão, prefeituras se movimentam para tentar se livrar dos custos de adoção da tecnologia, uma vez que a idéia do governo é não repassar esse ônus para o cidadão, embora isso já venha ocorrendo. Em São Paulo, o prefeito Gilberto Kassab procura trabalhar em um projeto de parceria público-privada para disponibilizar as etiquetas ao cidadão. "Estamos esperando a definição. Só então poderemos aumentar a dimensão do que vem sendo testado", diz o prefeito, referindo ao projeto em execução no bairro dos Jardins, com cerca de 500 veículos.
Com a regulamentação da lei, a prefeitura irá não só oferecer mais segurança para o motorista e ter melhor gerenciamento do tráfego, mas também monitorar de perto a frota de 1,7 milhão de veículos que circulam pela capital, dos quais 30% possuem algum tipo de pagamento em atraso. Em um cálculo rápido, diz Roberto Scaringella, presidente da CET, a prefeitura está deixando de receber cerca de R$ 1,7 bilhão. "É inegável que, se conseguirmos baixar esse índice, já conseguimos pagar todo o projeto", diz.
A avaliação de Scaringella, de certa forma, corrobora com o que defende o gerente geral da Q-Free no Brasil, Eduardo Coutinho: "Não podemos negar que o valor de um chip de R$ 25,00 é bem inferior ao de um IPVA", afirma.
azevedo
Maluf atesta honestidade de Lula. Que alívio!
E quem é que parece dando atestado de honestidade a Lula depois de Fernando Collor de Mello? Ninguém menos do que Paulo Maluf, o deputado mais votado do Brasil. É isso aí. Lula tem despertado as afinidades eletivas as mais significativas. Cuidado, hein, Maluf: Deldim Netto, desde o fim da ditadura, tinha uma cadeira cativa na Câmara. Foi grudar em Lula, e adeus, mandato. Aliás, é isso aí. Espero que aconteça o mesmo com Maluf. Que se junte a Lula. E que ambos se afoguem.
Maluf atesta honestidade de Lula. Que alívio!
E quem é que parece dando atestado de honestidade a Lula depois de Fernando Collor de Mello? Ninguém menos do que Paulo Maluf, o deputado mais votado do Brasil. É isso aí. Lula tem despertado as afinidades eletivas as mais significativas. Cuidado, hein, Maluf: Deldim Netto, desde o fim da ditadura, tinha uma cadeira cativa na Câmara. Foi grudar em Lula, e adeus, mandato. Aliás, é isso aí. Espero que aconteça o mesmo com Maluf. Que se junte a Lula. E que ambos se afoguem.
azevedo, não deixe de ler.
Existe demônio também na política
Um cristão acredita em Deus, claro, mas sabe, como reafirmou o papa João Paulo 2º, que o demônio existe. O que é matéria de crença pode encontrar plena correspondência numa mentalidade agnóstica. Deus é a convicção, o princípio, o norte moral; o demônio é frouxidão da vontade, a ausência de limites, o relativismo sobre todas as coisas. Um cristão sabe que a manifestação mais clara do demônio — e, por favor, eliminem da imaginação aquela bobagens de possessão à moda do filme O Exorcista — é aquela que o leva a duvidar de si mesmo, dos seus valores; que põe uma névoa sobre os seus olhos e o impede de distinguir o certo do errado, porque, afinal, o certo de um sempre será o errado de outro, e vice-versa, e, enfim, tudo seria uma questão de ponto-de-vista.
Na política, também existe o demônio — para tristeza (ou felicidade, sei lá) de Marilena Chaui e de Emir Sader. Ele converte em fel todas as conquistas da democracia, que passam a ser encaradas, então, como marcos a serem superados em nome de um bem maior, que chamam a “redenção dos oprimidos”. Hoje li um texto de Sader, que me foi enviado por um amigo. Ali, um professor, alguém que carrega o título de cientista social, mente sem receios: diz que, se eleito, Alckmin vai privatizar a Petrobras e o Banco do Brasil. Infelizmente, trata-se de uma mentira. Infelizmente, o país sofrerá muito até que se evidencie essa necessidade. O homem aplaude todas as conquistas do governo Lula, com especial ênfase para o que considera a retomada do Mercosul. Penso nos crentes que o lêem, que acabam acreditando naquilo...
É o Mal. No texto de Sader, peça de resistência do petismo, de que Marta Suplicy já faz proselitismo nas ruas de São Paulo, todos os escândalos havidos são uma trama dos inimigos. Nada aconteceu. A história se passa num outro plano, que não este que reconhecemos. Haveria uma luta entre duas essencialidades: o projeto popular, que Lula encarnaria, e o outro, o das elites entreguistas, que querem subordinar o Brasil à lógica do capital — como se hoje vivêssemos à margem. É, claro!, um ponto-de-vista, mas que precisa se ancorar na farsa, em dados que não existem. Ou, então, não se sustenta. E que só encontra eco entre os admiradores porque certamente compartilham da ignorância que ele tem ou finge ter.
O mal é sempre sedutor. Aparecesse aos que são alvos da tentação com sua vestimenta real, não atrairia ninguém para o covil. Imaginem se Sader ou Marilena resolvessem lembrar os milhões de mortos de sua crença, de sua ideologia, para que eles pudessem chegar até aqui, em 2006, repetindo aqueles mesmos mantras. O interessante dessa gente é que eles não têm nunca um passado a oferecer como guia. Suas teses só têm futuro. O mundo que nos oferecem como alternativa nunca existiu, mas existirá um dia, desde que paguemos um preço.
Nós, os que acreditamos no individualismo radical; os que não suportamos que o demônio do Estado venha nos dizer o que fazer e o que não fazer; os que não acatamos as “imbecilidades coletivas” (by Olavo de Carvalho); os que não reconhecemos a autoridade da manada; os que não aceitamos o argumento da autoridade do social sobre a autoridade moral; os que não acatamos que leis democraticamente votadas sejam sacrificadas por causa da gritaria de minorias influentes, nós temos o dever de resistir, de ir para a guerra de valores, de acusar o golpismo dessa gente nefasta. E temos de mobilizar outros indivíduos como nós, neste exército sem quartel, nesta religião sem templo, que é a liberdade individual, que eles tentam sufocar, seja com a caridade que esmaga, seja com a patrulha que silencia.
Sim, é preciso ter em relação a essa gente uma ira verdadeiramente santa. Santa, pacífica e absolutamente intransigente. A ninguém foi dado, por Deus ou pelos homens (cada um segundo a sua escolha), de conquistar o Bem por meio do Mal. Se vocês repararem, eles reivindicam dois monopólios: tanto o de pecar como o de pedir perdão. Seja pecar contra Deus (para os crentes), seja pecar contra a cidadania. Eles têm de ir embora.
Se não agora, quando?
Existe demônio também na política
Um cristão acredita em Deus, claro, mas sabe, como reafirmou o papa João Paulo 2º, que o demônio existe. O que é matéria de crença pode encontrar plena correspondência numa mentalidade agnóstica. Deus é a convicção, o princípio, o norte moral; o demônio é frouxidão da vontade, a ausência de limites, o relativismo sobre todas as coisas. Um cristão sabe que a manifestação mais clara do demônio — e, por favor, eliminem da imaginação aquela bobagens de possessão à moda do filme O Exorcista — é aquela que o leva a duvidar de si mesmo, dos seus valores; que põe uma névoa sobre os seus olhos e o impede de distinguir o certo do errado, porque, afinal, o certo de um sempre será o errado de outro, e vice-versa, e, enfim, tudo seria uma questão de ponto-de-vista.
Na política, também existe o demônio — para tristeza (ou felicidade, sei lá) de Marilena Chaui e de Emir Sader. Ele converte em fel todas as conquistas da democracia, que passam a ser encaradas, então, como marcos a serem superados em nome de um bem maior, que chamam a “redenção dos oprimidos”. Hoje li um texto de Sader, que me foi enviado por um amigo. Ali, um professor, alguém que carrega o título de cientista social, mente sem receios: diz que, se eleito, Alckmin vai privatizar a Petrobras e o Banco do Brasil. Infelizmente, trata-se de uma mentira. Infelizmente, o país sofrerá muito até que se evidencie essa necessidade. O homem aplaude todas as conquistas do governo Lula, com especial ênfase para o que considera a retomada do Mercosul. Penso nos crentes que o lêem, que acabam acreditando naquilo...
É o Mal. No texto de Sader, peça de resistência do petismo, de que Marta Suplicy já faz proselitismo nas ruas de São Paulo, todos os escândalos havidos são uma trama dos inimigos. Nada aconteceu. A história se passa num outro plano, que não este que reconhecemos. Haveria uma luta entre duas essencialidades: o projeto popular, que Lula encarnaria, e o outro, o das elites entreguistas, que querem subordinar o Brasil à lógica do capital — como se hoje vivêssemos à margem. É, claro!, um ponto-de-vista, mas que precisa se ancorar na farsa, em dados que não existem. Ou, então, não se sustenta. E que só encontra eco entre os admiradores porque certamente compartilham da ignorância que ele tem ou finge ter.
O mal é sempre sedutor. Aparecesse aos que são alvos da tentação com sua vestimenta real, não atrairia ninguém para o covil. Imaginem se Sader ou Marilena resolvessem lembrar os milhões de mortos de sua crença, de sua ideologia, para que eles pudessem chegar até aqui, em 2006, repetindo aqueles mesmos mantras. O interessante dessa gente é que eles não têm nunca um passado a oferecer como guia. Suas teses só têm futuro. O mundo que nos oferecem como alternativa nunca existiu, mas existirá um dia, desde que paguemos um preço.
Nós, os que acreditamos no individualismo radical; os que não suportamos que o demônio do Estado venha nos dizer o que fazer e o que não fazer; os que não acatamos as “imbecilidades coletivas” (by Olavo de Carvalho); os que não reconhecemos a autoridade da manada; os que não aceitamos o argumento da autoridade do social sobre a autoridade moral; os que não acatamos que leis democraticamente votadas sejam sacrificadas por causa da gritaria de minorias influentes, nós temos o dever de resistir, de ir para a guerra de valores, de acusar o golpismo dessa gente nefasta. E temos de mobilizar outros indivíduos como nós, neste exército sem quartel, nesta religião sem templo, que é a liberdade individual, que eles tentam sufocar, seja com a caridade que esmaga, seja com a patrulha que silencia.
Sim, é preciso ter em relação a essa gente uma ira verdadeiramente santa. Santa, pacífica e absolutamente intransigente. A ninguém foi dado, por Deus ou pelos homens (cada um segundo a sua escolha), de conquistar o Bem por meio do Mal. Se vocês repararem, eles reivindicam dois monopólios: tanto o de pecar como o de pedir perdão. Seja pecar contra Deus (para os crentes), seja pecar contra a cidadania. Eles têm de ir embora.
Se não agora, quando?
Artigo: Reinaldo Azevedo
Governante bom
é governante chato
"Precisamos de governantes chatos como Fortimbrás, não de cretinos animados como Hamlet. Precisamos de despachantes das instituições que façam prevalecer a lei a despeito de suas inclinações emocionais, não de quem sacrifique a legalidade sob o pretexto de praticar a igualdade"
Em política, como na vida, o irracionalismo, o discurso emocional, é a ante-sala do crime e da tragédia. Faça-se a leitura que se quiser de Hamlet, de Shakespeare, por exemplo, e uma constatação é inescapável: o príncipe era um idiota dado a faniquitos. Sua obsessão em denunciar o tio supostamente regicida ignora estratégias. Polônio, que tenta lhe incutir algum senso de razão, acaba assassinado acidentalmente pelo jovem estabanado. É o primeiro da carnificina promovida pelo justiceiro. Perseguido pelo fantasma do pai, põe fim a uma dinastia. Hamlet se deixava envenenar pelas palavras, pela imaginação, pela alegoria: quando quer denunciar o tio, recorre a uma peça de teatro. Consumada a desgraça, a Dinamarca será governada por Fortimbrás, o príncipe norueguês, avesso ao temperamento do primo doidivanas: é resoluto, maduro, realista e objetivo. Seu reinado não renderia tragédias. É provável que obedecesse a uma rotina burocrática, pastosa e quase cartorial.
Acervo pessoal
Getúlio Vargas: seu testamento e sua despedida são os "Evangelhos" da política como miséria da razão
Precisamos de governantes chatos como Fortimbrás, não de cretinos animados como Hamlet. Precisamos de despachantes das instituições que façam prevalecer a lei a despeito de suas inclinações emocionais, não de quem sacrifique a legalidade sob o pretexto de praticar a igualdade. Nota à margem: o intelectual italiano Norberto Bobbio contribuiu de forma notável para o pensamento liberal, mas escreveu uma bobagem pouco antes de morrer. Disse que a esquerda se ocupa da justiça social e que a direita defende o statu quo. Tolice. Esquerdista é quem aceita sacrificar a legalidade em nome de um entendimento particular de justiça social, e direitista – a direita legalista – é quem entende que só pode haver justiça onde há respeito à lei democraticamente votada.
Lula não é um adolescente esguio e delirante. Mas não dispensa a fantasia. Dia desses, num comício em Goiânia, confundindo o espírito de porco do messianismo com uma manifestação do Espírito Santo, disse que seu sangue e suas células já estavam no meio do povo. Fiz o sinal-da-cruz contra essa transubstanciação macabra. Ele perdeu o primeiro turno em Goiás: nem sempre os eleitores reconhecem o messias a tempo, como nos revela o plebiscito mais famoso da história... Em outra ocasião, o Cristo pagão assumiu as virtudes visionárias de Tiradentes: sugeriu que queriam enforcá-lo e esquartejá-lo. O homem tingia de sangue as suas cascatas alegóricas. Já se ofereceu como o pai complacente de todos os brasileiros, em especial dos petistas pegos em flagrante, os seus "meninos".
O irracionalismo costuma ser a rota de fuga dos políticos quando acossados pelos fatos. Quem for procurar um de seus primeiros discursos vai encontrar uma promessa solene: "Começamos a fazer o possível e, se der, vamos fazer até o impossível". Não seria difícil demonstrar que ele conseguiu inverter as prioridades... Depois de ouvir um dos delírios de Hamlet, o sempre ponderado Polônio observou: "É maluquice, mas tem método". O irracionalismo brasileiro começa a assumir características metódicas. Parte da academia e do jornalismo aplaudiu aquela fala insana – os mesmos que vaiavam FHC quando este dizia que a política realiza a "utopia do possível".
A resposta acéfala ao então presidente foi a seguinte: "Pô, mas o possível qualquer um faz; não precisa de um intelectual da Sorbonne". Na proposição está a saída para o Brasil – e para qualquer país – e, na estupidez da objeção, a sua tragédia. Imaginem se Hamlet tivesse se proposto a seguinte questão: "Como faço para depor o usurpador sem, no entanto, destruir o reino?". Se o fizesse, seria um sábio. Como não o fez, preferiu ser um santo, um mártir. Tanto é que pede a Horácio que não o siga na morte para narrar o que viu. Hamlet queria sair da vida para entrar na história, o bobalhão...
Durante ao menos duas décadas convivemos com uma expressão que era a chave de todos os enigmas: "vontade política". Bastava tê-la, e as águas se abririam. A Constituição de 1988, por exemplo, foi redigida sob a égide dessa impostura. O fato de haver uma história que a explique não fornece uma razão teórica que a justifique. A síntese prática da Carta poderia ser assim definida: com a "vontade política", garantem-se os direitos; com a retórica, os recursos. O texto constitucional incorporou o proselitismo contra a ditadura e pôs no papel um país ingovernável. E cá estamos nós, prestes a debater a terceira fase das reformas de um documento que ainda não tem 20 anos. E, ao fazê-lo, mais uma vez todo o estoque de irracionalismo será reciclado.
É esperar para ver: ai de quem tiver a ousadia de acusar o rombo na Previdência! A matemática será conjurada como uma trapaça ideológica das elites. A campanha eleitoral, arrastada pelo PT das páginas de política para as de polícia, está prestes a satanizar as privatizações do governo FHC. Pura tática de defesa. Servirá ao propósito de tentar ocultar crimes. Pterodáctilos ideológicos e oportunistas jogarão sobre as nossas cabeças expressões como "dilapidação do patrimônio público", "empresas vendidas a preço de banana", "entrega de nossas riquezas ao capital estrangeiro" etc. Pressionado pelas circunstâncias, lá vai o petismo regredir à palhoça mental em que se formou.
A política feita no Brasil como razão da miséria não poderia dar em outra coisa que não na miséria da razão. Há dois textos que servem de "Evangelho" a essa patacoada: a Carta-Testamento e a Carta de Despedida de Getúlio Vargas. Na primeira, acusa: "Mais uma vez, as forças e os interesses contra o povo coordenaram-se novamente e se desencadeiam sobre mim". Na outra, o mesmo tom de quem se prepara para ser o cordeiro do povo que tira os pecados do mundo: "Deixo à sanha dos meus inimigos o legado da minha morte. Levo o pesar de não haver podido fazer, por este bom e generoso povo brasileiro e principalmente pelos mais necessitados, todo o bem que pretendia". Na primeira carta, o plágio não poderia ser mais explícito ou escandaloso: "Eu vos dei a minha vida. Agora ofereço a minha morte". Se pudesse, teria escolhido a crucificação.
Poucos sabem: Getúlio também tinha o seu Horácio, aquele encarregado por Hamlet de narrar os eventos macabros. A Carta-Testamento foi redigida por um ghost-writer: José Soares Maciel Filho, que costumava escrever os seus discursos. Cartas de suicidas são uma fala sem lugar. Vejam este trecho: "Não me acusam, insultam; não me combatem, caluniam (...)". Há, aí, ao mesmo tempo, gradação e antítese, duas figuras retóricas. Que vaidade leva um cadáver adiado a cuidar do estilo? Vai ver Maciel caprichou de tal sorte na farsa que Getúlio foi obrigado a se matar só por uma questão de coerência narrativa...
Assim como Hamlet tinha visões, os assassinos da razão na política, mesmo quando suicidas, têm ou fingem delírios. Alguns dos clichês apontados pelo pensador francês Raoul Girardet no livro Mitos e Mitologias Políticas são empregados por Getúlio à farta nas duas cartas: ele queria oferecer ao povo a Idade do Ouro, propunha-se a ser seu salvador, mas a conspiração dos inimigos e das forças estrangeiras, alheias aos interesses da pátria, o impediu e o empurrou para o sacrifício. Essa mentalidade, ante-sala dos desastres institucionais, está sendo reciclada no Brasil mais de cinco décadas depois. Acreditem em mim: em política, os chatos são menos perigosos do que os intensos.
O resto é barulho.
Governante bom
é governante chato
"Precisamos de governantes chatos como Fortimbrás, não de cretinos animados como Hamlet. Precisamos de despachantes das instituições que façam prevalecer a lei a despeito de suas inclinações emocionais, não de quem sacrifique a legalidade sob o pretexto de praticar a igualdade"
Em política, como na vida, o irracionalismo, o discurso emocional, é a ante-sala do crime e da tragédia. Faça-se a leitura que se quiser de Hamlet, de Shakespeare, por exemplo, e uma constatação é inescapável: o príncipe era um idiota dado a faniquitos. Sua obsessão em denunciar o tio supostamente regicida ignora estratégias. Polônio, que tenta lhe incutir algum senso de razão, acaba assassinado acidentalmente pelo jovem estabanado. É o primeiro da carnificina promovida pelo justiceiro. Perseguido pelo fantasma do pai, põe fim a uma dinastia. Hamlet se deixava envenenar pelas palavras, pela imaginação, pela alegoria: quando quer denunciar o tio, recorre a uma peça de teatro. Consumada a desgraça, a Dinamarca será governada por Fortimbrás, o príncipe norueguês, avesso ao temperamento do primo doidivanas: é resoluto, maduro, realista e objetivo. Seu reinado não renderia tragédias. É provável que obedecesse a uma rotina burocrática, pastosa e quase cartorial.
Acervo pessoal
Getúlio Vargas: seu testamento e sua despedida são os "Evangelhos" da política como miséria da razão
Precisamos de governantes chatos como Fortimbrás, não de cretinos animados como Hamlet. Precisamos de despachantes das instituições que façam prevalecer a lei a despeito de suas inclinações emocionais, não de quem sacrifique a legalidade sob o pretexto de praticar a igualdade. Nota à margem: o intelectual italiano Norberto Bobbio contribuiu de forma notável para o pensamento liberal, mas escreveu uma bobagem pouco antes de morrer. Disse que a esquerda se ocupa da justiça social e que a direita defende o statu quo. Tolice. Esquerdista é quem aceita sacrificar a legalidade em nome de um entendimento particular de justiça social, e direitista – a direita legalista – é quem entende que só pode haver justiça onde há respeito à lei democraticamente votada.
Lula não é um adolescente esguio e delirante. Mas não dispensa a fantasia. Dia desses, num comício em Goiânia, confundindo o espírito de porco do messianismo com uma manifestação do Espírito Santo, disse que seu sangue e suas células já estavam no meio do povo. Fiz o sinal-da-cruz contra essa transubstanciação macabra. Ele perdeu o primeiro turno em Goiás: nem sempre os eleitores reconhecem o messias a tempo, como nos revela o plebiscito mais famoso da história... Em outra ocasião, o Cristo pagão assumiu as virtudes visionárias de Tiradentes: sugeriu que queriam enforcá-lo e esquartejá-lo. O homem tingia de sangue as suas cascatas alegóricas. Já se ofereceu como o pai complacente de todos os brasileiros, em especial dos petistas pegos em flagrante, os seus "meninos".
O irracionalismo costuma ser a rota de fuga dos políticos quando acossados pelos fatos. Quem for procurar um de seus primeiros discursos vai encontrar uma promessa solene: "Começamos a fazer o possível e, se der, vamos fazer até o impossível". Não seria difícil demonstrar que ele conseguiu inverter as prioridades... Depois de ouvir um dos delírios de Hamlet, o sempre ponderado Polônio observou: "É maluquice, mas tem método". O irracionalismo brasileiro começa a assumir características metódicas. Parte da academia e do jornalismo aplaudiu aquela fala insana – os mesmos que vaiavam FHC quando este dizia que a política realiza a "utopia do possível".
A resposta acéfala ao então presidente foi a seguinte: "Pô, mas o possível qualquer um faz; não precisa de um intelectual da Sorbonne". Na proposição está a saída para o Brasil – e para qualquer país – e, na estupidez da objeção, a sua tragédia. Imaginem se Hamlet tivesse se proposto a seguinte questão: "Como faço para depor o usurpador sem, no entanto, destruir o reino?". Se o fizesse, seria um sábio. Como não o fez, preferiu ser um santo, um mártir. Tanto é que pede a Horácio que não o siga na morte para narrar o que viu. Hamlet queria sair da vida para entrar na história, o bobalhão...
Durante ao menos duas décadas convivemos com uma expressão que era a chave de todos os enigmas: "vontade política". Bastava tê-la, e as águas se abririam. A Constituição de 1988, por exemplo, foi redigida sob a égide dessa impostura. O fato de haver uma história que a explique não fornece uma razão teórica que a justifique. A síntese prática da Carta poderia ser assim definida: com a "vontade política", garantem-se os direitos; com a retórica, os recursos. O texto constitucional incorporou o proselitismo contra a ditadura e pôs no papel um país ingovernável. E cá estamos nós, prestes a debater a terceira fase das reformas de um documento que ainda não tem 20 anos. E, ao fazê-lo, mais uma vez todo o estoque de irracionalismo será reciclado.
É esperar para ver: ai de quem tiver a ousadia de acusar o rombo na Previdência! A matemática será conjurada como uma trapaça ideológica das elites. A campanha eleitoral, arrastada pelo PT das páginas de política para as de polícia, está prestes a satanizar as privatizações do governo FHC. Pura tática de defesa. Servirá ao propósito de tentar ocultar crimes. Pterodáctilos ideológicos e oportunistas jogarão sobre as nossas cabeças expressões como "dilapidação do patrimônio público", "empresas vendidas a preço de banana", "entrega de nossas riquezas ao capital estrangeiro" etc. Pressionado pelas circunstâncias, lá vai o petismo regredir à palhoça mental em que se formou.
A política feita no Brasil como razão da miséria não poderia dar em outra coisa que não na miséria da razão. Há dois textos que servem de "Evangelho" a essa patacoada: a Carta-Testamento e a Carta de Despedida de Getúlio Vargas. Na primeira, acusa: "Mais uma vez, as forças e os interesses contra o povo coordenaram-se novamente e se desencadeiam sobre mim". Na outra, o mesmo tom de quem se prepara para ser o cordeiro do povo que tira os pecados do mundo: "Deixo à sanha dos meus inimigos o legado da minha morte. Levo o pesar de não haver podido fazer, por este bom e generoso povo brasileiro e principalmente pelos mais necessitados, todo o bem que pretendia". Na primeira carta, o plágio não poderia ser mais explícito ou escandaloso: "Eu vos dei a minha vida. Agora ofereço a minha morte". Se pudesse, teria escolhido a crucificação.
Poucos sabem: Getúlio também tinha o seu Horácio, aquele encarregado por Hamlet de narrar os eventos macabros. A Carta-Testamento foi redigida por um ghost-writer: José Soares Maciel Filho, que costumava escrever os seus discursos. Cartas de suicidas são uma fala sem lugar. Vejam este trecho: "Não me acusam, insultam; não me combatem, caluniam (...)". Há, aí, ao mesmo tempo, gradação e antítese, duas figuras retóricas. Que vaidade leva um cadáver adiado a cuidar do estilo? Vai ver Maciel caprichou de tal sorte na farsa que Getúlio foi obrigado a se matar só por uma questão de coerência narrativa...
Assim como Hamlet tinha visões, os assassinos da razão na política, mesmo quando suicidas, têm ou fingem delírios. Alguns dos clichês apontados pelo pensador francês Raoul Girardet no livro Mitos e Mitologias Políticas são empregados por Getúlio à farta nas duas cartas: ele queria oferecer ao povo a Idade do Ouro, propunha-se a ser seu salvador, mas a conspiração dos inimigos e das forças estrangeiras, alheias aos interesses da pátria, o impediu e o empurrou para o sacrifício. Essa mentalidade, ante-sala dos desastres institucionais, está sendo reciclada no Brasil mais de cinco décadas depois. Acreditem em mim: em política, os chatos são menos perigosos do que os intensos.
O resto é barulho.
Lula diz que Alckmin se comportou como "delegado de porta de cadeia"
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ANDREZA MATAIS
da Folha Online, em Brasília
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva --candidato do PT à reeleição-- disse nesta segunda-feira que ontem foi o dia mais triste da sua vida política, em referência ao debate com o seu adversário no segundo turno, o tucano Geraldo Alckmin, promovido pela TV Bandeirantes.
Lula disse que Alckmin, a quem chamou de "cidadão do samba de uma nota só", se comportou como um "delegado de porta de cadeia" e destacou que este foi o pior nível de debate que participou em sua vida política, indicando que Alckmin não tem qualificação para enfrentá-lo.
"Eu já debati com Ulisses Guimarães,[Leonel] Brizola, Mário Covas, Aureliano Chaves, Afif Domingos, [Fernando] Collor, Ciro Gomes, [Anthony] Garotinho, com o Jânio Quadros e o Franco Montoro. Tinha um nível político assimilado no debate. Ontem, eu pensei que não estava na frente de um candidato, eu pensei que estava na frente de um delegado de porta de cadeia. Confesso a vocês que foi triste para mim e para a minha mulher", afirmou Lula.
Arrogância
Lula disse que seu adversário se comportou como "arrogante, pedante, que fala com o nariz em pé, como se tivesse mais autoridade que os outros". "Espero que tenha muito mais debate para que a gente possa evoluir", rogou.
O presidente, que hoje recebeu no Palácio da Alvorada o apoio de cantores gospel, entre eles Mara Maravilha e Wanderley Cardoso, disse que esperava um debate de idéias no debate de ontem.
"O povo não quer um candidato xingando o outro, quer saber o que será feito para melhorar sua vida", disse o presidente.
Punições
O presidente respondeu as críticas dos tucanos e pefelistas de que ele não tomou atitudes contra os envolvidos no seu governo em irregularidades.
"O presidente da República não pune, ele exonera, quem tem que punir é a Justiça", disse. Lula comparou Alckmin a uma "velha sanfona quebrada que só faz o mesmo som", ao referir-se à insistência do tucano no debate em temas de corrupção.
Elite
O presidente acusou Alckmin de ser o candidato das elites e se comparou aos ex-presidentes Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek e João Goulart, que, segundo Lula, foram perseguidos porque trabalharam para os mais pobres.
"Ontem, vocês viram um pouco da elite política. Ela é implacável. Não se meta em fazer coisas para os pobres que você vai pagar o preço", disse.
"Para eles, pobre tem que ser coadjuvante, tem que bater palma. Nós colocamos pobre no palanque", acrescentou.
Lula disse que seu adversário não tem programa para o país e que, por isso, "pegou tudo o que é matéria de jornal e tentou transformar no programa dele".
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ANDREZA MATAIS
da Folha Online, em Brasília
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva --candidato do PT à reeleição-- disse nesta segunda-feira que ontem foi o dia mais triste da sua vida política, em referência ao debate com o seu adversário no segundo turno, o tucano Geraldo Alckmin, promovido pela TV Bandeirantes.
Lula disse que Alckmin, a quem chamou de "cidadão do samba de uma nota só", se comportou como um "delegado de porta de cadeia" e destacou que este foi o pior nível de debate que participou em sua vida política, indicando que Alckmin não tem qualificação para enfrentá-lo.
"Eu já debati com Ulisses Guimarães,[Leonel] Brizola, Mário Covas, Aureliano Chaves, Afif Domingos, [Fernando] Collor, Ciro Gomes, [Anthony] Garotinho, com o Jânio Quadros e o Franco Montoro. Tinha um nível político assimilado no debate. Ontem, eu pensei que não estava na frente de um candidato, eu pensei que estava na frente de um delegado de porta de cadeia. Confesso a vocês que foi triste para mim e para a minha mulher", afirmou Lula.
Arrogância
Lula disse que seu adversário se comportou como "arrogante, pedante, que fala com o nariz em pé, como se tivesse mais autoridade que os outros". "Espero que tenha muito mais debate para que a gente possa evoluir", rogou.
O presidente, que hoje recebeu no Palácio da Alvorada o apoio de cantores gospel, entre eles Mara Maravilha e Wanderley Cardoso, disse que esperava um debate de idéias no debate de ontem.
"O povo não quer um candidato xingando o outro, quer saber o que será feito para melhorar sua vida", disse o presidente.
Punições
O presidente respondeu as críticas dos tucanos e pefelistas de que ele não tomou atitudes contra os envolvidos no seu governo em irregularidades.
"O presidente da República não pune, ele exonera, quem tem que punir é a Justiça", disse. Lula comparou Alckmin a uma "velha sanfona quebrada que só faz o mesmo som", ao referir-se à insistência do tucano no debate em temas de corrupção.
Elite
O presidente acusou Alckmin de ser o candidato das elites e se comparou aos ex-presidentes Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek e João Goulart, que, segundo Lula, foram perseguidos porque trabalharam para os mais pobres.
"Ontem, vocês viram um pouco da elite política. Ela é implacável. Não se meta em fazer coisas para os pobres que você vai pagar o preço", disse.
"Para eles, pobre tem que ser coadjuvante, tem que bater palma. Nós colocamos pobre no palanque", acrescentou.
Lula disse que seu adversário não tem programa para o país e que, por isso, "pegou tudo o que é matéria de jornal e tentou transformar no programa dele".
azevedo
Ainda os cartões corporativos: vai fundo, Alckmin!
Lula ficou irritado a maior parte do tempo do debate, mas uma questão o tirou do sério e o fez, de dedo em riste (é que ele é muito humilde, e Alckmin, muito agressivo...), alertar a Alckmin para que não fosse “leviano”. Devia saber por que estava tão nervoso. Há um dado escandaloso na República. Ninguém sabe em que é empregado o dinheiro dos tais cartões corporativos. Os dados são considerados segredos de Estado. Acompanhem alguns números:
a) De janeiro a setembro, os gastos da secretaria de Administração da Presidência somam R$ 3,678 milhões. Atenção, amiguinhos: isso nada tem a ver com a compra de café, água, uísque (para autoridades em coquetéis, claro...), papel higiênico, inseticida, lustra-móveis, caneta, livros (leitor voraz, vocês sabem...). Os gastos, vamos dizer, de escritório e manutenção têm verba do Orçamento.
b) Nos dois primeiros anos de mandato de Lula, os gastos com cartões corporativos da Presidência mais do que dobraram. Passaram de R$ 4,3 milhões em 2002, último ano do mandato de FHC, para R$ 8,7 milhões em 2004. Reirero: estamos falando apenas do Gabinete da Presidência.
c) Os gastos totais do Gabinete da Presidência, nesta modalidade, de janeiro a setembro deste ano, já somam R$ 6,839 milhões. Só a Abin responde por R$ 3, 097 milhões de grana secreta.
d) Os gastos com cartões corporativos, incluindo os Ministérios, já chegam, até setembro, a R$ 20,7¨milhões (durante todo o ano passado, foram de R$ 21,706). O mais impressionante é que, em 2004, quando o Gabinete da Presidência já gastava o dobro do que gastava FHC, a soma total era de R$ 14,1 milhões. Por alguma razão, também secreta, de um ano para outro, a gastança aumentou a bagatela de 50%.
Com efeito, eis um tema que tem de continuar rendendo no próximo debate e que tem de ser levado ao horário eleitoral pelos tucanos. Já houve funcionário com cartão corporativo que chegou a efetuar saque de R$ 1 milhão. Por quem alguém precisa de tanto dinheiro vivo?
Certa feita, irritada com a comparação com o governo anterior, a ministra Dilma Rousseff lembrou que o perfil da família de Lula era diferente do da família de FHC. Segundo entendi, com mais filhos, e mais jovens — um ainda secundarista (aquele que elevou os amiguinhos para passear no palácio com avião da FAB) —, a família de Lula seria mais cara. É bom saber. Então vamos eleger Alckmin. ELe tem só três filhos e um neto. É mais barato.
Ainda os cartões corporativos: vai fundo, Alckmin!
Lula ficou irritado a maior parte do tempo do debate, mas uma questão o tirou do sério e o fez, de dedo em riste (é que ele é muito humilde, e Alckmin, muito agressivo...), alertar a Alckmin para que não fosse “leviano”. Devia saber por que estava tão nervoso. Há um dado escandaloso na República. Ninguém sabe em que é empregado o dinheiro dos tais cartões corporativos. Os dados são considerados segredos de Estado. Acompanhem alguns números:
a) De janeiro a setembro, os gastos da secretaria de Administração da Presidência somam R$ 3,678 milhões. Atenção, amiguinhos: isso nada tem a ver com a compra de café, água, uísque (para autoridades em coquetéis, claro...), papel higiênico, inseticida, lustra-móveis, caneta, livros (leitor voraz, vocês sabem...). Os gastos, vamos dizer, de escritório e manutenção têm verba do Orçamento.
b) Nos dois primeiros anos de mandato de Lula, os gastos com cartões corporativos da Presidência mais do que dobraram. Passaram de R$ 4,3 milhões em 2002, último ano do mandato de FHC, para R$ 8,7 milhões em 2004. Reirero: estamos falando apenas do Gabinete da Presidência.
c) Os gastos totais do Gabinete da Presidência, nesta modalidade, de janeiro a setembro deste ano, já somam R$ 6,839 milhões. Só a Abin responde por R$ 3, 097 milhões de grana secreta.
d) Os gastos com cartões corporativos, incluindo os Ministérios, já chegam, até setembro, a R$ 20,7¨milhões (durante todo o ano passado, foram de R$ 21,706). O mais impressionante é que, em 2004, quando o Gabinete da Presidência já gastava o dobro do que gastava FHC, a soma total era de R$ 14,1 milhões. Por alguma razão, também secreta, de um ano para outro, a gastança aumentou a bagatela de 50%.
Com efeito, eis um tema que tem de continuar rendendo no próximo debate e que tem de ser levado ao horário eleitoral pelos tucanos. Já houve funcionário com cartão corporativo que chegou a efetuar saque de R$ 1 milhão. Por quem alguém precisa de tanto dinheiro vivo?
Certa feita, irritada com a comparação com o governo anterior, a ministra Dilma Rousseff lembrou que o perfil da família de Lula era diferente do da família de FHC. Segundo entendi, com mais filhos, e mais jovens — um ainda secundarista (aquele que elevou os amiguinhos para passear no palácio com avião da FAB) —, a família de Lula seria mais cara. É bom saber. Então vamos eleger Alckmin. ELe tem só três filhos e um neto. É mais barato.
Cartões corporativos do governo já consumiram R$ 3,678 milhões neste ano
Ao prometer "transparência absoluta" na prestação de contas dos cartões corporativos do governo e cobrar do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a mesma atitude, o tucano Geraldo Alckmin falou de uma caixa preta que, só este ano, já envolve R$ 3,583 milhões, durante o debate de domingo. O presidente não quis falar no assunto. Limitou-se a dizer que os cartões corporativos foram "a única coisa boa que o Fernando Henrique Cardoso criou no governo dele".
Esses cartões de crédito permitem a alguns servidores sacar ou fazer pagamentos de rotina com recursos da União sem a necessidade de autorização prévia. Na Secretaria de Administração da Presidência da República, foram gastos entre janeiro e setembro deste ano R$ 3,678 milhões com os cartões. A prestação de contas no Portal da Transparência da presidência, no entanto, revela o destino de menos de R$ 95 mil (2,6%). Os 97,4% restantes estão guardados a sete chaves sob a rubrica "informações protegidas por sigilo*, nos termos da legislação, para garantia da segurança da sociedade e do Estado".
* (Sigilo? Uia, temos uma Área 51 também é? Não, não a da cachaça 51, a área 51 igual a de Nevada nos EUA com os ETs e tal. Vai ver por isso o Lula falou em fatores extraterrestres.)
A Secretaria de Administração é a responsável pelos gastos do dia-a-dia do Gabinete da Presidência. Os pagamentos a que se tem acesso foram para despesas com combustível, hotel, pequenos consertos, feitos por nove funcionários que têm os cartões. Para os outros gastos, não há nenhuma informação. Dos R$ 94.987,33 relacionados no Portal da Transparência, R$ 20 mil foram saques em dinheiro e também não há informação sobre onde foram gastos. Os gastos totais do Gabinete da Presidência por meio dos cartões corporativos foram de R$ 6,839 milhões entre janeiro e setembro deste ano. Das seis unidades subordinadas ao gabinete, tiveram gastos secretos a Secretaria de Administração e a Agência Brasileira de Informações (Abin). No caso da Abin, foram apontados como sigilosos os R$ 3,097 milhões gastos com os cartões. (...)
O cartão corporativo foi criado em 1998 para facilitar pagamentos de rotina das autoridades. Desde então, parlamentares têm pressionado pela divulgação dos gastos. Por recomendação do Tribunal de Contas da União, houve avanços na transparência, mas a prerrogativa do sigilo para garantia de segurança emperra o acesso aos dados. No ano passado, o TCU abriu investigação sobre os gastos, que ainda está em curso.
(matéria completa e não comentada em estadao.com.br/ultimas/nacional/eleicoes2006/noticias)
Ao prometer "transparência absoluta" na prestação de contas dos cartões corporativos do governo e cobrar do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a mesma atitude, o tucano Geraldo Alckmin falou de uma caixa preta que, só este ano, já envolve R$ 3,583 milhões, durante o debate de domingo. O presidente não quis falar no assunto. Limitou-se a dizer que os cartões corporativos foram "a única coisa boa que o Fernando Henrique Cardoso criou no governo dele".
Esses cartões de crédito permitem a alguns servidores sacar ou fazer pagamentos de rotina com recursos da União sem a necessidade de autorização prévia. Na Secretaria de Administração da Presidência da República, foram gastos entre janeiro e setembro deste ano R$ 3,678 milhões com os cartões. A prestação de contas no Portal da Transparência da presidência, no entanto, revela o destino de menos de R$ 95 mil (2,6%). Os 97,4% restantes estão guardados a sete chaves sob a rubrica "informações protegidas por sigilo*, nos termos da legislação, para garantia da segurança da sociedade e do Estado".
* (Sigilo? Uia, temos uma Área 51 também é? Não, não a da cachaça 51, a área 51 igual a de Nevada nos EUA com os ETs e tal. Vai ver por isso o Lula falou em fatores extraterrestres.)
A Secretaria de Administração é a responsável pelos gastos do dia-a-dia do Gabinete da Presidência. Os pagamentos a que se tem acesso foram para despesas com combustível, hotel, pequenos consertos, feitos por nove funcionários que têm os cartões. Para os outros gastos, não há nenhuma informação. Dos R$ 94.987,33 relacionados no Portal da Transparência, R$ 20 mil foram saques em dinheiro e também não há informação sobre onde foram gastos. Os gastos totais do Gabinete da Presidência por meio dos cartões corporativos foram de R$ 6,839 milhões entre janeiro e setembro deste ano. Das seis unidades subordinadas ao gabinete, tiveram gastos secretos a Secretaria de Administração e a Agência Brasileira de Informações (Abin). No caso da Abin, foram apontados como sigilosos os R$ 3,097 milhões gastos com os cartões. (...)
O cartão corporativo foi criado em 1998 para facilitar pagamentos de rotina das autoridades. Desde então, parlamentares têm pressionado pela divulgação dos gastos. Por recomendação do Tribunal de Contas da União, houve avanços na transparência, mas a prerrogativa do sigilo para garantia de segurança emperra o acesso aos dados. No ano passado, o TCU abriu investigação sobre os gastos, que ainda está em curso.
(matéria completa e não comentada em estadao.com.br/ultimas/nacional/eleicoes2006/noticias)
Revelado o segredo da suposta ONG "Amigos Plutão"; senador envolve filha de Lula e homem do dossiê
Por Rosa Costa, no Estadão de hoje: “O líder do PFL no Senado, Heráclito Fortes (PI), revelou ontem que a ONG Amigos de Plutão, à qual foi atribuído repasse de verba pelo governo federal de R$ 7,5 milhões, é nome fictício que a oposição usa para se referir a outra ONG, catarinense, que teve entre seus integrantes a filha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Lurian, e seu churrasqueiro preferido, Jorge Lorenzetti, hoje acusado no escândalo do dossiê Vedoin. O senador justificou a senha da oposição como forma de contornar o segredo judicial que protege o processo de investigação sobre o repasse de verba federal para a ONG verdadeira.Heráclito fez a revelação no meio de uma acalorada discussão com a líder do governo no Senado, Ideli Salvatti (SC), a quem acusou de esconder os delitos cometidos por ONGs de seu Estado, especificamente a que teve participação de Lurian e Lorenzetti. Ele não nominou essa ONG, mas trata-se da Rede 13, de Blumenau, cujo comando Lurian repassou a Lorenzetti antes de sua extinção.”
Por Rosa Costa, no Estadão de hoje: “O líder do PFL no Senado, Heráclito Fortes (PI), revelou ontem que a ONG Amigos de Plutão, à qual foi atribuído repasse de verba pelo governo federal de R$ 7,5 milhões, é nome fictício que a oposição usa para se referir a outra ONG, catarinense, que teve entre seus integrantes a filha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Lurian, e seu churrasqueiro preferido, Jorge Lorenzetti, hoje acusado no escândalo do dossiê Vedoin. O senador justificou a senha da oposição como forma de contornar o segredo judicial que protege o processo de investigação sobre o repasse de verba federal para a ONG verdadeira.Heráclito fez a revelação no meio de uma acalorada discussão com a líder do governo no Senado, Ideli Salvatti (SC), a quem acusou de esconder os delitos cometidos por ONGs de seu Estado, especificamente a que teve participação de Lurian e Lorenzetti. Ele não nominou essa ONG, mas trata-se da Rede 13, de Blumenau, cujo comando Lurian repassou a Lorenzetti antes de sua extinção.”
vai ler recado errado assim no inferno...o afif só teve a votação que teve porque muita gente, esse colador ixcrusive, queria tirar o Corno Papito do Senado. Os votos não são dele.
da Veja
UM FORREST GUMP ELEITORAL
Ninguém acreditava que o empresário Guilherme Afif Domingos, do PFL, pudesse derrotar o petista Eduardo Suplicy na disputa pela vaga de São Paulo no Senado. Mas o resultado das urnas surpreendeu até mesmo Afif. Ele teve a quinta maior votação do país, 8,2 milhões. Só perdeu para o presidente Lula, os tucanos Geraldo Alckmin e José Serra e o próprio Suplicy. Com o resultado, os caciques do PFL passaram a cogitar sua candidatura à Presidência em 2010.
da Veja
UM FORREST GUMP ELEITORAL
Ninguém acreditava que o empresário Guilherme Afif Domingos, do PFL, pudesse derrotar o petista Eduardo Suplicy na disputa pela vaga de São Paulo no Senado. Mas o resultado das urnas surpreendeu até mesmo Afif. Ele teve a quinta maior votação do país, 8,2 milhões. Só perdeu para o presidente Lula, os tucanos Geraldo Alckmin e José Serra e o próprio Suplicy. Com o resultado, os caciques do PFL passaram a cogitar sua candidatura à Presidência em 2010.
azevedo
Voto e crise das elites: por que o Brasil teme mais a inteligência do que a corrupção?
Às vezes, leitor, mesmo indo alta a madrugada, consegue-se, ainda na escuridão, um tanto de luz com que ver o futuro. Leio na edição eletrônica da Folha desta quinta, dia 12, um texto bem interessante sobre os números do Datafolha, e me ocorre que precisamos de intelectuais que pensem a crise das elites no Brasil. Recorram à etimologia. A palavra "elite" designa “o que há de melhor”, a excelência. Escarafunchando o latim, encontra-se na sua raiz as palavras “eleger” e “eleito”.
Por que o texto sobre a pesquisa do Datafolha me levou a tal questão? Ali se lê: “No geral, o tucano [Geraldo Alckmin] consegue uma fatia maior de eleitores que o vê como ‘o mais inteligente’ -51%, contra 34% que atribuem essa característica a Lula- e ‘o mais moderno e inovador’ -45%, contra 39% para Lula. Já entre os que assistiram ao debate, aumenta a proporção dos que consideram Alckmin o mais inteligente -chegando a 54%, enquanto Lula oscila um ponto, para 35%.”
Mas também somos apresentados aos seguintes dados: “Segundo a pesquisa Datafolha realizada na terça-feira, uma fatia maior de eleitores considera Alckmin o candidato ‘mais autoritário’ (44%, contra 36% para Lula) e ‘que mais defenderá os ricos, se eleito’ (59%, contra 17% de Lula). Quando considerados apenas os que assistiram ao debate, no entanto, aumenta a proporção dos que consideram o tucano o mais autoritário (50%, contra os mesmos 36% de Lula). Ainda neste grupo, também aumenta a fatia dos que consideram o candidato do PSDB ‘o que mais defenderá os ricos’ (62%, contra 16% para Lula). Um efeito semelhante ocorre com Lula na percepção de corrupção. No total de entrevistados, 35% consideram o petista ‘o mais corrupto’, contra 20% que consideram Alckmin como tal. Entre os que viram o debate, 40% acham Lula ‘o mais corrupto’, e 22%, Alckmin.”
Estamos diante de um quadro desolador. Como não considerar relevante que o eleitor veja no candidato “mais inteligente” e “menos corrupto” também “o que mais defende os ricos” e “o mais autoritário”? Nada nos permite concluir que haja uma relação de causa e efeito aí. Mas não podemos ignorar, quando menos, a atribuição de uma correlação. A inteligência e, vá lá, a ética mais atilada são postas, vejam vocês, no mesmo cadinho em que são lançados o autoritarismo e a insensibilidade social. Lula, em contraste, mesmo visto como menos inteligente e mais corrupto, seria, no entanto, mais favorável aos pobres e... mais democrático!
Pode-se ou não concordar que Alckmin seja um bom representante da “elite” no sentido do “melhor que se pode ter de um grupo”. Mas, dadas as opções, é assim que o vê o eleitorado. E, no entanto, hoje, ele perderia a disputa. É bom lembrar que só se tornou um candidato competitivo porque o dossiê despertou uma onda de rejeição aos métodos do PT, um tiro no pé que o partido deu à boca da urna. Não fosse isso, o pleito teria sido decidido no primeiro turno. Sim, há algo de profundamente errado com as nossas “elites”, com os “melhores” de nós. Não se trata, evidentemente, de empregar ao termo naquele sentido bronco, burro, habitualmente manipulado pelo PT. Ao petismo interessa que “elite” seja o antônimo de povo — distopia a que finalmente chegamos, dada a clivagem eleitoral que se vê no país e que Lula tão habilmente explora.
Fiquei aqui, nesta madrugada quente, a pensar: “Mas por que diabos o eleitor consegue ver na mesma personagem mais inteligência e mais autoritarismo; o menos corrupto, mas também o mais favorável aos ricos?” Se Lula fosse o líder de uma revolução social — revolução mesmo, daquelas em que se mata e se morre —, tal questão seria irrelevante. Qualquer hierarquia de valores é relativa numa poça de sangue. Mas ele não é. Trata-se apenas do representante de uma nova classe social — formada pelo que costumo chamar de “burgueses do capital alheio” —, que manipula habilmente os signos do chamado “poder popular”. Lula não chega a ser um teórico da economia da pobreza, e sim do “pobrismo”. Ele não promove, à diferença do que se diz, uma redistribuição de renda: sob o seu reinado, a classe média ficou mais pobre para que os pobres ficassem mais perto da classe média.
Mas uma coisa ele sabe fazer com rara maestria: satanizar e desmoralizar os valores das “elites” — não das elites econômicas, como supõe alguns tontos da USP. Mas justamente as “elites” entendidas como “os melhores”. Sob o império do lulismo, o mérito desaparece, e qualquer distinção se torna fruto de uma trapaça. Nesse sentido, Lula está MENOS perto do comunismo, de que se quer um herdeiro contemporâneo e “aggiornado”, do que do fascismo. Explico-me: os comunistas ainda aspiravam a uma certa visão aristocrática, distintiva, da classe operária. Lula açula a república dos açougueiros morais. O instrumento de sua luta de classes é o cutelo que decepa reputações. Lula inspira o ódio à inteligência e a qualquer forma de tradição.
Por culpa dele? Sim, certamente: ele é o agente dessa fantasmagoria, ancorado num partido que, sem prejuízo de sua retórica universalista, é pobremente fascitóide e corporativista. Mas também por culpa nossa, das “elites”. Não temos sabido — especialmente os partidos políticos (ou, vá lá, “lideranças políticas”) que não comungam dessa escatologia autoritária — fazer a devida guerra de valores. Ao contrário. A cada dia, cedemos mais à razão dos nossos “inimigos”. Quais “inimigos”? De classe? Ora, é claro que não. Olavo Setúbal, do Itaú, por exemplo, já afirmou que, para ele, serve qualquer um dos dois “conservadores” — Lula ou Alckmin. Falo dos inimigos do mérito.
Reparem a facilidade com que, hoje em dia, lideranças do PSDB e mesmo do PFL pretendem disputar com o PT valores que se dizem de centro-esquerda. Vejam a facilidade com que o “discurso do social”, sem que se especifique exatamente que diabo isso quer dizer, se torna pauta obrigatória dos partidos — ainda que esta “agenda” não respeite a lei. Os petistas que espinafram Alckmin ignoram que o governo de São Paulo atuou, por exemplo, em parceria com o MST no Pontal do Paranapanema. Quando um tucano quer demonstrar que os petistas não são monopolistas do bem, costumam se dizer, vejam só, até “mais esquerdistas do que Lula”. Que diabo isso quer dizer? Desde quando ser “de esquerda” credencia alguém para a democracia se a história da esquerda é justamente a da superação dos valores democráticos como mera etapa da “verdadeira liberdade”? As elites brasileiras perderam a vontade de ser um exemplo. Querem disputar, no terreiro do populismo, um lugar no festim promovido por petistas e assemelhados.
Ocorre que esse “lugar” da permanente reivindicação e do discurso do igualitarismo está congestionado. Qualquer um que tente ocupá-lo sem o selo de qualidade fornecido pelo próprio petismo será logo escorraçado, visto como um estranho, como alguém de fora, sem legitimidade para participar da disputa. As “elites do mérito”, em vez de se ocupar, então, de seus valores, voltando-se para alguns elementos que estão na fundação da convivência social civilizada, tornam-se meras caudatárias dessa demagogia e desse pobrismo. E evitam o debate e o confronto como o diabo foge da cruz.
Não é que o povo, como se vê, não saiba distinguir a inteligência da burrice, a corrupção da honestidade. Ele sabe. Mas, por desídia das elites, considera que a inteligência e a honestidade podem não ser seus melhores aliados. Nessa hora, é claro que estamos, como país, dando uma piscadela para o caos. Voltarei a esse tema outras vezes. Por que diabos este país tem mais medo da inteligência do que da corrupção?
Voto e crise das elites: por que o Brasil teme mais a inteligência do que a corrupção?
Às vezes, leitor, mesmo indo alta a madrugada, consegue-se, ainda na escuridão, um tanto de luz com que ver o futuro. Leio na edição eletrônica da Folha desta quinta, dia 12, um texto bem interessante sobre os números do Datafolha, e me ocorre que precisamos de intelectuais que pensem a crise das elites no Brasil. Recorram à etimologia. A palavra "elite" designa “o que há de melhor”, a excelência. Escarafunchando o latim, encontra-se na sua raiz as palavras “eleger” e “eleito”.
Por que o texto sobre a pesquisa do Datafolha me levou a tal questão? Ali se lê: “No geral, o tucano [Geraldo Alckmin] consegue uma fatia maior de eleitores que o vê como ‘o mais inteligente’ -51%, contra 34% que atribuem essa característica a Lula- e ‘o mais moderno e inovador’ -45%, contra 39% para Lula. Já entre os que assistiram ao debate, aumenta a proporção dos que consideram Alckmin o mais inteligente -chegando a 54%, enquanto Lula oscila um ponto, para 35%.”
Mas também somos apresentados aos seguintes dados: “Segundo a pesquisa Datafolha realizada na terça-feira, uma fatia maior de eleitores considera Alckmin o candidato ‘mais autoritário’ (44%, contra 36% para Lula) e ‘que mais defenderá os ricos, se eleito’ (59%, contra 17% de Lula). Quando considerados apenas os que assistiram ao debate, no entanto, aumenta a proporção dos que consideram o tucano o mais autoritário (50%, contra os mesmos 36% de Lula). Ainda neste grupo, também aumenta a fatia dos que consideram o candidato do PSDB ‘o que mais defenderá os ricos’ (62%, contra 16% para Lula). Um efeito semelhante ocorre com Lula na percepção de corrupção. No total de entrevistados, 35% consideram o petista ‘o mais corrupto’, contra 20% que consideram Alckmin como tal. Entre os que viram o debate, 40% acham Lula ‘o mais corrupto’, e 22%, Alckmin.”
Estamos diante de um quadro desolador. Como não considerar relevante que o eleitor veja no candidato “mais inteligente” e “menos corrupto” também “o que mais defende os ricos” e “o mais autoritário”? Nada nos permite concluir que haja uma relação de causa e efeito aí. Mas não podemos ignorar, quando menos, a atribuição de uma correlação. A inteligência e, vá lá, a ética mais atilada são postas, vejam vocês, no mesmo cadinho em que são lançados o autoritarismo e a insensibilidade social. Lula, em contraste, mesmo visto como menos inteligente e mais corrupto, seria, no entanto, mais favorável aos pobres e... mais democrático!
Pode-se ou não concordar que Alckmin seja um bom representante da “elite” no sentido do “melhor que se pode ter de um grupo”. Mas, dadas as opções, é assim que o vê o eleitorado. E, no entanto, hoje, ele perderia a disputa. É bom lembrar que só se tornou um candidato competitivo porque o dossiê despertou uma onda de rejeição aos métodos do PT, um tiro no pé que o partido deu à boca da urna. Não fosse isso, o pleito teria sido decidido no primeiro turno. Sim, há algo de profundamente errado com as nossas “elites”, com os “melhores” de nós. Não se trata, evidentemente, de empregar ao termo naquele sentido bronco, burro, habitualmente manipulado pelo PT. Ao petismo interessa que “elite” seja o antônimo de povo — distopia a que finalmente chegamos, dada a clivagem eleitoral que se vê no país e que Lula tão habilmente explora.
Fiquei aqui, nesta madrugada quente, a pensar: “Mas por que diabos o eleitor consegue ver na mesma personagem mais inteligência e mais autoritarismo; o menos corrupto, mas também o mais favorável aos ricos?” Se Lula fosse o líder de uma revolução social — revolução mesmo, daquelas em que se mata e se morre —, tal questão seria irrelevante. Qualquer hierarquia de valores é relativa numa poça de sangue. Mas ele não é. Trata-se apenas do representante de uma nova classe social — formada pelo que costumo chamar de “burgueses do capital alheio” —, que manipula habilmente os signos do chamado “poder popular”. Lula não chega a ser um teórico da economia da pobreza, e sim do “pobrismo”. Ele não promove, à diferença do que se diz, uma redistribuição de renda: sob o seu reinado, a classe média ficou mais pobre para que os pobres ficassem mais perto da classe média.
Mas uma coisa ele sabe fazer com rara maestria: satanizar e desmoralizar os valores das “elites” — não das elites econômicas, como supõe alguns tontos da USP. Mas justamente as “elites” entendidas como “os melhores”. Sob o império do lulismo, o mérito desaparece, e qualquer distinção se torna fruto de uma trapaça. Nesse sentido, Lula está MENOS perto do comunismo, de que se quer um herdeiro contemporâneo e “aggiornado”, do que do fascismo. Explico-me: os comunistas ainda aspiravam a uma certa visão aristocrática, distintiva, da classe operária. Lula açula a república dos açougueiros morais. O instrumento de sua luta de classes é o cutelo que decepa reputações. Lula inspira o ódio à inteligência e a qualquer forma de tradição.
Por culpa dele? Sim, certamente: ele é o agente dessa fantasmagoria, ancorado num partido que, sem prejuízo de sua retórica universalista, é pobremente fascitóide e corporativista. Mas também por culpa nossa, das “elites”. Não temos sabido — especialmente os partidos políticos (ou, vá lá, “lideranças políticas”) que não comungam dessa escatologia autoritária — fazer a devida guerra de valores. Ao contrário. A cada dia, cedemos mais à razão dos nossos “inimigos”. Quais “inimigos”? De classe? Ora, é claro que não. Olavo Setúbal, do Itaú, por exemplo, já afirmou que, para ele, serve qualquer um dos dois “conservadores” — Lula ou Alckmin. Falo dos inimigos do mérito.
Reparem a facilidade com que, hoje em dia, lideranças do PSDB e mesmo do PFL pretendem disputar com o PT valores que se dizem de centro-esquerda. Vejam a facilidade com que o “discurso do social”, sem que se especifique exatamente que diabo isso quer dizer, se torna pauta obrigatória dos partidos — ainda que esta “agenda” não respeite a lei. Os petistas que espinafram Alckmin ignoram que o governo de São Paulo atuou, por exemplo, em parceria com o MST no Pontal do Paranapanema. Quando um tucano quer demonstrar que os petistas não são monopolistas do bem, costumam se dizer, vejam só, até “mais esquerdistas do que Lula”. Que diabo isso quer dizer? Desde quando ser “de esquerda” credencia alguém para a democracia se a história da esquerda é justamente a da superação dos valores democráticos como mera etapa da “verdadeira liberdade”? As elites brasileiras perderam a vontade de ser um exemplo. Querem disputar, no terreiro do populismo, um lugar no festim promovido por petistas e assemelhados.
Ocorre que esse “lugar” da permanente reivindicação e do discurso do igualitarismo está congestionado. Qualquer um que tente ocupá-lo sem o selo de qualidade fornecido pelo próprio petismo será logo escorraçado, visto como um estranho, como alguém de fora, sem legitimidade para participar da disputa. As “elites do mérito”, em vez de se ocupar, então, de seus valores, voltando-se para alguns elementos que estão na fundação da convivência social civilizada, tornam-se meras caudatárias dessa demagogia e desse pobrismo. E evitam o debate e o confronto como o diabo foge da cruz.
Não é que o povo, como se vê, não saiba distinguir a inteligência da burrice, a corrupção da honestidade. Ele sabe. Mas, por desídia das elites, considera que a inteligência e a honestidade podem não ser seus melhores aliados. Nessa hora, é claro que estamos, como país, dando uma piscadela para o caos. Voltarei a esse tema outras vezes. Por que diabos este país tem mais medo da inteligência do que da corrupção?
Trégua do MST acaba no dia 29, avisa Rainha
Líder dos sem-terra diz que movimento está nas ruas agora para 'eleger Lula', mas após 2º turno 'sai das trincheiras e retoma mobilizações'
José Maria Tomazela
A trégua dada pelo Movimento dos Sem-Terra (MST) nas invasões termina no dia 29, às 17h, quando se encerra a votação para o segundo turno, disse ontem o líder José Rainha Júnior. 'Vamos sair das trincheiras e retomar as mobilizações.'
Segundo ele, o MST reduziu o ritmo das invasões em todo o País por causa da campanha eleitoral. 'Estamos na rua agora, mas é para eleger o Lula.' Ele disse que esse é o seu compromisso como líder dos sem-terra. 'Depois da votação, voltamos a pensar na mobilização.'
De janeiro a março deste ano, o MST fez 99 invasões nos 21 Estados em que atua - no ano passado tinham sido 63 no mesmo período. Em abril, houve outras 35 invasões, totalizando 134 em quatro meses, mas em seguida, com o início do período eleitoral, o movimento desacelerou. Nos quatro meses seguintes, foram apenas 46 ações. O número se manteve baixo em setembro - 4 invasões - e neste mês. Até ontem, tinha sido registrada apenas a ocupação da sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em Belo Horizonte e de uma fazenda em Roraima.
Segundo Rainha, um provável segundo mandato de Luiz Inácio Lula da Silva será 'uma grande oportunidade para que o presidente resgate seus compromissos' com a reforma agrária. 'O governo federal deu mostras de que quer resolver o problema dos sem-terra, ao contrário do que ocorreu em alguns Estados.' Ele disse que há expectativa do movimento em relação ao governador eleito de São Paulo, José Serra ( PSDB).
'Na gestão do Alckmin (ex-governador Geraldo Alckmin, candidato à Presidência), a questão fundiária foi tratada como questão policial e não política. Esperamos que seja diferente com o Serra.'
Rainha disse que o movimento estará aberto ao diálogo, mas não abrirá mão das invasões, que considera um instrumento de luta. 'O Estado tem dinheiro em caixa para adquirir terras e, se não for usado até o fim do ano, terá de ser devolvido ao governo federal.' Segundo ele, o movimento não pretende deixar que isso aconteça. 'Vamos para dentro de todas as terras devolutas que tiverem por aí.'
Líder dos sem-terra diz que movimento está nas ruas agora para 'eleger Lula', mas após 2º turno 'sai das trincheiras e retoma mobilizações'
José Maria Tomazela
A trégua dada pelo Movimento dos Sem-Terra (MST) nas invasões termina no dia 29, às 17h, quando se encerra a votação para o segundo turno, disse ontem o líder José Rainha Júnior. 'Vamos sair das trincheiras e retomar as mobilizações.'
Segundo ele, o MST reduziu o ritmo das invasões em todo o País por causa da campanha eleitoral. 'Estamos na rua agora, mas é para eleger o Lula.' Ele disse que esse é o seu compromisso como líder dos sem-terra. 'Depois da votação, voltamos a pensar na mobilização.'
De janeiro a março deste ano, o MST fez 99 invasões nos 21 Estados em que atua - no ano passado tinham sido 63 no mesmo período. Em abril, houve outras 35 invasões, totalizando 134 em quatro meses, mas em seguida, com o início do período eleitoral, o movimento desacelerou. Nos quatro meses seguintes, foram apenas 46 ações. O número se manteve baixo em setembro - 4 invasões - e neste mês. Até ontem, tinha sido registrada apenas a ocupação da sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em Belo Horizonte e de uma fazenda em Roraima.
Segundo Rainha, um provável segundo mandato de Luiz Inácio Lula da Silva será 'uma grande oportunidade para que o presidente resgate seus compromissos' com a reforma agrária. 'O governo federal deu mostras de que quer resolver o problema dos sem-terra, ao contrário do que ocorreu em alguns Estados.' Ele disse que há expectativa do movimento em relação ao governador eleito de São Paulo, José Serra ( PSDB).
'Na gestão do Alckmin (ex-governador Geraldo Alckmin, candidato à Presidência), a questão fundiária foi tratada como questão policial e não política. Esperamos que seja diferente com o Serra.'
Rainha disse que o movimento estará aberto ao diálogo, mas não abrirá mão das invasões, que considera um instrumento de luta. 'O Estado tem dinheiro em caixa para adquirir terras e, se não for usado até o fim do ano, terá de ser devolvido ao governo federal.' Segundo ele, o movimento não pretende deixar que isso aconteça. 'Vamos para dentro de todas as terras devolutas que tiverem por aí.'
Azevedo
Micareta da posse
Lula está pensando em fazer uma segunda solenidade de posse para poder receber os chefes de Estado, que não costumam deixar seus respectivos países nas festividades da virada de ano. Com efeito, a posse no dia 1º de janeiro é uma idéia de jerico. Mas o presidente não se sente à vontade para encaminhar uma emenda constitucional só para mudar isso. Então, está pensando em gastar o seu dinheiro, leitor amigo, para fazer duas solenidades: a oficial e a oficiosa. Boa idéia! Podia ser, assim, uma espécie de micareta, animada por Frank Aguiar, que executaria o Hino Nacional em ritmo de forró. Os europeus adoram esses exotismos há pelo menos cinco séculos.
Micareta da posse
Lula está pensando em fazer uma segunda solenidade de posse para poder receber os chefes de Estado, que não costumam deixar seus respectivos países nas festividades da virada de ano. Com efeito, a posse no dia 1º de janeiro é uma idéia de jerico. Mas o presidente não se sente à vontade para encaminhar uma emenda constitucional só para mudar isso. Então, está pensando em gastar o seu dinheiro, leitor amigo, para fazer duas solenidades: a oficial e a oficiosa. Boa idéia! Podia ser, assim, uma espécie de micareta, animada por Frank Aguiar, que executaria o Hino Nacional em ritmo de forró. Os europeus adoram esses exotismos há pelo menos cinco séculos.
Nos Emirados Sáderes: Lula se solidariza com Sader, que agora quer título em clube da burguesia carioca
Perdi as esperanças de que o presidente Lula venha a ler Kant um dia. Aliás, acho que nem a Marxilena Oiapoque lê. Ao escolhermos os nossos atos, escolhemos o mundo; ao decidirmos o que nos é licito ou não fazer, emitimos um sinal do que esperamos que todos façam. Quando os jornalistas apanharam de petistas na porta do Palácio da Alvorada, Lula silenciou. Quando os repórteres da Veja sofreram intimidação na Polícia Federal, Lula silenciou. Quando ficou claro que o sigilo telefônico da Folha foi quebrado pela PF, pouco importa a circunstância, Lula silenciou.
Não foi um silêncio qualquer. Foi um silêncio ruidoso. Marco Aurélio Garcia, presidente do PT, mesmo condenando — claro! — a agressão aos jornalistas, cobrou da mídia uma “auto-reflexão” (sic). Numa solenidade com empresários, Lula viu um paralelo entre a imprensa de hoje e aquela que vivia sob o tacão da ditadura. Parece que ele não vê distinção entre ambas. Faz algum sentido. Aquela também era vítima de fascistóides. Mas acho que ele falava de outra coisa...
Mas Lula também encontrou tempo para solidariedades: pegou o telefone e ligou para Emir Sader, o petista professor condenado por crime de injúria. Sader chama um senador da República — Jorge Bornhausen — de “racista”, associa-o à prática de “assassinato de trabalhadores”, diz que ele é uma “pessoa abjeta” e, não obstante, recebe um afago presidencial. É a mão estendida do Supremo Mandatário à oposição. É o entendimento que ele tem da institucionalidade. É, então, como ele acha que os petistas devem se comportar com quem não comunga de sua cartilha — cartilha virtual, é claro; cartilha apenas moral. Já que as outras, as que teriam custado R$ 11 milhões, ninguém viu até agora. Nem a cartilha nem o dinheiro. Ele também sumiu.
Emir Sader pode, assim, sob as bênçãos presidenciais, continuar a combater a burguesia nojenta, que ele tanto despreza. Aliás, descobri que ele quer fazê-lo de muito perto. Sader está pleiteando um título no Clube dos Caiçaras, no Rio. Compreendo: esse negócio de ficar defendendo oprimido o tempo inteiro cansa. Dia desses, o professor escreveu um texto sobre o que é ser um ex-esquerdista — segundo entendi, é o último dos seres humanos neste país mental chamado Emirados Sáderes. Um ex-esquerdista trata Stálin como totalitário. Já um comunista renitente, entendo, não. Este reconheceria, suponho, a grande obra do “Guia Genial dos Povos”.
Uma das táticas adotadas pelos comunistas durante um período de vigência da Terceira Internacional foi se associar à burguesia para ir corroendo o sistema por dentro. Descobri: Sader está querendo entrar no Caiçaras para fazer um trabalho de conscientização dos companheiros burgueses que freqüentam o lugar.
Estou decepcionado. Eu apostava que o negócio dele era se divertir no Centro Recreativo da Favela do Buraco Quente. Mas vá lá: um consultor da Petrobras merece, em nome do povo, dividir a sombra e a água fresca com a burguesia — até o dia em que vai expropriá-las.
Assim é o mundo nos Emirados Sáderes...
R. Azevedo
Perdi as esperanças de que o presidente Lula venha a ler Kant um dia. Aliás, acho que nem a Marxilena Oiapoque lê. Ao escolhermos os nossos atos, escolhemos o mundo; ao decidirmos o que nos é licito ou não fazer, emitimos um sinal do que esperamos que todos façam. Quando os jornalistas apanharam de petistas na porta do Palácio da Alvorada, Lula silenciou. Quando os repórteres da Veja sofreram intimidação na Polícia Federal, Lula silenciou. Quando ficou claro que o sigilo telefônico da Folha foi quebrado pela PF, pouco importa a circunstância, Lula silenciou.
Não foi um silêncio qualquer. Foi um silêncio ruidoso. Marco Aurélio Garcia, presidente do PT, mesmo condenando — claro! — a agressão aos jornalistas, cobrou da mídia uma “auto-reflexão” (sic). Numa solenidade com empresários, Lula viu um paralelo entre a imprensa de hoje e aquela que vivia sob o tacão da ditadura. Parece que ele não vê distinção entre ambas. Faz algum sentido. Aquela também era vítima de fascistóides. Mas acho que ele falava de outra coisa...
Mas Lula também encontrou tempo para solidariedades: pegou o telefone e ligou para Emir Sader, o petista professor condenado por crime de injúria. Sader chama um senador da República — Jorge Bornhausen — de “racista”, associa-o à prática de “assassinato de trabalhadores”, diz que ele é uma “pessoa abjeta” e, não obstante, recebe um afago presidencial. É a mão estendida do Supremo Mandatário à oposição. É o entendimento que ele tem da institucionalidade. É, então, como ele acha que os petistas devem se comportar com quem não comunga de sua cartilha — cartilha virtual, é claro; cartilha apenas moral. Já que as outras, as que teriam custado R$ 11 milhões, ninguém viu até agora. Nem a cartilha nem o dinheiro. Ele também sumiu.
Emir Sader pode, assim, sob as bênçãos presidenciais, continuar a combater a burguesia nojenta, que ele tanto despreza. Aliás, descobri que ele quer fazê-lo de muito perto. Sader está pleiteando um título no Clube dos Caiçaras, no Rio. Compreendo: esse negócio de ficar defendendo oprimido o tempo inteiro cansa. Dia desses, o professor escreveu um texto sobre o que é ser um ex-esquerdista — segundo entendi, é o último dos seres humanos neste país mental chamado Emirados Sáderes. Um ex-esquerdista trata Stálin como totalitário. Já um comunista renitente, entendo, não. Este reconheceria, suponho, a grande obra do “Guia Genial dos Povos”.
Uma das táticas adotadas pelos comunistas durante um período de vigência da Terceira Internacional foi se associar à burguesia para ir corroendo o sistema por dentro. Descobri: Sader está querendo entrar no Caiçaras para fazer um trabalho de conscientização dos companheiros burgueses que freqüentam o lugar.
Estou decepcionado. Eu apostava que o negócio dele era se divertir no Centro Recreativo da Favela do Buraco Quente. Mas vá lá: um consultor da Petrobras merece, em nome do povo, dividir a sombra e a água fresca com a burguesia — até o dia em que vai expropriá-las.
Assim é o mundo nos Emirados Sáderes...
R. Azevedo
O governo aumentou os gastos com os cartões corporativos em 2007
Total de pagamentos efetuados com Cartões de Pagamentos do Governo Federal em 2007: mais de R$ 36,1 milhões. Em 2006 foram R$33 milhões. Veja você mesmo em http://www.portaldatransparencia.gov.br.
Dentro do Poder Executivo, o ministério responsável pelo gasto mais elevado no uso dos cartões é o do Planejamento, Orçamento e Gestão, com cerca de R$ 26,7 milhões - R$ 24,9 milhões com saques em espécie. A justificativa do ministério são as despesas dos funcionários do IBGE, que participam desde 2006 do censo agropecuário, que tem provocado grandes deslocamentos, sobretudo no Norte e Nordeste.
(construído em cima de texto da agência estado)
Total de pagamentos efetuados com Cartões de Pagamentos do Governo Federal em 2007: mais de R$ 36,1 milhões. Em 2006 foram R$33 milhões. Veja você mesmo em http://www.portaldatransparencia.gov.br.
Dentro do Poder Executivo, o ministério responsável pelo gasto mais elevado no uso dos cartões é o do Planejamento, Orçamento e Gestão, com cerca de R$ 26,7 milhões - R$ 24,9 milhões com saques em espécie. A justificativa do ministério são as despesas dos funcionários do IBGE, que participam desde 2006 do censo agropecuário, que tem provocado grandes deslocamentos, sobretudo no Norte e Nordeste.
(construído em cima de texto da agência estado)
Seguranças de Lula gastam R$ 149 mil com cartão corporativo
Na última semana, Matilde Ribeiro anunciou a saída da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial após ser acusada de usar irregularmente o cartão corporativo do governo. Em 2007, as despesas de Matilde com o cartão corporativo somaram R$ 171 mil.
Reportagem publicada na Folha nesta terça-feira informa que pelo menos dois seguranças da equipe que protege a família do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em São Bernardo do Campo gastaram nos últimos três anos R$ 149,2 mil com cartões de crédito corporativos do governo.
Seguranças de Lula usaram cartão corporativo, por três anos, em churrascaria e montagem de academia, além de despesas com manutenção de veículos e materiais de construção. A lista de compras inclui ainda supermercados, lojas de eletrônicos, foto, artesanato, roupas, informática e papelaria. Havia despesas de R$ 800 na 'Elite Malas e Bijuterias', que a reportagem constatou ser, na verdade, uma loja de artigos esportivos, e R$ 390 na 'Flama Instrumentos Musicais', que, a despeito do nome, comercializa produtos eletrônicos. No ABC moram os filhos de Lula e suas respectivas famílias. A segurança é feita por uma equipe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI).
(fonte: folha.uol.com.br)
Na última semana, Matilde Ribeiro anunciou a saída da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial após ser acusada de usar irregularmente o cartão corporativo do governo. Em 2007, as despesas de Matilde com o cartão corporativo somaram R$ 171 mil.
Reportagem publicada na Folha nesta terça-feira informa que pelo menos dois seguranças da equipe que protege a família do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em São Bernardo do Campo gastaram nos últimos três anos R$ 149,2 mil com cartões de crédito corporativos do governo.
Seguranças de Lula usaram cartão corporativo, por três anos, em churrascaria e montagem de academia, além de despesas com manutenção de veículos e materiais de construção. A lista de compras inclui ainda supermercados, lojas de eletrônicos, foto, artesanato, roupas, informática e papelaria. Havia despesas de R$ 800 na 'Elite Malas e Bijuterias', que a reportagem constatou ser, na verdade, uma loja de artigos esportivos, e R$ 390 na 'Flama Instrumentos Musicais', que, a despeito do nome, comercializa produtos eletrônicos. No ABC moram os filhos de Lula e suas respectivas famílias. A segurança é feita por uma equipe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI).
(fonte: folha.uol.com.br)
PPS entra com ação no STF contra sigilo de cartões de Lula
O presidente do PPS, Roberto Freire, ajuizou nesta terça-feira, 12, no Supremo Tribunal Federal (STF), uma ação para impedir que o governo use um decreto do tempo da ditadura como argumento para manter sob sigilo gastos feitos com cartões corporativos da Presidência da República.Na ação - uma argüição de descumprimento de preceito fundamental (ADPF) -, Freire argumenta que o decreto-lei 200, de 1967, que seria usado pelo governo manter o sigilo das contas, não foi "recepcionado" pela Constituição, promulgada 21 anos depois.
O fato de o decreto preceder a promulgação da Constituição, inclusive, impede que o partido conteste a norma por intermédio de uma ação direta de inconstitucionalidade.Freire pondera na ação que a Constituição privilegia o princípio da publicidade e não o sigilo previsto no decreto-lei. "A regra geral é a publicidade dos atos da administração, que só poderá ser excepcionada quando o interesse público assim exigir", disse Freire na ação. "É lamentável que o presidente Lula use um instrumento como esse", acrescentou ao protocolar o texto no STF.
A ação pede que o Supremo, em caráter liminar, suspenda o sigilo das contas com cartões corporativos. No mérito, defende que o STF declare a "não recepção" do decreto e, portanto, a sua revogação.
(estadao.com.br/nacional)
O presidente do PPS, Roberto Freire, ajuizou nesta terça-feira, 12, no Supremo Tribunal Federal (STF), uma ação para impedir que o governo use um decreto do tempo da ditadura como argumento para manter sob sigilo gastos feitos com cartões corporativos da Presidência da República.Na ação - uma argüição de descumprimento de preceito fundamental (ADPF) -, Freire argumenta que o decreto-lei 200, de 1967, que seria usado pelo governo manter o sigilo das contas, não foi "recepcionado" pela Constituição, promulgada 21 anos depois.
O fato de o decreto preceder a promulgação da Constituição, inclusive, impede que o partido conteste a norma por intermédio de uma ação direta de inconstitucionalidade.Freire pondera na ação que a Constituição privilegia o princípio da publicidade e não o sigilo previsto no decreto-lei. "A regra geral é a publicidade dos atos da administração, que só poderá ser excepcionada quando o interesse público assim exigir", disse Freire na ação. "É lamentável que o presidente Lula use um instrumento como esse", acrescentou ao protocolar o texto no STF.
A ação pede que o Supremo, em caráter liminar, suspenda o sigilo das contas com cartões corporativos. No mérito, defende que o STF declare a "não recepção" do decreto e, portanto, a sua revogação.
(estadao.com.br/nacional)
Segurança nacional nas mãos de administradoras de cartão?
Considerando que as compras efetuadas com os cartões corporativos sejam de artefatos de segurança nacional como afirmam, por que o governo confia esses tais dados às administradoras de cartão de crédito, empresas comerciais e reconhecidas por vender informações de seus clientes na forma de mailing lists, aqueles que trazem o perfil de gastos de seus portadores?
(midiasemmascara.com.br)
Considerando que as compras efetuadas com os cartões corporativos sejam de artefatos de segurança nacional como afirmam, por que o governo confia esses tais dados às administradoras de cartão de crédito, empresas comerciais e reconhecidas por vender informações de seus clientes na forma de mailing lists, aqueles que trazem o perfil de gastos de seus portadores?
(midiasemmascara.com.br)
😁 👍
Sigilo telefônico é vendido a menos de R$ 1.000 no Brasil
É possível comprar por menos de R$ 1.000 o extrato de ligações telefônicas e torpedos de qualquer assinante, inclusive de autoridades públicas. Pessoas que se apresentam como detetives particulares e funcionários de empresas de telefonia comercializam o serviço, fazendo prosperar um mercado de espionagem ilegal. Para comprovar a prática criminosa, os senadores Álvaro Dias (PSDB-PR) e Aloizio Mercadante (PT-SP) e o deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR), membro da CPI dos Grampos Telefônicos, adquiriram seus próprios dados com auxílio da reportagem da Folha.
No caso de Dias, foi obtido o histórico completo do mês de julho das chamadas telefônicas efetuadas e recebidas de seu aparelho celular, registrado em nome do Senado. Em relação a Fruet, a primeira reação do vendedor foi devolver o dinheiro ao descobrir que se tratava do número de um deputado federal. Posteriormente, contudo, condicionou realizar o "serviço" a um aumento do valor inicialmente cobrado. Ele mandou um fragmento da relação de ligações feitas pelo deputado, na expectativa de receber um pagamento adicional. Foram 14 registros de telefonemas, todos confirmados por Fruet. Mas um segundo depósito não chegou a ser feito pelo deputado.
No caso de Mercadante, foi enviada uma amostra das ligações. Os dados cadastrais do telefone, em nome do Senado, estavam corretos. O histórico de chamadas, contudo, não conferiu com a conta original nem o senador reconheceu os números de destino das ligações. No mercado clandestino de espionagem, o "cliente" pode ser facilmente enganado e não tem como recorrer às autoridades, pois os serviços contratados são ilegais.
Os celulares usados pelos senadores são fornecidos pela Casa, mas o congressista escolhe a operadora. O aparelho de Mercadante é da Vivo. O de Dias, da TIM. Já no caso de Gustavo Fruet, seu aparelho (da Claro) está em seu próprio nome. Ele efetuou um único depósito de R$ 600. Os três congressistas fizeram os pagamentos com recursos do próprio bolso.
O sigilo do histórico de chamadas telefônicas é garantido pelo artigo 5º da Constituição, assim como o teor de conversas e de correspondência. A lei 9.296/96, que disciplina as interceptações telefônicas legais, prevê pena de reclusão de dois a quatro anos e multa para quem violar o sigilo de terceiros sem autorização judicial. Além de criminosos que podem se valer desse tipo de informação como instrumento de chantagem e extorsão, agentes de órgãos policiais e de fiscalização ouvidos pela Folha admitem que, em determinadas situações, usam extratos telefônicos obtidos de modo oficioso (por meio de contatos dentro das operadoras) para "mapear" a rede de relacionamento de seus potenciais alvos durante a fase que antecede à instauração do inquérito.
Esses dados também são usados nas investigações policiais, muitas vezes para determinar quais números serão interceptados a partir de um pedido à Justiça. Na Operação Satiagraha, por exemplo, o juiz Fausto Martin De Sanctis concedeu ao delegado da Polícia Federal Protógenes Queiroz senhas de acesso ao histórico de chamadas de qualquer assinante do país.
(texto completo em http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil ... 200802.htm)
É possível comprar por menos de R$ 1.000 o extrato de ligações telefônicas e torpedos de qualquer assinante, inclusive de autoridades públicas. Pessoas que se apresentam como detetives particulares e funcionários de empresas de telefonia comercializam o serviço, fazendo prosperar um mercado de espionagem ilegal. Para comprovar a prática criminosa, os senadores Álvaro Dias (PSDB-PR) e Aloizio Mercadante (PT-SP) e o deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR), membro da CPI dos Grampos Telefônicos, adquiriram seus próprios dados com auxílio da reportagem da Folha.
No caso de Dias, foi obtido o histórico completo do mês de julho das chamadas telefônicas efetuadas e recebidas de seu aparelho celular, registrado em nome do Senado. Em relação a Fruet, a primeira reação do vendedor foi devolver o dinheiro ao descobrir que se tratava do número de um deputado federal. Posteriormente, contudo, condicionou realizar o "serviço" a um aumento do valor inicialmente cobrado. Ele mandou um fragmento da relação de ligações feitas pelo deputado, na expectativa de receber um pagamento adicional. Foram 14 registros de telefonemas, todos confirmados por Fruet. Mas um segundo depósito não chegou a ser feito pelo deputado.
No caso de Mercadante, foi enviada uma amostra das ligações. Os dados cadastrais do telefone, em nome do Senado, estavam corretos. O histórico de chamadas, contudo, não conferiu com a conta original nem o senador reconheceu os números de destino das ligações. No mercado clandestino de espionagem, o "cliente" pode ser facilmente enganado e não tem como recorrer às autoridades, pois os serviços contratados são ilegais.
Os celulares usados pelos senadores são fornecidos pela Casa, mas o congressista escolhe a operadora. O aparelho de Mercadante é da Vivo. O de Dias, da TIM. Já no caso de Gustavo Fruet, seu aparelho (da Claro) está em seu próprio nome. Ele efetuou um único depósito de R$ 600. Os três congressistas fizeram os pagamentos com recursos do próprio bolso.
O sigilo do histórico de chamadas telefônicas é garantido pelo artigo 5º da Constituição, assim como o teor de conversas e de correspondência. A lei 9.296/96, que disciplina as interceptações telefônicas legais, prevê pena de reclusão de dois a quatro anos e multa para quem violar o sigilo de terceiros sem autorização judicial. Além de criminosos que podem se valer desse tipo de informação como instrumento de chantagem e extorsão, agentes de órgãos policiais e de fiscalização ouvidos pela Folha admitem que, em determinadas situações, usam extratos telefônicos obtidos de modo oficioso (por meio de contatos dentro das operadoras) para "mapear" a rede de relacionamento de seus potenciais alvos durante a fase que antecede à instauração do inquérito.
Esses dados também são usados nas investigações policiais, muitas vezes para determinar quais números serão interceptados a partir de um pedido à Justiça. Na Operação Satiagraha, por exemplo, o juiz Fausto Martin De Sanctis concedeu ao delegado da Polícia Federal Protógenes Queiroz senhas de acesso ao histórico de chamadas de qualquer assinante do país.
(texto completo em http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil ... 200802.htm)
Não sei se é uma iniciativa que propõe algo viável, mas parece que já tem 1 milhão de assinaturas:
Campanha Ficha Limpa contra a candidatura de políticos em débito com a Justiça
A Campanha Ficha Limpa foi lançada em abril de 2008 com o objetivo de melhorar o perfil dos candidatos e candidatas a cargos eletivos do país. Para isso, foi elaborado um Projeto de Lei de iniciativa popular sobre a vida pregressa dos candidatos que pretende tornar mais rígidos os critérios de inelegibilidades, ou seja, de quem não pode se candidatar. O PL de iniciativa popular precisa ser votado e aprovado no Congresso Nacional para se tornar lei e passar a valer em todas as eleições brasileiras. Para isso, é preciso que 1% do eleitorado brasileiro assine esse Projeto, o equivalente a um milhão e trezentas mil assinaturas.
O Projeto de Lei de iniciativa popular sobre a vida pregressa dos candidatos pretende aumentar as situações que impeçam o registro de uma candidatura, incluindo:
- Pessoas condenadas em primeira ou única instância ou com denúncia recebida por um tribunal (no caso de políticos com foro privilegiado) em virtude de crimes graves como: racismo, homicídio, estupro, tráfico de drogas e desvio de verbas públicas. Essas pessoas devem ser preventivamente afastadas das eleições ate que resolvam seus problemas com a Justiça Criminal;
- Parlamentares que renunciaram ao cargo para evitar abertura de processo por quebra de decoro ou por desrespeito à Constituição e fugir de possíveis punições;
- Pessoas condenadas em representações por compra de votos ou uso eleitoral da máquina administrativa.
O texto completo do Projeto de Lei sugerido está disponível em http://www.lei9840.org.br/projeto_27_05.pdf
Campanha Ficha Limpa contra a candidatura de políticos em débito com a Justiça
A Campanha Ficha Limpa foi lançada em abril de 2008 com o objetivo de melhorar o perfil dos candidatos e candidatas a cargos eletivos do país. Para isso, foi elaborado um Projeto de Lei de iniciativa popular sobre a vida pregressa dos candidatos que pretende tornar mais rígidos os critérios de inelegibilidades, ou seja, de quem não pode se candidatar. O PL de iniciativa popular precisa ser votado e aprovado no Congresso Nacional para se tornar lei e passar a valer em todas as eleições brasileiras. Para isso, é preciso que 1% do eleitorado brasileiro assine esse Projeto, o equivalente a um milhão e trezentas mil assinaturas.
O Projeto de Lei de iniciativa popular sobre a vida pregressa dos candidatos pretende aumentar as situações que impeçam o registro de uma candidatura, incluindo:
- Pessoas condenadas em primeira ou única instância ou com denúncia recebida por um tribunal (no caso de políticos com foro privilegiado) em virtude de crimes graves como: racismo, homicídio, estupro, tráfico de drogas e desvio de verbas públicas. Essas pessoas devem ser preventivamente afastadas das eleições ate que resolvam seus problemas com a Justiça Criminal;
- Parlamentares que renunciaram ao cargo para evitar abertura de processo por quebra de decoro ou por desrespeito à Constituição e fugir de possíveis punições;
- Pessoas condenadas em representações por compra de votos ou uso eleitoral da máquina administrativa.
O texto completo do Projeto de Lei sugerido está disponível em http://www.lei9840.org.br/projeto_27_05.pdf
o problema não é propor algo inviável. o problema é que é ridícula (e fascista, by the way):
Condenada em primeira instância? Então cassa-se o direito de recorrer, é isso? Basta uma primeira instância, com juizezinhos de merda, com 27 anos, que acham que devem consertar o mundo na porrada?
Racismo? Se um militante de esquerda te acusar ("denúnica recebida por um tribunal") de racista, vc não pode concorrer? que porra é essa? F-A-S-C-I-S-M-O!
- Pessoas condenadas em primeira ou única instância ou com denúncia recebida por um tribunal (no caso de políticos com foro privilegiado) em virtude de crimes graves como: racismo, homicídio, estupro, tráfico de drogas e desvio de verbas públicas. Essas pessoas devem ser preventivamente afastadas das eleições ate que resolvam seus problemas com a Justiça Criminal;
Condenada em primeira instância? Então cassa-se o direito de recorrer, é isso? Basta uma primeira instância, com juizezinhos de merda, com 27 anos, que acham que devem consertar o mundo na porrada?
Racismo? Se um militante de esquerda te acusar ("denúnica recebida por um tribunal") de racista, vc não pode concorrer? que porra é essa? F-A-S-C-I-S-M-O!
Campanha Ficha Limpa na mão dos Fichas Sujas
Eestá no Congresso um projeto de lei que proíbe a candidatura de pessoas condenadas em primeira instância, ou com denúncias recebidas por um tribunal, por crimes de racismo, homicídio, estupro, tráfico de drogas, corrupção e desvio de verbas públicas. Você votaria em alguém com esse perfil? Tem gente que vota. Só no Congresso Nacional, onde se encontram os senadores e deputados que podem transformar a proposta em lei e acabar com a farra dos chamados fichas-sujas, existem 152 parlamentares com... a ficha suja. É mais de um quarto dos congressistas com pendência na Justiça, proporção impensável em qualquer outra categoria profissional. O projeto chegou ao Congresso através do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral, uma organização não governamental formada por diversas entidades da sociedade civil e que conseguiu reunir 1,3 milhão de assinaturas. Um projeto como esse, que contraria os interesses de grande parte dos deputados e senadores, costuma passar anos vagando entre gavetas e escaninhos sem jamais ser votado. Há sete propostas semelhantes que estão vegetando desde 1993.
"Essa iniciativa do movimento é reacionária, conservadora e filosoficamente violenta. Fui denunciado injustamente como ficha-suja. Vou combater essa proposta independentemente de haver denúncia contra mim no STF", bradou o deputado José Genoíno.
(fonte: Veja de 7 de outubro de 2009, páginas 66 e 67)
Eestá no Congresso um projeto de lei que proíbe a candidatura de pessoas condenadas em primeira instância, ou com denúncias recebidas por um tribunal, por crimes de racismo, homicídio, estupro, tráfico de drogas, corrupção e desvio de verbas públicas. Você votaria em alguém com esse perfil? Tem gente que vota. Só no Congresso Nacional, onde se encontram os senadores e deputados que podem transformar a proposta em lei e acabar com a farra dos chamados fichas-sujas, existem 152 parlamentares com... a ficha suja. É mais de um quarto dos congressistas com pendência na Justiça, proporção impensável em qualquer outra categoria profissional. O projeto chegou ao Congresso através do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral, uma organização não governamental formada por diversas entidades da sociedade civil e que conseguiu reunir 1,3 milhão de assinaturas. Um projeto como esse, que contraria os interesses de grande parte dos deputados e senadores, costuma passar anos vagando entre gavetas e escaninhos sem jamais ser votado. Há sete propostas semelhantes que estão vegetando desde 1993.
"Essa iniciativa do movimento é reacionária, conservadora e filosoficamente violenta. Fui denunciado injustamente como ficha-suja. Vou combater essa proposta independentemente de haver denúncia contra mim no STF", bradou o deputado José Genoíno.
(fonte: Veja de 7 de outubro de 2009, páginas 66 e 67)