esse ano tá difícil encontrar candidato para o Senado mesmo...
2 certezas apenas: não voto nem no Suplicu nem no Afifi ("Fé no Brasil, Afif!" ou "dois patinhos na lagoa, vote afif 22!"
VADE RETRO SOCIALISTAS
Discussão (29 respostas)
🤣 🤣 🤣 🤣 🤣
17/08/2006 - 21h15
Candidato ao governo de Pernambuco diz que tubarões serão atração turística
FÁBIO GUIBU
da Agência Folha, em Recife
O candidato do PSB ao governo de Pernambuco, Eduardo Campos, disse hoje, em entrevista à TV Globo Nordeste, que pretende transformar os tubarões em uma nova atração turística do Estado.
Ele propôs manter as ações educativas e de prevenção já em curso aos ataques e construir um oceanário com os predadores. "Vamos fazer do limão uma limonada", declarou. Desde 1992, foram registrados 50 ataques de tubarão no litoral pernambucano, com 19 mortes.
Na entrevista, Campos também fez referência ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e prometeu disponibilizar as contas do governo na internet além de estabelecer metas para o trabalho da polícia no combate à violência.
17/08/2006 - 21h15
Candidato ao governo de Pernambuco diz que tubarões serão atração turística
FÁBIO GUIBU
da Agência Folha, em Recife
O candidato do PSB ao governo de Pernambuco, Eduardo Campos, disse hoje, em entrevista à TV Globo Nordeste, que pretende transformar os tubarões em uma nova atração turística do Estado.
Ele propôs manter as ações educativas e de prevenção já em curso aos ataques e construir um oceanário com os predadores. "Vamos fazer do limão uma limonada", declarou. Desde 1992, foram registrados 50 ataques de tubarão no litoral pernambucano, com 19 mortes.
Na entrevista, Campos também fez referência ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e prometeu disponibilizar as contas do governo na internet além de estabelecer metas para o trabalho da polícia no combate à violência.
R. Azevedo
A mais antiga profissão do mundo
Há tempos não lia um relato tão asqueroso quanto o que fazem Leandro Berguoci e Débora Yuri na Folha desta quinta (clique aqui) sobre as opiniões de alguns “artistas” que estiveram, na segunda, na casa de Gilberto Gil, no encontro com o presidente Lula. Wagner Tiso, cuja profissão é ser amigo aposentado do Milton Nascimento, diz que não está preocupado com a ética. Paulo Betti, supostamente citando Sartre — imaginem! — disse que "não dá para fazer política sem meter a mão na merda”, sem sujar as mãos. É uma referência, que ele só conhece de ouvir falar, pelo visto, à peça As Mãos Sujas, de Sartre, da sua fase pré-gagá-stalinista. Na verdade, trata-se de um libelo anti-stalinista, que faz justamente uma crítica feroz à idéia de que é preciso sujar as mãos, o exato oposto do que diz este atorzinho em sua delinqüência intelectual. Alguns discordaram, disseram que não é bem assim. José de Abreu, por exemplo, disse que “é difícil não meter a mão na merda, mas que é preciso tentar ter mãos beatas”. Foi ele quem, na segunda, pediu uma salva de palmas a José Mentor, José Dirceu e José Genoino. Terá sido com as mãos beatas ou com as outras? Augusto Boal, que acaba de receber uma pensão vitalícia como homem perseguido pela ditadura (Santo Deus!), não entrou no mérito. Disse que a ética não está sendo bem usada na campanha. Oh, claro que não. E Luiz Carlos Barreto, o preferido da Petrobras, disse que mensalão não é roubo. Roubo é sanguessuga. Para estes, ele defende “fuzilamento”. Barretão não suporta ladrão pé-de-chinelo. Alguns dos nossos artistas precisam voltar a tirar aquela carteirinha que antes se exigia das atrizes, provando que não tinham doenças venéreas. Sem querer ofender as atrizes do passado nem as putas, é claro.
A mais antiga profissão do mundo
Há tempos não lia um relato tão asqueroso quanto o que fazem Leandro Berguoci e Débora Yuri na Folha desta quinta (clique aqui) sobre as opiniões de alguns “artistas” que estiveram, na segunda, na casa de Gilberto Gil, no encontro com o presidente Lula. Wagner Tiso, cuja profissão é ser amigo aposentado do Milton Nascimento, diz que não está preocupado com a ética. Paulo Betti, supostamente citando Sartre — imaginem! — disse que "não dá para fazer política sem meter a mão na merda”, sem sujar as mãos. É uma referência, que ele só conhece de ouvir falar, pelo visto, à peça As Mãos Sujas, de Sartre, da sua fase pré-gagá-stalinista. Na verdade, trata-se de um libelo anti-stalinista, que faz justamente uma crítica feroz à idéia de que é preciso sujar as mãos, o exato oposto do que diz este atorzinho em sua delinqüência intelectual. Alguns discordaram, disseram que não é bem assim. José de Abreu, por exemplo, disse que “é difícil não meter a mão na merda, mas que é preciso tentar ter mãos beatas”. Foi ele quem, na segunda, pediu uma salva de palmas a José Mentor, José Dirceu e José Genoino. Terá sido com as mãos beatas ou com as outras? Augusto Boal, que acaba de receber uma pensão vitalícia como homem perseguido pela ditadura (Santo Deus!), não entrou no mérito. Disse que a ética não está sendo bem usada na campanha. Oh, claro que não. E Luiz Carlos Barreto, o preferido da Petrobras, disse que mensalão não é roubo. Roubo é sanguessuga. Para estes, ele defende “fuzilamento”. Barretão não suporta ladrão pé-de-chinelo. Alguns dos nossos artistas precisam voltar a tirar aquela carteirinha que antes se exigia das atrizes, provando que não tinham doenças venéreas. Sem querer ofender as atrizes do passado nem as putas, é claro.
R Azevedo
A delinqüência intelectual de Chico Buarque
Chico Buarque também acha que a política brasileira deve ser tratada como a Geni de sua música. Ele está com Paulo Betti. Daí que vote, claro, em Luiz Inácio Lula da Silva. Não é de espantar. Ele faz coisa muito pior, como defender o regime homicida de Cuba, por exemplo. Faz coisa ainda pior: pretende-se o branco de olhos verdes bastante procurador dos oprimidos brasileiros. E está sempre disposto a denunciar a violência da elite branca e perniciosa, como um Cláudio Lembo de sobrancelhas aparadas, entre um café e outro, um jogo de futebol e outro, em Paris.
Não. Não é ressentimento. A maioria de nós que lê jornal ou tem acesso a meios eletrônicos de comunicação pode ir a Paris se quiser. Ainda que não tenha o mesmo talento de Chico Buarque para fazer música (ao menos para os que gostam). Trata-se de brasileiros que dominam outros códigos, que são bons em outras coisas. E a sua especialidade, qualquer que seja ela, não lhes confere licença para falar bobagem. Chico, há muito tempo, é uma espécie de porta-voz, a despeito de sua brincadeira de gato e rato com a mídia, da suposta boa consciência nacional. É o nosso esquerdista chique de plantão; é o nosso socialismo lírico — como se pudesse haver um; como se tivesse havido um algum dia.
Ele pode, evidentemente, votar em quem quiser. Só não pode fazer o que fez nesta segunda, conforme relata o Estadão: “Chico Buarque reafirmou que vai votar em Lula e defendeu o músico Wagner Tiso, que disse não se importar com a ética do PT, mas com o jogo do poder. 'Também já falei bobagem, depois me arrependo.' Para ele, a posição dos colegas não é a de descartar a ética, mas relatar como é a política no Brasil. 'Essa é a realidade política.'”
Entenderam? Primeiro ele diz que foi uma bobagem. Depois ele não apenas justifica como repete o argumento de Tiso e do próprio Paulo Betti. Não há diferença entre dizer “Essa é a realidade da política” — ou seja, a ausência de ética — e a necessidade de “enfiar a mão na merda”. Esse é o Chico Buarque de “Apesar de você/ amanhã há de ser/outro dia”. Essa deve ser a “enorme euforia” que ele vislumbrava em suas músicas quando acabasse a ditadura. Esse é o cantor do “Vai passar/pela rua um samba popular”. Esse é o “poeta” daquela cafonice chamada Cálice, em parceria, diga-se, com Gilberto Gil, em cuja casa se deu aquele jantar. É a utopia imaginada pelo crítico social que via os operários caindo do andaime “na contramão/ atrapalhando o tráfego”.
Já escrevi outras vezes. Acho que ele tem letras líricas até razoáveis, com certo domínio do verso. Suas composições políticas, como quase toda arte engajada, são um lixo. Já eram a seu tempo. Valiam pela mística da resistência. Mas agora olhem o mal de que essa gente é capaz. Claro, a classe média engajada vai embevecida a seus shows. Os jornais se rasgam em elogios e lhe concedem espaços generosíssimos, como se um intérprete singular do Brasil estivesse falando. É nada. Bom era seu pai, Sérgio Buarque de Holanda, na obra que transita entre a história, a sociologia e a antropologia. A única besteira que fez foi fundar o PT. Mas Raízes do Brasil, Visão do Paraíso e Cobra de Vidro são livros que merecem ser lidos.
Durante algum tempo, Chico foi próximo do antigo Partido Comunista Brasileiro, o “Partidão”. Era até meio careta. Representava uma certa oposição, por exemplo, ao movimento tropicalista, que se queria mais internacionalista e menos engajado naquele misto exótico de nacionalismo e esquerdismo que acometia o Brasil — era mais um dos nossos “nativismos”. De todo modo, o pecebão reunia alguns intelectuais, gente que tinha lido mais de dois livros — ainda que errados. Com o tempo, Chico, como todos nós, foi ficando velho. E ficou precocemente gagá. Se o PT já era uma espécie de delinqüência intelectual no terreno da própria esquerda — isso quando ainda se queria puro (nunca foi) —, imaginem hoje, depois de tudo.
Suas declarações, tanto a de voto como a que perdoa Wagner Tiso, são dadas no mesmo dia em que vêm a público gravações que sugerem que Delúbio Soares, que continua petista, sim, senhores, pode ter comandado um esquema de R$ 15 milhões só na Saúde.
Grande coisa! Se Chico defende Fidel Castro — e ele defende —, por que iria se incomodar com isso? Quem é capaz de condescender com a execução sumária, sem direito a julgamento, de opositores do regime cubano, por que iria se incomodar com a bagatela de R$ 15 milhões — ou de R$ 40 milhões, arrancada aos pobres dos andaimes? A ideologia não tem preço. Nem limites.
A volta de Chico Buarque converte-se, assim, num emblema. Ela fecha um ciclo. Serve de trilha sonora das utopias da esquerda brasileira. Era isso o que ela queria. “Joga pedra na Geni. Ela é feita pra apanhar. Ela é boa de cuspir. Maldita Geni!”
Escatologias
Consta que, na reunião que Lula manteve com os “inteleliquituais” em São Paulo, alguém sugeriu que, caso ele seja reeleito, a festa de posse se dê num laboratório de análises clínicas e que a antiga estrela vermelha seja substituída por uma daquelas latinhas com uma amostra de “ética” para ser submetida a rigoroso exame. Detectou-se um novo tipo de vida que só prolifera em certo ambiente ético: o petralhis lumbricoides betti. Marilena Chaui prometeu estabelecer a genealogia da moral deste novo ser. E Ariano Suassuna vai lhe dedicar um auto, com música de Wagner Tiso e direção de Zé Celso.
A delinqüência intelectual de Chico Buarque
Chico Buarque também acha que a política brasileira deve ser tratada como a Geni de sua música. Ele está com Paulo Betti. Daí que vote, claro, em Luiz Inácio Lula da Silva. Não é de espantar. Ele faz coisa muito pior, como defender o regime homicida de Cuba, por exemplo. Faz coisa ainda pior: pretende-se o branco de olhos verdes bastante procurador dos oprimidos brasileiros. E está sempre disposto a denunciar a violência da elite branca e perniciosa, como um Cláudio Lembo de sobrancelhas aparadas, entre um café e outro, um jogo de futebol e outro, em Paris.
Não. Não é ressentimento. A maioria de nós que lê jornal ou tem acesso a meios eletrônicos de comunicação pode ir a Paris se quiser. Ainda que não tenha o mesmo talento de Chico Buarque para fazer música (ao menos para os que gostam). Trata-se de brasileiros que dominam outros códigos, que são bons em outras coisas. E a sua especialidade, qualquer que seja ela, não lhes confere licença para falar bobagem. Chico, há muito tempo, é uma espécie de porta-voz, a despeito de sua brincadeira de gato e rato com a mídia, da suposta boa consciência nacional. É o nosso esquerdista chique de plantão; é o nosso socialismo lírico — como se pudesse haver um; como se tivesse havido um algum dia.
Ele pode, evidentemente, votar em quem quiser. Só não pode fazer o que fez nesta segunda, conforme relata o Estadão: “Chico Buarque reafirmou que vai votar em Lula e defendeu o músico Wagner Tiso, que disse não se importar com a ética do PT, mas com o jogo do poder. 'Também já falei bobagem, depois me arrependo.' Para ele, a posição dos colegas não é a de descartar a ética, mas relatar como é a política no Brasil. 'Essa é a realidade política.'”
Entenderam? Primeiro ele diz que foi uma bobagem. Depois ele não apenas justifica como repete o argumento de Tiso e do próprio Paulo Betti. Não há diferença entre dizer “Essa é a realidade da política” — ou seja, a ausência de ética — e a necessidade de “enfiar a mão na merda”. Esse é o Chico Buarque de “Apesar de você/ amanhã há de ser/outro dia”. Essa deve ser a “enorme euforia” que ele vislumbrava em suas músicas quando acabasse a ditadura. Esse é o cantor do “Vai passar/pela rua um samba popular”. Esse é o “poeta” daquela cafonice chamada Cálice, em parceria, diga-se, com Gilberto Gil, em cuja casa se deu aquele jantar. É a utopia imaginada pelo crítico social que via os operários caindo do andaime “na contramão/ atrapalhando o tráfego”.
Já escrevi outras vezes. Acho que ele tem letras líricas até razoáveis, com certo domínio do verso. Suas composições políticas, como quase toda arte engajada, são um lixo. Já eram a seu tempo. Valiam pela mística da resistência. Mas agora olhem o mal de que essa gente é capaz. Claro, a classe média engajada vai embevecida a seus shows. Os jornais se rasgam em elogios e lhe concedem espaços generosíssimos, como se um intérprete singular do Brasil estivesse falando. É nada. Bom era seu pai, Sérgio Buarque de Holanda, na obra que transita entre a história, a sociologia e a antropologia. A única besteira que fez foi fundar o PT. Mas Raízes do Brasil, Visão do Paraíso e Cobra de Vidro são livros que merecem ser lidos.
Durante algum tempo, Chico foi próximo do antigo Partido Comunista Brasileiro, o “Partidão”. Era até meio careta. Representava uma certa oposição, por exemplo, ao movimento tropicalista, que se queria mais internacionalista e menos engajado naquele misto exótico de nacionalismo e esquerdismo que acometia o Brasil — era mais um dos nossos “nativismos”. De todo modo, o pecebão reunia alguns intelectuais, gente que tinha lido mais de dois livros — ainda que errados. Com o tempo, Chico, como todos nós, foi ficando velho. E ficou precocemente gagá. Se o PT já era uma espécie de delinqüência intelectual no terreno da própria esquerda — isso quando ainda se queria puro (nunca foi) —, imaginem hoje, depois de tudo.
Suas declarações, tanto a de voto como a que perdoa Wagner Tiso, são dadas no mesmo dia em que vêm a público gravações que sugerem que Delúbio Soares, que continua petista, sim, senhores, pode ter comandado um esquema de R$ 15 milhões só na Saúde.
Grande coisa! Se Chico defende Fidel Castro — e ele defende —, por que iria se incomodar com isso? Quem é capaz de condescender com a execução sumária, sem direito a julgamento, de opositores do regime cubano, por que iria se incomodar com a bagatela de R$ 15 milhões — ou de R$ 40 milhões, arrancada aos pobres dos andaimes? A ideologia não tem preço. Nem limites.
A volta de Chico Buarque converte-se, assim, num emblema. Ela fecha um ciclo. Serve de trilha sonora das utopias da esquerda brasileira. Era isso o que ela queria. “Joga pedra na Geni. Ela é feita pra apanhar. Ela é boa de cuspir. Maldita Geni!”
Escatologias
Consta que, na reunião que Lula manteve com os “inteleliquituais” em São Paulo, alguém sugeriu que, caso ele seja reeleito, a festa de posse se dê num laboratório de análises clínicas e que a antiga estrela vermelha seja substituída por uma daquelas latinhas com uma amostra de “ética” para ser submetida a rigoroso exame. Detectou-se um novo tipo de vida que só prolifera em certo ambiente ético: o petralhis lumbricoides betti. Marilena Chaui prometeu estabelecer a genealogia da moral deste novo ser. E Ariano Suassuna vai lhe dedicar um auto, com música de Wagner Tiso e direção de Zé Celso.
a mando do póóóóóóóóprio Jorge Moita:
Líder do MST é solto e culpa EUA por prisão
DA AGÊNCIA FOLHA, EM RECIFE
O ministro do Superior Tribunal de Justiça Nilson Naves concedeu ontem liminar a favor da libertação do coordenador nacional do MST, Jaime Amorim, preso no último dia 21 acusado de depredar o Consulado dos EUA em Recife, em 2005. Amorim acusou a Embaixada dos EUA de planejar sua prisão.
Ainda no Fórum, o líder sem-terra declarou que o movimento assumirá a missão de reivindicar melhores condições nas unidades penais brasileiras.
Líder do MST é solto e culpa EUA por prisão
DA AGÊNCIA FOLHA, EM RECIFE
O ministro do Superior Tribunal de Justiça Nilson Naves concedeu ontem liminar a favor da libertação do coordenador nacional do MST, Jaime Amorim, preso no último dia 21 acusado de depredar o Consulado dos EUA em Recife, em 2005. Amorim acusou a Embaixada dos EUA de planejar sua prisão.
Ainda no Fórum, o líder sem-terra declarou que o movimento assumirá a missão de reivindicar melhores condições nas unidades penais brasileiras.
Mais Azevedo sobre Chico*
Chico, obra, patrulha e Grass
O sistema hoje tá como o diabo gosta. Difícil de trabalhar. Vamos lá. Não confundi as posições ideológicas de Chico Buarque com sua obra. É claro que é possível ser um idiota em política e um gênio em literatura, música ou pintura — em literatura, creio, o risco de contaminação é maior, mas vá lá. Disse que o considero um letrista razoável nas composições líricas. Há um quê de kitsch nas letras, quando tentam ser, digamos, inteligentes demais. Jamais conseguiu um “Três apitos”, de Noel Rosa. “Você no inverno/ sem meias vai pro trabalho/ não faz fé do agasalho/ nem no frio você crê”. É a elaboração que não mostra os andaimes do edifício (Bilac). Mas aqui estamos no universo do gosto. Soneto tem uma bela letra.
Não gosto é de sua arte engajada — sua ou da de qualquer outro e em qualquer arte. Acho um desperdício, uma perda de tempo. E, agora sim, entramos então no núcleo da minha crítica, que não era à sua obra. Boa parte da reputação deste senhor se deve à sua militância pretensamente humanista, contra os algozes do povo e a favor da liberdade. Aí se construiu um mito. Nos tempos da Guerra Fria, um compositor de MPB, vá lá, até poderia alegar ignorância do que estava em curso — intelectuais não podiam; mas Chico nunca foi um deles. Sempre foi um boleiro que sabia fazer música.
Mas os tempos são outros. Ele sabe muito bem o nome do que pratica. Quando nos oferece suas afinidades eletivas com Cuba e tripudia sobre cadáveres sem sepultura, sobre pessoas presas e torturadas por delito de opinião. Quando declara seu voto em Lula e justifica as bobagens de Wagner Tiso, está nos dizendo que o Apdeuta nos propõe um valor maior do que a decência e a moralidade na vida pública. São os velhos amanhãs sorridentes da esquerda justificando crimes. Isso tudo torna a letra de “Soneto” pior? Mancha a sua qualidade? É claro que não. Mas expõe o mau-caratismo político de quem cantava “Cálice” como um ato de resistência — em tempo: gravou com Milton, mas a parceria é com o ministro que exalta a tribo do fumacê na versão para a música de Bob Marley.
Sim, é mais do que um direito, é um dever perguntar se era este o futuro que ele vislumbrava quando cantava “Apesar de você/ amanhã há de ser/ outro dia”? Por que não pode ser cobrado? Quem, como ele, artista popular, se ofereceu para manipular utopias e esperanças tem, sim, de ser cobrado. Ele se quis porta-voz de uma espécie de movimento e se ofereceu para carregar bandeira.
Sei que a dimensão é maior, e a escala de crimes, incomparável. Mas não me peçam agora para separar a obra de Günter Grass de sua confissão de que foi não um simpatizante forçado do nazismo, mas seu militante entusiasmado — de fato, um assassino. Pior: fez a confissão agora em busca de caraminguás. Estava por baixo. Se Grass tivesse feito digressões apenas sobre as estrelas; se fosse, sei lá, um Borges, para quem só o universo da literatura fazia sentido, e livros só tratavam de outros livros, talvez sua obra pudesse sair imaculada. Mas não: ele se queria porta-voz de um novo humanismo, de contestação aos valores dominantes. Era, em suma, um alternativo. O que Borges nunca foi — e nem por isso sua obra perdoa a simpatia pela ditadura militar.
Sim, a obra lírica de Chico, que classifico de razoável — e esta classificação nada tem a ver com suas opções políticas — sai incólume de suas escolhas. Mas sua produção política sobrepõe agora o lixo moral presente ao lixo estético passado. Quanto ao "romancista", vocês me poupem de ter de comentar aquele vexame. Prefiro os olhos de Bruna Lombardi.
*
PS: O número de petralhis lumbricoides betti é inédito. Estão em fúria. Quando eu não tiver o que fazer, vou falar mal do Chico Buarque. Assim dou uma folga a Marilena Chaui.
(*) este colador gosta de Chico Buarque. Incrível!
Chico, obra, patrulha e Grass
O sistema hoje tá como o diabo gosta. Difícil de trabalhar. Vamos lá. Não confundi as posições ideológicas de Chico Buarque com sua obra. É claro que é possível ser um idiota em política e um gênio em literatura, música ou pintura — em literatura, creio, o risco de contaminação é maior, mas vá lá. Disse que o considero um letrista razoável nas composições líricas. Há um quê de kitsch nas letras, quando tentam ser, digamos, inteligentes demais. Jamais conseguiu um “Três apitos”, de Noel Rosa. “Você no inverno/ sem meias vai pro trabalho/ não faz fé do agasalho/ nem no frio você crê”. É a elaboração que não mostra os andaimes do edifício (Bilac). Mas aqui estamos no universo do gosto. Soneto tem uma bela letra.
Não gosto é de sua arte engajada — sua ou da de qualquer outro e em qualquer arte. Acho um desperdício, uma perda de tempo. E, agora sim, entramos então no núcleo da minha crítica, que não era à sua obra. Boa parte da reputação deste senhor se deve à sua militância pretensamente humanista, contra os algozes do povo e a favor da liberdade. Aí se construiu um mito. Nos tempos da Guerra Fria, um compositor de MPB, vá lá, até poderia alegar ignorância do que estava em curso — intelectuais não podiam; mas Chico nunca foi um deles. Sempre foi um boleiro que sabia fazer música.
Mas os tempos são outros. Ele sabe muito bem o nome do que pratica. Quando nos oferece suas afinidades eletivas com Cuba e tripudia sobre cadáveres sem sepultura, sobre pessoas presas e torturadas por delito de opinião. Quando declara seu voto em Lula e justifica as bobagens de Wagner Tiso, está nos dizendo que o Apdeuta nos propõe um valor maior do que a decência e a moralidade na vida pública. São os velhos amanhãs sorridentes da esquerda justificando crimes. Isso tudo torna a letra de “Soneto” pior? Mancha a sua qualidade? É claro que não. Mas expõe o mau-caratismo político de quem cantava “Cálice” como um ato de resistência — em tempo: gravou com Milton, mas a parceria é com o ministro que exalta a tribo do fumacê na versão para a música de Bob Marley.
Sim, é mais do que um direito, é um dever perguntar se era este o futuro que ele vislumbrava quando cantava “Apesar de você/ amanhã há de ser/ outro dia”? Por que não pode ser cobrado? Quem, como ele, artista popular, se ofereceu para manipular utopias e esperanças tem, sim, de ser cobrado. Ele se quis porta-voz de uma espécie de movimento e se ofereceu para carregar bandeira.
Sei que a dimensão é maior, e a escala de crimes, incomparável. Mas não me peçam agora para separar a obra de Günter Grass de sua confissão de que foi não um simpatizante forçado do nazismo, mas seu militante entusiasmado — de fato, um assassino. Pior: fez a confissão agora em busca de caraminguás. Estava por baixo. Se Grass tivesse feito digressões apenas sobre as estrelas; se fosse, sei lá, um Borges, para quem só o universo da literatura fazia sentido, e livros só tratavam de outros livros, talvez sua obra pudesse sair imaculada. Mas não: ele se queria porta-voz de um novo humanismo, de contestação aos valores dominantes. Era, em suma, um alternativo. O que Borges nunca foi — e nem por isso sua obra perdoa a simpatia pela ditadura militar.
Sim, a obra lírica de Chico, que classifico de razoável — e esta classificação nada tem a ver com suas opções políticas — sai incólume de suas escolhas. Mas sua produção política sobrepõe agora o lixo moral presente ao lixo estético passado. Quanto ao "romancista", vocês me poupem de ter de comentar aquele vexame. Prefiro os olhos de Bruna Lombardi.
*
PS: O número de petralhis lumbricoides betti é inédito. Estão em fúria. Quando eu não tiver o que fazer, vou falar mal do Chico Buarque. Assim dou uma folga a Marilena Chaui.
(*) este colador gosta de Chico Buarque. Incrível!
No programa, ‘novo modelo’ para ‘democratizar’ mídia
Texto afirma que num novo mandato Lula “incentivará a criação de sistema democrático de comunicação”
O programa do governo Lula para um segundo mandato incluiu a meta de criar políticas para “democratizar” os meios de comunicação. Afirma explicitamente que será construído “um novo modelo institucional para as comunicações, com caráter democratizante”.
Segundo fontes do PT consultadas pelo Estado, para evitar desgaste com os meios de comunicação a um mês das eleições, o partido tinha a intenção de omitir do programa de governo a parte em que alguns grupos de trabalho haviam proposto a possibilidade de enquadrar as empresas do setor, para “democratizá-las”. A idéia era atribuída a um dos 32 grupos internos montados para fazer o programa, mas com tendência a ser descartada na redação final.
O texto anunciado e distribuído ontem pelo próprio presidente diz que o governo, em um segundo mandato, vai “incentivar a criação de sistema democrático de comunicação, favorecendo a democratização da produção, da circulação e do acesso aos conteúdos pela população”. Diz, também, que o governo deve “fortalecer a radiodifusão pública e comunitária, a inclusão digital, as produções regional e independente e a competição no setor”.
Apesar de o documento tratar o assunto de maneira superficial, do ponto de vista técnico, mas com jeito politicamente incisivo, os textos originais dos grupos de estudos são mais explícitos sobre as intenções do governo e chegam a afirmar que é preciso alterar a legislação para assegurar mais equilíbrio na cobertura dos meios eletrônicos, incentivos econômicos à criação de jornais e revistas independentes e conselhos populares com poder para decidir sobre atuais e futuras concessões.
Setores do PT trabalham nesse tipo de política porque o partido já discutiu mais de uma vez a necessidade de construir uma cadeia de jornais regionais que apóie as “idéias populares” do governo. Há dois anos, a Casa Civil e a Secretaria de Comunicação Institucional chegaram a tratar de apoio publicitário a jornais de periferia afinados com o Planalto.
O documento original do PT, que ajudou a incluir no programa a idéia da “democratização” da mídia, fala claramente em criar um “sistema democrático de rádio e TV”.
Texto afirma que num novo mandato Lula “incentivará a criação de sistema democrático de comunicação”
O programa do governo Lula para um segundo mandato incluiu a meta de criar políticas para “democratizar” os meios de comunicação. Afirma explicitamente que será construído “um novo modelo institucional para as comunicações, com caráter democratizante”.
Segundo fontes do PT consultadas pelo Estado, para evitar desgaste com os meios de comunicação a um mês das eleições, o partido tinha a intenção de omitir do programa de governo a parte em que alguns grupos de trabalho haviam proposto a possibilidade de enquadrar as empresas do setor, para “democratizá-las”. A idéia era atribuída a um dos 32 grupos internos montados para fazer o programa, mas com tendência a ser descartada na redação final.
O texto anunciado e distribuído ontem pelo próprio presidente diz que o governo, em um segundo mandato, vai “incentivar a criação de sistema democrático de comunicação, favorecendo a democratização da produção, da circulação e do acesso aos conteúdos pela população”. Diz, também, que o governo deve “fortalecer a radiodifusão pública e comunitária, a inclusão digital, as produções regional e independente e a competição no setor”.
Apesar de o documento tratar o assunto de maneira superficial, do ponto de vista técnico, mas com jeito politicamente incisivo, os textos originais dos grupos de estudos são mais explícitos sobre as intenções do governo e chegam a afirmar que é preciso alterar a legislação para assegurar mais equilíbrio na cobertura dos meios eletrônicos, incentivos econômicos à criação de jornais e revistas independentes e conselhos populares com poder para decidir sobre atuais e futuras concessões.
Setores do PT trabalham nesse tipo de política porque o partido já discutiu mais de uma vez a necessidade de construir uma cadeia de jornais regionais que apóie as “idéias populares” do governo. Há dois anos, a Casa Civil e a Secretaria de Comunicação Institucional chegaram a tratar de apoio publicitário a jornais de periferia afinados com o Planalto.
O documento original do PT, que ajudou a incluir no programa a idéia da “democratização” da mídia, fala claramente em criar um “sistema democrático de rádio e TV”.
R Azevedo
Acabou o fenômeno Loló
Acabei não comentando ontem. Quase tive pena de Heloísa Helena na entrevista concedida ao Jornal da Globo. Se, no Jornal Nacional, ela se saiu bem, o resultado ontem lhe foi catastrófico. Ela teve, enfim, a chance de expor todas as sandices defendidas pelo PSOL. Dentre outras coisas, se eleita, promete fazer um plebiscito para que a população decida se algumas empresas já privatizadas devem ou não ser reestatizadas. Isso, claro, depois de uma auditoria. Tentou recorrer à velha tática discursiva malufista de não responder o que lhe era perguntado, aproveitando para fazer proselitismo. William Waack e Criatiane Pelajo não caíram no truque. “Vai cortar ponto de servidor que fizer greve em serviço essencial?”. Ah, com ela não haverá greves porque a justiça estará no poder. Entendo. Esqueçam. E daí para baixo. Os tucanos e pefelistas podem desistir de apostar no seu avanço para provocar um segundo turno. Sabem o pior de tudo? Ela deve acreditar nas maluquices que diz. Ou teria, no caso do aborto, dado uma resposta de esquerda — logo, cínica. Mas não. Rejeitou o aborto, ao contrário da pregação das feministas e dos esquerdistas. Esses dois particulares — a opinião em si e o destemor com a patrulha — contaram a seu favor no meu tribunal. Logo, a esquerda não deve ter gostado. Pior para Loló. Eu jamais votaria nela. No fim da entrevista, tentou explicar o seu socialismo cristão: é um mundo em que judeus e palestinos convivam pacificamente em vez de jogar pedras uns nos outros. Marxismo cristão com judeus e palestinos já começa por ser uma idéia fora do lugar, hehe. Loló nem deve ser de esquerda. Ou estaria gozando os benefícios do petismo. Ela só é um pouco confusa, coitada. A onda acabou. É disso que tem para menos.
Acabou o fenômeno Loló
Acabei não comentando ontem. Quase tive pena de Heloísa Helena na entrevista concedida ao Jornal da Globo. Se, no Jornal Nacional, ela se saiu bem, o resultado ontem lhe foi catastrófico. Ela teve, enfim, a chance de expor todas as sandices defendidas pelo PSOL. Dentre outras coisas, se eleita, promete fazer um plebiscito para que a população decida se algumas empresas já privatizadas devem ou não ser reestatizadas. Isso, claro, depois de uma auditoria. Tentou recorrer à velha tática discursiva malufista de não responder o que lhe era perguntado, aproveitando para fazer proselitismo. William Waack e Criatiane Pelajo não caíram no truque. “Vai cortar ponto de servidor que fizer greve em serviço essencial?”. Ah, com ela não haverá greves porque a justiça estará no poder. Entendo. Esqueçam. E daí para baixo. Os tucanos e pefelistas podem desistir de apostar no seu avanço para provocar um segundo turno. Sabem o pior de tudo? Ela deve acreditar nas maluquices que diz. Ou teria, no caso do aborto, dado uma resposta de esquerda — logo, cínica. Mas não. Rejeitou o aborto, ao contrário da pregação das feministas e dos esquerdistas. Esses dois particulares — a opinião em si e o destemor com a patrulha — contaram a seu favor no meu tribunal. Logo, a esquerda não deve ter gostado. Pior para Loló. Eu jamais votaria nela. No fim da entrevista, tentou explicar o seu socialismo cristão: é um mundo em que judeus e palestinos convivam pacificamente em vez de jogar pedras uns nos outros. Marxismo cristão com judeus e palestinos já começa por ser uma idéia fora do lugar, hehe. Loló nem deve ser de esquerda. Ou estaria gozando os benefícios do petismo. Ela só é um pouco confusa, coitada. A onda acabou. É disso que tem para menos.
BOA!!!! 👍
Azevedo
Chomsky, o velhinho picareta
Chomsky: lá das bandas do capitalismo libertário, ele prega socialismo para a bugrada do Terceiro Mundo
Jamais tenham dúvida: onde houver um equívoco no mundo, em qualquer lugar do mundo, lá estará o intelectual e lingüista norte-americano Noam Chomsky para dar o seu apoio. O que nós temos em comum? A crítica a Lula, por razões, claro, opostas. É por isso que ele, agora, assina um manifesto em defesa da candidatura de... Heloisa Helena no Brasil. Ate aí, cada um faça o que achar melhor. O que me incomoda é que Chomsky e outros o façam porque, segundo dizem, Lula abandonou os ideais socialistas e se converteu à social-democracia! Vejam vocês: se os bacanas tivessem acusado Lula de ter aderido, vá lá, à direita, ainda eu tenderia, mesmo discordando, a compreender seus motivos. Mas não. Chomsky não gosta da social-democracia. Ele espera, certamente, um outro modelo para América Latina. Acha que a bugrada daqui merece é socialismo.
Chomsky é o retrato do vagabundismo intelectual do Primeiro Mundo, que espera sempre que gorilas terceiro-mundistas realizem cá suas utopias finalistas. Ora, queridos: Pol Pot, que matou três milhões no Camboja, foi formado por intelectuais da esquerda francesa. Vejam lá a maravilha que ele realizou. Régis Debray, antes de dizer cobras e lagartos de Che Guevara, foi seu companheiro de guerrilha e o verdadeiro teórico do “foquismo”.
Quem garante a delinqüência intelectual de Chomsky? O MIT (Massachusetts Institute of Technology ), onde é professor. Uma instituição como essa não poderia existir num país socialista, mas apenas onde vigorasse, como é o caso, uma cultura democrática — e, pois, assentada na economia de mercado. Ou Chomsky estaria prestando seus serviços a um partido. Ele usa, pois, das licenças que o sistema lhe faculta para combater seus princípios e pregar a sua superação — desde que em terras estranhas. Ele sabe que os EUA jamais serão um país socialista. Nesse sentido, pode se dar por satisfeito e fazer uma crítica confortável.
Chomsky, que é judeu, é também o mais ácido crítico da política dos EUA para o Oriente Médio e da política israelense. Ambas estão acima de qualquer debate? É claro que não. A rigor, nada que diga respeito às relações sociais e às escolhas políticas está. E Chomsky não se limita a apontar erros ou ações contraproducentes. Ele acha que os dois governos agem sempre movidos por dolo. Repete, inclusive, argumentos do integrismo islâmico com o álibi de quem se sabe judeu e, portanto, supostamente acima da suspeita de que queira destruir Israel. Mas, na prática, é o que ele quer. Por quê? Ai eu já acho que o problema é psicanalítico.
Chomsky é um picareta internacional em si mesmo. É inadmissível que, gozando de todas as facilidades que o capitalismo lhe proporciona, pontifique sobre a aplicação de um modelo socialista para os países da periferia. E, de resto, o PT não é social-democrata coisa nenhuma. Continua a ser um partido de esquerda, só que mais esperto do que Chomsky. Que nem isso entendeu direito.
Azevedo
Chomsky, o velhinho picareta
Chomsky: lá das bandas do capitalismo libertário, ele prega socialismo para a bugrada do Terceiro Mundo
Jamais tenham dúvida: onde houver um equívoco no mundo, em qualquer lugar do mundo, lá estará o intelectual e lingüista norte-americano Noam Chomsky para dar o seu apoio. O que nós temos em comum? A crítica a Lula, por razões, claro, opostas. É por isso que ele, agora, assina um manifesto em defesa da candidatura de... Heloisa Helena no Brasil. Ate aí, cada um faça o que achar melhor. O que me incomoda é que Chomsky e outros o façam porque, segundo dizem, Lula abandonou os ideais socialistas e se converteu à social-democracia! Vejam vocês: se os bacanas tivessem acusado Lula de ter aderido, vá lá, à direita, ainda eu tenderia, mesmo discordando, a compreender seus motivos. Mas não. Chomsky não gosta da social-democracia. Ele espera, certamente, um outro modelo para América Latina. Acha que a bugrada daqui merece é socialismo.
Chomsky é o retrato do vagabundismo intelectual do Primeiro Mundo, que espera sempre que gorilas terceiro-mundistas realizem cá suas utopias finalistas. Ora, queridos: Pol Pot, que matou três milhões no Camboja, foi formado por intelectuais da esquerda francesa. Vejam lá a maravilha que ele realizou. Régis Debray, antes de dizer cobras e lagartos de Che Guevara, foi seu companheiro de guerrilha e o verdadeiro teórico do “foquismo”.
Quem garante a delinqüência intelectual de Chomsky? O MIT (Massachusetts Institute of Technology ), onde é professor. Uma instituição como essa não poderia existir num país socialista, mas apenas onde vigorasse, como é o caso, uma cultura democrática — e, pois, assentada na economia de mercado. Ou Chomsky estaria prestando seus serviços a um partido. Ele usa, pois, das licenças que o sistema lhe faculta para combater seus princípios e pregar a sua superação — desde que em terras estranhas. Ele sabe que os EUA jamais serão um país socialista. Nesse sentido, pode se dar por satisfeito e fazer uma crítica confortável.
Chomsky, que é judeu, é também o mais ácido crítico da política dos EUA para o Oriente Médio e da política israelense. Ambas estão acima de qualquer debate? É claro que não. A rigor, nada que diga respeito às relações sociais e às escolhas políticas está. E Chomsky não se limita a apontar erros ou ações contraproducentes. Ele acha que os dois governos agem sempre movidos por dolo. Repete, inclusive, argumentos do integrismo islâmico com o álibi de quem se sabe judeu e, portanto, supostamente acima da suspeita de que queira destruir Israel. Mas, na prática, é o que ele quer. Por quê? Ai eu já acho que o problema é psicanalítico.
Chomsky é um picareta internacional em si mesmo. É inadmissível que, gozando de todas as facilidades que o capitalismo lhe proporciona, pontifique sobre a aplicação de um modelo socialista para os países da periferia. E, de resto, o PT não é social-democrata coisa nenhuma. Continua a ser um partido de esquerda, só que mais esperto do que Chomsky. Que nem isso entendeu direito.
justificativa vagabunda de um "intelectuar" vagabundo...
A ética da hipocrisia
PAULO BETTI
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Nos últimos dias, venho sendo submetido a um linchamento moral que deveria preocupar os democratas de nosso país
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"Nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo." (Fernando Pessoa, "Poema em Linha Reta")
NOS ÚLTIMOS dias, venho sendo submetido por setores da mídia e dos meios político, intelectual e artístico a um linchamento moral que deveria preocupar os democratas sinceros de nosso país. Ele oculta, sob a forma de protestos indignados contra minha suposta pregação do "fim da ética", uma corrente de intolerância e de farisaísmo político que se esforça para desqualificar todos aqueles que se identificam com o projeto político representado pelo presidente Lula.
Nesse episódio, tive pouquíssimas chances de defesa, de demonstrar o sentido completo da minha frase, extraída por repórteres ávidos e ansiosos à saída de um encontro entre artistas e o presidente: "Não se faz política sem sujar as mãos". "Sem pôr a mão na merda", de fato acrescentei, desnecessariamente, para delícia dos que buscavam munição para a renhida disputa eleitoral deste momento.
Embora a Folha tenha publicado minha carta aclarando o sentido das declarações, elas continuam sendo usadas como "prova" do colapso da ética entre nós.
Por outra frase, também dita sob o calor das cobranças, um dos maiores e mais respeitáveis músicos brasileiros, o maestro Wagner Tiso, vem sofrendo igual massacre.
Os jornais e os jornalistas, os artistas, os intelectuais e os políticos que protagonizam esses ataques sabem de quem estão falando. Conhecem nossas trajetórias. Lembram-se de mim associado à trajetória do PT, mas também à memorável batalha de Betinho "Pela Ética na Política". Sabem que constatar as transgressões como inevitáveis não é o mesmo que defendê-las. É lamentável que o sistema político exija um pragmatismo que suja as mãos, mas é só pelo reconhecimento da existência dessas mazelas que poderemos superá-las.
Todos sabem que falei coisas óbvias, que dispensariam explicações em outro contexto e momento. Temos um sistema de financiamento privado de campanhas que a todos contamina. Com esse sistema, acaba a fronteira entre o público e o privado. Quem tiver mais acesso aos endinheirados arrecada mais, obrigando-se, nos cargos públicos, a responder com reciprocidade.
Enquanto fez campanhas vendendo bonés e estrelinhas, o PT não teve chances de chegar ao poder. Em 2002, diante do favoritismo de Lula, os cofres se abriram. E o partido se envolveu com forças das quais deveria ter guardado distância. Errou por fazer o que todos sempre fizeram.
Nem por isso devem ser linchados os que, mesmo condenando esse erro, defendem a reeleição de Lula pela qualidade do governo que vem fazendo, voltado para os mais pobres, dando-lhes mais poder de compra e alguma chance de ascensão social. Por estar vivenciando a melhora de suas vidas, e não por amoralismo, é que a maioria dos eleitores o apóiam, segundo as pesquisas. Nosso sistema político permite a eleição direta do presidente da República, mas não lhe garante a governabilidade. A profusão de partidos dispersa o voto para a Câmara. Lula teve 52% dos votos em 2002, mas o PT ficou com 17% das cadeiras.
Em busca da maioria, todos os presidentes têm sido obrigados a buscar acordos e alianças. Acabam dependendo do apoio das forças do atraso político, que, em troca, pedem cargos, verbas e mesmo recursos financeiros com a desculpa de que têm dívidas de campanha.
O PT caiu nesse antigo alçapão. Nem por isso se deve negar o direito da maioria dos eleitores de reeleger o presidente. Nem por isso é democrático e "ético" o massacre daqueles que, como eu, declaram o voto acreditando na liberdade e na democracia que construímos em jornadas de lutas -das quais também participei. Mais que hipocrisia, há na exploração de minha frase um misto de autoritarismo com oportunismo político.
É autoritária porque reproduz o germe de todos os sistemas totalitários: desqualificar os que não se alinham com o pensamento dominante. Para calar, o primeiro passo é desmoralizar. Assim fazem as ditaduras.
É oportunista porque explora minha condição de artista, e as identidades que isso acarreta, para auferir dividendos eleitorais. Há coisa mais suja que isso? Estamos chegando a um grau preocupante de intolerância. Depois das eleições, em nome da democracia, precisamos baixar as armas e recuperar a cordialidade, traço de nossa cultura.
--------------------------------------------------------------------------------
PAULO BETTI , 53, é ator-diretor e produtor. Participou, entre outros, dos filmes "Lamarca" (1994) e "Guerra de Canudos" (1997). Foi professor de teatro da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas).
A ética da hipocrisia
PAULO BETTI
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Nos últimos dias, venho sendo submetido a um linchamento moral que deveria preocupar os democratas de nosso país
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"Nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo." (Fernando Pessoa, "Poema em Linha Reta")
NOS ÚLTIMOS dias, venho sendo submetido por setores da mídia e dos meios político, intelectual e artístico a um linchamento moral que deveria preocupar os democratas sinceros de nosso país. Ele oculta, sob a forma de protestos indignados contra minha suposta pregação do "fim da ética", uma corrente de intolerância e de farisaísmo político que se esforça para desqualificar todos aqueles que se identificam com o projeto político representado pelo presidente Lula.
Nesse episódio, tive pouquíssimas chances de defesa, de demonstrar o sentido completo da minha frase, extraída por repórteres ávidos e ansiosos à saída de um encontro entre artistas e o presidente: "Não se faz política sem sujar as mãos". "Sem pôr a mão na merda", de fato acrescentei, desnecessariamente, para delícia dos que buscavam munição para a renhida disputa eleitoral deste momento.
Embora a Folha tenha publicado minha carta aclarando o sentido das declarações, elas continuam sendo usadas como "prova" do colapso da ética entre nós.
Por outra frase, também dita sob o calor das cobranças, um dos maiores e mais respeitáveis músicos brasileiros, o maestro Wagner Tiso, vem sofrendo igual massacre.
Os jornais e os jornalistas, os artistas, os intelectuais e os políticos que protagonizam esses ataques sabem de quem estão falando. Conhecem nossas trajetórias. Lembram-se de mim associado à trajetória do PT, mas também à memorável batalha de Betinho "Pela Ética na Política". Sabem que constatar as transgressões como inevitáveis não é o mesmo que defendê-las. É lamentável que o sistema político exija um pragmatismo que suja as mãos, mas é só pelo reconhecimento da existência dessas mazelas que poderemos superá-las.
Todos sabem que falei coisas óbvias, que dispensariam explicações em outro contexto e momento. Temos um sistema de financiamento privado de campanhas que a todos contamina. Com esse sistema, acaba a fronteira entre o público e o privado. Quem tiver mais acesso aos endinheirados arrecada mais, obrigando-se, nos cargos públicos, a responder com reciprocidade.
Enquanto fez campanhas vendendo bonés e estrelinhas, o PT não teve chances de chegar ao poder. Em 2002, diante do favoritismo de Lula, os cofres se abriram. E o partido se envolveu com forças das quais deveria ter guardado distância. Errou por fazer o que todos sempre fizeram.
Nem por isso devem ser linchados os que, mesmo condenando esse erro, defendem a reeleição de Lula pela qualidade do governo que vem fazendo, voltado para os mais pobres, dando-lhes mais poder de compra e alguma chance de ascensão social. Por estar vivenciando a melhora de suas vidas, e não por amoralismo, é que a maioria dos eleitores o apóiam, segundo as pesquisas. Nosso sistema político permite a eleição direta do presidente da República, mas não lhe garante a governabilidade. A profusão de partidos dispersa o voto para a Câmara. Lula teve 52% dos votos em 2002, mas o PT ficou com 17% das cadeiras.
Em busca da maioria, todos os presidentes têm sido obrigados a buscar acordos e alianças. Acabam dependendo do apoio das forças do atraso político, que, em troca, pedem cargos, verbas e mesmo recursos financeiros com a desculpa de que têm dívidas de campanha.
O PT caiu nesse antigo alçapão. Nem por isso se deve negar o direito da maioria dos eleitores de reeleger o presidente. Nem por isso é democrático e "ético" o massacre daqueles que, como eu, declaram o voto acreditando na liberdade e na democracia que construímos em jornadas de lutas -das quais também participei. Mais que hipocrisia, há na exploração de minha frase um misto de autoritarismo com oportunismo político.
É autoritária porque reproduz o germe de todos os sistemas totalitários: desqualificar os que não se alinham com o pensamento dominante. Para calar, o primeiro passo é desmoralizar. Assim fazem as ditaduras.
É oportunista porque explora minha condição de artista, e as identidades que isso acarreta, para auferir dividendos eleitorais. Há coisa mais suja que isso? Estamos chegando a um grau preocupante de intolerância. Depois das eleições, em nome da democracia, precisamos baixar as armas e recuperar a cordialidade, traço de nossa cultura.
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PAULO BETTI , 53, é ator-diretor e produtor. Participou, entre outros, dos filmes "Lamarca" (1994) e "Guerra de Canudos" (1997). Foi professor de teatro da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas).
Se o PT só se comportou assim porque, de outro modo, não seria possível implementar suas mudanças, é de se esperar que tal impossibilidade, então, a outros também estava dada. Logo, de onde vêm a diferença que tornaria o PT especial?
maldita lógica...
maldita lógica...
Azevedo
Foi bom pra você, querida?
Sob o pretexto de criticar tanto tucanos como petistas — afinal, “somos isentos” —, o articulista Clóvis Rossi, da Folha, escreve neste domingo que Lula diz, “com razão, que a oposição quer mudar o povo para ganhar a eleição”. Segundo ele, “o problema é [o povo] ser eternamente objeto, e não agente de sua própria história”. Fazia alguns séculos que eu não via em letra impressa o mais surrado dos mantras esquerdistas da história da humanidade. Todas as revoluções comunistas do mundo foram feitas sob a premissa de que o povo seria “agente de sua própria história” — a variante francesa é “sujeito de sua própria história”. Aliás, procurem ler o manifesto de fundação do PT, que é de fevereiro de 1980 (verifiquem aí; se a data estiver errada, me corrijam, que eu altero). A expressão está lá. E a sharia criada então era que “o poder dos trabalhadores será obra dos próprios trabalhadores”. No fim das contas, Rossi estaria pronto para assinar o manifesto do Chomsky. Todo mal do PT estaria em não ter sido petista o bastante. Mas mais intrigado fiquei com outro trecho, quando ele escreve: “Vamos ser honestos ao menos uma vez na vida, vai (...)” Como assim? Vamos quem, cara pálida? Honestos só uma vez na vida? Uma vezinha só? A primeira vez? Foi bom pra você, querida?
Foi bom pra você, querida?
Sob o pretexto de criticar tanto tucanos como petistas — afinal, “somos isentos” —, o articulista Clóvis Rossi, da Folha, escreve neste domingo que Lula diz, “com razão, que a oposição quer mudar o povo para ganhar a eleição”. Segundo ele, “o problema é [o povo] ser eternamente objeto, e não agente de sua própria história”. Fazia alguns séculos que eu não via em letra impressa o mais surrado dos mantras esquerdistas da história da humanidade. Todas as revoluções comunistas do mundo foram feitas sob a premissa de que o povo seria “agente de sua própria história” — a variante francesa é “sujeito de sua própria história”. Aliás, procurem ler o manifesto de fundação do PT, que é de fevereiro de 1980 (verifiquem aí; se a data estiver errada, me corrijam, que eu altero). A expressão está lá. E a sharia criada então era que “o poder dos trabalhadores será obra dos próprios trabalhadores”. No fim das contas, Rossi estaria pronto para assinar o manifesto do Chomsky. Todo mal do PT estaria em não ter sido petista o bastante. Mas mais intrigado fiquei com outro trecho, quando ele escreve: “Vamos ser honestos ao menos uma vez na vida, vai (...)” Como assim? Vamos quem, cara pálida? Honestos só uma vez na vida? Uma vezinha só? A primeira vez? Foi bom pra você, querida?
Pra irritar o Domença...
A solidão dos jornais
Registraram-se reações algo iradas na mídia, sobretudo impressa, de que a reunião do presidente Lula com artistas, na casa do ministro Gilberto Gil no Rio de Janeiro, não dera os resultados esperados, ou desejados. Frases descontextualizadas pontuaram os comentários em tomo de indignação ou decepção, como a de que quem faz política acaba tendo que sujar as mãos, que pode ter vários significados, dependendo do contexto em que foi dita (...)
Inicialmente, quando o espetáculo midiático das CPIs estava no auge, quase todos eles consideravam entusiasticamente que a desagregação política da base de sustentação do governo Lula ia começar pelos setores e regiões “mais bem informados” e depois, como vaga irreversível, chegaria fatalmente aos bolsões, regiões, classes “menos informadas”, ou seja, a plebe.(...)
As campanhas conservadoras dos ou nos grandes jornais, ou mesmo as campanhas moralistas na TV não conseguem mais pautar a discussão em lugar nenhum, nem embaixo, nem no meio, nem em cima da pirâmide social, sempre espertamente confundida com uma pirâmide do bom saber e da boa informação, a não ser naqueles meio-ambientes que se sintam diretamente prejudicados pelas políticas sociais empunhadas pelo atual governo. Por quê? Porque basta ter-se acompanhado algumas discussões em todos esses ambientes para se perceber que o envolvimento de petistas e governistas com atividades que hoje estão sob investigação e julgamento da justiça e inclusive de órgãos do próprio governo provocou consternação sim, e até um período de luto. Mas isto não pautou a disputa eleitoral, que se deu até o momento mais em cima de projetos e prospecções para o futuro do que outra coisa.
Mesmo com acusações de inconsistências e as polêmicas críticas levantadas pela esquerda, a base de sustentação política do governo não encolheu, nem se ampliou a base de sustentação política de quem defenda o ideário neoliberal que fracassou ou com ele seja confundido apesar de declarações em contrário.(...)
(Flávio Aguiar, em http://www.pt.org.br/site/artigos/artig ... p?cod=1162)
A solidão dos jornais
Registraram-se reações algo iradas na mídia, sobretudo impressa, de que a reunião do presidente Lula com artistas, na casa do ministro Gilberto Gil no Rio de Janeiro, não dera os resultados esperados, ou desejados. Frases descontextualizadas pontuaram os comentários em tomo de indignação ou decepção, como a de que quem faz política acaba tendo que sujar as mãos, que pode ter vários significados, dependendo do contexto em que foi dita (...)
Inicialmente, quando o espetáculo midiático das CPIs estava no auge, quase todos eles consideravam entusiasticamente que a desagregação política da base de sustentação do governo Lula ia começar pelos setores e regiões “mais bem informados” e depois, como vaga irreversível, chegaria fatalmente aos bolsões, regiões, classes “menos informadas”, ou seja, a plebe.(...)
As campanhas conservadoras dos ou nos grandes jornais, ou mesmo as campanhas moralistas na TV não conseguem mais pautar a discussão em lugar nenhum, nem embaixo, nem no meio, nem em cima da pirâmide social, sempre espertamente confundida com uma pirâmide do bom saber e da boa informação, a não ser naqueles meio-ambientes que se sintam diretamente prejudicados pelas políticas sociais empunhadas pelo atual governo. Por quê? Porque basta ter-se acompanhado algumas discussões em todos esses ambientes para se perceber que o envolvimento de petistas e governistas com atividades que hoje estão sob investigação e julgamento da justiça e inclusive de órgãos do próprio governo provocou consternação sim, e até um período de luto. Mas isto não pautou a disputa eleitoral, que se deu até o momento mais em cima de projetos e prospecções para o futuro do que outra coisa.
Mesmo com acusações de inconsistências e as polêmicas críticas levantadas pela esquerda, a base de sustentação política do governo não encolheu, nem se ampliou a base de sustentação política de quem defenda o ideário neoliberal que fracassou ou com ele seja confundido apesar de declarações em contrário.(...)
(Flávio Aguiar, em http://www.pt.org.br/site/artigos/artig ... p?cod=1162)
nada aí me irritou. eles não vão dizer que são ladrões. aora, veja essa:
Reinaldo Azevedo
E se não tiver havido cartilha nenhuma, hein?
Tou começando a achar que aquele passarinho da madrugada não erra uma. Esse negócio da cartilha está ficando insuportável, fedorento mesmo. O senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), que nem está entre os meus prediletos, como vocês sabem, pode lá fazer escolhas políticas que não me agradam, mas não é louco. Leiam a fala dele sobre essa coisa das cartilhas: “Ou os envolvidos vão para a cadeia, ou se instalará no Brasil um quadro de desordem total. Quando a gente pensa que acabou, esse governo volta a surpreender. Agora foram R$ 11 milhões que sumiram em uma publicação fajuta. É absolutamente horripilante". Epa!!! Os R$ 11 milhões corresponderiam aos 2 milhões de exemplares entregues irregularmente ao PT ou esses R$ 11 milhões SUMIRAM? Se SUMIRAM NUMA PUBLICAÇÃO FAJUTA, então talvez nem tenha havido publicação... É isso o que Tasso quer insinuar? Afinal, houve ou não publicação? Se houve, o PT e o governo cometeram crime eleitoral — e isso eles já admitem. MAS ESTOU ESTRANHANDO O FATO DE QUE PEDEM TEMPO ATÉ PARA PROVAR A SACANAGEM QUE ELES PRÓPRIOS DIZEM QUE COMETERAM. Em casos assim, advogados amigos meus dizem que os autores estão tentando fabricar provas ex post. Alô, pauteiros. Tio Rei acha que esta história rende mais do que minhocas. Quem der a enxadada certa vai encontrar uma criação de minhocuçu, daqueles gordos, robustos, lustrosos, viçosos mesmo...
Reinaldo Azevedo
E se não tiver havido cartilha nenhuma, hein?
Tou começando a achar que aquele passarinho da madrugada não erra uma. Esse negócio da cartilha está ficando insuportável, fedorento mesmo. O senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), que nem está entre os meus prediletos, como vocês sabem, pode lá fazer escolhas políticas que não me agradam, mas não é louco. Leiam a fala dele sobre essa coisa das cartilhas: “Ou os envolvidos vão para a cadeia, ou se instalará no Brasil um quadro de desordem total. Quando a gente pensa que acabou, esse governo volta a surpreender. Agora foram R$ 11 milhões que sumiram em uma publicação fajuta. É absolutamente horripilante". Epa!!! Os R$ 11 milhões corresponderiam aos 2 milhões de exemplares entregues irregularmente ao PT ou esses R$ 11 milhões SUMIRAM? Se SUMIRAM NUMA PUBLICAÇÃO FAJUTA, então talvez nem tenha havido publicação... É isso o que Tasso quer insinuar? Afinal, houve ou não publicação? Se houve, o PT e o governo cometeram crime eleitoral — e isso eles já admitem. MAS ESTOU ESTRANHANDO O FATO DE QUE PEDEM TEMPO ATÉ PARA PROVAR A SACANAGEM QUE ELES PRÓPRIOS DIZEM QUE COMETERAM. Em casos assim, advogados amigos meus dizem que os autores estão tentando fabricar provas ex post. Alô, pauteiros. Tio Rei acha que esta história rende mais do que minhocas. Quem der a enxadada certa vai encontrar uma criação de minhocuçu, daqueles gordos, robustos, lustrosos, viçosos mesmo...
Em casos assim, advogados amigos meus dizem que os autores estão tentando fabricar provas ex post.
O que são provas ex post? Já aproveitando pra perguntar o que são provas ex ante também.
Mais pro Domença. Resolvi entrar na comunidade Acredito na Reeleição do Lula, pra ver o que dizem por lá. E resolvi postar o seguinte:
Me parece que nossos políticos eram ruins e continuam ruins (não importando se pertencem a partidos que se dizem de esquerda, centro ou direita). O presidente sabendo ou não do envolvimento do seu partido em esquemas de corrupção merece confiança?
E responderam:
O povo está bem sábio das coisas, entende que isto que apareceu de corrupçao foi uma forssação de barra, que sempre esteve aí, que é um mínimo diante da grande coisa que realmente interessa, de uma certa forma representa um pouco a coisa DOS FINS JUSTIFICANDO OS MEIOS, já que estes fins e meios lá estavam como o unico caminho a se fazer o mais possivel por uma população a muito tao desassistida.
Agora, o ódio desproporcional que os apoiadores do Alckmim expressam nao tem nada a ver com justiça etc, porque alem de fazerem sempre isto eles ainda operavam um roubo muitoooooooo maior sem ter perspectiva para os menos favorecidos ... Se o Lula tem o complexo Bolsa Familia, eles no maximo tiveram o Vale-Gás, isto sim uma esmola ... o ódio deles tem duas razoes basicas, uma preconceito por achar que sõ pode ser autoridade quem nasceu colarinho branco, e a segunda porque eles a cada dia estao ficando mais sem poder e os hiperpodres deles vao dia a dia mais aparecendo. só pra tu ter ideia, o BANESTADO nao foi a maior falcatrua, mesmo assim dentro dele tem um processinho do Bornhausen, só neste processinho ele responde pela lavagem de 5 BILHÕES DE DÓLARES, isto mesmo ... e o BANESTADO envolve mais de 10. 000 pessoas ... nao aceites respostas simplistas, é tudo um jogo muito pesado
Azevedo
Petista flerta com crime até sem querer...
Vocês já sabem a origem do dinheiro — BankBoston, Bradesco e Safra (falta agora saber os titulares das contas, certo?) —, já sabem, então, que a versão posta ontem para circular pelo PT (seria uma arrecadação entre candidatos a deputado federal) é falsa etc. Não pretendo ficar aqui repisando o óbvio e público. Interesso-me por outras sutilezas. O que acho espantoso é o que eu me arriscaria a chamar de propensão ao crime dos petistas mesmo quando eles não se dão conta, até quando não é essa a intenção. Olhem que extraordinário: um petista revela culpa até quando tenta se dizer inocente. O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, definiu a armação petista contra os tucanos de “uma trapalhada colossal e desnecessária”. Entenderam? Não foi crime, mas “trapalhada”. E ele está bravo porque ela era “desnecessária”. Afinal, argumenta ele, Lula, por ora, vence a disputa no primeiro turno. Então quer dizer que, caso o presidente estivesse atrás, o “desnecessário” passaria a ser “necessário”? Bernardo se aproveita de uma tola perplexidade dos bate-paus do petismo na mídia: “Por que o PT faria isso?” Já dei a resposta:
1) Porque estava sendo chantageado e queria se proteger;~
2) Porque aproveitou para alvejar o adversário, tentando atingir gravemente aquele que vai liderar a oposição caso Lula seja reeleito.
Petista flerta com crime até sem querer...
Vocês já sabem a origem do dinheiro — BankBoston, Bradesco e Safra (falta agora saber os titulares das contas, certo?) —, já sabem, então, que a versão posta ontem para circular pelo PT (seria uma arrecadação entre candidatos a deputado federal) é falsa etc. Não pretendo ficar aqui repisando o óbvio e público. Interesso-me por outras sutilezas. O que acho espantoso é o que eu me arriscaria a chamar de propensão ao crime dos petistas mesmo quando eles não se dão conta, até quando não é essa a intenção. Olhem que extraordinário: um petista revela culpa até quando tenta se dizer inocente. O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, definiu a armação petista contra os tucanos de “uma trapalhada colossal e desnecessária”. Entenderam? Não foi crime, mas “trapalhada”. E ele está bravo porque ela era “desnecessária”. Afinal, argumenta ele, Lula, por ora, vence a disputa no primeiro turno. Então quer dizer que, caso o presidente estivesse atrás, o “desnecessário” passaria a ser “necessário”? Bernardo se aproveita de uma tola perplexidade dos bate-paus do petismo na mídia: “Por que o PT faria isso?” Já dei a resposta:
1) Porque estava sendo chantageado e queria se proteger;~
2) Porque aproveitou para alvejar o adversário, tentando atingir gravemente aquele que vai liderar a oposição caso Lula seja reeleito.
Ainda não joguei a toalha. Respondi o seguinte (sem o Domença ajudar, óia só...):
Eu estava sendo irônico. Eu nasci em 79. Posso até não lembrar da ditadura porque era pequeno, mas lembro das várias mudanças de moeda e da inflação alta.
A história normalmente foi contada pelo prisma do vencedor. Mas atualmente, a maioria dos historiadores brasileiros são "de esquerda". E aquele que é considerado um dos mais importantes historiadores atuais, Eric Hobsbawm, além de velho militante de esquerda, utiliza o método marxista para análise da história, ou seja, sempre a partir do princípio da luta de classes. Sugiro um experimento: vá na escola onde suas filhas estudaram e procure falar mal de reforma agrária para os professores de história pra ver o que acontece. Me lembro de ter acontecido algo parecido quando estava no colégio.
E vai me dizer que todos os escândalos foram inventados? Tá querendo demais. Só pra citar o mais cômico: o do petista José Adalberto Vieira da Silva preso em flagrante no Aeroporto de Congonhas com US$ 100 mil na cueca e R$ 200 mil numa maleta. Muito provavelmente propina, ou você acha que o cara tava com medo de ser roubado dentro do avião? Não estou dizendo que a corrupção surgiu durante o governo do Lula, mas que ela continuou a existir, isso continuou.
Eu estava sendo irônico. Eu nasci em 79. Posso até não lembrar da ditadura porque era pequeno, mas lembro das várias mudanças de moeda e da inflação alta.
A história normalmente foi contada pelo prisma do vencedor. Mas atualmente, a maioria dos historiadores brasileiros são "de esquerda". E aquele que é considerado um dos mais importantes historiadores atuais, Eric Hobsbawm, além de velho militante de esquerda, utiliza o método marxista para análise da história, ou seja, sempre a partir do princípio da luta de classes. Sugiro um experimento: vá na escola onde suas filhas estudaram e procure falar mal de reforma agrária para os professores de história pra ver o que acontece. Me lembro de ter acontecido algo parecido quando estava no colégio.
E vai me dizer que todos os escândalos foram inventados? Tá querendo demais. Só pra citar o mais cômico: o do petista José Adalberto Vieira da Silva preso em flagrante no Aeroporto de Congonhas com US$ 100 mil na cueca e R$ 200 mil numa maleta. Muito provavelmente propina, ou você acha que o cara tava com medo de ser roubado dentro do avião? Não estou dizendo que a corrupção surgiu durante o governo do Lula, mas que ela continuou a existir, isso continuou.
Noutro tópico, um cara veio descendo o pau numa moça que disse "q interessa p/ um pobre coitado q ganha bolsa família ou outro tipo d esmola, saber q o Brasil cresceu 2,5% qdo a média dos países em volta foi d 4%? Ele não sabe q essa esmola vai acabar, não está interessado no amanhã, e sim na esmola de hoje.". Chamou ela até de louca.
Respondi. E até me senti meio candidato meio professor de primário:
Não é melhor fazer o país crescer para tirar esses milhões de brasileiros da necessidade de ajuda governamental? Pelo site do IBGE 95,7% das crianças de 7 a 14 anos já estão na escola. Pra começar, a entrega do auxilio nessa faixa etária deveria ser atrelada à qualidade de educação, e não simplesmente à freqüência escolar. Se a criança tem uma educação decente, tem mais chances de conseguir bom emprego, e logo não precisa mais de ajuda governamental. Anos depois, o filho dela provavelmente vai estudar também e assim vai...
Respondi. E até me senti meio candidato meio professor de primário:
Não é melhor fazer o país crescer para tirar esses milhões de brasileiros da necessidade de ajuda governamental? Pelo site do IBGE 95,7% das crianças de 7 a 14 anos já estão na escola. Pra começar, a entrega do auxilio nessa faixa etária deveria ser atrelada à qualidade de educação, e não simplesmente à freqüência escolar. Se a criança tem uma educação decente, tem mais chances de conseguir bom emprego, e logo não precisa mais de ajuda governamental. Anos depois, o filho dela provavelmente vai estudar também e assim vai...
Intelectuais contra a democracia
Paulo Ghiraldelli Jr.
Noam Chomsky e outros intelectuais criados com o cérebro banhado no esquema simplório do maniqueísmo da guerra fria estão em busca de uma “revolução mundial”. Dizem lutar contra o “imperialismo”, mas querem combatê-lo sem democracia. Na prática, dão apoio a todo movimento que mova ódio contra a democracia, inclusive os grupos que exalam o odor do fascismo, como o Hamas e o Hezbollah. No Brasil, querem ver no poder central o programa estatizante e arcaico de Heloísa Helena (PSOL). Queriam o PT, no passado, mas agora desistiram. E não desistiram do PT por causa da corrupção, e sim pelo fato de este não satisfazer seus ideais de criar um mundo que eles não sabem o que deve ser, mas que eu sei bem o que é: um mundo onde o último valor a ser considerado é o da liberdade individual.
E os intelectuais daqui, do Brasil, onde estão? Um grupo de intelectuais (e artistas), comandado por “Frei” Betto - que, sem nenhum pudor, disse que vota em Lula porque este “não se corrompeu” -, resolveu recentemente fazer um manifesto de apoio ao PT. Uma boa parte deles deixou o cérebro na gaveta e preferiu agir na condição de funcionário de universidade estatal ou de dependente de órgão de fomento à pesquisa, controlado pelo governo federal. Outros, que estão livres disso, esperam ansiosos e excitados a perda da liberdade: viram as pesquisas eleitorais e se bandearam para as filas dos mensaleiros. Mais parecem querer um emprego no próximo governo. Uma parte deles é - pasmem - de professores de Ética. Sim! Ética! Mas há também, nesse bolo, professores de História. Como pode um professor de História apagar um ano da nossa História, o ano de 2005? Há psicanalistas também? Sim! E isso nem Freud explica!
Parece que só agora estou conseguindo entender a razão por que esses intelectuais, que se apresentavam como amantes da democracia, entraram em crise pessoal no final dos anos 1980 e início dos anos 1990, quando do desmantelamento do império comunista e do fim da União Soviética (URSS). Esse pessoal, no fundo, tinha lá uma simpatia pelo totalitarismo. É fácil ver isso se olharmos para o que ocorreu e ocorre nas universidades estatais brasileiras.
Zélia Cardoso de Mello, quando quis voltar para sua cadeira na universidade, foi barrada por alunos num ato que pouco tinha que ver com uma manifestação democrática. Celso Lafer, quando ficou no governo Fernando Collor para efetuar a transição para o governo Itamar Franco, foi hostilizado por alunos universitários em manifestação que não foi tão diferente da que sofreu Zélia. Essas patrulhas ideológicas - minirréplica das SS de Hitler - agora funcionam a favor dos que ficaram e abaixaram a cabeça para Lula. A idéia desse tipo de movimento de estudantes é a mesma da de Chomsky: vamos lutar contra os que não falaram mal do “imperialismo” e vamos proteger os que se dizem contra tal coisa, mas que se dane a democracia. Aliás, como mostrou este jornal, essa é a regra do próprio Lula em campanha. Ele mesmo tem dito que não podemos imaginar a democracia como uma “coisa limpa”. Como é que um presidente da República, em plena campanha eleitoral, pode dizer isso e, assim mesmo, ser idolatrado por intelectuais famosos, que estão na mídia?
Eis aí a universidade estatal brasileira: as pessoas que fazem manifesto de apoio ao governante cujo partido comprou o Congresso Nacional e cometeu um crime contra a democracia possuem guarda pessoal. Criam barreiras estudantis para protegê-las na universidade. A prova disso é que podem voltar para a sala de aula em condição altiva, inclusive impondo suas idéias, mesmo traindo a Nação e todos os ideais de democracia e ética. Como pudemos chegar a tal situação? Como poderemos deixar nossos filhos nas mãos dessa gente, na universidade? Como poderemos formar professores para educar nossos netos, se os futuros professores vão ser formados por esse tipo de gente? Como esperar que nossos filhos e netos tenham amor à democracia, pela qual tanto lutamos, se eles vão ser educados - em sala de aula e em livros - por esses professores universitários que mostram claramente que podem ficar do lado do partido e do presidente que fez o que fez com o Congresso Nacional?
Lula tem anunciado seu incentivo à ampliação da rede de ensino universitário estatal. É claro que nisso há muito de propaganda e maquiagem. Mas há, de fato, essa ampliação - em quantidade, e não em qualidade de ensino. Denunciei isso aqui, no Estadão, em artigo passado, aliás, em apoio aos bons editoriais deste jornal que reclamam da qualidade do ensino. Por outro lado, Lula joga nosso dinheiro na manutenção da universidade particular, por meio de mecanismos de compra de bolsas. Com essas duas atitudes, Lula derruba a velha tese de que o governante que quer dominar a consciência popular não investe na educação. Mentira. Ele pode investir na educação e dominar ainda mais a consciência popular, pois tem o controle de uma parcela não diminuta de professores universitários influentes.
Isso pode mudar? É difícil. No futuro, dado o mecanismo de que a universidade estatal dispõe para repor os seus quadros, que é o concurso em que pares julgam pares, é difícil imaginar uma mudança de mentalidade. E a universidade particular imita a estatal no que ela tem de pior. Lula ou outro político igual a ele poderá ter mais domínio ainda sobre os intelectuais que têm acesso à mídia, se estes são professores. Por isso, avalio, não vai ser fácil se manter na trincheira democrática contra esse aparato de guerra que Lula e esses intelectuais doutrinadores estão montando.
Paulo Ghiraldelli Jr. é filósofo e escritor
Sites: http://www.filosofia.pro.br
e http://www.ghiraldelli.pro.br
Paulo Ghiraldelli Jr.
Noam Chomsky e outros intelectuais criados com o cérebro banhado no esquema simplório do maniqueísmo da guerra fria estão em busca de uma “revolução mundial”. Dizem lutar contra o “imperialismo”, mas querem combatê-lo sem democracia. Na prática, dão apoio a todo movimento que mova ódio contra a democracia, inclusive os grupos que exalam o odor do fascismo, como o Hamas e o Hezbollah. No Brasil, querem ver no poder central o programa estatizante e arcaico de Heloísa Helena (PSOL). Queriam o PT, no passado, mas agora desistiram. E não desistiram do PT por causa da corrupção, e sim pelo fato de este não satisfazer seus ideais de criar um mundo que eles não sabem o que deve ser, mas que eu sei bem o que é: um mundo onde o último valor a ser considerado é o da liberdade individual.
E os intelectuais daqui, do Brasil, onde estão? Um grupo de intelectuais (e artistas), comandado por “Frei” Betto - que, sem nenhum pudor, disse que vota em Lula porque este “não se corrompeu” -, resolveu recentemente fazer um manifesto de apoio ao PT. Uma boa parte deles deixou o cérebro na gaveta e preferiu agir na condição de funcionário de universidade estatal ou de dependente de órgão de fomento à pesquisa, controlado pelo governo federal. Outros, que estão livres disso, esperam ansiosos e excitados a perda da liberdade: viram as pesquisas eleitorais e se bandearam para as filas dos mensaleiros. Mais parecem querer um emprego no próximo governo. Uma parte deles é - pasmem - de professores de Ética. Sim! Ética! Mas há também, nesse bolo, professores de História. Como pode um professor de História apagar um ano da nossa História, o ano de 2005? Há psicanalistas também? Sim! E isso nem Freud explica!
Parece que só agora estou conseguindo entender a razão por que esses intelectuais, que se apresentavam como amantes da democracia, entraram em crise pessoal no final dos anos 1980 e início dos anos 1990, quando do desmantelamento do império comunista e do fim da União Soviética (URSS). Esse pessoal, no fundo, tinha lá uma simpatia pelo totalitarismo. É fácil ver isso se olharmos para o que ocorreu e ocorre nas universidades estatais brasileiras.
Zélia Cardoso de Mello, quando quis voltar para sua cadeira na universidade, foi barrada por alunos num ato que pouco tinha que ver com uma manifestação democrática. Celso Lafer, quando ficou no governo Fernando Collor para efetuar a transição para o governo Itamar Franco, foi hostilizado por alunos universitários em manifestação que não foi tão diferente da que sofreu Zélia. Essas patrulhas ideológicas - minirréplica das SS de Hitler - agora funcionam a favor dos que ficaram e abaixaram a cabeça para Lula. A idéia desse tipo de movimento de estudantes é a mesma da de Chomsky: vamos lutar contra os que não falaram mal do “imperialismo” e vamos proteger os que se dizem contra tal coisa, mas que se dane a democracia. Aliás, como mostrou este jornal, essa é a regra do próprio Lula em campanha. Ele mesmo tem dito que não podemos imaginar a democracia como uma “coisa limpa”. Como é que um presidente da República, em plena campanha eleitoral, pode dizer isso e, assim mesmo, ser idolatrado por intelectuais famosos, que estão na mídia?
Eis aí a universidade estatal brasileira: as pessoas que fazem manifesto de apoio ao governante cujo partido comprou o Congresso Nacional e cometeu um crime contra a democracia possuem guarda pessoal. Criam barreiras estudantis para protegê-las na universidade. A prova disso é que podem voltar para a sala de aula em condição altiva, inclusive impondo suas idéias, mesmo traindo a Nação e todos os ideais de democracia e ética. Como pudemos chegar a tal situação? Como poderemos deixar nossos filhos nas mãos dessa gente, na universidade? Como poderemos formar professores para educar nossos netos, se os futuros professores vão ser formados por esse tipo de gente? Como esperar que nossos filhos e netos tenham amor à democracia, pela qual tanto lutamos, se eles vão ser educados - em sala de aula e em livros - por esses professores universitários que mostram claramente que podem ficar do lado do partido e do presidente que fez o que fez com o Congresso Nacional?
Lula tem anunciado seu incentivo à ampliação da rede de ensino universitário estatal. É claro que nisso há muito de propaganda e maquiagem. Mas há, de fato, essa ampliação - em quantidade, e não em qualidade de ensino. Denunciei isso aqui, no Estadão, em artigo passado, aliás, em apoio aos bons editoriais deste jornal que reclamam da qualidade do ensino. Por outro lado, Lula joga nosso dinheiro na manutenção da universidade particular, por meio de mecanismos de compra de bolsas. Com essas duas atitudes, Lula derruba a velha tese de que o governante que quer dominar a consciência popular não investe na educação. Mentira. Ele pode investir na educação e dominar ainda mais a consciência popular, pois tem o controle de uma parcela não diminuta de professores universitários influentes.
Isso pode mudar? É difícil. No futuro, dado o mecanismo de que a universidade estatal dispõe para repor os seus quadros, que é o concurso em que pares julgam pares, é difícil imaginar uma mudança de mentalidade. E a universidade particular imita a estatal no que ela tem de pior. Lula ou outro político igual a ele poderá ter mais domínio ainda sobre os intelectuais que têm acesso à mídia, se estes são professores. Por isso, avalio, não vai ser fácil se manter na trincheira democrática contra esse aparato de guerra que Lula e esses intelectuais doutrinadores estão montando.
Paulo Ghiraldelli Jr. é filósofo e escritor
Sites: http://www.filosofia.pro.br
e http://www.ghiraldelli.pro.br
azevedo
Pesquisa e arranca-rabo de classes
Um país só caminha para o desastre quando suas “elites” — palavra que se tornou maldita no reinado petista — renunciam ao pensamento. Estabelece-se, então, um novo zeitgeist, um novo “espírito do tempo”. Numa imagem de Musil, que acho admirável, os aristocratas se tornam, então, servis aos donos de cavalos.
É o que me ocorre lendo um texto-análise da Folha On Line sobre a distribuição de votos na cidade de São Paulo. O título já dá pistas: “Disputa presidencial na capital de SP reflete contrastes da cidade, diz Datafolha”. E aí se constata o mais fácil: nas regiões mais pobres da cidade, vence Lula; nas mais ricas, vence Alckmin. Corolário óbvio: o petista é candidato dos pobres; o tucano, dos ricos. O que remete ao título, justificando-o.
Lê-se na análise: “ (...) o candidato do PSDB à Presidência, Geraldo Alckmin, tem 41% das intenções de voto na capital paulista, contra 39% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato do PT à reeleição. (...) As zonas periféricas Leste 2 (que reúne distritos como Itaquera, Guaianazes e Itaim Paulista, entre outros), Sul 2 (Jardim Ângela, Parelheiros e Cidade Dutra, entre outros) e Norte 2 (Brasilândia e Perus, por exemplo) são as regiões onde Lula encontra mais apoio. Na Leste 2, o petista tem 44% contra 37% de Alckmin. Na Sul 2, essas taxas correspondem a 43% e 35%, respectivamente, e na Norte 2, elas são 45% e 40%. (...) Alckmin, por sua vez, leva vantagem nas regiões mais ricas. Na Sul 1, por exemplo, que engloba bairros como Moema, Jardim Paulista e Itaim Bibi, o tucano chega a 48% contra 30% do atual presidente. Na Norte 1, que reúne, entre outros, os distritos de Santana e Casa Verde, Alckmin tem 50% contra 25% de Lula. Na Zona Oeste (Pinheiros, Perdizes e Morumbi), o ex-governador tem 44% e Lula 41%.”
Eu mesmo já abordei aqui, a partir de um estudo detalhado do economista Luiz Carlos Mendonça de Barros, o que aconteceu com o poder de compra dos salários mais baixos em razão da valorização do real e da inflação baixa, variáveis casadas com o baixo crescimento da economia. Houve ganho. E a síntese óbvia é a seguinte: o benefício de agora aos mais pobres rouba-lhes o futuro. Ok. Como traduzir isso em questão eleitoral? É difícil.
O que torna a análise manca não é, pois, a constatação de que os mais pobres tendem a votar em Lula porque seu poder de compra aumentou (isso nem está no texto). E sim ignorar um fator fundamental da equação: a informação costuma ser diretamente proporcional à renda e, por que não?, ao entendimento do mundo, o que inclui o noticiário. Os mais pobres são oprimidos também pela ignorância. Gilberto Dimenstein, por exemplo, pretende que o voto em Lula é tão informado quanto o voto em Alckmin, já que eles dividiriam as preferências entre universitários. Não. Esse é só um desvio que confirma a regra. Nesse caso, conta mais o fator ideológico, que não desapareceu da política, do que a formação intelectual.
Vejam os números acima: Alckmin dá uma lavada em Santana e Casa Verde, bairros que classe média e classe média baixa: 50% contra 25%. Já em Pinheiros, Perdizes e Morumbi, muito mais “ricos” do que os outros dois, a vantagem do tucano é de apenas 3 pontos percentuais: 44% a 41%. Compreendo: a esquerdista (na média, claro) Vila Madalena, por exemplo, fica em Pinheiros: há mais petistas e antiamericanos ali do que, respectivamente, na pobre Diadema ou em Bagdá.
Os números, como se vê, não autorizam a leitura classista da distribuição de votos em São Paulo. A menos que se tente provar que há mais ricos na Casa Verde e em Santana do que em Moema, Jardim Paulista ou Itaim Bibi. Já as variáveis muito menos óbvias como informação — e não exatamente grau de instrução — e perfil ideológico parecem fazer a diferença. Mais: há um dado que nada tem de econômico ou sociológico: a periferia de São Paulo, na gestão Marta Suplicy, tornou-se um bunker petista. Na campanha à Prefeitura de 2004, um petista chegou a declarar: “a Capela do Socorro está sitiada”.
Textos como este levam os petistas, filopetistas e congêneres a indagar: “Ah, então quer dizer que voto de gente ignorante tem menos valor?” Não. Tanto não tem que, se Lula for eleito, vai tomar posse — a menos que seja impedido por alguma questão envolvendo a Justiça ou a polícia. Mas não há mal nenhum, ao contrário, em apontar o óbvio. Quem quer que tenha entendido o que o Jornal Nacional noticiou ontem só vota em Lula movido ou a má-fé ou a alinhamento ideológico. O diabo é que há um monte de gente que não entendeu nada. Pode-se até culpar as “elites” por isso também, os governos passados etc. A questão, então, seria saber o que este governo está fazendo em favor das luzes.
Para arrematar, observe-se: ainda que Lula leva vantagem, sim, nas áreas mais pobres da cidade, mas em índices absolutamente distintos do que acontece no Nordeste, por exemplo, onde chega a 70% das intenções de voto. A pobre, num grande centro, por mais esmagado que esteja pela miséria, ainda é diferente do pobre dos rincões do Brasil. Está exposto a mais informação. E a um coro diverso de opiniões.
O PT conquistou a adesão “das massas” — que nada têm a ver com o sonho do antigo bolchevismo. Sua política agressivamente assistencialista e seu arremedo de luta de classes — “Nós”, os pobres, contra “eles”, os ricos — ganhou expressão eleitoral. Tenho advertido para este aspecto desde os tempos de Primeira Leitura, desde a campanha de 2002, desde sempre. As oposições, até agora, ignoraram solenemente essa realidade. Por isso a campanha de Alckmin começou tão fria, tão técnica, tão “racional”.
Para encerrar: que o PT e Lula finjam acreditar em seu arranca-rabo de classes, vá lá. Que a imprensa caia na conversa, bem, aí já é de lascar.
Pesquisa e arranca-rabo de classes
Um país só caminha para o desastre quando suas “elites” — palavra que se tornou maldita no reinado petista — renunciam ao pensamento. Estabelece-se, então, um novo zeitgeist, um novo “espírito do tempo”. Numa imagem de Musil, que acho admirável, os aristocratas se tornam, então, servis aos donos de cavalos.
É o que me ocorre lendo um texto-análise da Folha On Line sobre a distribuição de votos na cidade de São Paulo. O título já dá pistas: “Disputa presidencial na capital de SP reflete contrastes da cidade, diz Datafolha”. E aí se constata o mais fácil: nas regiões mais pobres da cidade, vence Lula; nas mais ricas, vence Alckmin. Corolário óbvio: o petista é candidato dos pobres; o tucano, dos ricos. O que remete ao título, justificando-o.
Lê-se na análise: “ (...) o candidato do PSDB à Presidência, Geraldo Alckmin, tem 41% das intenções de voto na capital paulista, contra 39% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato do PT à reeleição. (...) As zonas periféricas Leste 2 (que reúne distritos como Itaquera, Guaianazes e Itaim Paulista, entre outros), Sul 2 (Jardim Ângela, Parelheiros e Cidade Dutra, entre outros) e Norte 2 (Brasilândia e Perus, por exemplo) são as regiões onde Lula encontra mais apoio. Na Leste 2, o petista tem 44% contra 37% de Alckmin. Na Sul 2, essas taxas correspondem a 43% e 35%, respectivamente, e na Norte 2, elas são 45% e 40%. (...) Alckmin, por sua vez, leva vantagem nas regiões mais ricas. Na Sul 1, por exemplo, que engloba bairros como Moema, Jardim Paulista e Itaim Bibi, o tucano chega a 48% contra 30% do atual presidente. Na Norte 1, que reúne, entre outros, os distritos de Santana e Casa Verde, Alckmin tem 50% contra 25% de Lula. Na Zona Oeste (Pinheiros, Perdizes e Morumbi), o ex-governador tem 44% e Lula 41%.”
Eu mesmo já abordei aqui, a partir de um estudo detalhado do economista Luiz Carlos Mendonça de Barros, o que aconteceu com o poder de compra dos salários mais baixos em razão da valorização do real e da inflação baixa, variáveis casadas com o baixo crescimento da economia. Houve ganho. E a síntese óbvia é a seguinte: o benefício de agora aos mais pobres rouba-lhes o futuro. Ok. Como traduzir isso em questão eleitoral? É difícil.
O que torna a análise manca não é, pois, a constatação de que os mais pobres tendem a votar em Lula porque seu poder de compra aumentou (isso nem está no texto). E sim ignorar um fator fundamental da equação: a informação costuma ser diretamente proporcional à renda e, por que não?, ao entendimento do mundo, o que inclui o noticiário. Os mais pobres são oprimidos também pela ignorância. Gilberto Dimenstein, por exemplo, pretende que o voto em Lula é tão informado quanto o voto em Alckmin, já que eles dividiriam as preferências entre universitários. Não. Esse é só um desvio que confirma a regra. Nesse caso, conta mais o fator ideológico, que não desapareceu da política, do que a formação intelectual.
Vejam os números acima: Alckmin dá uma lavada em Santana e Casa Verde, bairros que classe média e classe média baixa: 50% contra 25%. Já em Pinheiros, Perdizes e Morumbi, muito mais “ricos” do que os outros dois, a vantagem do tucano é de apenas 3 pontos percentuais: 44% a 41%. Compreendo: a esquerdista (na média, claro) Vila Madalena, por exemplo, fica em Pinheiros: há mais petistas e antiamericanos ali do que, respectivamente, na pobre Diadema ou em Bagdá.
Os números, como se vê, não autorizam a leitura classista da distribuição de votos em São Paulo. A menos que se tente provar que há mais ricos na Casa Verde e em Santana do que em Moema, Jardim Paulista ou Itaim Bibi. Já as variáveis muito menos óbvias como informação — e não exatamente grau de instrução — e perfil ideológico parecem fazer a diferença. Mais: há um dado que nada tem de econômico ou sociológico: a periferia de São Paulo, na gestão Marta Suplicy, tornou-se um bunker petista. Na campanha à Prefeitura de 2004, um petista chegou a declarar: “a Capela do Socorro está sitiada”.
Textos como este levam os petistas, filopetistas e congêneres a indagar: “Ah, então quer dizer que voto de gente ignorante tem menos valor?” Não. Tanto não tem que, se Lula for eleito, vai tomar posse — a menos que seja impedido por alguma questão envolvendo a Justiça ou a polícia. Mas não há mal nenhum, ao contrário, em apontar o óbvio. Quem quer que tenha entendido o que o Jornal Nacional noticiou ontem só vota em Lula movido ou a má-fé ou a alinhamento ideológico. O diabo é que há um monte de gente que não entendeu nada. Pode-se até culpar as “elites” por isso também, os governos passados etc. A questão, então, seria saber o que este governo está fazendo em favor das luzes.
Para arrematar, observe-se: ainda que Lula leva vantagem, sim, nas áreas mais pobres da cidade, mas em índices absolutamente distintos do que acontece no Nordeste, por exemplo, onde chega a 70% das intenções de voto. A pobre, num grande centro, por mais esmagado que esteja pela miséria, ainda é diferente do pobre dos rincões do Brasil. Está exposto a mais informação. E a um coro diverso de opiniões.
O PT conquistou a adesão “das massas” — que nada têm a ver com o sonho do antigo bolchevismo. Sua política agressivamente assistencialista e seu arremedo de luta de classes — “Nós”, os pobres, contra “eles”, os ricos — ganhou expressão eleitoral. Tenho advertido para este aspecto desde os tempos de Primeira Leitura, desde a campanha de 2002, desde sempre. As oposições, até agora, ignoraram solenemente essa realidade. Por isso a campanha de Alckmin começou tão fria, tão técnica, tão “racional”.
Para encerrar: que o PT e Lula finjam acreditar em seu arranca-rabo de classes, vá lá. Que a imprensa caia na conversa, bem, aí já é de lascar.
pra quem ainda não acessa o azevedo http://www.reinaldoazevedo.com.br
vem chumbo grosso por aí. ele disse que a sexta pode terminar bem. eu acho que o passarinho - e o chumbo - vem na Veja.
enquanto isso, o Bebum tá ficando com medo... 👍
Lula admite que eleição pode ser decidida somente no 2o turno
Por Ricardo Amaral
BRASÍLIA (Reuters) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) admitiu pela primeira vez publicamente, nesta sexta-feira, a possibilidade das eleições serem decididas no segundo turno e acusou a oposição de não aceitar o jogo democrático eleitoral.
"Se tiver segundo turno, não tem nenhum problema (...) e é bom que seja em dois turnos, nós vamos disputar. Eu não tenho dúvida que nós vamos ganhar. Só é preciso aferir corretamente o tempo", afirmou o presidente em encontro com prefeitos.
Num dos mais importantes atos políticos de sua campanha à reeleição, o presidente recebeu manifesto com apoio de 2.135 prefeitos, de 22 partidos, inclusive do PSDB e do PFL, principais adversários na disputa presidencial.
Lula pediu empenho dos prefeitos na reta final da eleição e voltou a dizer que os adversários estão desesperados.
"É preciso ficar de olho, porque tem gente neste país que ainda não aprendeu a viver na democracia. Tem gente neste país que pensou: 'vamos deixar o operário entrar, que ele não vai dar certo, e depois a gente volta com toda força"', disse.
"Só que os números mostraram que nós demos muito mais certo que eles e eles agora estão ansiosos para ver se existe outros meios que não a relação democrática da eleição para evitar que as pessoas dirijam este país", acrescentou o presidente, depois de agradecer o apoio que recebeu, na véspera, de entidades sindicais no meio da crise do dossiê.
Para Lula, devido ao desespero, seus adversários "estão tentando todos os dias baixar mais o nível".
"Eu sou o maior interessado em apurar esse negócio, eu quero saber toda a tramóia, que diabo de conteúdo tinha esse dossiê, que arapuca é essa. Porque se não tiver nada, quem fez isso não era de grande inteligência. É deplorável negociar com bandido e quem compra informação de bandido é tão bandido quanto os outros", disse.
Na solenidade, o vice-presidente José Alencar, que também concorre à reeleição, disse que Lula vai vencer no primeiro turno "queiram ou não queiram. Essa é a vontade do povo e eles (adversários) não têm poder para mudar o povo".
vem chumbo grosso por aí. ele disse que a sexta pode terminar bem. eu acho que o passarinho - e o chumbo - vem na Veja.
enquanto isso, o Bebum tá ficando com medo... 👍
Lula admite que eleição pode ser decidida somente no 2o turno
Por Ricardo Amaral
BRASÍLIA (Reuters) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) admitiu pela primeira vez publicamente, nesta sexta-feira, a possibilidade das eleições serem decididas no segundo turno e acusou a oposição de não aceitar o jogo democrático eleitoral.
"Se tiver segundo turno, não tem nenhum problema (...) e é bom que seja em dois turnos, nós vamos disputar. Eu não tenho dúvida que nós vamos ganhar. Só é preciso aferir corretamente o tempo", afirmou o presidente em encontro com prefeitos.
Num dos mais importantes atos políticos de sua campanha à reeleição, o presidente recebeu manifesto com apoio de 2.135 prefeitos, de 22 partidos, inclusive do PSDB e do PFL, principais adversários na disputa presidencial.
Lula pediu empenho dos prefeitos na reta final da eleição e voltou a dizer que os adversários estão desesperados.
"É preciso ficar de olho, porque tem gente neste país que ainda não aprendeu a viver na democracia. Tem gente neste país que pensou: 'vamos deixar o operário entrar, que ele não vai dar certo, e depois a gente volta com toda força"', disse.
"Só que os números mostraram que nós demos muito mais certo que eles e eles agora estão ansiosos para ver se existe outros meios que não a relação democrática da eleição para evitar que as pessoas dirijam este país", acrescentou o presidente, depois de agradecer o apoio que recebeu, na véspera, de entidades sindicais no meio da crise do dossiê.
Para Lula, devido ao desespero, seus adversários "estão tentando todos os dias baixar mais o nível".
"Eu sou o maior interessado em apurar esse negócio, eu quero saber toda a tramóia, que diabo de conteúdo tinha esse dossiê, que arapuca é essa. Porque se não tiver nada, quem fez isso não era de grande inteligência. É deplorável negociar com bandido e quem compra informação de bandido é tão bandido quanto os outros", disse.
Na solenidade, o vice-presidente José Alencar, que também concorre à reeleição, disse que Lula vai vencer no primeiro turno "queiram ou não queiram. Essa é a vontade do povo e eles (adversários) não têm poder para mudar o povo".
inside information...
A capa da VEJA vai ser boa mesmo...vários esquemas de segurança e aumento de volume...
será que vai ser um capa que nunca na história desssepaiz foi vista?
A capa da VEJA vai ser boa mesmo...vários esquemas de segurança e aumento de volume...
será que vai ser um capa que nunca na história desssepaiz foi vista?
ah, nada! já foi sim! entrevista do Pedro Collor, aquela capa do Collor magricela escrito CAIU!!! (tenho a revista até hoje)! 👍
nos comentários do Blog:
Sugestão de manchete para a capa da veja:
PRENDAM O SR. LUIS INÁCIO LULA DA SILVA. 👍
Sugestão de manchete para a capa da veja:
PRENDAM O SR. LUIS INÁCIO LULA DA SILVA. 👍
Esse é minha última resposta da série. Depois do meu post mencionando o Eric Hobsbawm, que também perguntava "vai me dizer que todos os escândalos foram inventados?", uma mulher escreveu:
sabe outro dia eu estava assistindo o horário politico com minha filha e comentei com ela que eu gostaria de criar uma comunidade para comentar a respeito do que esta acontecendo no governa Lula realmente eu acho muito estranho que esses podre estão aparecendo todos no governo dele (se na verdade roubalheira desde odescobrimento do Brasil sempre houve daqui a pouco vão dizer que foi no governo dele que o pau brasil sumiu daqui e o nosso ouro tambem)Realmente acho que queremos milagre e isso não da, mas vai perguntar a uma mãe o que é não ter como alimentar seus filhos acredito nele.Espero que esses baixarias acabem e que tenhamos esperança de um Brasil melhor com alguem que veio do povo como o Lula
E eu mandei algo que acabou saindo com um final meio dramático-populista:
Acha estranho? Toda oposição sempre fez questão de fuçar atrás dos erros do partido da situação. Se os erros do governo Lula estão aparecendo aos montes como "podre" é porque, pelo menos em parte, o governo está mesmo infestado de gente "podre". O que mostra que o PT acabou se mostrando tão ruim, ou até pior, do que os outros que o antecederam.
"mas vai perguntar a uma mãe o que é não ter como alimentar seus filhos". Eu mudaria a pergunta pra 'você prefere ter que depender desse dinheiro ou que sua família conseguisse por conta própria se sustentar?'.
Eu também espero que acabem essas baixarias, e também a malandragem que continua impune. Espero que tanto os corruptos como aqueles que prometem o impossível percebam o estrago que fazem. Espero também que o povo consiga enxergar através que muitas medidas só agem no curtíssimo prazo, mas que nada em definitivo resolvem. Desejo muito não ter que ficar só na esperança de um Brasil melhor antes que não exista mais nenhuma esperança. Desejo que o povo perceba que não é uma pessoa só que governa o país. E ainda desejo também, que um grupo de governantes competente e honesto, vindo ou não "do povo", consiga começar a finalmente dar um rumo pro país.
sabe outro dia eu estava assistindo o horário politico com minha filha e comentei com ela que eu gostaria de criar uma comunidade para comentar a respeito do que esta acontecendo no governa Lula realmente eu acho muito estranho que esses podre estão aparecendo todos no governo dele (se na verdade roubalheira desde odescobrimento do Brasil sempre houve daqui a pouco vão dizer que foi no governo dele que o pau brasil sumiu daqui e o nosso ouro tambem)Realmente acho que queremos milagre e isso não da, mas vai perguntar a uma mãe o que é não ter como alimentar seus filhos acredito nele.Espero que esses baixarias acabem e que tenhamos esperança de um Brasil melhor com alguem que veio do povo como o Lula
E eu mandei algo que acabou saindo com um final meio dramático-populista:
Acha estranho? Toda oposição sempre fez questão de fuçar atrás dos erros do partido da situação. Se os erros do governo Lula estão aparecendo aos montes como "podre" é porque, pelo menos em parte, o governo está mesmo infestado de gente "podre". O que mostra que o PT acabou se mostrando tão ruim, ou até pior, do que os outros que o antecederam.
"mas vai perguntar a uma mãe o que é não ter como alimentar seus filhos". Eu mudaria a pergunta pra 'você prefere ter que depender desse dinheiro ou que sua família conseguisse por conta própria se sustentar?'.
Eu também espero que acabem essas baixarias, e também a malandragem que continua impune. Espero que tanto os corruptos como aqueles que prometem o impossível percebam o estrago que fazem. Espero também que o povo consiga enxergar através que muitas medidas só agem no curtíssimo prazo, mas que nada em definitivo resolvem. Desejo muito não ter que ficar só na esperança de um Brasil melhor antes que não exista mais nenhuma esperança. Desejo que o povo perceba que não é uma pessoa só que governa o país. E ainda desejo também, que um grupo de governantes competente e honesto, vindo ou não "do povo", consiga começar a finalmente dar um rumo pro país.
azevedo
Delinqüências
A delinqüência não tem limites. Estão se perdendo todos os parâmetros. Ok. Cada um faz o que achar melhor no seu blog, no seu site, no seu jornal. Mas há uma hora em que a aposta na burrice do leitor passa dos limites. Vejam só: este inacreditável Expedito Veloso, ex-diretor do Banco do Brasil, é uma figurinha típica da República petista. Funcionário de um banco estatal, agia como quadro do partido. Agora, ele acusa os tucanos de terem tentado comprar o dossiê fajuto por R$ 10 milhões. Fala, e a informação ganha a rede, como se fosse coisa razoável. Vejam se não faz sentido: o PSDB queria comprar aquela porcariada por R$ 10 milhões. Como o PT ficou sabendo disso, resolveu se antecipar. Em vez de acionar a Polícia Federal de Márcio Thomaz Bastos e pegar a oposição em flagrante, preferiu entrar no negócio. E ofereceu quanto? R$ 2 milhões. Entre os R$ 10 milhões dos tucanos e os R$ 2 milhões dos petistas, Vedoin, claro, preferiu "menas" grana, como diria o Apedeuta. Tudo tem limite, exceção feita ao PT e a certo jornalismo
Delinqüências
A delinqüência não tem limites. Estão se perdendo todos os parâmetros. Ok. Cada um faz o que achar melhor no seu blog, no seu site, no seu jornal. Mas há uma hora em que a aposta na burrice do leitor passa dos limites. Vejam só: este inacreditável Expedito Veloso, ex-diretor do Banco do Brasil, é uma figurinha típica da República petista. Funcionário de um banco estatal, agia como quadro do partido. Agora, ele acusa os tucanos de terem tentado comprar o dossiê fajuto por R$ 10 milhões. Fala, e a informação ganha a rede, como se fosse coisa razoável. Vejam se não faz sentido: o PSDB queria comprar aquela porcariada por R$ 10 milhões. Como o PT ficou sabendo disso, resolveu se antecipar. Em vez de acionar a Polícia Federal de Márcio Thomaz Bastos e pegar a oposição em flagrante, preferiu entrar no negócio. E ofereceu quanto? R$ 2 milhões. Entre os R$ 10 milhões dos tucanos e os R$ 2 milhões dos petistas, Vedoin, claro, preferiu "menas" grana, como diria o Apedeuta. Tudo tem limite, exceção feita ao PT e a certo jornalismo
azevedo
Qurem calar até o arcebispo do Rio
É o fim da picada. A Justiça Eleitoral tentou intimar — ele se recusou a assinar — o cardeal Eusébio Oscar Scheid, arcebispo do Rio, para que oriente párocos a não fazer comentários de natureza político-ideológica. Na semana passada, a mesma Justiça Eleitoral determinou uma operação de busca e apreensão na arquidiocese e no gabinete do cardeal em busca de supostos panfletos contra a candidatura ao Senado de Jandira Feghali (PC do B). A representação é de autoria da coligação “Um Rio para Todos” (PT, PSB e PC do B). Como bem lembrou Dom Eusébio, nem na ditadura militar se ousava tanto. Não encontraram nada. Jandira é uma conhecida defensora da mudança da lei que autoriza o aborto legal. Ela quer ampliar as situações em que ele seria possível. Os católicos são contra. Quer dizer que um bispo não pode expressar a sua opinião e passar uma recomendação a seus fiéis? A Igreja Universal do Reino de Deus é dona do partido a que pertence o vice, José Alencar, e faz proselitismo aberto em favor de Lula e do “bispo” Crivella. E, segundo se percebe, não há nisso qualquer problema.
Qurem calar até o arcebispo do Rio
É o fim da picada. A Justiça Eleitoral tentou intimar — ele se recusou a assinar — o cardeal Eusébio Oscar Scheid, arcebispo do Rio, para que oriente párocos a não fazer comentários de natureza político-ideológica. Na semana passada, a mesma Justiça Eleitoral determinou uma operação de busca e apreensão na arquidiocese e no gabinete do cardeal em busca de supostos panfletos contra a candidatura ao Senado de Jandira Feghali (PC do B). A representação é de autoria da coligação “Um Rio para Todos” (PT, PSB e PC do B). Como bem lembrou Dom Eusébio, nem na ditadura militar se ousava tanto. Não encontraram nada. Jandira é uma conhecida defensora da mudança da lei que autoriza o aborto legal. Ela quer ampliar as situações em que ele seria possível. Os católicos são contra. Quer dizer que um bispo não pode expressar a sua opinião e passar uma recomendação a seus fiéis? A Igreja Universal do Reino de Deus é dona do partido a que pertence o vice, José Alencar, e faz proselitismo aberto em favor de Lula e do “bispo” Crivella. E, segundo se percebe, não há nisso qualquer problema.
mais uma da série "pra dar risada. ou não."
sobre a Volkswagen (recuperando piada antiga do AF sobre pronúncia do nome da montadora pelo Danilo, prestes a virar VolksFeijão).
Ceder ou lutar?
PLINIO DE ARRUDA SAMPAIO
A catástrofe anunciada está à vista da população. Mas esta, golpeada por seguidas desilusões com as lideranças políticas, não reage
"FALTA-NOS A experiência de provas cruciais, como as que conheceram outros povos cuja sobrevivência chegou a estar ameaçada. Mas não ignoramos que nosso tempo histórico se acelera, e que a contagem desse tempo se faz contra nós. Trata-se de saber se temos um futuro como nação que conta na construção do devenir humano.
Ou se prevalecerão as forças que se empenham em interromper o nosso processo histórico de formação de um Estado-nação."
Começo com essa citação do livro "Brasil: A Construção Interrompida", de Celso Furtado, para retomar o tema da greve na fábrica da Volkswagen em São Bernardo do Campo em uma perspectiva mais ampla.
Lembremos: após assembléia tumultuosa, os trabalhadores da Volks aceitaram a proposta da fábrica: 3.600 demissões voluntárias nos próximos meses. Aliviado, o governo Lula se apressou em anunciar que liberará vultoso empréstimo do BNDES para ajudar na modernização da empresa.
A proposta foi aprovada por cerca de 60% dos presentes. Proposta, aliás, não é bem o termo. A palavra certa é chantagem, pois a escolha foi entre demissão voluntária com benefícios financeiros ou demissão sem nenhum benefício além do estritamente estabelecido na legislação trabalhista.
Não se pode exigir que os trabalhadores da fábrica resistam isolados a um movimento de caráter mundial. A indústria de todo o mundo está se reciclando. O paradigma fordista foi superado por novas tecnologias produtivas, e isso implica drástica redução de postos de trabalho. O movimento é tão forte que a empresa se julgou em condições de fazer uma ameaça: ou as demissões seriam aceitas ou a fábrica seria fechada!
O governo reagiu de forma pífia. Em vez de repudiar a chantagem, se limitou a anunciar, timidamente, que, se as negociações fracassassem, poderia rever o empréstimo milionário que o BNDES está dando à empresa, colaborando assim para substituir trabalhadores por máquinas.
O meio sindical não se manifestou com a firmeza necessária, e a igreja, outrora solidária e organizadora do auxílio-greve, ficou quieta. Isolados ante o dilema "morte lenta com sedativo ou morte súbita sem sedativo" -um dilema que se repete hoje diante de todos os grandes problemas brasileiros-, os trabalhadores cederam.
Além da indignação que causa a petulância de uma empresa que auferiu grandes lucros em nosso país durante mais de 40 anos se beneficiando de inúmeros favores governamentais, o episódio evidencia a magnitude das mudanças que estão ocorrendo no mundo capitalista. As demissões fazem parte dessas mudanças e demonstram, inequivocamente, que, cedendo às exigências dos centros do capitalismo, o Brasil não conseguirá superar a condição de economia periférica, dependente e subordinada.
Essa catástrofe anunciada está à vista de toda a população. Mas esta, golpeada por sucessivas desilusões com suas lideranças políticas, não reage. Está totalmente anestesiada.
Isso transforma em verdadeiro estelionato eleitoral as promessas de dar emprego à juventude e salários dignos aos trabalhadores sem que se apresente uma alternativa à "estratégia da morte lenta". Rememoremos: em 1992, foram criadas as câmaras setoriais para negociar entre os três "parceiros" -trabalhadores, multinacionais e governo- a atenuação dos impactos da globalização na indústria brasileira. Naquela época, a Volkswagen empregava 18 mil trabalhadores e produzia 960 veículos/dia. Atualmente, emprega 11.900 e produz os mesmos 960 veículos/dia. Portanto, nesses 14 anos, a produção passou de 14 para 21 veículos por trabalhador/ano. Ou seja, a produtividade aumentou 50%, e o emprego encolheu 33%.
A indiferença com que a opinião pública acompanhou o drama dos trabalhadores da Volkswagen revela que os brasileiros ainda não perceberam que o mesmo se repetirá em todo o parque industrial do país e que atingirá, com maior ou menor intensidade, todos os trabalhadores brasileiros atuais e futuros.
Não se trata, portanto, de um problema dos trabalhadores daquela empresa, dos operários da indústria automobilística ou mesmo da classe trabalhadora. Trata-se de um problema nacional a requerer não uma solução técnica -que não há-, mas uma solução política, por meio de uma decisão nacional soberana. Se não for capaz de tomá-la, o povo brasileiro terá o mesmo trágico destino das estirpes condenadas que García Márquez retratou em seu livro "Cem Anos de Solidão".
--------------------------------------------------------------------------------
PLINIO DE ARRUDA SAMPAIO, 76, advogado, é presidente da Abra (Associação Brasileira de Reforma Agrária) e diretor do "Correio da Cidadania". Foi deputado federal pelo PT-SP (1985-91) e consultor da FAO (Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação). É candidato do PSOL ao governo de São Paulo.
sobre a Volkswagen (recuperando piada antiga do AF sobre pronúncia do nome da montadora pelo Danilo, prestes a virar VolksFeijão).
Ceder ou lutar?
PLINIO DE ARRUDA SAMPAIO
A catástrofe anunciada está à vista da população. Mas esta, golpeada por seguidas desilusões com as lideranças políticas, não reage
"FALTA-NOS A experiência de provas cruciais, como as que conheceram outros povos cuja sobrevivência chegou a estar ameaçada. Mas não ignoramos que nosso tempo histórico se acelera, e que a contagem desse tempo se faz contra nós. Trata-se de saber se temos um futuro como nação que conta na construção do devenir humano.
Ou se prevalecerão as forças que se empenham em interromper o nosso processo histórico de formação de um Estado-nação."
Começo com essa citação do livro "Brasil: A Construção Interrompida", de Celso Furtado, para retomar o tema da greve na fábrica da Volkswagen em São Bernardo do Campo em uma perspectiva mais ampla.
Lembremos: após assembléia tumultuosa, os trabalhadores da Volks aceitaram a proposta da fábrica: 3.600 demissões voluntárias nos próximos meses. Aliviado, o governo Lula se apressou em anunciar que liberará vultoso empréstimo do BNDES para ajudar na modernização da empresa.
A proposta foi aprovada por cerca de 60% dos presentes. Proposta, aliás, não é bem o termo. A palavra certa é chantagem, pois a escolha foi entre demissão voluntária com benefícios financeiros ou demissão sem nenhum benefício além do estritamente estabelecido na legislação trabalhista.
Não se pode exigir que os trabalhadores da fábrica resistam isolados a um movimento de caráter mundial. A indústria de todo o mundo está se reciclando. O paradigma fordista foi superado por novas tecnologias produtivas, e isso implica drástica redução de postos de trabalho. O movimento é tão forte que a empresa se julgou em condições de fazer uma ameaça: ou as demissões seriam aceitas ou a fábrica seria fechada!
O governo reagiu de forma pífia. Em vez de repudiar a chantagem, se limitou a anunciar, timidamente, que, se as negociações fracassassem, poderia rever o empréstimo milionário que o BNDES está dando à empresa, colaborando assim para substituir trabalhadores por máquinas.
O meio sindical não se manifestou com a firmeza necessária, e a igreja, outrora solidária e organizadora do auxílio-greve, ficou quieta. Isolados ante o dilema "morte lenta com sedativo ou morte súbita sem sedativo" -um dilema que se repete hoje diante de todos os grandes problemas brasileiros-, os trabalhadores cederam.
Além da indignação que causa a petulância de uma empresa que auferiu grandes lucros em nosso país durante mais de 40 anos se beneficiando de inúmeros favores governamentais, o episódio evidencia a magnitude das mudanças que estão ocorrendo no mundo capitalista. As demissões fazem parte dessas mudanças e demonstram, inequivocamente, que, cedendo às exigências dos centros do capitalismo, o Brasil não conseguirá superar a condição de economia periférica, dependente e subordinada.
Essa catástrofe anunciada está à vista de toda a população. Mas esta, golpeada por sucessivas desilusões com suas lideranças políticas, não reage. Está totalmente anestesiada.
Isso transforma em verdadeiro estelionato eleitoral as promessas de dar emprego à juventude e salários dignos aos trabalhadores sem que se apresente uma alternativa à "estratégia da morte lenta". Rememoremos: em 1992, foram criadas as câmaras setoriais para negociar entre os três "parceiros" -trabalhadores, multinacionais e governo- a atenuação dos impactos da globalização na indústria brasileira. Naquela época, a Volkswagen empregava 18 mil trabalhadores e produzia 960 veículos/dia. Atualmente, emprega 11.900 e produz os mesmos 960 veículos/dia. Portanto, nesses 14 anos, a produção passou de 14 para 21 veículos por trabalhador/ano. Ou seja, a produtividade aumentou 50%, e o emprego encolheu 33%.
A indiferença com que a opinião pública acompanhou o drama dos trabalhadores da Volkswagen revela que os brasileiros ainda não perceberam que o mesmo se repetirá em todo o parque industrial do país e que atingirá, com maior ou menor intensidade, todos os trabalhadores brasileiros atuais e futuros.
Não se trata, portanto, de um problema dos trabalhadores daquela empresa, dos operários da indústria automobilística ou mesmo da classe trabalhadora. Trata-se de um problema nacional a requerer não uma solução técnica -que não há-, mas uma solução política, por meio de uma decisão nacional soberana. Se não for capaz de tomá-la, o povo brasileiro terá o mesmo trágico destino das estirpes condenadas que García Márquez retratou em seu livro "Cem Anos de Solidão".
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PLINIO DE ARRUDA SAMPAIO, 76, advogado, é presidente da Abra (Associação Brasileira de Reforma Agrária) e diretor do "Correio da Cidadania". Foi deputado federal pelo PT-SP (1985-91) e consultor da FAO (Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação). É candidato do PSOL ao governo de São Paulo.
Quero privatizar o BB, a Petrobras, os cineastas brasileiros e o Gilberto Gil...
A petralhada é mesmo uma graça. E, para lembrar Olavo de Carvalho, sua idiotia é coletiva. As opiniões e/ou provocações vêm em ondas. A última agora poderia ser resumida assim: “Lula vai ganhar. Quero só ver o que você vai fazer”. Ué, se ele vencer mesmo (toc, toc, toc) e não der um golpe de Estado (o do dossiê falhou), vou continuar a me divertir com as besteiras que diz. Ontem mesmo, no comício, ele lascou uma ótima: “Nós conseguimos, com muita humildade, desmoralizar aqueles que nós sucedemos”. Desmoralização humilde... É a cara de Lula. Sem contar que há a luta, na pior hipótese, para dar o golpe constitucional no tapetão do TSE (lembram-se?). E se o Alckmin vencer? Aí o jeito é amolar o tucano para ele despetralhar o governo e vender todas as estatais — todas mesmo, incluindo a Petrobras, o Banco do Brasil e a Vaca Sagrada. Vou cobrar a privatização até dos cineastas brasileiros e do Gilberto Gil (o problema é não aparecer ninguém para o leilão). Meu lema, nos tempos pós-petralhas, será “Menos Estado, Menas Miséria” — só para deixar claro que respeito o legado que Lula terá deixando na inculta e bela...
azevedo
A petralhada é mesmo uma graça. E, para lembrar Olavo de Carvalho, sua idiotia é coletiva. As opiniões e/ou provocações vêm em ondas. A última agora poderia ser resumida assim: “Lula vai ganhar. Quero só ver o que você vai fazer”. Ué, se ele vencer mesmo (toc, toc, toc) e não der um golpe de Estado (o do dossiê falhou), vou continuar a me divertir com as besteiras que diz. Ontem mesmo, no comício, ele lascou uma ótima: “Nós conseguimos, com muita humildade, desmoralizar aqueles que nós sucedemos”. Desmoralização humilde... É a cara de Lula. Sem contar que há a luta, na pior hipótese, para dar o golpe constitucional no tapetão do TSE (lembram-se?). E se o Alckmin vencer? Aí o jeito é amolar o tucano para ele despetralhar o governo e vender todas as estatais — todas mesmo, incluindo a Petrobras, o Banco do Brasil e a Vaca Sagrada. Vou cobrar a privatização até dos cineastas brasileiros e do Gilberto Gil (o problema é não aparecer ninguém para o leilão). Meu lema, nos tempos pós-petralhas, será “Menos Estado, Menas Miséria” — só para deixar claro que respeito o legado que Lula terá deixando na inculta e bela...
azevedo
azevedo
Sexta-feira, Setembro 29, 2006
"Tarse, Tarse, Tarse...Quem deus perdere vult, dementat prius...
Tarso Genro (Relações Institucionais) perdeu o senso de ridículo. Afirmou que a divulgação da imagem do dinheiro faz parte de uma conspiração envolvendo setores da Polícia Federal e do PSDB. E comparou o caso com o seqüestro do empresário Abílio Diniz, em 1989, quando os bandidos teriam sido forçados a vestir camisetas do PT. De manhã, Tarso queria fazer uma “concertação” com os tucanos. À tarde, ao sabor dos fatos, ele denuncia um golpe. Não sabe mais o que diz.
Se Tarso denuncia a existência de setores tucanos na PF, então é preciso admitir que há setores petistas nesta repartição pública. Imaginem um FBI dividido entre democratas e republicanos. Nunca antes Nestepaiz... De resto, os seqüestradores do empresário eram mesmo militantes de esquerda. Antigos membros do MIR chileno já admitiram a autoria da ação. E, não custa lembrar, ninguém forçou ninguém a vestir coisa nenhuma: os “aloprados” de então portavam mesmo material de campanha do PT.
Ainda que faltasse, em 1989, intimidade entre os seqüestrados e os petistas, elas se revelariam mais tarde. O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) foi um incansável militante em defesa da condição de “presos políticos” para aqueles bandidos. Verdade ou mentira, Tarso? Não se esqueça, ministro. “Quem deus perdere vult, dementat prius”. A quem Deus quer perder, primeiro tira-lhe o juízo.
Sexta-feira, Setembro 29, 2006
"Tarse, Tarse, Tarse...Quem deus perdere vult, dementat prius...
Tarso Genro (Relações Institucionais) perdeu o senso de ridículo. Afirmou que a divulgação da imagem do dinheiro faz parte de uma conspiração envolvendo setores da Polícia Federal e do PSDB. E comparou o caso com o seqüestro do empresário Abílio Diniz, em 1989, quando os bandidos teriam sido forçados a vestir camisetas do PT. De manhã, Tarso queria fazer uma “concertação” com os tucanos. À tarde, ao sabor dos fatos, ele denuncia um golpe. Não sabe mais o que diz.
Se Tarso denuncia a existência de setores tucanos na PF, então é preciso admitir que há setores petistas nesta repartição pública. Imaginem um FBI dividido entre democratas e republicanos. Nunca antes Nestepaiz... De resto, os seqüestradores do empresário eram mesmo militantes de esquerda. Antigos membros do MIR chileno já admitiram a autoria da ação. E, não custa lembrar, ninguém forçou ninguém a vestir coisa nenhuma: os “aloprados” de então portavam mesmo material de campanha do PT.
Ainda que faltasse, em 1989, intimidade entre os seqüestrados e os petistas, elas se revelariam mais tarde. O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) foi um incansável militante em defesa da condição de “presos políticos” para aqueles bandidos. Verdade ou mentira, Tarso? Não se esqueça, ministro. “Quem deus perdere vult, dementat prius”. A quem Deus quer perder, primeiro tira-lhe o juízo.